A apresentar mensagens correspondentes à consulta circo ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta circo ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Grandes livros para pequenos leitores #28 - O mundo ao contrário

Filho, este livro foi um dos presentes do teu 4º aniversário e tem esta dedicatória:
"Um dia, inevitavelmente, vais crescer mais. E ainda bem, é esse o percurso natural da vida. Vais perceber por ti que a natureza tem coisas perfeitas (o crescimento de uma criança é uma delas), mas que dela também fazem parte coisas imperfeitas, coisas que estão frequentemente fora do lugar, no lado contrário do que é suposto. Hoje não vou escrever sobre elas. Hoje espero apenas conseguir dar-te as bases para identificares o que está ao contrário; as bases para tentares contrariar o que de errado encontrarás neste nosso mundo; as bases para conseguires agir bem e por bem; as bases para seres e fazeres feliz.
Por agora dedico este livro àquela brincadeira tão nossa de te pegar ao colo, inclinar-te para trás com o apoio dos meus braços e proporcionar-te o mundo ao contrário, o mundo de pernas para o ar. Costumas pedir-me para fazer isto frequentemente. E eu faço-o orgulhosamente, como se fosse uma brincadeira que só nós é que conhecemos - não somos os únicos, mas fingimos que somos.
E agora temos uma outra brincadeira: vamos descobrir o que está ao contrário neste livro? vamos descobrir o que está no sítio errado? o que tem o tamanho errado? vamos tentar colocar as coisas nos sítios certos? Pode ser um passo para perceberes o lado certo e o lado errado das coisas...
Muitos parabéns neste dia tão especial da nossa vida, o dia 27 de Setembro".

Um livro mágico que nos leva a procurar o que está fora do sítio. Um livro com ilustrações extraordinárias que nos leva a refletir sobre o que seríamos e sentiríamos se invertêssemos papéis. Um livro muito bem pensado. Um livro de ATAK, da Editora Planeta Tangerina.


A propósito da minha resistência ao circo - já fomos uma vez, mas não tenho vontade de repetir; os avós do miúdo perguntaram-nos há dias se queríamos ir ao circo com ele, a nossa resposta foi imediata e negativa:


Este livro permite-nos colocar no lugar do outro, refletir sobre o que sentiríamos se estivéssemos no lugar do outro, inverter papéis (depois de lermos este livro pela primeira vez, o meu filho fez de conta que era o pai e eu a filha), realizar desenhos e pinturas ao contrário...
Este livro é um álbum ilustrado sem qualquer texto a completá-lo, o que nos permite dar azo à imaginação. Quando chegamos a esta página, podemos completá-la com "e naquele mundo longínquo onde tudo acontecia ao contrário, os animais iam ao circo ver as acrobacias que os homens conseguiam realizar" ou "naquele mundo criado ao contrário os homens faziam a vez dos animais no circo de Natal... será que gostavam?"... O texto que inventamos depende dos objetivos que definimos, da ocasião, das crianças que nos ouvem.

Uma das propostas que integrou as Atividades de Verão na escola do meu filho: crianças deitadas no chão debaixo de uma mesa; folhas de papel brancas coladas na parte de baixo do tampo da mesa; desenhos e pinturas realizadas ao contrário - chamaram-lhes "pinturas do avesso". A postura da criança ao realizar a atividade é contrária à habitual, a perícia manual é trabalhada. Será que foi muito difícil?

 Imagem retirada daqui

Depois, aumentaram o nível de dificuldade: pintaram assim e desenharam com um lápis entre os dedos dos pés:

 Imagem retirada daqui

O mundo ao contrário: um livro com tantas possibilidades educativas. 
Há 2 anos escrevi um texto com este título.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O nosso Calendário do Advento simplificado; votos de um Feliz Natal; uma história verdadeira de Natal.

