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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

As férias de Verão do teu 3º ano de vida: Ilha da Armona

Falar das férias de Agosto em Setembro... Já foi há tanto tempo!
Dia 12 de Agosto, último dia de trabalho. Dia 13, dia de limpezas e de malas. Dia 14, saída de casa à 6 da manhã rumo ao Algarve, em direção à Ilha, com a mala carregada de boas intenções e de ilusões. Havia hipótese de correr tudo bem. 
O primeiro dia foi terrível, muito cansativo. Com (in)adaptações a uma casa cheia de gente e ao calor que se fazia sentir. Para além dos três lá de casa, a minha sobrinha, a minha mãe, um "tio-avô" (emprestado e dono da casa) e, mais tarde, a tia. Muita confusão. Muitas opiniões. Muitas formas de estar para uma casa tão pequena e para um período de tempo tão curto. Algumas desilusões vieram na mala de regresso, isto de tocar em feridas da infância durante discussões dos dias de hoje magoa. Mas... E a palavra "mas" pode ser terrível, no entanto também pode dar ênfase às coisas boas. E destas férias, só guardo as coisas boas que, por acaso, até foram muitas.
Ilha sem carros. Carrinhos de mão que nos ajudam no transporte das malas. Minutos de distância até à praia. Ir e vir sem a pressão das horas, só a dos apetites. Levantar da cama e sair para a rua. Ir ao pão pela manhã. Refeições na mesa do quintal; na Ilha é assim, acho que a maioria das pessoas come no quintal. Peixe que o pai foi buscar ao mar. Conquilhas e ameijoas apanhadas pelo pai. Grelhados à mesa na maioria das refeições. Banhos no chuveiro que está no quintal. Sempre. Cafés matinais sem pressa. Crianças a pintar a mesa de ardósia ou em cima da mota que ganha vida com uma moeda de cinquenta cêntimos. Água quente (não me lembro de apanhar água tão quente no Algarve). Descontração. Amigos de Verão. Cumprimentar pessoas desconhecidas que passam por nós nas passadeiras; até parecia que estava na colónia de férias da Praia das Maças, em Sintra (há tantos anos). Bolas de Berlim. Conversas descontraídas e espontâneas. Sestas demoradas. Quedas: perdi a conta ao número de vezes que o Índio Pirata caiu, trouxe um olho negro e "partiu" a cabeça, uma coisa superficial que nos pregou um susto. Descoberta de sítios secretos. Ir para a praia de manhã e voltar lá à tarde, às 17h, às 18h ou às 19h, tanto faz, vamos à praia à hora que nos apetece. Mergulhos. Construções na areia. Bolos e castelos. Barcos na areia, barcos no mar e histórias inventadas. Cabelos selvagens e pele com sabor a sal. Passeio de barco até à Ilha deserta, almoço à beira mar, café na ilha da Culatra, mergulhos numa água transparente, pés que correm na areia macia, risos e gargalhadas; este dia foi tão bom; foi neste dia que me despedi dos 39 anos. Almoço no dia seguinte num dos restaurantes da "nossa" Ilha da Armona, com vista para o oceano, onde cumprimentei os 40. Sorri-lhes sem medo. Não me pesam. Foi um dia feliz. Música ao vivo. Músicas conhecidas e em Português cantadas a uma só voz. Sangria. Brindes. Liberdade. Nascer do sol. Pôr do sol. Todos os dias a hipótese de testemunhar estas imagens.
A despedida: molhar os pés antes da derradeira viagem de barco, nostalgia no olhar, café na esplanada junto aos barcos, último passeio na mota, o adeus, a vontade de regressar, a saudade mesmo antes de partir. Eu e o Pirata fomos os últimos a sair da Ilha: a tia e a prima saíram no dia antes; o pai, a avó e o tio saíram da Ilha no barco do tio carregado de malas; nós apanhámos o barco que faz a travessia da Ilha até Olhão. No primeiro andar do barco, com ele ao meu colo, observamos o rasto que deixamos no mar e a ilha a minguar (cada vez mais pequena aos nossos olhos, devido à distância que ia aumentando; grande no nosso coração pelas recordações que nos deu). O balanço do barco, o canto do mar e o seu aconchego de sempre e para sempre (o meu colo) adormeceram-no. Cheguei a Olhão com ele ao colo a dormir. O resto, já se sabe: a viagem de regresso, o regresso à realidade.

