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segunda-feira, 1 de abril de 2019

As incoerências da maternidade... ou as minhas, que a maternidade não tem culpa nenhuma

Ele (o pai): A educadora disse-me que o "teu" filho foi apanhado a subir a uma árvore. 
(eu, que atendi o telemóvel disfarçadamente no meu local de trabalho, tive de conter a indignação por um lado e o riso por outro).

Retribui a chamada assim que consegui e quis saber pormenores.
Eu: Mas...o que aconteceu? 

Ele: Ela contou-me que foi apanhado com uns reguilas em cima de uma árvore.
(todos são reguilas, portanto)

Eu: E tu, falaste com ele? Disseste-lhe que não pode fazer isso?

Ele: Eu!? Tu aprovas e até incentivas (há muito) que ele suba escorregas ao contrário, que trepe árvores e que se empoleire. E eu vou ralhar com ele porque subiu a uma árvore?

...
...
...

Realmente, que raio de bipolaridade foi esta?

(A verdade é que temo bastante o que tenho para pagar!
P.S. Mãe, perdoa-me as dores de cabeça que te causei por causa da escola. Eu era capaz de mais, mas não sabia como o fazer.)

Claro que não me importo que trepe uma árvore, pelo contrário, quero apenas explicar-lhe que não pode subir aquela árvore porque é pequena e frágil, se todos se lembrarem de a trepar o pequeno tronco poderá ceder e partir. É só isso. Quero apenas que compreenda e respeite as regras daquele espaço, naquele contexto.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

A escola Pública: a nossa experiência

Escrevi aqui que sentia uma grande incerteza acerca do que ia acontecer este ano letivo. A incerteza prolongou-se até Janeiro, até à data da reunião com a educadora do meu filho. 

Conheci a Educadora do meu filho no dia 14 de Setembro na primeira reunião. Gostei dela, das ideias, do dinamismo que demonstrou. Pareceu-me assertiva e com muitas ideias alinhadas com as minhas. Não consegui validar a parte humana, mas saí da reunião com uma boa sensação.
No dia 17 de Setembro não foi ela que o recebeu no primeiro dia de aulas: foi operada de urgência, só regressou no final de Novembro. Teve uma educadora temporariamente. Teve outra educadora temporariamente (que gritava, de acordo com as palavras do miúdo). E eu, apesar de o sentir integrado e feliz desde o primeiro dia, sentia-me perdida. Não fazia ideia do que se passava na escola, ele não trazia novidades, a não ser mais cansaço ao final do dia.

Uma das pessoas que está com ele ao final do dia diz-me, desde o início, que ele come bem. Ele fala e brinca com todos os colegas, da sala dele e das outras. Pede para ficar no ATL da escola. Ao fim de semana pergunta se vai para a escola e até fica um pouco aborrecido quando respondemos que não. Fez novos "grandes amigos". Vê-lo bem sempre foi uma das nossas exigências e a maior condicionante para ele continuar ou sair da escola pública. Cumpriu-se este requisito desde o início.

Os meus horários de trabalho não me permitem encontrar a Educadora nem com a Auxiliar da sala dele. O pai, que vai levá-lo de manhã, cruza-se com a Auxiliar desde o início. Esta, apesar de parecer despistada e de não prestar grande atenção ao que dizemos, é muito carinhosa com os miúdos, atenta e regista tudo o que dizemos (constatámos depois). Ele gosta muito dela. Ainda me cruzei com as duas educadoras que ele teve pelo meio, mas não consegui tirar grandes ilações.

No início de Janeiro foi então agendada a tão aguardada (por mim) reunião com a Educadora, a primeira, a que conheci no dia 14 de Setembro. Uma conversa descontraída, na qual se falou do grupo de crianças, do que se tem feito, do que se pretende fazer, das mudanças de Educadora, da fácil adaptação deles a todas elas, de algumas rotinas da sala, da importância que se dá ao saber estar/ao respeitar o outro, da possibilidade dos pais planearem uma atividade com o grupo de crianças ou de passarem uma manhã na escola com as crianças. Sempre com a demonstração de um grande respeito pelo ritmo e gosto das crianças. Foi dito claramente que não se dá uma grande ênfase à quantidade de trabalhos que se fazem, esta é sacrificada em detrimento de trabalhos com significado para as crianças. Têm feito experiências, cumprimentam-se em várias línguas de manhã, inclusive em linguagem gestual, é dada alguma liberdade relativamente ao que fazem. Gostei e descontraí. Começou, finalmente, o ano letivo para mim. 

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Cara ou coroa: um jogo de sorte ou azar

A iniciar um novo jogo, um jogo de sorte ou azar: é assim que me sinto desde que decidimos inscrevê-lo na Escola Pública.

Começa logo com o sítio onde tiveste a sorte ou o azar de comprar casa.

Passa por teres referências da escola A e/ou B. Por teres a sorte de conhecer alguém que trabalha nas ditas escolas. Por conheceres alguém cujos filhos frequentam essas mesmas escolas. Por teres referências para optares de acordo com o que valorizas.

Passa pela sorte ou pelo azar de o responsável pela distribuição das crianças pelas escolas do Agrupamento perceber o que está a fazer. Ou pelo menos ter o profissionalismo de ler o Despacho Normativo em vigor - tenho a certeza de que o responsável aqui da minha zona o leu... pelo menos parte dele, depois da minha reclamação na qual transcrevi excertos do mesmo.

Passa pela sorte de a criança ser colocada na escola que preferes, numa turma em que encontrará caras conhecidas, alguns amigos, algumas referências.

Passa pela sorte de a dita escola ter um/a bom/boa coordenador/a ou pelo azar de o/a mesmo/a ser intragável.

Passa pela sorte ou pelo azar de a escola em que o teu filho entrou ter boas ou más instalações. Boas ou más infraestruturas. Boa ou má cozinheira. Boa ou má comida.

Por fim e no topo da hierarquia, aquela variável que te faz ganhar ou perder o jogo: o/a educador/a - já sei que é uma educadora. Será boa? Será má? Estes adjetivos são redutores, mas isto é (só) um jogo. Aquele que pode ser considerado o jogo da infância do teu filho, mas para muitos apenas mais um jogo.
Quem diz educadora, diz professora, auxiliares e afins. 

E ainda que te prepares para o jogo, trabalhes o raciocínio, tenhas astúcia, facilidade na resolução de problemas que envolvem a lógica, elimines obstáculos, podes ganhar ou perder. (Parece que) nada depende de ti. E não depende, afinal isto é tão somente um jogo de sorte ou azar. É como jogar à moeda: cara ou coroa?
Eu, que fiz questão de visitar várias escolas, que falei com coordenadoras, que ouvi testemunhos, que avaliei e selecionei o que me pareceu melhor, sei que há coisas que não estão nas minhas mãos. Sinto-me a ter de fechar os olhos e a acreditar... na sorte. Consciente de que podia não ter feito nada do que referi antes e ter a sorte de uma boa educadora.

Vou esperar pela reunião geral e pela reunião com a educadora, vou esperar pelo primeiro dia, vou esperar pelo sorriso do meu filho, pelo seu discurso no regresso a casa, pelo brilho nos olhos a caminho da escola.
Fui ingénua, não pensei que me custasse tanto esta mudança, apesar de a ter previsto aqui. A educadora que ele teve tornou esta mudança ainda mais difícil.
Tal como escrevi aqui, eu sou pela Escola Pública, mas pela Escola Pública com qualidade.


P.S. 1 Se eu escolher cara e me calhar coroa, faço as malas e o miúdo regressa à escola em que esteve até ao final do mês de Agosto e só sai de lá aos 18 anos. Em relação ao orçamento mensal, que se lixe, é confiar na sorte.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Será que? Não faço ideia.

