sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Olá Novembro de 2015

Dá-me hipótese de apanhar folhas e bolotas. De fazer pinturas e colagens. De beber chá quente e sorrir. De andar à chuva de mão dada com o meu filho. De curar a gripe. De serenar. De ir à escola. De brincar. De brindar. De ir ao cinema. De contemplar a natureza de coração cheio. De preparar Dezembro. De ser Feliz.


Créditos de imagem: M.O.D

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Adeus meu "querido" mês de Outubro

Tu, Outubro, sabes bem que não és um mês querido. Este ano não foi diferente, no entanto, não te dou assim tanta importância desde que o meu filho nasceu. Valores mais altos se levantam, já sabes.
Comemorei o Halloween de forma muito simples, com um filho mascarado, num almoço com um grupo de amigos, organizado para o efeito. Ele correu, brincou e embirrou. Podia ser um almoço por outro motivo qualquer, mas havendo uma comemoração no calendário, aproveitá-mo-la.
Levámos 3 folhas grandes de papel e colá-mo-las na parede do restaurante. Os miúdos desenharam, pintaram e riscaram - dependendo da idade, já se sabe, cada um fez o que quis e o que foi capaz. Levámos brinquedos, uma mesa e cadeiras à medida dos petizes. Conclusões óbvias:
- Todos querem o mesmo brinquedo, à mesma hora. É matemático. 
- As miúdas querem sempre o prato cor de rosa, em havendo só um, é preferível escondê-lo. 
- O carro que está na mão do vizinho é sempre melhor do que o meu. O objetivo da brincadeira é conseguir tirar os brinquedos que os outros têm na mão. E, eventualmente, evitar que me tirem o que tenho na minha.
- Se me tiram um brinquedo da mão/se quiserem o mesmo que eu, ofereço uma chapada. Ou choro. Ou grito. Ou esperneio. Vale tudo.
- É impossível almoçar calmamente, pelo menos os pais dos miúdos que têm entre 2 e 4 anos.
- É impossível manter uma conversa com uma duração superior a dois minutos.
- E combinar um almoço para os miúdos sem os miúdos!? Hã!? Boa ideia. Estou a brincar... Ou não. Nunca se saberá.
- Todos as crianças fazem traquinices - que inteligente que eu sou, ainda me arrisco a receber algum prémio por este desabafo... é óbvio, é apenas para relembrar este facto a mim mesma - e ainda bem.

Há quem chame ao dia 31 de Outubro o Dia das Bruxas. Concordo. Ou melhor, não concordo. Todo os dias do mês de Outubro foram dias de bruxas. No creo en brujas, pero que las hay, las hay!
Devem haver outras coisas para dizer em relação a Outubro de 2015, mas tenho pressa em despedir-me dele. Adeus Outubro, "baza".

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Projeto 12: Um pequeno (pequeníssimo) contributo para um mundo melhor, todos os meses, de Outubro 15 a Setembro 16

Filho, no seguimento da carta que escrevi por ocasião do teu 2º aniversário, decidi que quero, para já, realizar 12 pequenas ações que marquem a diferença até completares 3 anos de vida. Não serão grandes feitos, serão apenas pequenas atitudes que, espero, se tornem um exemplo para ti. São valores que quero transmitir pelo exemplo. E o exemplo começa agora. São pequenas decisões que podem marcar a diferença na nossa forma de estar na vida perante determinadas situações. São escolhas. São pequenas coisas que não fazemos com a regularidade que podíamos e/ou devíamos, porque, simplesmente, não refletimos sobre elas. São pequenas partes do mundo que quero mudar/melhorar.
A pequena ação do mês de Outubro foi muito simples. No dia do teu aniversário ofereceram-te dois brinquedos iguais. Numa situação normal, pegaríamos num deles, com o respetivo talão de compra, e rumaríamos à loja para trocá-lo. Preferimos não fazê-lo. Conversei com o pai e sugeri que oferecêssemos aquele presente a uma criança que não recebe brinquedos com a mesma regularidade com que tu recebes. Ele concordou. Àquele presente juntou-se um outro que, não sendo repetido, é muito semelhante a um que já tens. Vamos oferecer 2 presentes que não tiveram qualquer custo para nós, agimos apenas de forma diferente do habitual. Inicialmente, até ponderei trocar aquele brinquedo por um puzzle, mas quando quiser e puder compro-te um. Para ti, filho, mais um brinquedo ou menos um brinquedo não fará diferença, para outra criança, certamente, fará.

