Eu tenho uma amiga, que tem um amigo que conhece não sei quem que... Porque é que as pessoas dizem isto? Já ninguém acredita que tu tens uma amiga, que tem um amigo que conhece não sei quem que... Todos desconfiam que tu é que...
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Em podendo fazer xixi no sofá, prefiro.
Brinco com o bacio, sento-me e levanto-me. Também gosto de utilizá-lo para arrumar alguns brinquedos. Tento baixar as calças puxando-as para cima, ainda não percebi muito bem como é que isto funciona, para tirar a camisola não é assim que se faz!? O meu pai pergunta-me se quero fazer xixi, respondo que não. Adoro dizer "Não quero", adoro, até mesmo quando quero. Sou torto, dizem que me pareço com a minha mãe, mas ela é tão querida, esta gente tem a mania de mentir às crianças. Ao fim de um tempo lá me convencem a tirar a fralda, desapertam-me o body. Ao contrário, primeiro o body e depois a fralda. Ando pela casa só com um body branco pendurado, pareço um pinguim. Sento-me num bacio e no outro. É verdade, os meus pais são parvos e eu tenho dois. Um deles parece uma cadeira, vejam só. Não faço xixi em nenhum, já fiz mas agora não é coisa que me atraia. Eles distraem-se e eu subo para o sofá. Eles olham para mim e pensam "que querido, está com sono, encostou-se ali e ali está sossegadinho". Passa-lhes pela cabeça que até posso estar ali por outro motivo, devidamente sentado e refastelado a experimentar sensações novas. Lá correm, mas eu já mijei o sofá, ou já fiz xixi no sofá, como queiram.
Já experimentaram? É bem mais confortável que os assentos de plástico que os meus pais compraram.
quinta-feira, 4 de junho de 2015
A brincar é que a gente (pequena) se entende #2 - Brincadeiras no banho
Brincar é o trabalho das crianças e também o dos pais, ainda que em regime de part-time, pelo menos para mim. Tento inventar brincadeiras para incluir nas rotinas, para evitar birras, para não serem tão chatas. Desta vez foi o banho. No Inverno não é fácil porque está frio, os miúdos arrefecem e o banho quer-se rápido. No Verão, com este calor, apetece estar de molho.
Fecho a porta da casa de banho e vou controlando a temperatura da água e o meu amor pequeno - se fica arrepiado, com a pele engelhada, etc. Coloco-o na banheira com a água morna, dou-lhe um copo de plástico, um barco e um boneco que chamo de Peter Pan - o pai diz que é um boneco novo, que tem outro nome, mas com aquela roupa, para mim, é o Peter Pan. Ele enche e despeja o copo, compreende o que é cheio e vazio. Ele aprende a beber água com um copo normal porque teima em beber a água do banho. Eu deixo porque ainda não há sabonete nem champô na água. Ele engasga-se porque é bruto e ainda não controla muito bem a velocidade com que bebe a água com aquele copo. Ele enche o copo com água e despeja-a para dentro do barco. O barco vai ao fundo. Peço-lhe para meter o boneco dentro do copo e ele obedece. Depois tira-o. Eu paro de lhe dar instruções e exemplificações, ele repete isto várias vezes de livre e espontânea vontade, com muita atenção, ignorando que eu continuo ali. Ele diverte-se fazendo e eu divirto-me olhando, só olhando.
Começamos o banho propriamente dito e já passaram 10/15 minutos desde a entrada na banheira. Já não o deixo beber água, dou-lhe a esponja para ele lavar a barriga e ele lava. Pergunto-lhe pelas pernas e ele aponta para elas e esfrega-as. Pergunto-lhe pelos pés e ele levanta-os. Pergunto-lhe pela orelha, ele aponta para uma e diz a "outa", eu digo-lhe que a outra está do outro lado e ele ri-se.
A saída do banho origina uma birra. Não quer deixar aquela brincadeira. Negoceio com ele e digo-lhe para ele escolher um dos objetos, vamos levá-lo para ele o limpar enquanto eu o limpo a ele. Ele escolhe o barco e o boneco, fica o copo. Eu aceito. Dou-lhe uma compressa e ele limpa o barco e o boneco. Depois atira-os para o chão. Estamos prontos para jantar.
Tão simples e tão bom.
Fecho a porta da casa de banho e vou controlando a temperatura da água e o meu amor pequeno - se fica arrepiado, com a pele engelhada, etc. Coloco-o na banheira com a água morna, dou-lhe um copo de plástico, um barco e um boneco que chamo de Peter Pan - o pai diz que é um boneco novo, que tem outro nome, mas com aquela roupa, para mim, é o Peter Pan. Ele enche e despeja o copo, compreende o que é cheio e vazio. Ele aprende a beber água com um copo normal porque teima em beber a água do banho. Eu deixo porque ainda não há sabonete nem champô na água. Ele engasga-se porque é bruto e ainda não controla muito bem a velocidade com que bebe a água com aquele copo. Ele enche o copo com água e despeja-a para dentro do barco. O barco vai ao fundo. Peço-lhe para meter o boneco dentro do copo e ele obedece. Depois tira-o. Eu paro de lhe dar instruções e exemplificações, ele repete isto várias vezes de livre e espontânea vontade, com muita atenção, ignorando que eu continuo ali. Ele diverte-se fazendo e eu divirto-me olhando, só olhando.