Será que vou deixá-lo com a tranquilidade com que to deixei a primeira vez? Recordo agora que me enviavas fotografias nos primeiros dias para me tranquilizar.

Será que vão conseguir entendê-lo? Compreender as suas dificuldades, as suas facilidades e as suas preferências?

Será que vão valorizar o seu progresso como tu fizeste?

Será que lhe vão dar um beijo repenicado e um abraço de manhã?

Será que me vão enviar uma mensagem a dizer que, apesar de não ter febre, não está bem?

Será que lhe vão reconhecer as necessidades nos dias em que o mau feitio impera?

Será que volto a confiá-lo num passeio ou numa ida à praia como o confiei a vocês?

Será que vão aguçar a sua curiosidade e o seu gosto pelo conhecimento do mundo, de novos lugares e de novas lendas como tu o fazes?

Será que os mapas de Portugal e do Mundo que lhe comprámos à conta do teu trabalho, continuarão a fazer sentido?

Será que cantará o Hino de Portugal num café qualquer como fez no outro dia? Será que dirá: foi "a minha professora" que me ensinou.

Será que vai ver, com os amigos da escola, jogos de futebol quando Portugal jogar num Europeu ou num Mundial?

Será  que vai continuar a perguntar-me com tanto interesse como é que se escreve isto ou aquilo?

Será que vai sentir saudades da horta, da vista, do espaço, dos amigos, da comida, das brincadeiras, das piscinas de Verão, das pessoas? Das pessoas, que são o mais importante de tudo...

Será que definirão, em conjunto, algumas regras? Aquelas que sabemos que são necessárias?

Será que se sentirá tão integrado num grupo como se sente aí?

Será que teremos proximidade suficiente com a educadora para conversarmos sobre o que achamos importante para o bem estar do miúdo?

Será que as novas aprendizagens lhe pesarão? É que apesar de teres proporcionado a aprendizagem/descoberta de tantos conteúdos, não senti que isso o sobrecarregasse. Ele sempre demonstrou gostar. Foram muitas descobertas/aprendizagens com sentido (para ele/eles). A culpa é tua.

Será que vou saber o que o meu filho vai fazendo ao longo do ano? Contigo eu sabia. Contigo, eu até podia aplicar as novas descobertas no nosso dia a dia, sempre que fosse adequado.

Será que vou ouvi-lo dizer "isso não se faz aos amigos", reconhecendo imediatamente que a frase foi trabalhada e discutida contigo.

Será?

Sei pouco do que nos espera lá à frente (em setembro). Sei bem o que ficou para trás. Sei das saudades que já temos. E a culpa é tua, da tua companheira de equipa, "a tua copiloto", de toda a equipa que faz parte desta escola.

Sei que posso fazer muito do que aqui foi escrito (de maneira diferente, claro), posso até fazer tudo e mais; sei que sou a mãe e que sou responsável pela sua educação, pelos valores que lhe transmito com exemplos; sei que o meu papel não é de mera espetadora; sei muita coisa (às vezes parece que não sei nada).
Mas também sei que ele passa cerca de 8 horas na escola; sei que ele tem 4 anos quase 5; sei que agora, mais do que as formalidades exigidas pelo sistema, é tempo de ganhar boas bases e oportunidades para descobrir o mundo... descobrir o mundo com interesse... é tempo de gostar de descobrir e de gostar de aprender. Convosco eu sabia que ele tinha tudo isto. Por isso, a saída é difícil. A culpa é vossa.

O nosso obrigado e até breve (não conseguimos dizer adeus).

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Regressar, rabiscar e escrever num "sítio" que já me fez muito feliz: este (ao reler o que já escrevi)

Filho, a ausência de riscos, rabiscos e escritos dos últimos meses deve-se a menos tempo, menos vontade, outras prioridades... cada uma destas coisas e todas elas ao mesmo tempo. Mas continuo com vontade de ter um caderno para anotar algumas das coisas que vais dizendo e fazendo, para o caso da memória me trair e de eu me esquecer do que é a vida contigo.

- Todos os dias, quando te vou buscar à escola, queres ficar no parque. Nada de novo. Foi sempre assim.
- Em Fevereiro/Março deixaste de querer dormir na escola, apesar de eu achar que a sesta te faz falta. Com esta mudança, na maioria dos dias, adormeces às 20h00. Continuas a acordar às 7h, às vezes antes, mesmo quando te deitas mais tarde.
- Valorizas, cada vez mais, os amigos e as coisas que tens.
- Gostas de folia: não te cansas das festas que vão acontecendo aqui e acolá.
- Foste a Coimbra com a escola. Assim que surgiu a comunicação, aceitei sem receio; depois fiquei com o coração nas mãos, mas senti que sim, que podias ir. Foste e gostaste.
- Foste à praia com a escola. Desta vez confiei e, mais uma vez, senti que sim, que era altura de ires (com aquelas pessoas). Adoraste.
- Queres  escolher a roupa que vestes (camisolas, principalmente): camisolas de alças como o porquinho mais velho (o porquinho mais velho tem vindo a perder terreno na tuas preferências, mas ainda falas dele); a t-shirt de Portugal com o número 7; a do Benfica; as da saga Star Wars.
- Quando me viste chorar porque me enganei no caminho e não chegámos a tempo de ver uma peça de teatro, disseste-me para ter calma, que às vezes acontece, pediste-me para contar até 10.
- Queres fazer a tua festa num sítio com insufláveis. Lá se vai a minha intenção de fazer uma festa ao ar livre, como tem sido até aqui.
- Jogas à bola com entusiasmo, acho que a euforia do Mundial te contagiou. Jogas no parque, na escola e em casa. Na rua dás pontapés nos obstáculos que vais encontrando - é claro que a vida útil dos teus ténis diminuiu consideravelmente. Os teus joelhos estão encardidos, mas tu andas feliz.
- Vimos juntos o primeiro jogo de Portugal,  vibrámos os dois quando Portugal marcou o primeiro golo deste Campeonato. Depois chegou o pai e o trio ficou completo.
- Assististe aos jogos do Mundial com muito entusiasmo: pelos jogadores portugueses, pelo Cristiano Ronaldo, pelo Pepe, pelo Rui Patrício e companhia; apreendeste a respeitar o adversário e avisaste, logo no início do último jogo de Portugal, que o Uruguai era uma equipa muito forte; aperfeiçoaste o trabalho em equipa; descobriste que há números com 2, 3 ou mais algarismos - a caderneta do Mundial proporcionou a descoberta. Precisamos de aperfeiçoar as regras de futebol: reclamas falta e penalti como quem bebe um copo de água.
- À conta da caderneta, aperfeiçoaste a técnica de colar autocolantes (alguns moram na tua cama); passaste a entender melhor os números; descobriste novas bandeiras e novos países.
- Passámos 4 dias na Galé no início de Julho e o drama de quem tem de se despedir das (mini) férias repetiu-se. Tu continuas a querer viver nas férias. Eu e o pai jogámos à bola contigo todos os dias.
- Passámos um fim de semana em Melides no final de Julho: numa casa de Madeira, com piscina, com uma cama de rede. Queremos uma casa daquelas. Nesta casa tu e o pai dormiram na sala e adormeceram a ver o Campeonato de Hóquei.
- Vibraste com a vitória da equipa portuguesa no EURO sub-19 e já percebeste que há outras equipas para além da "principal" e que há muitas outras modalidades desportivas, igualmente importantes.
- Não tarda muito vamos iniciar o nosso campeonato de férias grandes de 2018,  no sítio do costume. E esse sim, temos de vencer: observar, driblar, passar, rematar, marcar, ganhar, comemorar... Tudo. Vamos lá viver nas férias mais 15 dias (daqui a menos de 15 dias).