O ano passado foi assim.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

De regresso à conversa do Jardim de Infância: É agora!

O meu amor pequenino vai para o Jardim de Infância (JI) na próxima semana.
Eu tinha tantas certezas acerca do que queria e do que não queria. Procurei o que mais se adequa às ideias que defendo e ao que posso pagar. Procurei um lugar que o faça sentir bem. Procurei pessoas que o tratem bem. Procurei um lugar que promova o ser criança nos tempos de criança. Encontrei um: distante da nossa casa, com a mensalidade no limite do que podemos pagar, com horário no limite do que podemos praticar, com um método pedagógico com que me identifico, com espaços amplos e iluminados, com espaço exterior. Inscrevi-o para reservar a vaga. Apesar de ir ver mais um espaço, já tinha decidido que era aquele que ele frequentaria a partir de Setembro. Aquela seria a sua primeira escola.

A vida não é uma linha direita, muito menos estática e nas curvas e contracurvas inesperadas sem sinal de aviso de perigo, a situação profissional do pai mudou. Não estamos a passar por dificuldades financeiras, desconfiamos até que vai correr tudo bem, mas os próximos meses (talvez o próximo ano) serão de moderação. Manter a opção inicial do JI seria arriscado (quase impossível). Tenho a sensação de que andaria numa corda, daquelas que fazem a travessia entre dois arranha-céus, em constante equilíbrio, com risco elevado de me estatelar lá em baixo. O dilema: e agora?
Voltar atrás na minha decisão não foi fácil. Trouxe discussões. Os argumentos de ser longe e de ser cansativo, para mim, só contemplavam o nosso bem estar, não o dele. Só o fator financeiro é que me levou (obrigou) a rever a decisão. E a alterá-la. Vamos pagar menos de metade da mensalidade. Nesta fase faz toda a diferença.
Afinal, ele frequentará uma IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social) próxima do meu trabalho. Gostei da educadora, mas não gostei do espaço. Ou melhor, não gostei do facto de não ter, por enquanto, um espaço exterior. A Instituição já iniciou a obra do que será o espaço exterior, mas não se sabe para quando a sua conclusão. Eu queria encontrar um lugar igual ao primeiro com uma mensalidade inferior. Isso é impossível, não há escolas iguais. A parte boa é que o JI é em frente ao parque infantil que costumamos frequentar, as crianças vão algumas vezes ao parque e eu, tal como já faço, posso ir buscá-lo e ficar no parque sem fazer qualquer desvio. Lentamente libertei-me da obsessão do primeiro Jardim de Infância, encontrei pontos favoráveis no segundo, habituei-me à ideia, comecei a sentir segurança na decisão (no início foi terrível).