O título deste pequeno projeto pessoal é inspirado no título de um projeto de fotografia - cujo objetivo é fotografar os filhos, uma vez por semana, todas as semanas durante um ano. Talvez, daqui a algum tempo, eu consiga realizar uma pequena ação todas as semanas; talvez eu consiga "fotografar" uma pequena ação todas as semanas. Por agora, vamos tentar "fotografar" uma pequena ação todos os meses e, se possível, envolver-te.
É claro que tenho em consideração que tens apenas 2 anos. O teu entendimento em relação a determinadas coisas é, por enquanto, limitado. Não pretendo realçar as coisas menos boas que o nosso mundo contém, tu terás tempo para descobri-las. Pretendo, pelo contrário, dizer-te que há muitas coisas boas e podem existir muitas mais - imagina que muitos começam a fazer 12 pequenas ações (alguns já fazem muito mais). A verdade é que quero um mundo melhor para ti. Acredito que tudo pode ser melhor, depende de cada um de nós. É só isto que quero transmitir-te.


Créditos de imagem: Wishªcolor


Desejo, com todo o meu amor, um mundo melhor para ti. Desejo, simplesmente, um lugar melhor para nós (todos).

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Dois presentes, com 2 e 5 anos respetivamente, embrulhados em bolas de sabão

Já passou 1 mês, mas tenho de escrever sobre a festa de aniversários dos meus amores pequeninos.
No dia 27 de Setembro comemorámos o aniversário do meu filho e o da minha sobrinha. Em Setembro, ele fez dois anos, ela cinco. Decidimos fazer uma festa para os dois porque, em conjunto, foi possível realizar uma festa à medida dos nossos sonhos. Alugámos um espaço num colégio porque nos pareceu adequado para as crianças, afinal a festa é para elas. Um espaço ao ar livre com relva, escorregas e brinquedos diversos, nomeadamente, bicicletas, bolas e cozinhas. Se chovesse tínhamos uma sala grande à disposição, mas não choveu.
Iniciámos um mealheiro há um ano atrás e foi assim que pagámos o aluguer do espaço. Já iniciámos o do próximo ano. Parecendo que não, ajuda muito.
Os temas foram definidos: A Violeta (foi ela que escolheu) e os Piratas (a mãe dele, eu portanto, é que escolheu). Comprámos elementos decorativos com pormenores a condizer com os temas. Fizemos duas grandes mesas, cada uma com o seu tema. Comprámos salgados caseiros, nós e familiares fizemos os doces (eu, que sou a "rainha" da cozinha, fui incumbida de fazer a gelatina... como sabem, é muito difícil fazer gelatina, requer talento e paciência, é um trabalho complexo, daí terem delegado esta responsabilidade na minha pessoa), comprámos bebidas e alguns doces, fizemos sandes de queijo/fiambre/tomate cherry, cortámos frutas. Eu e o pai do Índio Pirata fizemos um barco de Pirata no qual colocámos as frutas. Eu idealizei a coisa - leia-se pesquisei na Internet - o pai executou. Alguém tem de ser o cérebro da operação, certo?  
Os dois aniversariantes foram as primeiras crianças a chegar à festa, estavam felizes da vida. Ele porque viu naquele espaço a hipótese de correr, brincar e explorar. Ela porque sentiu orgulho em poder receber os amigos naquele espaço. E pela brincadeira que o mesmo proporcionou, claro. 
As crianças correram e brincaram. Os adultos conversaram e, sem saírem do sítio de conversa, observavam os pequenos, já que o espaço, apesar de amplo, permita o contacto visual com toda a gente. Foi muito bom. Uns sentados em cadeiras, outros na relva. Uns de copo na mão, outros de rissol na boca. Outros de rabo para o ar a levantar o bebé que caiu. Miúdos a correr, miúdos a andar de bicicleta, miúdos a lutar pelos brinquedos da cozinha, miúdos a descer o escorrega, miúdos a brincar aos detetives, miúdos de espada na mão e de bola no pé, miúdos a fazer birras. Enfim, o normal. Brincadeiras livres, sem animação programada, brincadeiras à medida de cada um, já que cada um brincou como quis. Entre grandes e pequenos eram quase 100 pessoas. Foram 3/4 horas de festa pura.
O momento alto foi o de cantar os Parabéns. Antes da cantoria propriamente dita, oferecemos bolas de sabão e gaitas de papel (não sei como é que aquilo se chama) às crianças. Passados poucos minutos, tínhamos uma paisagem de bolas de sabão iluminada por um candeeiro de sol; bolas grandes, bolas pequenas, umas  lá em cima, outras pela altura dos nossos joelhos, uma bela paisagem. Segundos depois, tínhamos uma banda filarmónica desafinada a apitar, com ritmos e tons diferentes, imperfeitos e desafinados, dirigida pelos aspirantes a músicos. O brilho nos olhos e a euforia das crianças valeu a pena, valeu pelo esforço de procurar o presente ideal para oferecer aos convidados (na verdade, eu sabia o que queria, são coisas comuns em festas de crianças, mas tinha de encontrar coisas à medida do orçamento que tinha definido). Eu, que dias antes me perguntava por que raio, agora, se oferecem prendas aos convidados, rendi-me. Decidi que não daria doces a ninguém e foi o melhor que fiz. A minha querida irmã alinhou nos doces e, depois, andou a pedinchar gaitas. Gaita da miúda, eu bem que a avisei.
Depois, duas mesas pequenas no meio da relva, cada uma com um bolo (diferentes por fora, iguais por dentro). O cantar os parabéns duas vezes, a dois amores, pela comemoração do nascimento de cada um. Nasceram-nos dois presentes há 2 e 5 anos, respetivamente. Dia 27 de Setembro de 2015 comemoraram juntos, embrulhados em bolas de sabão, os seus aniversários. E nós fomos ainda mais felizes, porque, com estas pequenas grandes experiências/vivências, esperamos que eles construam boas memórias.
Parabéns meus amores! Marcamos encontro na festa do próximo ano que, se for em conjunto, será em Outubro.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