Dedicaste-te à rega depois de Portugal sair do Mundial, mas não deixaste a camisola.

Talvez não seja boa ideia subir as escadas a fazer cambalhotas...

Piscina, jogar à bola e apreciar a paisagem... já me parece boa ideia.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Grandes livros para pequenos leitores #29 - A princesa baixinha

Amanhã é dia 8 de Março, dia Internacional da Mulher. Ainda não pensei no que te vou dizer sobre este dia, não sei o que vais ouvir na escola... Mas, hoje, vou contar-te esta história.


Era uma vez uma princesa muito baixinha. Alguns, mais maliciosos, duvidavam até que fosse uma princesa de verdade. O seu avô também fora um homem muito baixo, no entanto isso não o impediu de combater contra os inimigos - segredou-lhe a avó. Assim, nasceu na princesa a vontade de fazer coisas importantes: atravessou bosques, montanhas e desertos, enfrentou um dragão, desatou nós apertados de sacas de farinha enfeitiçadas, afastou condores e regressou a casa como... uma grande princesa. 
A Princesa Catarina é forte e corajosa, tal como qualquer um o pode ser: seja menino ou menina. É isto que te quero dizer amanhã: qualquer um, seja menino ou menina, pode ser forte ou frágil, corajoso ou medroso, alto ou baixo...

É um livro de Beatrice Masini e de Octavia Monaco, da Editora Livros Horizonte.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Então e atividades depois da escola??

Nenhuma... A não ser que contabilize:

- brincadeiras no parque;
- idas a espetáculos em família (não tantas como gostaríamos, mas algumas);
- pinturas diversas em casa, incluindo paredes, mesas e móveis (já não acho muita graça, confesso);
- músicas tocadas a vários instrumentos (mal tocadas, é certo, mas com exploração instrumental);
- cambalhotas em cima da cama com a mãe e ataques de cócegas (fazer-lhe cócegas e ouvir-lhe o riso é terapêutico, às vezes é uma forma de adocicar o final dos dias);
- brincadeiras de faz de conta;
- concentração visual com o visionamento de séries de televisão... pois, por aqui também se vê televisão, mas com restrições;
- expressão dramática (se ele tem jeito para isto);
- passeios de bicicleta com mãe a correr atrás dele;
- molhar-se no sistema de rega (propositadamente);
- saltar nas poças de água - comprei um fato e já tem botas de borracha, faltava a chuva. Agora não falta nada;
- histórias e mais histórias: nos últimos meses temi tornar-me compradora compulsiva de livros infantis, mas o raio das promoções de Natal e os descontos de 50% publicitados por uma editora que me é querida foram os culpados. Estou em processo de recuperação. Não estou curada. Nem sei se algum dia estarei.
- idas ao parque... Já escrevi isto, não já? Ele precisa muito de parque (e eu de rua). Os fins de semana sem parque ou sem passeios na floresta (não é bem uma floresta, mas é assim que a designamos) são mais complicados de gerir.
...

E depois de tudo isto, tenho de escrever que não sou contra as Atividades extracurriculares. Pelo contrário, eu até acho que devíamos pensar em inverter papéis: AEC's com a duração dos períodos letivos e estes com a duração das AEC's, principalmente quando aqueles implicam a inércia dos corpos pequeninos em cadeiras desconfortáveis demasiado tempo e quando as crianças sentem um interesse verdadeiro por estas atividades. Assim, este texto não significa que seja contra a existência de AEC's; está relacionado apenas com o facto de o miúdo não ter demonstrado grande entusiasmo nas atividades que experimentou na escola. E por eu, por conveniência monetária e de disponibilidade, não ter insistido.
A Educadora do meu rapazinho explora os domínios da Educação Física, da Educação Artística, Inglês, Matemática, Linguagem Oral e Abordagem à Escrita, Conhecimento do mundo, Formação Pessoal e Social, etc... Ele, espontaneamente, também explora estas áreas nas brincadeiras que tem. Não sinto que tenha de completar os dias dele com mais atividades, a não ser que ele demonstre gosto/vocação/aptidão por uma determinada área. Por outro lado, também prefiro a interação que as atividades acima descritas nos proporciona. Faz-me participar mais no dia a dia do miúdo. No entanto, estou disposta a proporcionar-lhe uma atividade para além da escola... mais tarde, se ele gostar e se não nos sobrecarregar demasiado (a todos os níveis).
Acho que a Natação é uma hipótese a considerar (fez em bebé, mas desistimos): quando vamos à piscina recreativa, ele gosta... e eu também.
Gostava que ele experimentasse uma Arte Marcial: o miúdo gosta de brincadeiras que envolvem empurrões e moches, acho que lhe aumentaria a capacidade de autocontrole sobre o seu corpo / a sua força/energia. Não é alto para a idade, não é gordo, mas tem força. Contactei uma Academia e adorei a primeira abordagem: podemos assistir a uma aula para percebermos se demonstra interesse, se imita o que vê; o miúdo não pode fazer uma aula experimental, mas sim 2, 3... 6, sem compromisso. Nestas idades algumas crianças sentem-se intimidadas nas primeiras aulas, são mais introvertidas, e uma aula experimental não é suficiente para se perceber se a criança gosta - foi esta a explicação. Não será para já, sinto que ele chega ao final do dia cansado e não quero sobrecarregá-lo, mas a ser, esta Academia parece-me a indicada. Por agora ficamos assim.

 Imagem retirada daqui - à procura de uma imagem para ilustrar esta divagação, acabei por encontrar um texto alusivo ao tema

Acho que esta imagem ilustra bem o que penso em relação às atividades extracurriculares: não em relação às atividades em si, mas sim ao facto de serem realizadas em períodos depois da escola, quando, muitas vezes, as crianças já estão exaustas.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

À conversa com o meu filho #19 - Mãe, arranjei-te uma semente...

"De onde vêm os bebés" já foi tema de conversa lá em casa. Não falei da cegonha e acabei por ser directa. Referi este assunto aqui e aqui.

A semana passada surgiu a seguinte conversa à saída da escola:

- Mãe tenho uma semente para pores na tua barriga. - disse-me.
- O pai vai pôr uma semente na barriga da mãe? - retorqui, julgando ter percebido mal a afirmação.
- Não mãe, eu já tenho a semente, apanhei-a na escola, está dentro da mochila. 
- E o que é que faço com a semente. - pergunta estúpida, eu sei.
- Pões no pipi. E passado muito tempo, nasce um bebé da tua barriga. - esclareceu-me o miúdo com os seus 4 anos.

Há 2 semanas fez um desenho na escola com os dois irmãos, continua a dizer que não tem irmãos há muito tempo. No Domingo, no quadro de ardósia desenhou-nos(eu, ele e o pai) e... 13 irmãos.

E eu temo ter decidido no passado dia 15 de Outubro (logo neste dia, bolas) que não terei mais filhos. Não que não queira, mas porque não há condições (diversas) para tal. Tenho pena, filho.
Acho que não seria capaz de ter mais um filho só por mo pedires, mas se pudesse e se sentisse que podia tê-lo, teria. E ficaria feliz por ti e por mim. Por nós.
Posso dizer-te que tens uma prima, posso dizer-te que acredito (desejo muito) que podem vir a ser como irmãos, posso dizer-te que ter irmãos é muito bom ou que ter irmãos não é assim tão extraordinário. Se me restringir à minha experiência posso dizer-te duas coisas: tenho uma irmã pela qual sinto um amor imenso especial; tenho um irmão que não te conhece... Uma coisa eu sei, acredito na relação que tens com a prima que tanto adoras.

Fonte desconhecida
Ela é mais alta do que tu (também é 3 anos mais velha), mas tu dizes que vais ser maior do que ela... Vejo os dois com a mesma grandeza! Que sejam primos-irmãos, meus amores!

