segunda-feira, 29 de junho de 2015

A idade do "O qué ito?" e outras coisas

O que é isto? - é o que ele quer dizer. E pergunta isto por tudo e por nada, mesmo em relação às coisas que sabe muito bem o que são. 
Bebe água e diz "É bom!".
Mantém os óculos de sol na cara porque o pai diz para irem os dois de óculos e ele lá fica sem se mexer para não caírem.
Faz birras, valha-nos Deus, como faz birras. Depois de ter estado doente e, consequentemente, ter tido mais mimo e mais colo, faz birras e diz não a tudo. Ele acorda durante a noite e diz "Não", passo-lhe a mão pela cabeça e ele adormece novamente (não sei se chega a acordar, mas que diz NÃO, diz). 
Desarruma a casa toda em 3 segundos. 
Estamos cansados. Ele ficou bem, eu e o pai ficámos doentes. Bem que desejámos estar doentes no lugar dele. 

Um beijinho para passar o dói-dói

Filho, estiveste doente. A primeira gastroenterite, com febre atrelada e borbulhas em todo o corpo para encerrar o quadro (é sinal que a gastroenterite passou). 3 idas ao médico depois e estás bom.
Desejei que um beijo meu na tua testa fizesse diminuir a temperatura, que o meu colo afastasse o teu mau estar e que o bem que te quero abatesse vírus ou bactérias. Não foi suficiente, foram muitos dias com febre.
O meu beijo mágico faz passar o dói-dói do dedo, do pé ou da mão, quando desengonçado e apressado bates em algum lado, mas este bicho deu luta. Mas já está, já o aniquilámos. Ontem de manhã acordaste às 6 e tal da manhã, pediste o leitito, voltaste ao normal. Voltaste bebé!

sábado, 27 de junho de 2015

O menino que dizia NÃO a tudo

Era uma vez um menino muito traquina, brincalhão e teimoso. Chamava-se Índio Pirata, Índio da parte da mãe, Pirata da parte do pai. Era bem disposto e alinhava nas brincadeiras dos pais com muita facilidade, mas tinha a mania de dizer NÃO a tudo. Até mesmo às coisas que queria dizer SIM, ele dizia NÃO. Era muito teimoso.
Um dia, o QUERO passou a acompanhá-lo e o NÃO QUERO passou a ser o conjunto de palavras mais ouvido. Os pais, ao início, acharam graça, acharam que era uma forma de o Índio Pirata se impor e mostrar que tinha vontade própria, no entanto, com o passar do tempo, começaram a achar que o menino iria perder muito se continuasse a utilizar o NÃO QUERO indiscriminadamente. Começaram então a engendrar um plano para o fazer acabar com aquela mania. 
Começaram por lhe perguntar coisas que sabiam, à partida, que ele não queria, tais como:
Queres mudar a fralda?
Queres dormir?
Queres beber água?
A resposta era sempre a mesma, NÃO QUERO.
Passado algum tempo, perguntaram-lhe se queria ir ao parque. Ele, embalado pelo NÃO QUERO, pronunciou-o mesmo querendo ir. Os pais assumiram, então, o NÃO QUERO como uma verdade e não foram ao parque. É claro que o Índio Pirata queria ir ao parque; ele adorava empoleirar-se no baloiço, correr descalço e brincar com a areia; mas como tinha dito NÃO QUERO, estava em casa. Os pais acharam que ele tinha de aprender que quando dizia NÃO QUERO era mesmo porque não queria.
O menino estava triste, olhava para a rua através da janela e continuava a falar do parque, da areia e do balde. Os pais resolveram conversar com ele, explicando-lhe o motivo pelo qual não tinham ido ao parque, dizendo-lhe que tinha sido ele próprio a decidir que não queria ir ao parque. O Índio Pirata, depois de ouvir atentamente a explicação dos pais, gritou um QUERO tão alto que até os cães do vizinho começaram a ladrar, o vizinho sensível que estava a dormir acordou e o gato da vizinha do segundo andar saltou para a varanda da do primeiro. Os pais perguntaram-lhe novamente: Índio Pirata queres ir ao parque? Ele respondeu: SIM. 
O menino que dizia NÃO a tudo foi ao parque, brincou com a areia e com a água do regador, sujou-se e molhou-se, correu e subiu os escorregas ao contrário. Aprendeu em tão pouco tempo o significado das palavras QUERO e SIM. Os pais aprenderam que o Índio Pirata precisava apenas que lhe explicassem o verdadeiro significado das palavras, mostrando-lhe exemplos reais que tivessem significado para ele. Nessa noite, o Índio Pirata foi para a cama sem birras, sem teimosias, sem mal entendidos. O menino aprendeu a dizer NÃO QUERO apenas nas situações em que não queria mesmo.