24 meses de ti e o mundo que eu não sou capaz de te explicar

Filho, fizeste 2 anos e há coisas que, apesar de não conterem a alegria e a felicidade da celebração desta data, tenho de escrever. Temo não ser capaz de as explicar com palavras adequadas à tua idade. Preciso de escrever para, depois, definir como te transmitir o que não sou capaz de, agora, te explicar.
No seguimento da carta que te escrevi há 2 anos e uns dias (ver aqui), tenho a dizer-te que também existem mundos que eu não queria que conhecesses. Existem mundos que me amedrontam. Que me fazem sentir pequenina. Que me envergonham. Que me fazem dar passos para trás como de murros no estômago se tratassem. Que não me permitem conter as lágrimas que teimam em cair-me dos olhos, olhos estes que anseiam ver outro mundo para ti. Que me fazem suster a respiração, como se uma nuvem empoeirada pairasse sobre mim. Existem mundos que eu queria mudar. Por ti, por mim, por nós. Eu não queria escrever sobre eles porque preferia que não existissem. Mas existem. Existem mundos que eu não consigo compreender e, consequentemente, não sou capaz de te explicar. O meu ignorante raciocínio não consegue compreender as explicações apregoadas por alguns.
Mas, sabes filho, existem coisas que julgo ser capaz. Talvez eu seja capaz de te mostrar que, por outro lado, existe um mundo composto de gente, de seres humanos fortes e genuínos, mais emocionais do que racionais, capazes de ir mais além. Talvez eu seja capaz de te ensinar que, com convicção, com determinação e com amor, há muitas coisas que podemos mudar. Talvez eu seja capaz de te fazer acreditar - acreditar em ti, no mundo, nas pessoas. Acreditar sempre. Tenho mesmo de ser capaz. Por ti, por mim, por nós.