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Quando for grande quero desenhar assim...

Gostava de ter vocação para o desenho, para as artes manuais em geral. Gostava mesmo. Mas, como uma vez alguém escreveu (não me lembro quem, mas já vi isto escrito em algum lugar), tenho umas mãos que parecem uns pés.
O meu filho de 4 anos desenha monstros, praias e pedregulhos em série. Qualquer conjunto de curvas e contracurvas aleatórias (ou não) desenhado por um lápis é nomeado de praia, monstro, pedregulho ou qualquer coisa do género. Quando orientado, lá faz qualquer coisa menos abstrata, mas temo pelo peso da herança genética. Será que lhe proporcionei poucas oportunidades para desenhar e pintar? - questiono. Às vezes penso que sim, acho que podia ter feito mais; outras, acho apenas que estou a respeitar o seu gosto e ritmo.
Está numa fase em que quer pintar, desenhar, cortar, (tentar) escrever o nome. Eu vou atrás da vontade dele e instigo-o. Ele mostra-me as pinturas e os desenhos que faz orgulhoso à espera da minha aprovação, mas não lhe digo que está muito bonito por tudo e por nada: digo-lhe que reparei na mistura de cores, pergunto-lhe porque só utilizou determinada cor, peço-lhe para descrever o que desenhou, por vezes incito-o a acrescentar algo, mas não elogio por elogiar. Elogio o esforço e alguns resultados finais. Quero que ele desenhe por gosto, por um objectivo pessoal, que se esforce para conseguir desenhar o que quer, sem necessitar de aprovação externa constante. Se não ficar bem à primeira, fica à segunda ou à terceira - se sair à mãe será mais complicado, não sei se irá lá à terceira, mas....terá de se esforçar mais.

E eu? Eu não sei se já sou crescida o suficiente para dar como um dado adquirido a minha (falta de) vocação para as artes ou se ainda vou a tempo de melhorar alguma coisa... Talvez apanhe o comboio do miúdo e deite mãos à arte. Consciente de que vou fazer isto por mim, muito possivelmente sem receber qualquer elogio. Mas se me divertir com isso, valerá a pena.

Esta ilustração foi realizada pelo autor do livro "O mundo ao contrário". Não sei se foi realizada a pensar num público alvo, tendo em conta uma faixa etária específica (ou várias), por exemplo... Mas acuso-me já, conheço várias personagens: Popeye, Lucky Luke, Les aventures de Tintin, Snoopy...

Autor: Georg Barber, mais conhecido por ATAK

Gostava de saber conjugar cores de forma harmoniosa, mesmo quando são cores fortes; gostava de ter capacidade de passar para o papel o que a minha mente visualiza; gostava de desenhar um círculo que não parecesse um pentágono ou uma linha reta sem desvios. Basicamente, gostava de ter jeito para isto. E lembro-me agora que quando tirei a licenciatura, quando me dedicava, até conseguia realizar algo com sentido estético, mas também me lembro que tinha mesmo de me esforçar muito. E demorava imenso tempo a realizar os trabalhos. Vou rever o que fiz e analisar o que posso fazer com o miúdo quando ele me convidar a desenhar com ele.
Vou sugerir ao miúdo que feche os olhos, que pense num objecto e que o desenhe no quadro de ardósia. Sem exageros, vou tentar que  miúdo tenha mais jeito do que eu para as artes... Se ele alinhar e gostar, claro. Há sempre a hipótese de o miúdo ter herdado alguma vocação do pai. Ainda tenho esperança.

Mas, por exemplo, isto eu consigo fazer...

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Grandes livros para pequenos leitores #28 - O mundo ao contrário

Filho, este livro foi um dos presentes do teu 4º aniversário e tem esta dedicatória:
"Um dia, inevitavelmente, vais crescer mais. E ainda bem, é esse o percurso natural da vida. Vais perceber por ti que a natureza tem coisas perfeitas (o crescimento de uma criança é uma delas), mas que dela também fazem parte coisas imperfeitas, coisas que estão frequentemente fora do lugar, no lado contrário do que é suposto. Hoje não vou escrever sobre elas. Hoje espero apenas conseguir dar-te as bases para identificares o que está ao contrário; as bases para tentares contrariar o que de errado encontrarás neste nosso mundo; as bases para conseguires agir bem e por bem; as bases para seres e fazeres feliz.
Por agora dedico este livro àquela brincadeira tão nossa de te pegar ao colo, inclinar-te para trás com o apoio dos meus braços e proporcionar-te o mundo ao contrário, o mundo de pernas para o ar. Costumas pedir-me para fazer isto frequentemente. E eu faço-o orgulhosamente, como se fosse uma brincadeira que só nós é que conhecemos - não somos os únicos, mas fingimos que somos.
E agora temos uma outra brincadeira: vamos descobrir o que está ao contrário neste livro? vamos descobrir o que está no sítio errado? o que tem o tamanho errado? vamos tentar colocar as coisas nos sítios certos? Pode ser um passo para perceberes o lado certo e o lado errado das coisas...
Muitos parabéns neste dia tão especial da nossa vida, o dia 27 de Setembro".

Um livro mágico que nos leva a procurar o que está fora do sítio. Um livro com ilustrações extraordinárias que nos leva a refletir sobre o que seríamos e sentiríamos se invertêssemos papéis. Um livro muito bem pensado. Um livro de ATAK, da Editora Planeta Tangerina.


A propósito da minha resistência ao circo - já fomos uma vez, mas não tenho vontade de repetir; os avós do miúdo perguntaram-nos há dias se queríamos ir ao circo com ele, a nossa resposta foi imediata e negativa:


Este livro permite-nos colocar no lugar do outro, refletir sobre o que sentiríamos se estivéssemos no lugar do outro, inverter papéis (depois de lermos este livro pela primeira vez, o meu filho fez de conta que era o pai e eu a filha), realizar desenhos e pinturas ao contrário...
Este livro é um álbum ilustrado sem qualquer texto a completá-lo, o que nos permite dar azo à imaginação. Quando chegamos a esta página, podemos completá-la com "e naquele mundo longínquo onde tudo acontecia ao contrário, os animais iam ao circo ver as acrobacias que os homens conseguiam realizar" ou "naquele mundo criado ao contrário os homens faziam a vez dos animais no circo de Natal... será que gostavam?"... O texto que inventamos depende dos objetivos que definimos, da ocasião, das crianças que nos ouvem.

Uma das propostas que integrou as Atividades de Verão na escola do meu filho: crianças deitadas no chão debaixo de uma mesa; folhas de papel brancas coladas na parte de baixo do tampo da mesa; desenhos e pinturas realizadas ao contrário - chamaram-lhes "pinturas do avesso". A postura da criança ao realizar a atividade é contrária à habitual, a perícia manual é trabalhada. Será que foi muito difícil?

