segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Reflexões profundas (ou não) #7 - Autonomia, refeições e chão limpo

Dar-lhe o comer à boca até aos 18 anos dava-me menos trabalho do que deixá-lo comer sozinho. 
É tudo muito bonito quando falam em ajudarmos os nossos filhos (no meu caso é só um, mas a avaliar pelo chão no final de cada refeição, parece que são 4) a serem mais autónomos, mas eu ainda estou à espera de recuperar a minha autonomia no que respeita a manter o chão da cozinha limpo. E quando aquela cabecinha decide que não quer mais e atira o prato para o chão!? É fofinho, não é? Eu também achava, quando via imagens de episódios semelhantes na Internet.
Comecei a explicar-lhe que quando não quiser mais só tem de dizer, "mamã/papá não quero mais"; que, depois de ele nos dizer que não quer mais, um de nós retira o prato de cima da mesa e coloca-o no lava-loiça. Ele olha para mim com ar de quem está a pensar: Que graça é que isso tem?

Imagem retirada daqui

Também já passámos pela fase de o miúdo fazer do prato um chapéu. Não nos podemos queixar que não tenha imaginação. Só do chão sujo. E da mesa suja. E da roupa suja. E do cabelo sujo. 
Agora, falando de coisas sérias, lá em cima também é um desabafo sério, defendo que eles comecem a comer sozinhos desde cedo, desde que queiram e consigam, que experimentem a textura de diferentes alimentos, que tenham opção de escolha. Facilito-lhe essas possibilidades há bastante tempo. Mas isso não invalida que não reivindique o chão da cozinha limpo. Um dia, esse dia chegará.

sábado, 15 de agosto de 2015

Sábado de manhã...

... Com temperaturas que não são de Verão.
... Com o pai a tentar explicar ao filho, durante 30 minutos, que deve comer o queijo com pão. Ele exemplifica ao dar uma dentada no pão e depois no queijo. O miúdo lambe o pão, simulando que lhe dá uma dentada, e come o queijo. Depois, deixa de pedir o queijo e começa a pedir o prato que tem o queijo e, com o seu jeitinho, lá vai comendo o queijo e deixando o pão. O pai diz que a mamã também está a comer o queijo com pão. Depois, olha para para mim e sussurra "ela não é um bom exemplo". Eu adoro queijo. Sem pão. Não compreendo essa pressão de se comer sempre pão com queijo. 
... Com o miúdo a dizer-me que a pata do livro está crescida, que a rã tem areia nos pés e que a temos de varrer. A dizer que o senhor que se está a afogar deu um mergulho. Ele conta as histórias através da descrição das imagens dos livros. Gosto disto.
... Com um passeio de bicicleta a três. Há anos que não andava de bicicleta!
... Com um almoço fora, barato, no sítio do costume.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

À conversa com a minha sobrinha #1 - Acerca do verbo concordar

Num dos passeios que fizemos durante as férias, a minha sobrinha perguntou porque é que as tias, as avós e os primos são mais simpáticos do que as mães. Assim, de repente, ocorreu-me explicar-lhe de forma muito simples e redutora um dos papéis que cada um tem na sua vida. 
Eu: A tia, a avó e o primo, tal como a tua mãe, adoram-te, mas não estão sempre contigo. Têm saudades tuas e quando estão contigo aproveitam para brincar e para te mimar, não perdem tempo a ralhar contigo. A mãe está sempre contigo e tem a preocupação de te ensinar o que é certo e o que é errado (de forma mais sistematizada, porque nós, os outros adultos, também a ensinamos), tem de te ensinar a fazer determinadas coisas. Tem de ralhar contigo sempre que fazes ou dizes alguma coisa que não é correta. Aborrece-te mais vezes por estes motivos, por isso nem sempre é tão simpática.
Concordas com isto?
Ela: Sim.
Silêncio.
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Eu (em pensamento): Resultou, sou mesmo boa nisto. 
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Ela: Tia, o que é que quer dizer concordar?
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Desisto...

Ir à farmácia com o miúdo, nunca mais

Vou à farmácia com o miúdo comprar umas coisas que o pai pediu. Tiro uma senha prioritária, passo à frente das pessoas que, por isso, olham para mim de lado. As pessoas ainda não interiorizaram muito bem o que são senhas e caixas prioritárias. Sou o centro das atenções. O miúdo aponta para umas embalagens tipo roll on que estão num expositor e diz em voz alta PAI. Eu não ligo. O empregado atende-me com bastante simpatia, excessiva até. Ao pagar finto o raio do expositor com mais atenção... As embalagens são da marca D-u-r-e-x. Saio com pouca vontade de lá voltar.