Há gentes do passado que fizeram descobertas grandiosas e gentes do presente que fazem a ciência evoluir a cada segundo. Ou não, já nem sei o que é evolução.
As gentes do passado descobriram e aperfeiçoaram meios de transporte que nos permitem percorrer o nosso mundo mais facilmente. Noutros tempos, a construção de uma canoa tinha como objetivo atravessar o rio para o outro lado. Hoje, com aviões a percorrer os céus e a deixar um rasto de giz (aquele risco branco que se vê cá de baixo, que me faz pedir desejos e ter esperança, não sei se sou só eu a fazer isto), continua a existir gente a ansiar pela canoa que atravessa o rio, camuflando o medo, enfrentado a morte e a acreditar. Em simultâneo, há gente convicta de que existem pessoas de cá e pessoas de lá, como se o "lá" e o "cá" não se situassem no mesmo mundo. No nosso. Como é que eu te explico isto?
Antepassados nossos descobriram e aperfeiçoaram as telecomunicações para nos tornarmos mais próximos, ainda que distantes fisicamente. Hoje em dia, as mensagens já não são enviadas pelo pombo-correio, mas continuam a existir pedidos de ajuda que não chegam ao recetor. Ou então, é o recetor que finge que os mesmos vêm numa língua não universal e que, por isso, podem ser ignorados. Como se uma mão a acenar no meio de um mar imenso não significasse um pedido de ajuda. Cá e lá. É linguagem universal, não há que enganar.
Descobriram a arma, vê só a "grande descoberta". Acredito que nos primórdios com vista a sobrevivência: caça e defesa. Hoje, consigo encontrar grupos e sub-grupos de armas na Internet, leis que legislam a utilização das mesmas. Mas não vejo o silêncio e a inércia punidos nesses livros de verdades absolutas. Do lado de cá do rio, com transportes evoluídos e com formas de comunicar inovadoras, em vez de se esticar o braço há quem baixe a cabeça e vire as costas. Há quem não vire as costas, há quem seja "corajoso", há quem olhe para o lado de lá e grite para as gentes da canoa "volta para trás", "o mundo é de todos, mas os todos de que falamos são só alguns". Esta prepotência também é uma arma. Mas a sua utilização não é punida. Como é que eu te explico isto?
Mas, sabes filho, também há os que lançam cordas para os que caem da canoa se agarrarem. Os que "entram mar adentro" para puxar a canoa carregada de medo e de esperança. Os que põem a emoção na força que usam e ignoram a reflexão e os motivos dos que não se vergam para puxar a corda. Eu quero ser dos que puxam a corda.
Um dia destes, sentiremos (na pele) os abraços virtuais enviados através de uma caixa com fios e luzes, chegados do outro lado do mundo e ficaremos felizes. Mas se o vizinho do lado precisar de um abraço, não sabemos como o fazer. Como é que eu te explico isto?

Filho, estamos a viver uma crise. A mim, parece-me a crise dos valores, dos direitos e dos deveres humanos, mas chamam-lhe a crise dos refugiados. É adequado, na medida em que é a crise dos que têm de deixar a única casa que conheceram para fugir da guerra, à procura de uma vida melhor. Dos que se atiram para dentro de barcos sem condições nenhumas porque tentam sobreviver. Dos que tentam derrubar barreiras físicas e humanas porque não querem morrer. Dos que procuram refúgio. Dos que procuram um porto seguro. Há mães que atiram os filhos para o desconhecido com esperança de os salvarem, correndo o risco de os perderem para sempre. Há crianças, filho, há crianças como tu que morrem nesta caminhada. Há quem se aproveite. Como é que eu te explico isto?
Neste mundo, que eu gostava que não existisse, também há os que morrem de fome e que não têm condições básicas de higiene nem cuidados básicos de saúde. Há crianças que são forçadas a trabalhar quando deviam lutar pelo baloiço do parque infantil que frequentas. Há crianças que, em vez de serem protegidas pelo simples motivo de serem crianças, pessoas e o amanhã, são maltratadas. E isto acontece em muitos sítios deste mundo (Cá e lá) que eu, por vezes, não sou capaz de te explicar.
Os que defendem que não se deve esticar a mão para puxar a canoa, cheia de gente de lá, têm argumentos. Muitos. Entoados com convicção. Mas eu não consigo compreendê-los, logo não consigo aceitá-los ou explicá-los. Um dia destes tentarei escrever sobre esses motivos, mas não para tos explicar. Não sou capaz.