Começamos o banho propriamente dito e já passaram 10/15 minutos desde a entrada na banheira. Já não o deixo beber água, dou-lhe a esponja para ele lavar a barriga e ele lava. Pergunto-lhe pelas pernas e ele aponta para elas e esfrega-as. Pergunto-lhe pelos pés e ele levanta-os. Pergunto-lhe pela orelha, ele aponta para uma e diz a "outa", eu digo-lhe que a outra está do outro lado e ele ri-se.
A saída do banho origina uma birra. Não quer deixar aquela brincadeira. Negoceio com ele e digo-lhe para ele escolher um dos objetos, vamos levá-lo para ele o limpar enquanto eu o limpo a ele. Ele escolhe o barco e o boneco, fica o copo. Eu aceito. Dou-lhe uma compressa e ele limpa o barco e o boneco. Depois atira-os para o chão. Estamos prontos para jantar.
Tão simples e tão bom.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Mãe, mãe, a sombra não me deixa passar!
Acho que ele descobriu a sombra. Não sei se é muito normal as mães falarem desta descoberta, mas eu adorei. É claro que o miúdo não me chegou a casa a explicar o que é isso da sombra e como é que ela surge, nem sei se foi por engano, nem sei se só me voltará a demonstrar que viu aquela mancha à sua frente daqui a uns anos. No entanto, não queria deixar de registar o momento. Ontem, numa das idas ao parque, reparei que estava a olhar muito sério para o chão. Dava passos pequenos para a frente e observava a sombra, dava passos pequenos para trás e observava a sombra. Olhei para ele e deixei-o repetir aqueles movimentos. Depois fui ter com ele e disse-lhe: É a sombra, filho, é a tua sombra. Ele andou mais uma vez para a frente, mais uma para trás e seguiu a vida dele. O que ele queria mesmo era correr descalço no parque e que eu andasse atrás dele a dizer "vou apanhar-te". Acho que quis apenas certificar-se de que aquela "coisa" que lhe apareceu à frente não o impedia. Eu, que sou mãe, e parva, é que acho que ele descobriu a sombra.
terça-feira, 2 de junho de 2015
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Sejam crianças. Sempre.
Filho, desejo que preserves sempre uma parte da criança que és hoje. Que mantenhas o teu sorriso de sol refletido no olhar. Que brinques muito. Que a curiosidade da infância perdure na tua tua vida. Que comemores tudo o que tiveres direito. Que corras atrás do que queres sem medo, como fazes hoje. Que contagies os que estão ao teu lado com a tua alegria e com a tua garra. Que sejas feliz com pouco e com muito, valorizando sempre o que conseguiste e o que tens. Que sejas feliz, é esse o meu maior desejo. Que sejas feliz. Tudo o que desejo para ti, desejo para a tua prima.
Hoje andaste de comboio pela primeira vez, com a tua prima, gostaste, riste e gritaste durante a viagem. Hoje saltaste num insuflável pela primeira vez, com a tua prima, e adoraste. Hoje fizeste um desenho com um pincel, sujaste as mãos e a roupa.
Princesa da tia, hoje comprei-te bolas de sabão, foste tu que pediste. Eu acho que as bolas de sabão são mágicas. Lembro-me que em criança, depois de terminar a embalagem, depois de soprar até me cansar, enchia a embalagem com água e Sonasol; não era bem a mesma coisa, mas sempre dava para prolongar a brincadeira. Hoje fizeste-me reviver esses tempos. Hoje desenhaste a tua mão numa folha que ficou colada num cartaz que estava no jardim. Hoje fizeste uma pulseira. Hoje brincaste.
Hoje, vocês os dois, fizeram birras e divertiram-se. Hoje, vocês os dois, foram o que têm de ser: crianças.
Hoje não trabalhei e comemorámos juntos este dia (e a avó também). Hoje fiquei desiludida com as bolas de sabão, não no efeito alcançado de ver uma paisagem de bolas transparentes, mas sim no equipamento utilizado. Antes desatarraxávamos a embalagem e soprávamos, hoje o recipiente com o líquido vem numa pistola, disparamos e surgem bolas de sabão no ar. Pode ser saudosismo, mas não é bem a mesma coisa. Hoje fui criança, mais do que o habitual.
Feliz dia meus amores. Feliz dia para todas as crianças e para as que ainda deviam sê-lo e não são. Não, não desejo que sejam felizes só hoje, desejo que sejam felizes sempre. Neste dia, bem como em outras datas especiais (ou não), verbalizo/exteriorizo mais este desejo.
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