 Imagem retirada daqui

Depois, aumentaram o nível de dificuldade: pintaram assim e desenharam com um lápis entre os dedos dos pés:

 Imagem retirada daqui

O mundo ao contrário: um livro com tantas possibilidades educativas. 
Há 2 anos escrevi um texto com este título.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

As férias que eu quero incluir na normalidade dos dias

As férias já lá vão, mas tal como o ano passado foram regeneradoras. Estivemos uma semana sozinhos (os três) e foi perfeito, mesmo contabilizando todas as imperfeições com que nos deparámos: o miúdo com febre na antevéspera da partida, a antibiótico na véspera e com anúncio de mau tempo. Apanhámos mau tempo no dia da chegada e no dia seguinte, dias estes que coincidiram com o início do antibiótico - não nos importámos porque tínhamos indicação para não irmos à praia nestes dias. A partir daí foi sempre bom. Centrámo-nos no facto de termos umas boas férias e conseguimos. Regressámos ao sítio onde já fomos felizes e fomos felizes novamente. As discussões não passaram de simples trocas de ideias. Vivemos aqueles dias sem pressa, tomámos o pequeno almoço devagar, fizemos as refeições sem olhar para o relógio. Abstraímo-nos da internet e da imensidão dos canais de televisão. Soubemos de poucas notícias. Fizemos puzzles, jogámos ao dominó, jogámos à bola e fizemos teatro de fantoches. Encontrámos a água do mar tépida. Reencontrámos o barco queimado e o sítio secreto. Passeámos pela ilha no meio de transporte que escolhemos para estas férias (ele passeou, a nossa função foi mais a de puxar o dito meio de transporte). O miúdo esteve afoito e entrou no mar sem receio. Recuou um pouco quando a prima chegou, talvez porque a viu mergulhar, nadar bem e depressa. Aos poucos voltou ao normal. Ele recebeu uma grande surpresa a meio das férias: a prima. A partir daí as brincadeiras a três passaram a ser, maioritariamente, a dois. Os dois, juntos, andaram de trotinete, brincaram e discutiram, fizeram cabanas na praia, observaram peixes no mar, apanharam berbigão, colecionaram conchas e pedras, dormiram juntos. Deslumbro-me quando os vejo crescer em cumplicidade.
Fui para a Ilha 15 dias a pensar que iria a Lagos, que iria subir ao interior para visitar uma praia fluvial, que daria um pulo até Espanha. Mas, tal como aconteceu o ano passado, não senti qualquer necessidade em sair daquele pedaço de terra. Pelo contrário.
Regressámos à nossa casa e eu não senti a tristeza que senti o ano passado: sei que serei feliz quando regressar. Queremos regressar à Armona no próximo ano e viver a liberdade e a descontração que ela nos proporciona. O miúdo sentiu ambiguidade no regresso: as saudades de casa e o querer viver nas férias.
O regresso à normalidade dos dias fez-me ter (mais) consciência de que vivemos de forma pouco saudável (a todos os níveis). Estou agora a tentar trazer para a realidade dos nossos dias o estado de espírito das férias. Isto tem de ser possível, bolas!
Querida Armona, até para o ano!

A música do regresso:

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

4 anos: como foi e as saudades que eu vou ter... ou as saudades que eu já tenho

Se me pedires uma palavra para descrever o teu 4º ano de vida, eu peço-te 4: amor. fantasia. negociação. superação. 

amor, porque está sempre presente, porque vem antes de tudo o resto, porque é o maior de todos os sentimentos, porque faz parte do que somos enquanto mãe e filho, porque com ele tudo se consegue, porque ao mesmo tempo que está no topo da nossa relação é também a base dela. Porque comecei a amar a ideia de te ter muito antes de te ter. Porque quis o destino que as nossas vidas fossem costuradas a fio de amor: fio forte, inquebrável, invisível, que une dois pedaços de matéria independentes com uma força indestrutível. Incluo no amor a palavra gratidão: obrigada vida por este filho, obrigada filho por este amor, obrigada amor pela oportunidade de te (re)descobrir. 

fantasia, porque foi o ano em que mais fantasiaste, em que mais fantasiamos. Posso até dizer que foste um verdadeiro Peter Pan na sua terra do nunca, nas suas histórias irreais, envolto na sua fantasia. Também foste o porquinho mais velho, personagem de eleição que adotaste e que interpretaste na perfeição. Foste pirata sempre que vestiste o fato de Carnaval ou saíste de casa com o chapéu da caveira, espada na mão e pala no olho. Foste gato das botas quando em pleno mês de Agosto quiseste calçar as botas de borracha. Foste lobo e monstro sempre que nos assustaste. Foste palhaço com as tuas frases cheias de graça e de humor. Foste advogado quando argumentaste com convicção. Foste e és uma fantasia realizada, imaginada nos mais doces e secretos sonhos. 

negociação, porque muito negociámos. Consequentemente discutimos e argumentámos. Muito ensinei e muito aprendi nesta dança de exigir e de ceder, de dar e receber, de pedir e satisfazer, de compreender o que eu quero e de respeitar o que tu queres.

superação, porque não foi um ano fácil. Foi trabalhoso, cansativo, desafiador, mas superado.

Não sei como estabeleci esta mudança de etapa na minha cabeça, mas sinto que é aqui que deixas de ser bebé, pelo menos apenas bebé. Talvez situe esta idade num plano intermédio de bebé-menino, porque o meu coração não consegue ainda aceitar que o bebé que foste fica para trás, nas páginas já escritas, na história já vivida e construída. A história dos teus 4 anos de vida e dos meus 4 anos de mãe fundem-se e eu agradeço esta fusão. Desejo que, apesar dos pontos e das virgulas da nossa história, o texto seja fácil de ler, de viver, de entender. E que provoque em nós e naqueles que nos rodeiam um sorriso aberto e sincero. Quero viver bem e quero que vivas bem. Quero que gargalhemos juntos muitas vezes.
Haverão capítulos em que terei uma participação regular, em que a (minha) assiduidade importa, na medida em que farei falta. Outros em que deixarei os papéis de maior relevo para te dar espaço e oportunidade de construíres a tua personagem e a tua história (a verdade é que já estás a construí-las). Outros ainda em que serei apenas leitora. Estará tudo bem, tudo tem o seu tempo, o seu ritmo, o seu espaço. Independentemente do papel que eu tenha nos diferentes capítulos, lembra-te só que o amor que por ti sinto é crescente. Não consigo quantificar esse crescimento, mas sei que quanto maior for a história, mais te amarei. Que ela seja longa, queremos longevidade.
Passados 4 anos não consigo deixar de te olhar em silêncio e sorrir como de uma aparição divina se tratasse, com aquele encanto ingénuo e infantil que as surpresas boas nos trazem. A verdade é que ser tua mãe tem sido um privilégio. Foste, sem dúvida alguma, a melhor surpresa, a surpresa da minha vida, o amor de uma vida toda, apesar dos 37 anos que nos separam.
Cativaste-me desde o primeiro segundo, meu amor: a fazer-me sorrir desde as 16h29m do dia 27 de Setembro de 2013. E todos os dias me conquistas mais. Desde 2013: ano em que engravidei, ano em que me descobri grávida, ano em que te descobri menino, ano em que me nasceste e que nasceste para o mundo. Tudo em 2013.

Feliz aniversário, meu menino de amor, traquina e explorador.  Desejo com o coração que tenhas um feliz 5º ano de vida. Todos os anos peço o mesmo, adotei esta frase como sendo minha, mesmo não sendo: que tenhas um destino bonito.

Coisas que te escrevi nos 2º e 3º aniversários:
- A carta que te escrevi por ocasião do teu 3º aniversário.
- As cartas que te escrevi por ocasião do teu 2º aniversário: esta e esta.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Grandes livros para pequenos leitores #27 - Onde perdeu a Lua o riso?

Mais uma história da biblioteca: "Onde perdeu a lua o riso?". Este livro tem um texto curto e simples, que ganha vida com as imagens expressivas que o ilustram.
Daniel questiona onde perdeu a Lua o riso: uma vez, outra e outra... Porque reconhece a importância de rir. Faz-lhe confusão não saber do riso de Lua. E quando a mãe não lhe sabe dizer onde ele está, o menino parte à procura do riso da irmã.
Onde terá a Lua perdido o riso? "Na barriga da cabra? Sobre o bico da pata? Entre os ovos das galinhas? Debaixo do escano da cozinha?"
O meu miúdo memorizou o texto correspondente a cada ilustração: à medida que vai folheando o livro, vai contanto a história em voz alta.
No final lê-se: "...uma lua barriguda morria de riso...". O miúdo é literal e faz beiço porque a Lua morreu de riso. Quer ver a Lua rir à gargalhada, mas não que morra de riso. Se rir é uma coisa tão boa, por que raio morre a  Lua (ainda que seja de riso). Lá lhe expliquei que neste caso a palavra "morrer" tem outro significado, quer dizer outra coisa, quer dizer que ela ri muito, muito, muito.  Termino esta história a fazer-lhe cócegas. E a ouvi-lo rir. E hoje, dia 24, é dia de "comemorar a rir".

