quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Isto de ser tia tem destas coisas (maravilhosas). Eu sou tua tia, logo existo!

Hoje fui almoçar contigo a casa da avó. Recordei o tempo em que te esperávamos. Recordei o dia do teu nascimento. Verbalizei o quanto já te amávamos enquanto te esperávamos. Disse que te adoro. Dei-te colo, fiz-te festas e beijei-te o rosto. Reafirmei o bem que te desejo. E agora escrevo-o aqui, para que não te lembres de esquecer o que sempre senti por ti.  
No dia (muito longínquo) em que eu deixar de andar por cá, para o caso de a memória me falhar ou se eu deixar de conseguir verbalizar, está aqui escrito, minha sobrinha, que tu és o meu amor. Fui tia antes de ser mãe, passados 3 anos nasceu-me um filho e eu passei a ter 2 amores no estado puro: tu e ele. Sinto-me uma privilegiada por isso. O meu colo tornou-se elástico porque se adapta ao tamanho de cada um de vocês. O meu coração tornou-se elástico porque tem capacidade ilimitada para albergar este tipo de amor (venham mais filhos e mais sobrinhos, estou pronta :)).
Hoje perguntaste-me quando é que eu ia deixar de trabalhar, como que a perguntar-me quando é que vou ter mais tempo livre. Hoje disseste-me que querias ser minha filha, que querias ter 3 mães: a mãe que te fez nascer, a grande mãe que é a avó e eu. Estou aqui a transbordar de alegria por ser digna desse desejo.
Isto de ser tia tem destas coisas (maravilhosas). Eu sou tua tia, logo existo!

Olá Setembro de 2015

Setembro, mês cheio de aniversários de amores meus, estou pronta para viver e comemorar os teus dias!

Créditos de imagem: M.O.D

Vou regressar à escola, ainda que a um ritmo diferente. Candidato-me a 3 Unidades Curriculares, vamos ver como corre.

Adeus meu querido mês de Agosto / Foi assim que aconteceu #3

Ainda não me despedi de Agosto e, mais um pouco, estamos a meio de Setembro. Foi um mês triste. Partiram inesperadamente duas pessoas. Uma numa idade aceitável (se é que isto existe), mas sem aviso. Outra precocemente. Não comemorei o meu dia de anos, mas vou comemorar. No dia não senti felicidade nem euforia para o fazer, nestas coisas não forço sentimentos, respeito-me. Alguns disseram-me que devia comemorar pelo meu filho. Com ele comemorei o que senti que devia e conseguia, cantámos os parabéns, abracei-o, ele abraçou-me, os meus rapazes mimaram-me. Era só isto que eu precisava.
Não quero ensinar o meu filho a fingir no palco da vida real, não quero ensiná-lo a simular a felicidade quando estiver triste, não quero que a alegria seja uma imposição marcada por dias do calendário. Quero que ele saiba que a felicidade, a verdadeira, não se simula nem se enfeita, vive-se. Vive-se, simplesmente e intensamente. Quero que ele sorria de dentro para fora e que não ensaie sorrisos que devem aparecer espontaneamente. Que aprenda que é normal existirem momentos de tristeza. Às vezes estamos tristes e não há mal nenhum nisso. O importante é que a felicidade do que somos sobressaia e se sobreponha aos momentos de tristeza. Que estes não passem disso mesmo, momentos. E que a sua felicidade intrínseca, aquela que eu quero que ele viva, o ajude nos dias menos bons.   
Ainda não comemorei, mas vou comemorar os 39 anos e 1 mês, os 39 anos e 6 meses. Vou comemorar de verdade a felicidade por viver esta vida e por ter o que tenho. 

E porque este mês foi um mês marcado por coisas menos boas, vou passar para aqui o que escrevi acerca do mês de Agosto há dois anos:
"Agosto é o mês da mãe, é o mês do meu aniversário.
Para mim, é um mês com sabor a férias, com cheiro a praia e um dos meses mais coloridos do ano. É o mês dos Mojitos, das Caipirinhas e dos Gins Tónicos. É o mês das saladas e dos gelados. É o mês das caminhadas, de fazer programas diferentes, de fazer pequenas e/ou grandes viagens e de bares. É o mês de sentir o cabelo molhado constantemente, é o mês do bronzeador (no meu caso, mais protetor). É o mês de vestir saias, vestidos e calções. É o mês dos chinelos e do pé descalço. É o mês da liberdade. É um mês leve. É um mês com pouco trânsito em Lisboa (cidade que adoro). É o mês de espetáculos /eventos/atividades ao ar livre. É o mês de mais amigos.
Este ano, as cores deste mês sobressaem ainda mais, os cheiros intensificam-se e, mesmo que chova, não há dias cinzentos. Este mês o semicírculo do arco-íris paira sobre mim do dia 1 ao dia 31. Este mês não há Mojitos, Caipirinhas ou Gins Tónicos, mas há água de uma fonte especial. Este mês não posso abusar dos gelados e não me posso ficar só pelas saladas, mas alimento-te. Este mês continua a ser o mês dos chinelos, mas só dos confortáveis para te suportar. Este mês é o mês de experimentar uma nova forma do verbo amar, o amar de mãe. Este mês é o mês de te partilhar com amigos e familiares, ainda que seja uma partilha restrita. Este mês é o mês da renovação, da boa energia e do sorriso constante. Este mês é o mês de agradecer a vida que tenho. Este mês de Agosto é ainda mais especial que todos os outros. É que este ano, este mês, estou à tua espera, filho! 
Para além das boas sensações típicas deste mês, e para além do amor, está o que sinto por ti!"
Escrito a 1 de Agosto de 2013