Algumas reflexões acerca  das duas hipóteses:
- O JI que ele frequentará é próximo da nossa residência. Muito perto do meu trabalho. Posso ir levá-lo e buscá-lo a pé se for necessário. A Ama pode ir buscá-lo se for necessário, se quisermos e se ela puder. Não queria que ele deixasse de ter contacto com a Ama, queria continuidade em detrimento de uma mudança brusca. No outro JI, longe da nossa residência, era muito complicado promover/manter uma transição progressiva e esse contacto.
- Vai conviver com crianças que, certamente, irão com ele para a Escola Pública. Algumas crianças nossas conhecidas e amigos do "nosso" parque frequentam o JI que ele frequentará. Confesso que equacionei (ainda equaciono, muitas vezes) colocá-lo numa Escola privada durante o JI e o 1.º ciclo do ensino básico, mas as mensalidades são elevadas. Se equacionar ter mais filhos, será difícil manter esta intenção, pelo menos com base na situação atual. É claro que as coisas podem mudar. Eu até sou pessoa de viver o presente sem supostas condicionantes futuras (quando é comigo, claro), mas uma das coisas que me preocupa (preocupa q.b.; sei que, por vezes, as crianças adaptam-se com muita facilidade às mudanças) é não poder promover uma mudança progressiva: frequentar dois anos uma escola, mudá-lo para outra numa zona diferente, com cuidadores e colegas diferentes, com métodos pedagógicos distintos, por exemplo, não é o ideal. Na minha opinião, claro.
- A sala do JI que o receberá tem 15 crianças em vez das 21 do primeiro. Terá também uma Educadora e uma Auxiliar, mas para um número de crianças menor. Prefiro.
- No primeiro espaço só tínhamos reunido com a Psicóloga, só conheceríamos a Educadora no primeiro dia de JI. Neste, a reunião foi com a educadora. Ela perguntou-nos o que esperávamos do JI. A primeira resposta foi: Afeto, atenção e brincadeira. Só depois completei com a socialização, com a segurança, com a aprendizagem... Na verdade, eu quero o que todos querem: um sítio em que ele seja feliz. Temo o período de adaptação, confesso. Vou ter uma semana de férias para o acompanhar. Parece um desperdício, uma semana para ficar em casa, mas acho que é fundamental. Tendo esta possibilidade, vou aproveitá-la.
- Neste JI trabalham por projetos. Fiquei com dúvidas se os projetos partem de sugestões da educadora ou de interesses que as crianças revelam. Esta última opção, para mim, é a mais acertada.
Confesso que quando vi uma planificação semanal do primeiro JI, fiquei com algum receio: muitos espaços preenchidos com atividades pré-definidas e poucos retângulos com a opção "brincadeira livre", no entanto o método pedagógico é baseado no Movimento da Escola Moderna, o que me agrada.
- No primeiro JI, em algumas salas, as crianças dormem a sesta entre 1 hora a 1 hora e meia. Neste, todos dormem a sesta duas horas e meia. Não concordo. E as crianças que não têm necessidade de dormir tanto? Ficam deitadas a olhar para o teto?
- O primeiro tem psicóloga permanentemente. Do grupo do JI que o acolherá, faz parte um Centro de Dia, com o qual as crianças mantêm contacto estreito. Valorizo muito a promoção do respeito pelos mais velhos e pela diferença, bem como o contacto com realidades diferentes.

E é isto: um tem umas coisas que me agradam mais, outro tem outras. Às vezes ainda tenho dúvidas, mas sinto-me mais confiante. Falei com uma psicóloga com a qual trabalho, ela descansou-me: disse-me que eu saberei ler os sinais e perceber como ele se sente através do seu comportamento. Espero que sim.

Imagem retirada daqui.

Filho, meu amor pequeno e meu amor maior, vai seguro e feliz. Vai: vai descobrir mais um pouco deste mundo; vai brincar mais; vai aprender mais; vai ser mais. Vai, filho, não tenhas medo. Eu estou aqui, como sempre. Vai correr tudo bem. Eu tenho o poder de fazer acontecer o melhor para ti; tenho de o ter. Eu sou tua mãe.

Ideias sobre a escola pública e a escola privada: Ver aqui.
As primeiras dúvidas acerca da escolha do JI: Neste texto.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Resposta na ponta da língua.

Passei por aqui só para registar o ponto em que estamos (mentira, deixei esta publicação agendada automaticamente antes de ir de férias). De qualquer forma, este é o estado da (nossa) nação: o Índio Pirata tem resposta para tudo. 


Agora, vou ali fazer 40 anos e já volto. 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Loucas são as noites...