É um livro de Miriam Sánchez e Federico Fernández, da editora Kalandraka.


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Logo, quando chegar a casa, quero pedir-te desculpa

Logo, quando chegar a casa, quero pedir-te desculpa: fui brusca contigo esta noite.
Posso dizer-de que estou cansada. Que há mais de uma semana que acordas às 6 e pouco da manhã. Que perdi a conta ao número de vezes que acordaste esta noite: primeiro na tua cama, depois na minha, por quereres fazer xixi no bacio, por fazeres xixi na cama, por quereres água ou por não conseguires respirar em condições. Por tudo e por "nada" - digo eu, que por nada é que não foi. Que andas chato, birrento, a lamuriar-te vezes a mais. Que às vezes demonstro que estou cansada elevando o tom de voz, que estou farta de te ouvir fazer birras. Que às vezes estás cansado, que agora estás doente, que outras é só porque sim. Que o meu cansaço se arrasta. É verdade que é um cansaço físico, mas não só. Estou cansada, principalmente, por ainda não ter aprendido a lidar com as diferenças que existem entre nós: entre a energia que se excede em ti e a que me falta a mim; entre o meu cansaço e a tua luta contra o teu; entre as tuas escolhas e as minhas. Posso dizer-te muita coisa, encontrarei muitas desculpas para me justificar. Mas, por agora, só quero mesmo pedir-te desculpa. Desculpa, filho.

 Imagem retirada da Internet: fonte desconhecida

Estou na hora de almoço. Já pensei em ti muitas vezes, deve ser a culpa. Estou para aqui a pensar que se eu estou cansada, tu deves estar de rastos. E que ainda assim, foste à escola. Estou a pensar que, logo hoje, tenho tanta coisa para fazer. Hoje, que tenho tanta pressa em abraçar-te, vou sair mais tarde.
E tu, querido dia, não podes negar que és segunda feira. Mas não te esqueças que és só o começo, o final escolho eu.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Birras de felicidade

Escrito assim até se pode pensar que estou louca, que uma birra não traz felicidade a ninguém, apesar de sabermos que faz parte do crescimento, que é importante para o desenvolvimento, blá, blá, blá (sem desvalorizar o blá, blá, blá). A questão é que o miúdo anda tão, mas tão feliz, que não sabe bem como gerir tamanha felicidade. Ou melhor, não sabe gerir a excitação, o cansaço e o sono que se acumulam com tanta felicidade.

Perante uma semana com muitos motivos para andar feliz da vida, fez birras, andou agressivo. Bateu-me, bateu na avó, bateu no pai, levantou a mão à tia ou bateu-lhe mesmo (não percebi bem), empurrou uma menina no parque, bateu na prima (ela ignora que ele lhe bate, mas... eu não lido bem com isto). Fez birra porque não quis levar as crocs, fez birra porque quis vestir sempre camisolas de alças, fez birra porque quis comer sempre papa... Fez birras. Muitas. A tia acha que lhe deu muito mimo, acha que a culpa é dela. Não, não é. Ele anda efectivamente feliz, porque adora ir ao parque com as duas (tia e prima), gosta de jantar com elas, gosta do mimo da tia e das brincadeiras com a prima. Só temos de lhe agradecer por isso e pelo tempo que lhe dedicou. Mas ele não está bem. Está muito, muito cansado.

Falámos com a auxiliar da sala dele: não quer dormir a sesta, é sempre o último a adormecer, não dorme mais do que meia hora. Nestes dias, em que muitos miúdos estão de férias, ele brinca e corre muito mais do que o normal na escola. Depois da escola, brinca mais do que o habitual porque tem a adorada prima à sua disposição, deita-se mais tarde, anda excitado com tantas possibilidades de diversão. Parece-me que quer aproveitar o melhor de todos os lados, mas não consegue lidar com o cansaço que sente, acho até que o tenta contrariar. 

Na quarta feira à noite houve birra digna de palco (salvo seja, tomara eu esquecer-me que ela existiu, quanto mais elevá-la a este nível). Eu contrariei o que achei que tinha de contrariar, mas comecei a pensar em estratégias. Porque não fiquei bem comigo mesma, porque achei que podia ter feito de forma diferente.


Quando consigo prever, ou colocar na equação dos dias, que as coisas podem correr menos bem, consigo criar estratégias simples que funcionam com ele (e comigo): digo as coisa num tom calmo, meigo até, mas firme, sem grande manobra de divagação; digo-lhe o que vamos fazer e oriento-o nesse sentido. Quando não consigo prever, quando estou muito cansada ou apressada, eu própria faço birra e a coisa culmina com o aumento de cansaço para os dois. No fundo, acho que o desenvolvimento desta minha capacidade, de previsão ou contemplação de birras no dia a dia, pode funcionar  como um controlador de stress. Só preciso de aperfeiçoar a técnica. :)
No dia seguinte à birra monumental, o adormecer foi tranquilo, com uma história contada num tom de voz baixo e com regras: é hora de ouvir a história, só ouvir; de te virares para o teu lado preferido; de sossegares; se estas condições não estiverem reunidas, eu não posso ler. Só leio uma história. Depois, desejei-lhe boa noite e beijo-o. Apaguei a luz. Deitei-me ao seu lado. Deu umas voltas e adormeceu. Dormiu a noite toda. Com ele resultou.
Quando se levantou e veio na minha direção, ainda com um olho aberto e outro fechado, peguei-o ao colo e deixei-o acordar calmamente. Beijei-o, passei-lhe as mãos pelo rosto, perguntei-lhe se tinha dormido bem. Já quase a sair de casa, disse-lhe que tinha de levar as crocs, porque tinha jogos com água na escola. Disse-lhe que tinha uma camisola para vestir que, por acaso, era de alças. Perguntou-me se podia comer papa - não podia, a papa acabou e eu nos próximos tempos não vou comprar mais (já lho disse e já lhe expliquei o motivo, não repeti mais a justificação), comeu iogurte com cereais. Dei-lhe o abraço e o beijo do costume e pedi-lhe que ajudasse o pai (depois de eu sair ele fica só com o pai, é ele que o leva à escola na maioria dos dias). Ajudou. O final do dia de quinta feira correu bem e o início de sexta também. No sábado e no domingo fez sestas de quase 3 horas na tranquilidade da nossa casa.
Conversei com ele sobre o facto de andar tão cansado e de ter feito tantas birras, sugeri que tentasse descansar mais na escola. Disse-me que não gosta de dormir na escola, que quer dormir na Ama. Hoje levou um boneco para o ajudar a adormecer na escola. Vamos ver como corre.