Comemorarei em ti, Agosto de 2016, os 40, mas por agora tenho quase 1 ano para me despedir dos 30 em grande. Espera por mim tranquilo e sem pressas, eu quero que este ano passe bem e devagar.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Utopia #3 - Ensino igual para todos!? Não, obrigada.

Eu não desejo uma escola igual para todos. Não desejo que todos aprendam Inglês aos 3 anos. Não desejo que todos cantem na perfeição na festa de Natal. Não desejo que todos aprendam a cortar, a pintar e a desenhar ao mesmo tempo. Não desejo que leiam em simultâneo e em voz alta o mesmo texto. Não desejo que todos reconheçam e vivam a Natureza da mesma maneira. Não desejo que papagueiem a tabuada ou o nome dos rios a uma só voz. Não desejo que todos cortem a meta em primeiro lugar. Não desejo nada disto, até porque acho que isto não existe no mundo real. Existe no papel, com metas específicas para tudo.
O que eu desejo é que respeitem o ritmo, as experiências e as vivências que cada criança traz quando chega ao Jardim de Infância ou à Escola. Que a incentivem a partilhar o que sabe, a respeitar e a ouvir o outro. Que a instiguem a questionar o que não compreende. Que a preparem para a resolução de problemas. Que a façam imaginar e sonhar. Que a deixem fantasiar e brincar. Muito. Que a ouçam. Que a criança tenha um papel ativo no seu próprio desenvolvimento. Que a façam compreender a vida em sociedade e o motivo de existirem regras (regras gerais, não regras para tudo e mais alguma coisa). Que lhe ensinem a liberdade. Que a orientem para a descoberta de si mesma, para a descoberta do mundo e para o respeito pelo meio ambiente. Que valorizem o ensino pela Arte e para a Arte. Que compreendam que ela tem preferências e gostos próprios. Desejo que a respeitem como pessoa que é.
Gostava mesmo que a escola em Portugal fosse assim. Assim sim, para todos. Uma escola com oportunidade para todos, sim. Com um método de ensino transmissivo e igual para todos, não.
É difícil encontrar uma escola que defenda os valores que, para mim, são importantes. É difícil encontrá-la na minha área de residência e a a preços suportáveis. Mas tenho de tentar. A alternativa é criar uma de raiz... Pois, parece-me utopia!

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A viagem na carrinha do pai Pirata