Depois de ser mãe é que fiquei a saber o que são noitadas a sério. Já o disse, mas volto a frisá-lo: contam-se pelos dedos de uma mão, e ainda sobram alguns, as vezes que dormi uma noite inteira desde que o meu filho nasceu. Por vezes acorda apenas 1 vez durante a noite, adormece logo depois e eu também. Algumas, mesmo dormindo logo depois, faz-me despertar. Outras ainda, mas raras, a coisa complica-se um pouco mais e a noite é muito difícil. 
O miúdo costuma beber água durante a noite. Optámos por colocar, estrategicamente, uma garrafa junto à cama, para não termos de ir à cozinha quando lhe dá a sede. Numa destas noites, em que dormiu ao meu lado, acordou e pediu-me água; ofereci-lhe a água que está na garrafa, muito docemente, falando baixinho; disse-me que não queria beber a água da garrafa; queria beber água no copo. Entre o querer satisfazer-lhe a necessidade e o não querer despertar, mas já estando acordada, fiz reclamações sem nexo em forma de sussurro. O pai ,que estava na sala, veio em meu auxílio e trouxe-lhe um copo de água. Dormimos.
Passados uns dias, antes de dormirmos, falei-lhe sobre este assunto e disse-lhe: filho, a mãe coloca a água na garrafa para não a entornarmos, sem querer, com um esticar de braço mais desastrado, e para a água não apanhar pó. E para não termos de ir à cozinha, porque temos sono, estamos a dormir. Nessa mesma noite fez-me levantar para ir buscá-lo para a minha cama (geralmente vem sozinho), o pai saltou para o sofá. Mais tarde (ainda de noite), senti-o levantar-se; perguntei-lhe onde ia, disse-lhe que era muito cedo, que ainda estava escuro; disse-me que queria o pai. Estranhei, mas tinha tanto sono que lhe disse: vai filho, vai devagar, o pai está na sala. Passados uns segundos voltou para a cama. Não percebi muito bem o que se passou ali... a não ser quando vi o pai entrar no quarto com um copo de água na mão. O sacaninha, depois da nossa conversa, foi pedir água no copo ao pai. Certamente pensou que comigo não se safava. E pensou bem. 

Imagem retirada daqui

Acho que não é preguiça... 
Faço-lhe muitas vontades. Passeamos, mesmo depois de um dia de trabalho e com muitas coisas para fazer em casa. Ficamos mais um bocadinho no parque a pedido dele. Brincamos. Partilho com ele muito do meu tempo e não o lamento, pelo contrário, agradeço poder fazê-lo. Deixo-o observar e mexer no que lhe chama a atenção (exceto dejetos, desculpem lá). Abraço-o quando vou e quando volto. Beijo-o. Pergunto-lhe como foi o dia e espero pela resposta sem pressa. Tento confortá-lo quando está com a birra do sono e não só. Encosto-o ao meu peito e enrolo-o num abraço delicado, quando está incomodado. Incentivo-o. Respeito os medos e não o obrigo a nada. Ajudo-o quando me pede. Amparo-o mesmo sem ele saber que estou na sua retaguarda. Por vezes, repreendo-o, chamo a sua atenção para algo que considero incorreto. Oriento-o. Amo-o. Mas, não lido bem com "caprichos". Não sei se lhe posso chamar capricho, no entanto, esta história do querer beber água no copo, quando até gosta e pede para beber na garrafa, é entendida pela minha pessoa como um capricho. Se tem sede bebe água, certo? Acho que não é preguiça da minha parte, até podia ser, mas acho que não. Ainda assim, hoje vou perguntar-lhe porque é que prefere beber água no copo durante a noite e se quer que passemos a deixar a água num copo com tampa. Vou tentar estabelecer um compromisso com o rapazinho. Vamos ver como corre. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O poder das imagens: Os pais dos 3 Porquinhos...

