quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Ir à farmácia com o miúdo, nunca mais

Vou à farmácia com o miúdo comprar umas coisas que o pai pediu. Tiro uma senha prioritária, passo à frente das pessoas que, por isso, olham para mim de lado. As pessoas ainda não interiorizaram muito bem o que são senhas e caixas prioritárias. Sou o centro das atenções. O miúdo aponta para umas embalagens tipo roll on que estão num expositor e diz em voz alta PAI. Eu não ligo. O empregado atende-me com bastante simpatia, excessiva até. Ao pagar finto o raio do expositor com mais atenção... As embalagens são da marca D-u-r-e-x. Saio com pouca vontade de lá voltar.

Eu juro que não temos nenhuma destas embalagens lá em casa. Se tivéssemos estava justificada a exclamação do miúdo. Nunca mais vai comigo à farmácia, está decidido.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Barómetro de crescimento #5

Há 1 ano e meio/1 ano e 10 meses choravas quando tinhas fome, quando tinhas frio, quando querias colo, quando tinhas dores. Basicamente, choravas por tudo o que te incomodava. Dizem que as mães reconhecem todos os tipos de choro. Temo não ter reconhecido algum, por vezes, não te consegui acalmar à primeira, nem à segunda... O de fome era, efetivamente, inconfundível, mas em relação aos restantes, tenho algumas dúvidas.

Hoje tudo mudou, compreendo-te, sei bem o que queres e o que precisas. É simples, tu dizes, tu pedes (vá, a minha capacidade de interpretação também melhorou bastante):
- Mamã! Anda cá mãe!
- Quer colo.
- Está frio/Está quente.
- Quer água.
- Quer leitito/Quer queijo/Quer pão/Quer boachas/Quer carnicha/Quer pesso (pêssego)...
- Chocoate, quer! É suposto nem saberes o que isto é, entendido?
- Quer rua.
- Olha! O avião/Olha! A garagia (garagem).
- O que foi?
- Quer ir ao parque/Quer ir à rua.
- A basaqueta/bachaqueta (bicicleta).
- Quer o capacete/capachete.
- Quer brincar?
- O livro!? Do coelho.
- A Júlia?
...

Hoje, a dificuldade não é a interpretação, mas sim o meu poder de argumentação a alguns dos teus quereres. Ora vejamos um exemplo de um dos nossos últimos diálogos:

Eu: Filho, quantos anos fazes?
Ele: Dôs (dois).
Eu: Vamos fazer uma festa!?
Ele: A Matilde.
Eu: Queres que a Matilde venha à tua festa?
Ele: Aqui!!
Eu: Queres que ela venha aqui?
Ele: Siiiiiiim.
Eu: Mas a festa não é aqui.
Ele: Aquiiiii!!
Eu: Aqui em casa casa!? Mau! Já começas? Tu só viste a Matilde 1 vez.

...Mas de vez em quando ele pergunta por ela. 

sábado, 8 de agosto de 2015

Menina-mulher, parabéns

Hoje telefonei-te e disse "bom dia alegria", com entusiasmo, como se estivéssemos estado juntas ontem à tarde - não estamos juntas há quase um ano. O meu filho estava empoleirado no comboio do parque e sorriu, um sorriso maravilhoso, como soubesse a pessoa espetacular que estava do outro lado da linha.
Tu és mulher. Tu cresceste, cuidas de ti mesma sozinha, sem nenhum apoio há muito tempo. Cuidaste e continuas a cuidar de muita gente, carregando sem te queixares o peso inerente a isso. Às vezes, o relógio da vida marca mal a hora da partida, engana-se aleatoriamente na atribuição das datas e das horas, e marcou a partida da tua mãe cedo demais, fazendo-te crescer à força. O raio do relógio também te levou um amor. O destino, que deve ser humano, enganou-se nos últimos anos de vida que definiu para o teu pai. Ou não. Talvez ele soubesse que aquele destino só podia ser para um pai que tivesse uma filha como tu. Tanto a tua mãe como o teu pai estão de parabéns por terem tido uma filha tão maravilhosa. Filha essa que és tu! Responsável, alegre, sentimental, simples, cuidadora e amiga. Que cresceu, não porque quisesse ser adulta, mas porque a vida a forçou a sê-lo.
Tu és menina. Ainda carregas a inocência da infância. Ainda acreditas, apesar de já questionares. Ainda te falta perspicácia para leres as pessoas, mas estás a adquiri-la. Recomeçaste como uma criança recomeça quando quer alguma coisa e já conseguiste realizar um dos teus grandes sonhos. E ainda vais conseguir alcançar mais, porque ainda não descobriste o verdadeiro valor que tens, o verdadeiro tesouro que és! Também és, ainda, menina por isso, porque não tens consciência.
Tu menina-mulher, com esse jeito desajeitado que te caracteriza, fazes anos hoje e eu estou mesmo feliz porque o destino te trouxe até à minha vida. E só me ocorre pedir ao destino que não se engane, que não te faça perder esse teu jeito desajeitado de menina-mulher e que te dê o que mereces. É que gosto mesmo muito de ti, porra! Gosto de ti assim, tal como és. Parabéns e deixa-te ser (assim).