O Índio Pirata, com quase 2 anos, não frequentava a creche; enquanto os pais iam trabalhar, o pequeno Pirata ficava com a Carmo, uma senhora com uma imagem muito delicada e uma pessoa muito doce. Era muito paciente, muito meiga e tinha um jeito inato para cuidar de crianças. Não eram poucas as vezes que eram vistos a passear: ora eram vistos na estação a ver passar os comboios, ora eram vistos a comer uma torrada no café da esquina ou, simplesmente, a dar uma volta ao quarteirão logo pela manhã. Por vezes, também eram vistos no parque em correrias e brincadeiras. O Índio Pirata chegava ao final do dia cansado de tanta brincadeira e as nódoas estampadas na sua roupa espelhavam bem o quanto ele tinha liberdade para se divertir. 
Antes de iniciar os dias com a Carmo, o pai Pirata levava o pequeno Índio numa carrinha especial. Criaram, com esta pequena viagem matinal, uma rotina só deles em que a mãe Índia era excluída. O transporte escolhido foi uma carrinha branca antiga e alta com umas escadas na porta traseira. O Índio Pirata sempre que via passar carrinhas semelhantes gritava pela carrinha do pai e quando o via chegar, ao final do dia, sorria com orgulho. Era a carrinha dos dois.
Era o argumento de ir na carrinha do pai que acalmava o Índio Pirata quando as birras matinais espreitavam. Era na mesma carrinha, com a cadeira do Índio no banco da frente, que o pai lavava os vidros com água do pára brisas. Era à porta grande e pesada desta carrinha que a mãe Índia, em dias em que descia as escadas para ajudar o pai Pirata com os sacos, se despedia dos dois. Era nesta pequena viagem que os dois se divertiam a ouvir música e criavam rotinas a dois. Só dos dois. E à noite, antes de dormirem, conversavam sobre a primeira viagem do dia, como se todos os dias acontecessem coisas diferentes e tivessem novidades para contar.
A mãe Índia desconfiava das peripécias que eles contavam, desconfiava até que eles as inventavam. Umas vezes era a Gata de saltos altos, carregada com os sacos das compras, que ralhava com eles porque iam muito depressa. Outras, era o cão perna longa que se vestia de polícia sinaleiro e os mandava parar só para ouvir a música que eles ouviam de manhã. Algumas vezes, era o pombo que viveu na varanda Este que lhes pedia boleia. Outras ainda, era a desculpa de o comboio ter estacionado na Rua dos Inventores. Até o pato do tio Carlos lhes aparecia para tomar banho com a água do pára-brisas da carrinha. Tudo servia de desculpa para justificar os seus atrasos. A verdade é que eles todos os dias se divertiam, todos os dias tinham uma novidade; nunca saberemos se as histórias que contavam eram verdadeiras ou falsas. É e será sempre um segredo entre o pai, o filho e a carrinha. A carrinha que os conduzia neste percurso era especial, muito especial, não abria a boca para contar nada do que se passava nas viagens matinais. Quase que se pode afirmar que as aventuras matinais eram a três.
Um dia, a carrinha branca, já velhinha, deixou de conseguir fazer a viagem matinal. Estava cansada, não suportava tanta emoção e tanto passeio logo de manhã. Decidiu que iria viver junto ao mar, mudar de visual, descansar e fazer caminhadas curtas. Combinaram, no entanto, que continuariam a viajar juntos 1 vez por semana, com as peripécias e alegria do costume. A frequência com que viajavam na carrinha diminuiu, mas o carinho que sentiam por ela perdurou.
A carrinha branca depois de ter mudado de visual e de ter ido viver para a beira mar:


Créditos de imagem: Wishªcolor

Filho, tu fizeste muitas viagens com o teu pai na carrinha branca de que fala o texto. Este era, efetivamente, um momento dos dois, eu não ia convosco de manhã. É claro que a parte dos animais é invenção minha, no entanto, a água nos vidros, a música e a euforia com que faziam aquela viagem são reais.
Fazendo a analogia com a carrinha do texto, lembra-te que as pessoas, por vezes, deixam de nos poder ajudar/apoiar/acompanhar. Por vezes, não nos podem valer. O importante é que nos valeram, nem que tenha sido uma única vez. O importante é que reconheçamos e sejamos gratos por isso. Ninguém deixa de ser importante para nós só porque deixa de nos ser útil.
Hoje, fazes 23 meses. Parabéns, Índio Pirata da mãe.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Nos últimos dias...

- O meu filho já convida amigos para jantar. Agora teima em levar o Pirata e o Peter Pan para a mesa, faz-me pôr uma colher de sopa numa tigela pequena e dá comer aos amigos. Se decido que terminou a brincadeira (a bagunça), ele chora. Muito. Com lágrimas e tudo. 
Começaram por ser amigos do banho, passaram a comer connosco à mesa e, agora, já dormem na nossa cama. O que é que se segue?
- Do alto do nosso terceiro andar, pela janela do quarto, descobre que o carro da tia está lá em baixo e grita "Olha, popó da tia". Como é que é possível ele reconhecer o carro da tia? Lembro-me de ir passear com o meu afilhado, ele era pequenino, olhava para os símbolos e dizia-me as marcas dos carros. Já eu, com esta idade, tenho de pensar bem qual é a marca do carro da minha irmã. E da minha mãe. E de qualquer pessoa. Sei qual é a marca do nosso e é uma sorte.
- Adora ver garagens. Fica eufórico quando vê aquela porta grande e imponente a abrir, quando vê os carros saírem lá de dentro. Relativamente a algumas garagens, diz que os carros sobem a rampa e vão para a estrada.
- Vamos ao parque, empoleira-se no escorrega grande e chama pela prima e pela tia. Depois diz que não estão cá, que estão em Lisboa.
- Nos últimos dias o pai retira-o da cadeira que está na carrinha e coloca-o ao volante. Ele mexe nos botões do rádio, no volante, nos piscas, nos botões do pára brisas e buzina. É uma festa.
- Pergunta repetidamente: Como chamas? Eu digo o meu primeiro nome, ele diz o segundo.
- Não quer ir para casa, por ele estávamos sempre na rua. Culpa minha.
- Fala ao telefone com o avô, diz que ele tem bigode.
- Anda louco com os comboios, adora ir vê-los à estação.
- Eu ando louca com ele, adoro-o! Cada vez mais.