O meu filho adora a história de "Os 3 Porquinhos". Todas as noites a mesma história. Às vezes, não sei se é a casa de tijolo que voa, se é o lobo mau que voa ou se é o próprio miúdo que voa com tanto sopro. Há dias em que adormeço e acabo coma história logo na construção da casa de palha. Há noites em que o porquinho que constrói a casa de tijolo é preguiçoso e os outros muito responsáveis e trabalhadores. Baralho-me. Penso que os três porquinhos precisam de férias. E eu também.  Já procurei um livro que relate a história de acordo com o que eu recordo dela. Já encontrei dezenas de versões: ora é o lobo que mete os porquinhos no saco porque os quer comer (isto é assustador, não!?); ora são os porquinhos que partem à procura de fortuna e "cravam" palha, madeira e tijolos a 3 senhores que encontram pelo caminho (capitalismo?); ora é a mãe que diz aos porquinhos que está na hora de irem à procura de casa (fiquei chocada com esta versão, é uma história típica deste século em que muitos "miúdos" vivem com os pais quase até aos 40 anos). Nenhuma história me agrada; nenhuma destas é a história da criança que há em mim.
Procuro, desesperadamente, a história verdadeira de "Os 3 porquinhos", pelo menos para mim: o lobo quer destruir a casa dos porquinhos porque é malandro, no final aprende uma grande lição; os porquinhos que não quiseram trabalhar e construíram as suas casas sem brio e sem cuidado também; no final fica tudo bem. Não há cá lobos a comer Porquinhos nem Capuchinhos Vermelhos - se bem que neste caso, na história que tantas vezes ouvi, o lobo acaba de barriga aberta para a avó do Capuchinho Vermelho saltar cá para fora; lamento, nesta situação não é a versão que me é familiar que conto ao miúdo. Chamem-me incoerente. Talvez um dia...
O pai descobriu um vídeo que coincide com a história que me é familiar. Já o vimos centenas de vezes. E foi neste vídeo, uma animação para crianças, que descobri a seguinte imagem (minuto 8:05). Observem com tento as clássicas molduras que o porquinho mais velho tem na parede da sua casa. A mãe é retratada deitada, amamentando os porquinhos bebés. Já o pai...


O que é que passou pela cabeça de quem fez esta animação? A sorte é que o miúdo não sabe Inglês (na verdade ele não sabe ler, nem em Inglês nem em Português). Então, o pai dos porquinhos virou chouriço!? É esta a imagem que os porquinhos têm do pai? Não tenho palavras para isto. O lobo mau querer destruir a casa dos porquinhos, comparado com isto, não é nada.
Andamos a reclamar a igualdade de direitos, acho muito bem que o façamos (sou pela igualdade, não apenas de géneros). Perdemos demasiado tempo com a discussão em torno da denominação que damos a determinados cartões (para mim é exagero). E sobre isto "ninguém" fala. Fico chateada, claro que fico chateada.

Na Unidade Curricular que ficou por fazer, aquela em que reuni uma única vez com a professora, fiquei a saber que um dos conteúdos foi precisamente a análise de imagens: a influência que estas podem ter (na infância e não só); como são utilizadas na publicidade; como são utilizadas nos manuais escolares; nas mensagens explícitas e implícitas que transmitem; como podem ser manipuladoras. É um tema muito, muito interessante. Eu, que sou das pessoas mais despistadas que conheço, vou esforçar-me para ficar mais atenta a determinadas imagens. Não vou censurar tudo o que vejo (o miúdo vai ver e fazer muita coisa que não controlarei, já sei), mas quero ser mais atenta e mais crítica relativamente ao que vejo/ao que leio. 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

À conversa com o meu filho #9 - Coisas dos últimos dias. Coisas do meu miúdo.

Filho, os últimos dias têm sido duros: as tuas birras, as minhas birras, mais horas de trabalho, menos horas contigo, o peso das decisões tomadas, as indecisões, dúvidas que me assolam, mudanças que se avizinham, sonhos que renascem, sonhos acabados de nascer. Tudo isto é muita coisa. Ando cansada: Estou a precisar de férias, de paz, de sossego, de diversão, de refletir e de avançar. Avançar ciente de que há coisas que posso mudar se não derem certo. E é isto. Isto tem sido a dureza dos últimos dias. 