O nosso calendário do Advento simplificado:

No dia 1 - acordámos com um cavalinho de madeira pendurado na cama. Trouxe com ele um recado do Pai Natal: é dia de fazer a árvore de Natal.
No Dia 2 - deixaram-nos um livro que fala, sem conservadorismos e com humor, do nascimento do Menino Jesus, dos Reis Magos e da prenda que o Pai Natal ofereceu ao Menino Jesus. 
No dia 3 - a madrinha trouxe-nos um convite para irmos ao circo. O meu coração dividiu-se: por um lado a alegria e a nostalgia em recordar o circo da minha infância no Coliseu de Lisboa (ia todos os anos através da empresa do meu pai); por outro a minha posição contra a existência de animais em contexto circense. Fui à procura, na página de facebook do circo, se tinham alguma coisa a escrever sobre este assunto. Encontrei o que procurava. Ainda assim, é algo que me incomoda. Mas fomos, ele gostou e eu gostei com ele. Viu leões, elefantes, cães, cavalos, palhaços, trapezistas, motas (novidade para mim). Quando questionado acerca da 1.ª ida ao circo, a resposta foi quase sempre a mesma: vi o elefante a fazer cocó e os senhores foram a correr limpar. E é isto: o animal sem privacidade e o meu filho, com tanta coisa para relatar/recordar, guardou esta imagem.
No dia 5 - sem ninguém pedir, encomendar ou desejar, fomos invadidos por um bando de pintas comichosas: Varicela.
No dia 12 - o pai Natal e os Elfos passaram lá por casa e deixaram um enfeite na nossa porta: uma árvore de Natal e um Pai Natal de madeira.
No dia 16 - recebemos um livro que fala do nascimento do Menino Jesus, este mais adequado à idade do miúdo, já que o outro teve de ser bastante resumido por nós.
No dia 17 - foi dia de separar brinquedos para oferecer a outras crianças. O primeiro "brinquedo" que ele escolheu para oferecer foi uma etiqueta de papel que estava na arca dos brinquedos: Mãe, olha, oferece isto... Isto vai lá, talvez demore mais tempo do que eu estava à espera, mas vai lá. Já decidi que vou dar muitos brinquedos sem o consentimento do miúdo, mas gostava que ele escolhesse, pelo menos, 1 ou 2. Temos até dia 22/23 de Dezembro.
No dia 18 - o objetivo era ir ver o Pai Natal ao Castelo de uma terra vizinha e ir ao Ikea comprar cadeiras (tinha tanta vontade de aproveitar a folga do pai, depois de várias semanas sem folga ao fim de semana, para fazer compras... nem imaginam!). Chegámos ao castelo com o miúdo a dormir. Rumámos ao Ikea e encontrámos o Pai Natal, mas o miúdo não quis conversas com ele. Que "passeio de Natal" tão sem sal. Valeu estarmos juntos! Foi dia de enfeitarmos uma árvore de Natal para a escola. Não correu como o planeado, uma vez que fiz quase tudo sozinha. Era suposto fazermos em conjunto: o miúdo ainda me ajudou numa pequeníssima parte logo no início; eu e o pai discutimos por causa de cola, algodão e papéis. Discussões matrimoniais normais, portanto.
No dia 19 - chegou-nos um recado de que iríamos receber gradualmente as figuras do  nosso primeiro presépio: hoje chegou o anjo e o cenário com a estrela. Ele chama-lhe espetáculo.
No dia 20 - chegou o pastor, chegaram as ovelhas e a árvore. Ele vai ser um dos pastores na festa de Natal, foi uma forma de valorizarmos a personagem e de nos envolvermos. O recado que nos deixaram diz que faltam 4 dias para a noite de Natal!
Ele diz que pode pedir dois brinquedos ao Pai Natal: quer um carro dos bombeiros do Mickey super rápido e um carro grande super rápido.
No dia 21 - neste primeiro dia de Inverno, chegou Maria e chegou José. O Pai Natal já sabe que ele vai ser o pastor. Depois de me ouvir ler o recado, disse para o papel: Pai Natal, quero ser o Rei Mago verde... dia de lhe explicar que nem sempre conseguimos o que queremos. Faltam 3 dias para a noite de Natal!
No dia 22 - foi a festa de Natal na escola. De manhã disse-lhe para se divertir na festa com os amigos, disse que iria vê-lo, beijei-o no rosto e saí para trabalhar a pensar que ele queria ser o Rei Mago - há umas semanas disse-me exatamente o contrário, que não queria ser o Rei Mago; agora acha-lhe graça por causa da vestimenta verde; adora a cor verde.
Na plateia esteve muita gente a aplaudi-lo: eu e o pai, os 3 avós, a prima, a madrinha e a tia (que não viram a sua atuação, mas estiveram lá) e o tio. Emocionei-me quando vi aquela "pessoinha" em cima do palco, quando o vi interagir com os seus pares, quando confirmei o seu jeito inquieto, quando o ouvi dizer o seu nome ao microfone sem vergonha, quando testemunhei a disponibilidade dele para dizer o nome dos amigos que estavam mais envergonhados, quando li nos seus lábios perguntar pela mamã (estava logo na segunda fila). Gostei tanto de ver o meu filho crescer mais um bocadinho.
Na ida para casa disse-me: temos de ver se o Pai Natal deixou alguma coisa do presépio. Gosto mesmo das encenações que fazemos alusivas a esta época. Faltam 2 dias para a noite de Natal!
No dia 23 - chegou a manjedoura do Menino Jesus de manhã. Dia de oferecer os brinquedos que separámos. Falta 1 dia para a noite de Natal.
De 24 para dia 25 - será Natal. Nascerá o Menino Jesus, ele encontra-lo-á no dia 25 de manhã com o cavalinho de pau debaixo da árvore (ou no dia 24 à noite na casa da avó, ainda não decidi). Nesta história, os três Reis Magos não se atrasam (não é possível protelar até ao dia 6 de Janeiro; dia 23 de manhã disse-me que estava farto de esperar...), chegarão com o Menino Jesus.