Ele ainda precisa de dormir à tarde, mas não descansa na escola como em casa. Isto é um problema. Ele fica elétrico, fica completamente desnorteado. E nós, se não encontrarmos estratégias ou se não conseguirmos que ele descanse mais, também. Um dos motivos de não o inscrevermos num JI Público foi precisamente o facto de não poder dormir a sesta, mas mesmo no privado e com esta possibilidade, estamos a deparar-nos com esta dificuldade. Vou voltar ao meu horário normal (tenho feito horas extraordinárias) e penso que isso ajudará.
Lembro-me de a minha sobrinha passar por uma fase semelhante (um pouco diferente), em que todos os colegas da turma conseguiam ver um filme, por exemplo, e ela não. Não conseguia estar quieta. A educadora (do JI) acabou por sugerir que alguém a fosse buscar às 15h00 (que ela não ficasse na escola depois das 15h para as atividades), se fosse possível. No caso dela, com 5 anos, foi possível e resultou: ela precisava de dormir a sesta. E quando isto não é possível e os comportamentos fora do normal se mantêm e se arrastam no tempo? Quais são as dificuldades e os problemas que daqui advêm? Muitos, penso eu.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Reflexões profundas (ou não) #33 - Férias antes das férias

Ela está em contagem decrescente para ir de férias: faltam 3 semanas. Está estafada, farta da rotina, cansada de sapatos e de roupas apertadas e engomadas. Por vezes, jura que é capaz de partir o telemóvel só porque o intrometido tem a mania de tocar à hora marcada. Para agravar este quadro, a sua colega foi de férias e ela tem de fazer horas extraordinárias. As ordinárias das horas pesam-lhe. O sócio do seu companheiro-amigo-namorado também foi de férias e o dito chega a casa quando o miúdo já dorme. A casa continua sem se arrumar. A empregada foi de férias mesmo antes de ser admitida. Brinquedos e livros saltam das prateleiras sem ninguém perceber o motivo. Roupa suja multiplica-se. E, sabe-se lá porquê, as pessoas que habitam a mesma casa que ela têm de comer todos os dias. Mas a tia do miúdo ofereceu-se (leia-se exigiu) para ir buscar o miúdo à escola, para lhe dar banho e para lhe dar o jantar toda a semana. Se isto não são "férias antes das férias", não sei o que serão.
Só um pedido dela, que pedir não custa: férias depois das férias, também se arranjam? Sim, ela sabe que vai precisar, é uma visionária.

E com tudo isto, o miúdo da minha vida vai andar feliz da sua porque vai estar com a prima todos os dias. A prima é, definitivamente, um dos grandes amores da sua vida. O outro sou eu... acho eu.  

terça-feira, 27 de junho de 2017

Barómetro de crescimento #11 - Eu continuo a aproveitá-lo, mas acho que o tempo está mesmo a passar mais depressa / À conversa com o meu filho #16 - A semente e outras coisas

Quando o Índio Pirata fez dois anos, não senti pena. Aproveitei-o bem, vivi intensamente as suas primeiras descobertas, acompanhei-o em muitas conquistas, partilhámos aprendizagens. Hoje, talvez pela autonomia que já conquistou, por eu estar mais sobrecarregada ou porque a vida é simplesmente assim, dou por mim apreensiva ao vê-lo e ao escutá-lo. Hoje, quando o pai me ligou para eu lhe desejar um bom dia (ele estava a dormir quando saí de casa), mal reconheci a sua voz. De repente, pareceu-me que passaram meses desde a última vez que falámos ao telefone, em que do lado de lá ouvia uma voz de bebé a dramatizar porque acordou e não me viu. Hoje, a voz dele estava firme, colocou questões objetivas, sem dramas. Há situações em que me mantenho no diálogo com ele, mas ao mesmo tempo consigo "afastar-me" e observar, apenas observar, como se estivesse ausente, como se fosse apenas espetadora. É uma sensação estranha, deve ser isto que origina a célebre frase "o tempo voa: quando dás por ti, ele já está na escola, no 2º ciclo, no ensino secundário e por aí adiante...". Eu continuo a aproveitá-lo, mas acho que o tempo está mesmo a passar mais depressa.
Tenho a sensação de que comecei o treino para deixar de ser a atriz principal, passar a ser atriz secundária e por fim ficar com o papel de espetadora. Tive muitas dores de crescimento... Parece-me que, agora, vão começar as dores do crescimento dele. Não estava preparada para isto.

Não faças essa cara, lembras-te quando me dizes que queres ser grande? Vais ver que depois disto vais crescer num instante. A maneira como eu vou lidar com isso é que vai ser mais difícil (vamos fazer de conta que o miúdo crescido da imagem sou eu, a mãe crescida).

Imagem retirada daqui

Algumas das suas célebres frases e conflitos internos: 
- Quando eu for grande tu vais ser pequena.
- Quando eu for maior que a prima...
- Quando eu for grande também posso beber vinho... - vai com calma, menino. 
- Quando é que eu vou ser do teu tamanho. 
- Eu sou pequeninoooo - com ar dramático e quando lhe convém. 
...
No outro dia perguntou-me quando é que eu ia para a barriga dele (é justo, já que esteve na minha). E quando é que tinha estado na barriga do pai (isso ainda seria mais justo, dado o número elevado de vezes que vomitei, dava-me jeito ter dividido as coisas). Por fim, perguntou-me como é que tinha ido parar à minha barriga. A semente??? Sim, expliquei-lhe como é que acontece de forma sucinta, parecia à minha irmã a debitar informação - rápido - e baixinho, com esperança que ele não percebesse. Mas ele ouviu. E percebeu. E agora repete em voz alta e ri. Está crescido, este meu Índio. E também está na idade da parvoeira: xixi, cocó, pila, pipi - diz e ri, ri muito.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Os dias das nossas (mini) férias

Tiro dois dias de férias para estar com ele enquanto os amigos da escola vão para a praia, adicionamos os dois dias do fim de semana e ficamos com quatro dias para nós. Ele não vê a diversão dos amigos através do facebook, não sente pena, não lamenta não ter ido. Eu sinto pena por ele não ter ido. Sei que respeitei a minha vontade e o que sinto em relação às idas à praia com a escola, mas a educadora, com o seu jeito de fazer coisas bonitas, provoca-me este sentimento (sei que só aparecem as imagens bonitas no facebook, pensando bem, agora que já passou, acho que fiz o correcto, pelo menos para mim e por agora).
Vamos à praia, saltamos nas ondas, atiramos pedras, ele gosta tanto de atirar pedras ao mar. Vamos a uma sardinhada nas festas da nossa terra. Andamos nos carrosséis. Vamos ao jardim da terra onde vive a minha avó. Faço sopa e ele diz que está gnífica, o que ele quer dizer é que está magnifica (só escrevo isto porque a minha vocação para a cozinha é igual à minha vocação para Física Quântica... pensando bem a Física ganha por alguns pontos). Comemos tomate e alface com sabor de antigamente porque descobrimos uma mercearia nova que vende produtos biológicos, que tem um espaço com brinquedos, que tem uma pessoa simpática e serena a atender, daquelas que nos fazem acalmar só de as ouvirmos falar. Ele é capaz de ficar horas a brincar na "mercearia dos brinquedos" e é capaz de fazer birra porque quer ir à mercearia. Consigo tirar umas horas só para mim num sábado de manhã. Chateio-me com o pai do miúdo. Eu e o miúdo vamos à praia novamente. Descobrimos mais um jardim. Almoçamos fora, os três, num dia de calor e fazemos uma sesta de 3 horas. Terminamos o domingo nos carrósseis.
Às vezes consigo ser espectadora das nossas conversas, dos nossos diálogos sérios e consigo ver como ele está crescido. O miúdo é gozão e brincalhão, tal como me diz a educadora. E lembro-me, agora, que na anterior escola, de acordo com a educadora, ele era só introvertido. Nesta é brincalhão. Talvez seja mais feliz. Agora só isso é que (me) importa.
Segunda feira estou de férias, mas vou deixá-lo na escola. Sinto culpa, mas tenho coisas para resolver e limpezas para fazer. Sinto que tenho de aprender a não sentir esta culpa. Corre tudo bem. Vou buscá-lo e vamos ao parque.