Créditos de imagem: Wishªcolor

Filho, do alto dos teus 21 meses, é isto que nos acontece.  Isto é uma adaptação inspirada no que queremos alcançar. Ainda não chegámos propriamente à parte de utilizares o NÃO QUERO quando não queres mesmo, mas estamos a caminho. Parabéns pelo 21º mês de vida meu amor teimoso.
Meu Índio, não te esqueças que um teimoso não teima sozinho. Pode sempre dar-se o caso de encontrares um pior do que tu; sempre que considero que é necessário, eu teimo.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Ouve o que eu te digo menina, isso não foi um sonho. Isso foi uma ilusão.

Já passaram quase dois anos. Era Verão, mas o cinzento do Inverno rondava-nos. Eu, que trazia uma luz dentro de mim, via e sentia a tua escuridão. Eu desiludi-me, eu desacreditei, eu questionei, eu chorei. Marcou-me, marcou-nos a todas - o rapazinho ainda não tinha chegado, por isso o clã era totalmente feminino. No entanto, a cicatriz nunca ficará em mim como ficou em ti. 
Tu tinhas um sonho. Tu querias outro desfecho para a tua história. Tu carregavas a esperança que, achavas tu, tinha sido roubada aos nossos antepassados. Tu querias fechar o livro com um final diferente. Querias escrever com caneta dourada e não a tinta preta carregada. Tu querias para o teu fruto o que não tinhas tido. Eu também sonhei isso para ti. E sonho. 
Tu caíste, e não foi por um amor. Tu choraste, e não foi por gente. Tu deixaste atropelar o teu "Eu" por um carro que se atravessou à tua frente, e não te desviaste. Tu quase desististe pelos motivos errados.
O problema é que tu és pessoa de ser fiel aos teus princípios. És de valores. És genuína. És de ideais, que não anda ao "sabor" do vento. És pessoa que quer uma vida partilhada e não duas vidas separadas com encontros esporádicos. És de garra e de lutas. És de objetivos. És de ter um porto seguro. És gente de verdade. Na verdade, o problema não é seres tudo isto, o problema é teres chamado sonho a algo que foi um pesadelo, é veres e sentires o sonho ao contrário e continuares a chamar-lhe sonho. É como quando vamos na rua a caminhar tranquilamente. Felizes e disponíveis. Vimos alguém ao longe que nos parece conhecido. Um alguém de quem gostamos e até queremos encontrar. Aceleramos o passo na sua direção. Esta caminhada é alucinante porque julgamos que estamos a ir ao encontro da pessoa certa. Ajeitamos o cabelo e passamos um batom porque temos de estar perfeitas quando o olharmos. Sentimos um frio na barriga. Paramos, para segundos depois avançarmos novamente. Agora é que é, nada nos detém. Começa a tocar a nossa música preferida ou a que julgamos ser a nossa preferida. Estamos quase a chegar perto da tal pessoa. Quase a tocar-lhe no ombro. A sentir-lhe o cheiro. Surge uma ventania inesperada. A imagem torna-se nítida. Olha, parecia mesmo uma pessoa, a tal pessoa. Afinal, era uma silhueta humana perfeita recortada e impressa num balão. O nó do fio que segura o balão desata-se e ele desaparece no ar. Parecia mesmo, juramos que parecia. Mas não era. Assumes que deixaste voar o sonho, o teu sonho. Carregas este peso. Mas ouve o que eu te digo menina, isso não foi um sonho. Isso foi uma ilusão, ótica por sinal.
O lado bom da história é que aquela pessoa que julgaste ter encontrado ainda está por encontrar. E o mundo não é assim tão grande!

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Reflexões profundas (ou não) #3 - Socorro, o cesto da roupa suja não pára de crescer!

Nunca mais vou ver o fundo do cesto da roupa suja, pois não? E se deitar fora a roupa que habita por lá há demasiados dias (até podia dizer semanas, para não dizer coisa pior), durante quanto tempo conseguirei vê-lo? Apenas uns minutos, não é? É melhor deixar como está. 

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Constatações da hora de almoço

Chego a casa para almoçar. Encontro o Peter Pan e o Pirata no chão da casa de banho deitados de papo para o ar; o rolo do papel higiénico e o "cabeça de ovo" - boneco assim batizado, carinhosamente, pelo pai cá de casa, só porque tem a cabeça amarela - dentro da banheira; o gel duche dentro do bidé; o comando que devia estar na sala em cima do banco da cozinha; a caixa das minhas lentes no chão do quarto; o boné dele em cima do autoclismo; uma quantidade significativa de brinquedos no chão da sala. Isto porque teve 120 segundos livres de manhã, antes de sairmos de casa, e não sabia muito bem o que fazer. Estou cansada só de escrever isto e o Peter Pan e o Pirata continuam ali de papo para o ar e não fazem nada.