Créditos de imagem: Bernardo P. Carvalho

Filho, a canoa traz gente de diferentes classes sociais, com diferentes convicções, com diferentes objetivos... Mas traz gente.
Fizeste 2 anos, meu grande amor pequenino, e o meu presente é explicar-te que podemos mudar estes mundos que eu, por vezes, não sou capaz de te explicar. Nem que seja uma pequena parte, tão pequena que é quase invisível. Felizmente, há muitos outros a mudar pequenas partes. Todos juntos faremos algo que se veja - melhor ainda, algo que se sinta. Acredita, filho. Eu acredito. Por ti, por mim, por nós
Eu acredito que, se consigo descobrir novos trilhos através dos teus pequenos passos, se consigo experimentar texturas através das tuas pequenas mãos, se consigo ver a beleza de olhar para o céu e desejar boa noite à lua quando me dizes que lá fora está escuro, se consigo ouvir os cães a ladrar e os pássaros a cantar no meio da confusão só porque tu me dizes "Olha, o cão!", "Olha, o passarinho!", se consigo reaprender a saborear alimentos só porque tu me perguntas "O qué ito?", também sou capaz de mudar alguma coisa. Por ti, por mim, por nós. Pelo mundo que eu, às vezes, não sou capaz de te explicar.
Menos explicações e mais ações que, espero, sejam um exemplo, é o meu presente de 2.º aniversário.
Parabéns filho, parabéns por ti, por mim, por nós e por estes 2 anos.

Carta escrita ao meu filho por ocasião do seu 2.º aniversário.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Nos últimos dias...

- O meu amor pequenino, depois de uma semana em que esteve constipado e mais chatinho, voltou com o seu bom humor. Tenta dizer-me alguma coisa, eu não percebo e ele diz "a mãe não sabe". Tenho de arranjar um bloco para escrever tudo que me provoca gargalhadas.
- O parque continua a ser um dos nossos sítios preferidos. Esta semana, brincou na areia com 3 ou 4 crianças pacificamente. Uma vez ou outra lá exteriorizou (levantando a mão) o facto de lhe tirarem alguma coisa das mãos. Eu expliquei-lhe calmamente que todos podem brincar, que não é necessário bater, que pode pedir a pá ou o ancinho emprestados e emprestar. A Luísa emprestou-lhe a pá e o balde, elogiei a atitude dela, pisquei-lhe o olho (a ele) e correu tudo bem. Num dos momentos em que levantou a mão afastei-o do grupo calmamente e expliquei-lhe que os meninos ficam tristes se ele lhes bater. Ele voltou ao grupo. Correu bem.
- No dia anterior tínhamos andado pelo parque de bola no pé e na mão, os miúdos mais crescidos tiraram-lhe a bola. Faz parte. Por momentos não intervim, queria ver como se desenrascava. Os miúdos passavam a bola de um para o outro e ele corria para tentar apanhá-la. Numa das vezes conseguiu.
- No parque, brinca com a areia, apanha bolotas e folhas. Rasga as folhas em pedaços pequenos e simula que faz um bolo. Observa e tenta agarrar as formigas que caminham pelas árvores. Diz formiga corretamente, ao contrário da mãe que dizia "fanica".
- Cruza os braços, franze o sobreolho e diz "estou zangado". Pelo menos já verbaliza, o que é bom.
- Ao ver a lua no céu, diz "Olha mãe, a lua. Encontrámos". Eu digo "encontrámos" efusivamente. No caminho até casa, a lua esconde-se e ele tenta encontrá-la.
- Num dos dias em que estava a chuviscar, quando chegámos à porta de casa, saímos do carro, olhámos para o céu e sentimos a água no rosto. Experimentámos a chuva.
- Há umas duas semanas, na nossa cama, em que as rajadas de vento faziam abanar a janela do quarto de forma barulhenta, ele encostou-se a mim, como que a aninhar-se. Abracei-o, senti que estava com receio por não saber que barulho era aquele. Depois disse-lhe baixinho que era o vento. Disse-lhe, simulando o barulho do vento, que lá fora ele soprava com muita força; que as árvores estavam a abanar e as folhas a cair. Disse-lhe para não ter medo, era apenas o vento. Quando nos levantámos fomos à janela ver as árvores a abanar e, depois, abrimos a janela e sentimos o vento. Uns dias depois recordei-lhe este episódio. Ontem, ele disse-me "estava muito vento, as árvores a abanar, as folhas a cair e a mamã abraçou". Ele reteve que eu o abracei. Eu quero que ele retenha que o abraçarei sempre que precisar.