O nosso presépio:



Feliz Natal!
Este Natal, bem como o ano inteiro, desejo que todos tenhamos saúde amorpazharmonia alegria. É uma frase feita, mas acho que nunca a escrevi de forma tão sentida. Desejo para nós e para o mundo o que desejei o ano passado.
Temos o direito e o dever de aproveitar tudo o que temos. E a verdade é que tudo o que temos é muito!


Uma história verdadeira deste Natal que gostava de partilhar:
Uma pessoa com quem trabalho deixou-me um envelope com um postal de Natal no qual relata que este ano não oferecerá prendas a ninguém. O valor das prendas que ofereceria será para duas famílias carenciadas que ela acompanha e que necessitam bastante de ajuda. Quando for entregar o dinheiro/as prendas dirá que fui eu, a Maria, a Clara, a Madalena, o Pedro, a Helena, o José, o Daniel (nomes fictícios) que ofereceram.
Para além de lhe agradecer, para além de ficar sensibilizada e emocionada (choro por tudo e por nada, deve ser da época), respondi que quero contribuir com algo mais. Tal como eu, outras pessoas juntaram-se a esta causa. É o chamado efeito dominó: ela "empurrou" a primeira peça, as outras vão por arrasto.
Há pouco mais de um ano escrevi sobre um "pequeno projeto pessoal" que gostava de por em prática. Fiz algumas coisas, como contribuições específicas e pontuais em causas que me tocaram especialmente, mas não o fiz como queria. Quero mesmo fazer uma coisa com significado para mim e para alguém todos os meses no próximo ano. É uma das minhas intenções para 2017. Tenho a sensação de que 2017 vai ser um excelente ano! 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #17 - Os três primeiros livros que requisitámos na Biblioteca

Desde há um ano/um ano e meio que vamos à Biblioteca. No Inverno vamos mais vezes, no Verão gostamos mais de apanhar ar no jardim ou no parque. Sempre que passamos perto da Biblioteca, ele liga o pisca na sua direção. A semana passada fomos aos CTT e no caminho encontra-mo-nos com ela. Entrámos. Ele gosta do espaço pela quantidade de livros, mas principalmente pela casa de madeira, pelos colchões no chão e pelo crocodilo de pano gigante que lá habita - ele desarruma e folheia livros, mas acho que a casinha de madeira é a sua perdição. Pela primeira vez requisitámos livros. Três. Como temos um prazo para os devolver (avisei-o de que os livros não são nossos) quando decidimos ler um, lemos todos. Ele pede sempre para lermos os três por uma ordem específica.

1 - O primeiro livro que ele pede para ler é sempre este:


A mãe e o Hugo fazem muitas coisas juntos, mas um dia a mãe tem coisas para fazer sozinha (telefonemas, responder a e-mails; já vivi este filme na primeira pessoa) e o Hugo tem de arranjar algo divertido para fazer sozinho. E arranja: prepara uma surpresa. Julgo que ele se identifica com os acontecimentos relatados neste livro, talvez por isso seja sempre o primeiro que ele pede para ler. Chama-lhe "Gosto de brincar com a mãe".
A Mamã e Eu é o título do livro, é de Emma Chichester Clark, da Editora Caminho.