Eu juro que não temos nenhuma destas embalagens lá em casa. Se tivéssemos estava justificada a exclamação do miúdo. Nunca mais vai comigo à farmácia, está decidido.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Barómetro de crescimento #5

Há 1 ano e meio/1 ano e 10 meses choravas quando tinhas fome, quando tinhas frio, quando querias colo, quando tinhas dores. Basicamente, choravas por tudo o que te incomodava. Dizem que as mães reconhecem todos os tipos de choro. Temo não ter reconhecido algum, por vezes, não te consegui acalmar à primeira, nem à segunda... O de fome era, efetivamente, inconfundível, mas em relação aos restantes, tenho algumas dúvidas.

Hoje tudo mudou, compreendo-te, sei bem o que queres e o que precisas. É simples, tu dizes, tu pedes (vá, a minha capacidade de interpretação também melhorou bastante):
- Mamã! Anda cá mãe!
- Quer colo.
- Está frio/Está quente.
- Quer água.
- Quer leitito/Quer queijo/Quer pão/Quer boachas/Quer carnicha/Quer pesso (pêssego)...
- Chocoate, quer! É suposto nem saberes o que isto é, entendido?
- Quer rua.
- Olha! O avião/Olha! A garagia (garagem).
- O que foi?
- Quer ir ao parque/Quer ir à rua.
- A basaqueta/bachaqueta (bicicleta).
- Quer o capacete/capachete.
- Quer brincar?
- O livro!? Do coelho.
- A Júlia?
...

Hoje, a dificuldade não é a interpretação, mas sim o meu poder de argumentação a alguns dos teus quereres. Ora vejamos um exemplo de um dos nossos últimos diálogos:

Eu: Filho, quantos anos fazes?
Ele: Dôs (dois).
Eu: Vamos fazer uma festa!?
Ele: A Matilde.
Eu: Queres que a Matilde venha à tua festa?
Ele: Aqui!!
Eu: Queres que ela venha aqui?
Ele: Siiiiiiim.
Eu: Mas a festa não é aqui.
Ele: Aquiiiii!!
Eu: Aqui em casa casa!? Mau! Já começas? Tu só viste a Matilde 1 vez.

...Mas de vez em quando ele pergunta por ela. 

sábado, 8 de agosto de 2015

Menina-mulher, parabéns

Hoje telefonei-te e disse "bom dia alegria", com entusiasmo, como se estivéssemos estado juntas ontem à tarde - não estamos juntas há quase um ano. O meu filho estava empoleirado no comboio do parque e sorriu, um sorriso maravilhoso, como soubesse a pessoa espetacular que estava do outro lado da linha.
Tu és mulher. Tu cresceste, cuidas de ti mesma sozinha, sem nenhum apoio há muito tempo. Cuidaste e continuas a cuidar de muita gente, carregando sem te queixares o peso inerente a isso. Às vezes, o relógio da vida marca mal a hora da partida, engana-se aleatoriamente na atribuição das datas e das horas, e marcou a partida da tua mãe cedo demais, fazendo-te crescer à força. O raio do relógio também te levou um amor. O destino, que deve ser humano, enganou-se nos últimos anos de vida que definiu para o teu pai. Ou não. Talvez ele soubesse que aquele destino só podia ser para um pai que tivesse uma filha como tu. Tanto a tua mãe como o teu pai estão de parabéns por terem tido uma filha tão maravilhosa. Filha essa que és tu! Responsável, alegre, sentimental, simples, cuidadora e amiga. Que cresceu, não porque quisesse ser adulta, mas porque a vida a forçou a sê-lo.
Tu és menina. Ainda carregas a inocência da infância. Ainda acreditas, apesar de já questionares. Ainda te falta perspicácia para leres as pessoas, mas estás a adquiri-la. Recomeçaste como uma criança recomeça quando quer alguma coisa e já conseguiste realizar um dos teus grandes sonhos. E ainda vais conseguir alcançar mais, porque ainda não descobriste o verdadeiro valor que tens, o verdadeiro tesouro que és! Também és, ainda, menina por isso, porque não tens consciência.
Tu menina-mulher, com esse jeito desajeitado que te caracteriza, fazes anos hoje e eu estou mesmo feliz porque o destino te trouxe até à minha vida. E só me ocorre pedir ao destino que não se engane, que não te faça perder esse teu jeito desajeitado de menina-mulher e que te dê o que mereces. É que gosto mesmo muito de ti, porra! Gosto de ti assim, tal como és. Parabéns e deixa-te ser (assim).