A delícia dos últimos dias é a tua evolução. Fazes-me rir e sorrir facilmente. Para que fique registado, ficam aqui algumas das coisas que dizes/fazes e que me deliciam (ou não, algumas são traquinices):

- Mãe, és a minha melhor amiga. - amo esta tua frase.
- Vocês são os melhores. - Dizes olhando para mim e para o pai.
- Quero um abracinho.
- Bom dia alegria! - imitas-me e dás ênfase à frase.
- Digo que te amo. Respondes: Eu também. 
- Isso não é justo. - dizes quando algo não corre como queres.
- Quero a Carmo. - enquanto fazemos 1001 malabarismos para tomares a medicação para a febre.
- Tivemos de recorrer ao supositório. Detestas. Perguntas: Para onde foi? Onde está? Quero vê-lo...
- Continuas a conseguir desarrumar a casa em segundos.
- Andas muito esquisito: "não gosto de feijão, não gosto de salada, não gosto de uvas, não gosto"... Vê se aprendes a dizer outra coisa.
- Quando for grande vou para o teu trabalho. Quando for grande posso comer pastilhas. Quando for grande posso andar sozinho. "Quando for grande" serve para projetares o que um dia farás e como contrariarás as nossas regras e proibições.
- Um senhor mete-se contigo a caminho do parque. Franzes o sobrolho, fazes beicinho, baixas a cabeça, cruzas os braços e não respondes. O senhor diz que é bombeiro. Arregalas os olhos. O senhor segue o seu caminho. Diz adeus. Não retribuis. Penso alto: podias ter cumprimentado o senhor, talvez ele nos deixasse dar uma volta no carro dos bombeiros. Dizes-me: quero cumprimentar o senhoooor! Digo-te: Agora é tarde. Pensas nisso para a próxima.
- A senhor do parque passa por ti na rua e tu dizes: Boa tarde Senhora! Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Tem sido difícil cumprimentares as pessoas que se metem contigo. Digo-te sempre o mesmo: se não quiseres, não tens de abraçar nem dar beijinhos a ninguém, mas podes cumprimentar as pessoas.
- Tens espírito de contradição. Mesmo quando queres alguma coisa, dizes quase sempre que não queres. Chegámos ao cúmulo de pedir para fazeres o contrário daquilo que queremos que faças. E resulta: Grita mais alto! Silêncio absoluto.
- Mãe, tens de secar o cabelo. - numa manobra de não me deixares sair de casa para ir trabalhar enquanto ficas no sofá com o pai. O pai tem ficado contigo em casa até mais tarde: levantam-se, vêem um episódio da Heidi, tomam o pequeno almoço e... quando chego a casa está tudo desarrumado.

Imagem retirada daqui

- Apanhas flores e pedras e dizes que são para mim.
Está tudo perdoado.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #14 - Posso espreitar a tua fralda?

Há umas semanas fui ao centro comercial durante a minha hora de almoço com o objetivo de comprar 1 livro. Um livro em mente que queria ter já (falarei dele depois). Cheguei lá, perguntei pelo dito. Não o encontraram de imediato. Enquanto esperava, "tropecei" no "Adivinha o quanto eu gosto de ti", que também está na minha lista. Acabei por não comprar o livro que me fez ir até lá. Decidi comprar este último, não podia comprar os dois. Já com o cartão multibanco na mão para o pagar, deparo-me com este:


Folheei-o rapidamente e pensei: Estou tramada! O outro já estava na minha mão, o pagamento estava prestes a ser efetuado, estava sem tempo para reflexões, escolhas e exclusões. Comprei os dois (compra por impulso pura).
Hoje, teria optado por comprar apenas este (o outro ficaria para depois), porque para além de divertido é bastante adequado à fase do desfralde e um verdadeiro incentivo à utilização do bacio. Achei o livro engraçado, mas não pensei logo na força das suas potencialidades. Quando o leio, faço uma voz diferente para cada personagem com muita mímica e com muitas expressões faciais à mistura. O miúdo participa sempre na leitura, uma vez que o livro tem abas e cada vez que um animal concorda em mostrar a sua fralda ao ratinho, lá vai ele levantar e espreitar a fralda de mais um animal. Rimo-nos muito. Ele nunca se contenta com a primeira leitura do livro, pede-me sempre para o ler "outra vez".
Nunca lhe disse que tinha de ser como o ratinho (o ratinho é o único animal que não tem cocó na fralda). Por coincidência ou não, aos poucos, começou a andar sem fralda (primeiro, por iniciativa nossa; agora, por vezes, diz que não quer a fralda; julgo que a fralda já o incomoda). Já fez chichi na rua (teve mesmo de ser), já utilizámos casas de banho públicas para as duas hipóteses (detesto), já tivemos descuidos. Nunca ralhamos quando estes acontecem. Na maioria das vezes corre bem, apesar de correr muito melhor quando está connosco.
O ano passado tentámos o desfralde, na medida em que ele avisava quando fazia cocó. Mas não houve uma continuidade (na nossa casa andava sem fralda, na casa da Ama não) e os descuidos eram muitos. Não insistimos, ele nem dois anos tinha e achamos que talvez não estivesse preparado (nem ele, nem nós). Este ano, acho que estamos todos preparados. Este livro é muito recente e foi um verdadeiro achado nesta altura. É o nosso companheiro na aventura do desfralde. Terá um lugar especial na nossa lembrança por isso.

Texto e ilustrações de Guido Van Genechten, da Editora Minutos de Leitura.

Em jeito de conclusão:
Sempre pensei que só o poria no bacio depois dos 2 anos e no Verão: ele faz anos no final de Setembro, logo só na Primavera/no Verão seguinte é que iniciaríamos as andanças do desfralde - com 2 anos e meio/ 3 anos. A Pediatra, baseada nos sinais que o miúdo nos ia dando (descritos acima) e sem qualquer pressão, sugeriu que experimentássemos o bacio no Verão em que ele tinha um ano e tal. Não interiorizei muito bem esta ideia e não houve grande empenho no desfralde nesta altura. Acabou por deixar a fralda com dois anos e tal (no ano em que comprei este livro). Por um lado, desconfio que se houvesse mais empenho e insistência da nossa parte ele deixaria antes; por outro acho que foi na altura certa, aconteceu de forma mais natural para ele. Pouco tempo depois de fazer os 3 anos deixou de querer fralda à noite. Isto trouxe-nos muitos lençóis molhados em noites de Inverno, mas foi a vontade dele, com choro pelo meio sempre que insisti no uso da fralda à noite. Respeitei a sua vontade.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Há dias de manhã que uma pessoa à tarde não pode sair de casa à noite... Já outros, são (quase) perfeitos

O último fim de semana foi difícil. Aliás, a última semana foi complicada. Chatices de adultos. Uma Unidade Curricular que ficou por fazer. Birras sem aviso nem razão - pensei que as birras do miúdo tinham chegado antes dos 2 anos, mas agora, prestes a fazer 3, é que estou a descobrir o que são. Fim de semana em casa. Domingo de manhã de birra e de gritos inexplicáveis. Calor. Nível de Paciência próximo do zero. Uma atitude minha que me fez sentir mal. E culpada. Calor. Um almoço muito incompleto. Uma tarde que teve início com uma sesta forçada. Calor. Impaciência. Um final de tarde de arrumações. Muito calor. Muito cansaço. Um início de noite com febre. Um jantar que não se pode chamar jantar. Uma noite em estado de alerta. Um acordar feliz, apesar da febre. Comecei a semana cansada. Será que me posso reformar?