2 - Adorei encontrar/conhecer o segundo livro. Se a escolha do primeiro livro requisitado na Biblioteca tivesse sido planeada,  não tinha sido tão assertiva.


Um coelho que adora livros. Um coelho que entra em casa das pessoas às escondidas para ler os seus livros. Um coelho que começa a desviar/roubar livros. Um Coelho Ladrão de Livros que é apanhado em flagrante. Uma hipótese de o Coelho Ladrão de Livros se reabilitar. Como? Incutindo-lhe o hábito de requisitar livros na Biblioteca. E devolvê-los. É uma história muito divertida e mais que adequada à explicação de que temos de estimar e devolver estes livros.
Procura-se Ralfy, o Coelho Ladrão de Livros, um livro de Emily Mackenzie, da Editora Minutos de Leitura.

3 - O terceiro livro é especial. Muito.


"O Baltasar era o melhor urso violinista do mundo. Chamavam-lhe Baltasar, o Grande! 
Um dia, é libertado do circo e inicia uma longa viagem. Diz adeus aos velhos amigos, visita novos lugares e faz novos amigos também. Mas a viagem é longa e os dias estão cada vez mais frios... Conseguirá o Baltasar encontrar o caminho até casa?"
O livro tem pouco texto, as imagens quase que nem precisam dele. Foi conseguido o equilíbrio entre o (pouco) texto necessário e as ilustrações apresentadas. As ilustrações são maravilhosas. É um livro que fala do direito dos animais viverem livremente. Fala de despedidas, de caminhos, de procura e de reencontros. Fala do reencontro com a família. E quando chegamos à ultima página, em que o Baltasar está no seu Habitat natural com os seus familiares ele diz:
- Aqui está o pai - apontando para o maior e mais gordo urso que aparece na imagem; pena aquele "ursinho" usar um biquíni, sinal de que deve ser a mãe; mas a intenção é boa, o pai é que é o grande e o... gordo lá de casa.
- Aqui está a mãe - apontando para o urso mais elegante. Boa, filho!
- Aqui está o Baltazar e a irmã - up´s, falta a irmã. Pode ser a prima?
- Aqui estão os avós, os tios, as primas... as professoras e as Carmos... Esbocei um sorriso enorme quando ele disse isto. Ele está a incluir naquela página, que representa a sua família, a educadora e a Ama. Ele deve achar que todos têm uma professora e uma Carmo (Ama) e que elas devem ser parte integrante da família.
Baltasar, o Grande, um livro de Kirsten Sims, da Editora Orfeu Mini.

Foram estes os três primeiros livros que requisitámos. E agora temos um problema: gostávamos mesmo de ter estes livros na nossa prateleira... Eu sabia que isto de requisitar livros tinha um lado bom e um lado mau: o lado bom existe porque temos acesso a mais histórias; o lado menos bom existe porque não nos contentamos em ficar com elas apenas 15 dias.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Ela

Ela é a minha sobrinha. 
Há duas semanas esteve doente. Durante o dia ficou em casa da minha mãe e num dos dias almocei com elas. Brincámos ao circo: ela com os pés em cima das minhas pernas a tentar equilibrar-se de acordo com as minhas instruções - só com um pé, sem te agarrares, etc. Cantámos e dançámos cantigas de roda da minha infância, que também são da dela. A nossa brincadeira durou 20 minutos, mais ou menos, mas saí de lá mais feliz do que ela (ou tão feliz como ela, vá). 
A semana passada, a minha mãe esteve doente, a mãe dela esteve doente, eu estive doente. A minha mãe mal conseguia pôr-se de pé, mas foi buscá-la à escola. Nesse dia, depois de almoço, a minha mãe pediu-lhe para ela ir dormir a sesta. Ela recusou, embirrou que não queria dormir. Eu pedi-lhe várias vezes para obedecer à avó. Ela continuou a recusar. Afastei-me e disse-lhe que estava chateada. Ela começou a chorar. Expliquei-lhe os motivos pelos quais estava chateada. Ela compreendeu e secou as lágrimas. Ela adormeceu comigo a fazer-lhe festas na cabeça. E eu também. Gosto tanto, tanto, dela; queria adormecer mais vezes ao lado dela.