Eu não acho que a escola que ele frequenta seja perfeita (não as há, porque o conceito de perfeição é subjetivo), mas que tem muitas coisas boas e especiais, tem. E com uma mudança tão recente, nós decidimos que não o inscrevemos no Jardim de Infância público - uma velha luta (na minha cabeça) entre escola pública e escola privada. Mas, confesso, temo por decisões futuras que tenhamos de tomar: a maioria das pessoas que conhecemos com filhos a frequentar o Jardim de Infância que ele frequenta não tira de lá os filhos no 1º ciclo. Deve ser porque a escola é boa... Claro que é. O único problema é a mensalidade que é mais de metade do meu ordenado. Se eu reduzisse o meu horário de trabalho, ganharia menos consequentemente, mas podia inscrevê-lo na escola pública, podia ir buscá-lo às 15h00 e ainda ficava a ganhar em "remuneração" e em tempo com ele (pena que a redução de horário não depende apenas de mim)... Mas depois existem os dias em que tenho de sair mais tarde ou levá-lo mais cedo porque o pai não o pode levar, existem as interrupções letivas e decidimos que vamos mantê-lo onde está .

Atirador de pedras no Portinho da Arrábida, a serra que lhe apresentei assim que saiu da maternidade.


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Reflexões profundas (ou não) #32 - Idas à praia com a escola ou ideias disparatadas sobre o assunto

Chegada a hora da primeira ida à praia com a escola, eu decido que ele não vai. Já inventei 1001 desculpas, mas a verdade é que não quero que ele vá, não me sinto confiante em deixá-lo ir, por agora. Este ano. Com 3 anos. Esta é a mais pura das verdades, não a sei pôr por outras palavras.

Mas tenho uma lista de desculpas que vou dando a mim mesma e aos mais intrometidos:
- ele mudou de escola há pouco tempo, ainda está a conhecer e a interiorizar as rotinas do grupo; a educadora ainda está a conhecê-lo, a conhecer-lhe o feitio, a entender como funciona - não sei se já terá tido oportunidade de ler o extenso manual de instruções, redigido manualmente pela minha pessoa, entregue no primeiro dia de Jardim de Infância... Estou a brincar, eu não fiz isto, mas... passou-me pela cabeça fazer um postal com frases e imagens de como o vejo, com descrição das características que considero mais "interessantes" no miúdo. Pronto, já disse.
- achar que é um disparate andar mais de meia hora de autocarro para lá e mais de meia hora para cá, para tão pouco tempo útil de praia. Então e meterem uns alguidares no belo espaço exterior que a escola tem? Sei que, para além das idas à praia, fizeram isto o ano passado... Raios, tenho de fundamentar esta desculpa um pouco melhor. 
- não achar piadinha nenhuma ir ao banho apenas uma vez, quem sabe duas. Que graça é que isso tem?
- e o valor extra que tenho de pagar!? A mensalidade já é o que é... Mas equaciono pagar à Ama para evitar que ele veja os amigos saírem de autocarro (coitadinho, fica na escola. A culpa é da tua mãe - grita o pai). Sim, podem apedrejar-me. Mas é apenas uma crise de incoerência. Vão dizer que nunca tiveram uma!?
- e o mau tempo que pode atingir Portugal Continental em Junho, tempestades, tornados, furacões. Nunca se sabe.
- e se todos os miúdos se lembrarem de fazer cocó ao mesmo tempo? Lá se vai a única ida ao banho... Não me venham dizer que a areia é um bom sítio para o fazer, porque, à conta dessa triste ideia, o miúdo um dia destes apareceu com um dejeto na mão a questionar o que era aquilo: não era uma pedra, mas parecia uma pedra... A verdade é que não parecia cocó, mas era cocó.

A educadora fez uma circular com várias recomendações, com alertas, dando ênfase de que era a primeira ida à praia daquela sala, algo que me deixou ainda mais confiante com a minha decisão... Mas eis que surge uma chamada de atenção para os familiares que se encontrem na praia: abordem o grupo quando este já estiver instalado, de maneira a não desestabilizá-lo. O que ela quis dizer foi: não se ponham à espera do autocarro, tal adolescentes loucas à entrada de um concerto, a dar beijinhos e abraços às crias; nós temos de controlar o grupo de crianças, não o dos pais. Porra, afinal eu também podia ir. Bem que eu disse ao pai do miúdo, "em tom de brincadeira", que me ia oferecer como voluntária. Afinal podia mesmo ter ido à praia com a escola do miúdo. Para o ano, já sei, guardo uma semana de férias e inscrevo-me também. Porque é que não me disseram isto antes?

Quem é que inventou que as escolas têm de levar os miúdos à praia? Deve ser o mesmo que inventou que uma criança quando faz anos tem de dar lembranças aos convidados... Acabem com isto. Já.
Sim, eu fiz colónia de férias que me fartei, mas a partir dos 6 anos de idade. Estamos conversados? Ainda bem. Falamos daqui a três anos.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Desejos: Que eu consiga respeitar e incentivar a tua capacidade de imaginar/fantasiar/sonhar

Que eu interprete o que queres dizer quando desenhas a praia do Algarve (foste tu que mo disseste) 10 vezes, nas 10 folhas que tens à tua disposição.
Que eu compreenda a tua imaginação quando o pai te chama para tomares o pequeno almoço e tu respondes: interrompeste-me, estava a trabalhar, estava a construir a minha casa. Há muito que dizes que tens um trabalho, há muito que tens amigos imaginários.
Que eu não mate a fantasia que existe em ti.
Que eu não deixe que sejas apenas o produto de um trabalho em série.
Que eu te deixe apanhar todas as pedras, folhas, pinhas e afins que encontras no caminho sem reclamar que não podemos levar tudo para casa.  
Que eu entenda o que queres dizer quando me dizes que queres viver nas férias. - Esta eu entendo bem, eu também quero viver nas férias. Ou de férias, vá.
Que eu alinhe nas brincadeiras do faz de conta que tu inicias. 
Que eu consiga respeitar os teus gostos, aptidões e vontades (dependendo das vontades, claro).
Que eu compreenda o que queres dizer  quando te deitas com uma maraca e dizes que é o bebé.
Que eu aceite que danças que te fartas quando toca uma música do teu agrado lá em casa, mas que tens vergonha quando estás em público. Que eu saiba não insistir quando sinto que não o queres  fazer.
Que eu entenda, de uma vez por todas, que apesar de demonstrares gostar da escola nova e de as pessoas serem muito mais meigas e afáveis, tu preferes estar connosco.
Que eu consiga ensinar-te a respeitar o outro, os conceitos de partilha, amizade e compaixão, respeitando-te, partilhando contigo o que tenho, amando-te e tendo a capacidade de me colocar no teu lugar.
Que eu respeite que tu, por vezes, preferes estar a brincar na areia ou a fingir que arranjas o comboio do parque, em vez de utilizares a diversão que tens à tua disposição - eu posso preferir os baloiços e os escorregas e tu não.
Que eu te deixe fazer da colher de pau e do banco uma bateria ou um tambor.
Que eu seja capaz de te ensinar a viver a tua caminhada com alegria e leveza. 
Que eu descubra a fórmula de fazermos, mais vezes, apenas o que gostamos.


Que eu consiga ver o mundo a cores e as cores do mundo através dos teus olhos. É bom sinal para os dois.
Que não percas, nunca, esse brilho e essa vivacidade no olhar.


- A propósito da vergonha que sentes quando te pedem para dançar ou cantar em público, a tua prima já verbalizou que podes não ser um menino de palco (adorei a expressão que ela utilizou, sacaninha do meu coração)... Pois é filho, a escolha será tua. Lembra-te só de uma coisa: Se tiveres vontade e sentires dificuldade, escolhe a vontade, luta pela vontade. Se precisares de ajuda, eu estou aqui.