segunda-feira, 22 de junho de 2015

Constatações da hora de almoço

Chego a casa para almoçar. Encontro o Peter Pan e o Pirata no chão da casa de banho deitados de papo para o ar; o rolo do papel higiénico e o "cabeça de ovo" - boneco assim batizado, carinhosamente, pelo pai cá de casa, só porque tem a cabeça amarela - dentro da banheira; o gel duche dentro do bidé; o comando que devia estar na sala em cima do banco da cozinha; a caixa das minhas lentes no chão do quarto; o boné dele em cima do autoclismo; uma quantidade significativa de brinquedos no chão da sala. Isto porque teve 120 segundos livres de manhã, antes de sairmos de casa, e não sabia muito bem o que fazer. Estou cansada só de escrever isto e o Peter Pan e o Pirata continuam ali de papo para o ar e não fazem nada. 

sábado, 20 de junho de 2015

Barómetro de crescimento #2

De quando em vez chamas-me Mãe, MÃE com convicção. Já não me chamas sempre "mamã". E eu que gosto tanto do teu "mamã", tão doce e tão infantil. Às vezes também chamas o papá de pai. Nós é que continuamos a chamar-te de "nosso bebé". E é o que tu és!
Está descansado que quando tiveres 60 anos não te chamaremos bebé - não querendo ser pessimista, nessa altura teríamos um pouco menos de 100 anos, talvez não dê mesmo para te chamar nem bebé nem outra coisa qualquer... Bolas, fomos pais tarde.

Quantos queres?

Alguns dos números da minha vida (alguns estão nela temporariamente e sujeitos a alterações, outros farão parte da minha história):

1931, 1955, 1976, 1977, 1982, 1995, 2010 e 2013 foram anos de grandes colheitas.
2005 foi um ano de Adeus.
90 anos com saúde, com cabeça e com "pessoas minhas" perto de mim é um pedido.
84 é a idade da minha avó.
38 anos já cá cantam.
27 é o dia da minha vida, é o meu número da sorte.
14 foi um dia de sol.
3 "em Maio" conheci a minha irmã. Ela não dizia 3 de Maio, não é lá muito esperta... Até que é.
3 filhos ou 2, vá. 1 já cá está.
2, quase 2 anos, é a idade do meu filho.
5, quase 5 anos, é a idade da minha sobrinha.
16 horas e 29 minutos, nasceu-me uma forma de amor sublime, eu nasci como mãe.
300 euros a mais no ordenado é um objetivo.
45 dias de férias por ano é um desejo.
30 horas por dia é uma utopia.
0 perdas, tenho medo de perder pessoas (todos têm, não é?).
+00 (infinitos) sorrisos e alegrias - meus e dos meus.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Tu, que fazes 60 anos

Tu. Tu, que nasceste como primogénita em 1955. Que foste a menina bonita da tua aldeia e arredores. Vinham visitar-te por isso. Que choraste muito em bebé. Que atiravas comida para cima do telhado porque não querias comer o que a tua mãe te deixava para o almoço. Que foste filha única durante muito tempo. Que perdeste um irmão. Que, anos mais tarde, ganhaste uma irmã. Que substituías a tua professora quando ela tinha de faltar. Que, por este motivo, ganhaste um vestido de lã. Que começaste a trabalhar aos 13 anos, pequenina e franzina que só tu. Que tiveste muito amor de um lado. Que te faltou muito amor, empenho e carinho do outro - lado este que até te quis dar, que te magoou física e psicologicamente. Que entraste para uma grande empresa aos 19 anos. Que casaste aos 20 anos. Que foste mãe aos 21 anos. Que enfrentaste ruturas. Que anos mais tarde foste mãe novamente. Que trabalhaste de segunda a domingo para não acumulares dívidas que outros fizeram. Que enfrentaste o desemprego numa idade complicada. Que deste a volta e conseguiste um novo emprego quando mais novos do que tu não conseguiam. Que tiraste a carta de condução tardiamente. Que adoras conduzir. Que adoras telefones, não tivesses sido tu uma rapariga das telecomunicações. Que compraste a tua casa sozinha. Que gostas de viver. Que gostas de passear. Que gostas de dançar. Que és avó. Que tens muitos amigos (alguns não são teus amigos, outros são de coração). Que te levaram oportunidades que te estavam destinadas. Que me falhaste, talvez porque te falharam. Que me valeste. Que me cuidaste. Que me fizeste nascer. Parabéns mãe, hoje fazes 60 anos. 

terça-feira, 16 de junho de 2015

Barómetro de crescimento #1

Tarde de Domingo, chateada com o Paibilista. Vou à casa de banho (eu sei que isto não tem interesse nenhum, mas é para contextualizar), verifico que o rolo do papel higiénico terminou (isto também não interessa a ninguém, eu sei). Não quero pedir ao homem adulto da casa para me trazer um novo, porque estou chateada e não quero conversas de espécie alguma (é uma estupidez, mas não tenho os rolos na casa de banho, já percebi). Chamo a criança oficial da casa e peço-lhe que me traga um rolo, dou instruções de longe... Entra uma mini pessoa na casa de banho com o rolo pedido na mão. Para além disto, também lhe dei a esfregona para a mão e ele lá andou com ela para a frente e para trás a limpar o chão.
Este meu bebé está tão crescido!

domingo, 14 de junho de 2015

Vai uma Birra!? Bem que esta palavrinha podia apenas significar cerveja

Eu nem sou muito apreciadora de cerveja, sou mais da Caipirinha e do Gin (ou era, isto agora está tão fraquinho que bebo um golo de vinho e fico a levitar), mas bem que preferia as Birras que significam Cerveja a todas as outras. Às do meu filho, às minhas e às dos outros.
Em relação às do meu filho, juro que sou paciente, que tento perceber o que o está a incomodar, que verbalizo em tom baixo hipóteses para as ditas, que procuro que ele me diga o que tem. Nasceu-me paciência que eu nem sabia que existia. Acho até que aquelas vitaminas que nos mandam tomar durante a gravidez contêm quilos de paciência. Mas há dias tramados, em que eu faço birra e embirro que ele não faz isto ou aquilo sem lhe dar qualquer explicação. Eu também faço birra, a diferença é que eu não tenho 20 meses nem tantas desculpas, pelo menos quem me rodeia não é assim tão tolerante. Há dias em que eu preferia não aturar-me, mas não tenho grande opção. Em relação ao bebé da casa é quase igual, não tenho opção. Atura, contorna e mantém a calma - é este o pensamento.
É suposto esta fase passar quando? Ai ainda nem começou? É suposto ser aos 2 anos? Neste ponto o miúdo foi muito precoce e as birras já cá cantam (e já há algum tempo). Não sei se ria, se chore. O melhor é beber um Birra!
Relativamente às Birras dos outros (com ou sem álcool), por agora, estão interditas à minha pessoa.