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O Índio Pirata foi de férias

O Índio Pirata rumou a sul do seu país para uma semana de férias com os seus pais no final de Julho. Já tinha estado naquele distrito há cerca de 1 ano, mas é bem possível que não se lembre muito bem dos acontecimentos. 
A rotina diária das férias (bolas, até de férias há uma rotina, ainda que muito flexível) começava por acordarmos quando o galo Índio dava o grito de alvorada "Quero leitito". Passava por ter pequenos almoços tranquilos e sem pressas com pão quente que o pai ia buscar logo de manhã, por ir beber café na esplanada, por idas à praia até às 11h/11h30, por regressos a casa para dormidas e almoços sem pressas, por retomar as brincadeiras de praia às 17h, por passeios no carrinho, por regressos a casa sem stress. Os dias terminavam quando o sono chegava, por vezes, com passeios na rua que o faziam adormecer no carrinho.
Tínhamos 2 supermercados perto de casa, estávamos a 1 minuto a pé da praia e só pegámos no carro 1 dia para ir ao nosso amado concelho de Lagos.
Ele adorou a praia, as brincadeiras na água e com a água. Molhava as mãos na água salgada e levava-as à boca. Divertiu-se com a areia e comeu-a. Apanhou pedras à beira mar e não foram poucas as vezes que as tentou ingerir (não posso jurar que não tenha engolido alguma). Ele fez a sua primeira amiga de Verão, não sei se foi uma amizade colorida, ele não nos contou pormenores. Chama-se Júlia, vive na Suiça e tem quase o dobro da idade dele, mas daqui a uns anos a diferença de idades não se nota. Ele hesitou os pulos na água que habitualmente gosta, talvez por a água estar gelada, mas quando a via entrar na água lá corria para a beira mar como que a enfrentar o inimigo, só para se armar em forte. Comprámos-lhe uma pequena piscina que para um não era assim tão pequena, mas para dois tornou-se minúscula. No próximo ano teremos de ter em consideração eventuais amizades. Ele chegava à praia e lá vinha ela ter com ele e ele, de vez em quando, perguntava por ela. No último dia brincou num daqueles barcos que alugam na praia e saltou à corda (daquelas que estão na areia a delimitar zonas).
Andou muitos dias sem fralda, fez muito xixi no chão e até cocó. Também fez cocó no bacio, mas, sinceramente, acho que ainda não está preparado. Ou sou eu que não estou, não sei.
Ele andou descalço e nu pela casa. Subiu e desceu cadeiras e sofás. Comeu kiwi que se fartou e disse que era verde, já à melancia não achou tanta graça. Os seus brinquedos preferidos foram, um daqueles carrinhos de supermercado que nós pedimos emprestado para levar as compras no dia em que chegámos e que só devolvemos no último dia (desculpem lá senhores, mas o miúdo elegeu o vosso carro como o seu brinquedo preferido de férias), um garrafão de água vazio e o cesto das molas com as respetivas. A loucura. Comeu quase tudo sozinho e era habitual ver sopa por todo o lado e o chão todo sujo. O normal, portanto. Ajudou a lavar e a cortar as alfaces. Sempre que o mandámos pôr qualquer coisa no lixo, ele cumpriu. Rebolou muito no chão da sala. E o pai também.
No dia em que fomos a Lagos, brincou com a prima. Tomou duche numa espécie de chafariz/lago que há no centro da cidade. Almoçámos fora e viu as sapateiras e companhia que estavam no aquário do restaurante. Fomos os três, pela primeira vez, ao bar que costumamos ir sempre que passamos férias em Lagos. Foi tão bom estar lá com ele. A última vez que estivemos lá eu estava grávida, enjoada das unhas dos pés às pontas dos cabelos.
Regressámos a casa com algumas peripécias pelo caminho, mas felizes pelos dias de férias que tivemos e com pena de ter sido apenas 1 semana. O carro avariou, o miúdo teve febre no dia em que regressámos, apareceram-lhe borbulhas nas pernas e nos braços, fomos ao médico e o resultado foi um diagnóstico de amigdalite viral e desconhecimento acerca da origem das borbulhas (calor, alergia a alguma alimento, eventualmente), mas já andamos por aí a passear.
Agora, quando ouve algum barulho estranho ou uma conversa com um tom diferente pergunta "O que foi?". Está um cusco, é o que é. Continua a perguntar frequentemente "O que é ito?". Pergunta pela Júlia e pela Matilde. Fala mais, constrói mais frases. E eu, olho para as fotografias das férias do ano passado e comparo-as com as deste ano e vejo claramente o que ele cresceu: Está mais autónomo, está mais papagaio, está mais alto, faz-nos mais companhia, já tem opinião sobre o que quer e o que não quer. Do ano passado para este começou a andar, a falar, a embirrar. E nós continuamos a olhar para ele, a olhar para o que ele já faz, a olhar um para o outro e a sorrir, com aquele sorriso meio nervoso e orgulhoso igual ao que esboçávamos nos primeiros dias da sua existência.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Olá Agosto de 2015

Espelho, espelho meu, há algum mês mais bonito do que o meu?

Créditos de imagem: M.O.D

Adeus meu querido mês de Julho

A minha avó paterna fazia anos em Julho e foi em Julho que morreu. Não sei se gosto deste mês ou não, causa-me sempre sentimentos antagónicos. Mas sei que o nascimento dela se comemora em Julho, o que por si só o torna especial.
Este ano, fomos de férias em Julho. Comemorou-se o aniversário de 3 crianças conhecidas e o nosso 7º aniversário.
Julho, despedimo-nos de ti com saudades dos dias sem horas definidas para nada, dos passeios, das manhãs e das tardes de praia, da liberdade a que nos permitimos quando estamos de férias. Encontramo-nos em 2016!