Em compensação (antecipada), o fim de semana anterior foi (quase) perfeito: casa de madeira num parque de campismo; praia; piscina; refeições ao ar livre; vida na rua; banhos de mangueira; regas. Realmente os miúdos são bem mais felizes na rua, em contacto com a natureza, com espaço para correr, com areia e pedras para mexer. Com mãos, pés e cara sujos.
Só não foi perfeito porque uma criança mais velha do que o meu filho (10 anos e afilhada do pai) pediu para ir com ele ver as tendas que estavam a poucos metros dali. Assenti, mas queria tê-los no meu campo de visão. Saíram de mãos dadas. Ele adora-a, os miúdos pequenos adoram-na. Deixei de os ver uns segundos. Caminhei uns passos para o lado para os ver, não os vi. Fui e vim e não os vi. Entrei em pânico. Acalmaram-me: a miúda anda pelo parque à vontade, tem lá casa de férias/fim de semana; está habituada; anda à vontade e por isso caminhou um pouco mais. Tudo bem, mas preciso de vê-los. Os nervos apoderaram-se de mim, as lágrimas caíram e corri para procurá-los. Avistei-os, finalmente. Lá vinham os dois de mãos dadas. Demorei uns passos até chegar perto deles. Não fiz alarido à frente dos miúdos nem deixei que se zangassem com a miúda, aquilo é o quotidiano dela quando estão ali. Eu é que não estou habituada e o meu filho ainda nem 3 anos tem. Considero-me descontraída relativamente ao facto de o miúdo trepar, cair, correr, sujar-se. Posso ser apenas espetadora quando o deixo andar na sua vidinha, mas preciso de estar a vê-lo. À vontade não é à "vontadinha". Tirando este episódio, foi perfeito.

Ter uma auto-caravana é um sonho antigo. Ter uma casa de madeira é um sonho recente... Mas sai caro.

Imagem retirada daqui

Começar por aqui, pode ser uma ideia... Falta a árvore. Falta sempre alguma coisa.

Imagem retirada daqui

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Então, o que é que achas que o miúdo será quando for grande? Calceteiro, mecânico, jardineiro ou tocador de maracas e/ou tambor...

A minha mãe repete as histórias da nossa infância como se fosse a primeira vez que as contasse. Nós fazemos um ar de espanto (mais de gozo) como se fosse a primeira vez que as ouvíssemos. Ela sorri e ignora-nos, continua a debitar relatos como se os mesmos tivessem acabado de acontecer. Julgo que isto é uma coisa das mães em geral e não da minha em particular. Mas eis que no outro dia apresentou-me uma característica, de que nunca tinha falado, da criança que fui. Contou-me que em criança era uma miúda muito atenta aos pormenores, que parava para observar as pedras da rua, que as apanhava, que perdia tempo com "coisas pequenas", como as folhas no chão, as flores, etc. Isto só me chamou a atenção porque o miúdo pequeno cá de casa para para observar tudo: para mexer na folha ou na casca da árvore que está no chão, nas pedras soltas da calçada, na areia que está ao canto dos prédios, nas caixas de correio dos prédios vizinhos e por aí adiante. Costumo dizer que um dia destes aparece-me com um cocó seco de cão na mão... Ou de outro animal qualquer.
Um dia destes andava a cirandar aqui pelas redondezas e reparou que o passeio está estragado: há pequenas extensões de passeio que não têm as pedras colocadas nos devidos sítios (buracos, portanto); outras estão fora do puzzle, encostadas à parede dos prédios. Aquilo esteticamente não lhe pareceu bem e o seu trabalho foi transportar pedras com uma pá de praia de um lado para o outro para tapar os buracos. Primeira percepção acerca do que ele quer ser quando for grande: calceteiro.
A segunda percepção é de que o miúdo pode vir a ser mecânico: Porque gosta muito de ferramentas, parafusos, carros, garagens e afins; porque tenta desmanchar tudo o que apanha; e porque tem a mania que pode e sabe arranjar tudo.
Jardineiro também é uma hipótese, na medida em que ele adora andar de regador na mão e, sempre que possível, mangueira.
Por fim, e sinal de que nem tudo está perdido (brincadeira, seja lá o que ele for, nada está perdido; ele será o que ele quiser; já falei disso aqui), um dia destes disse-nos que tinha uma banda: ele, o Bitá, o Tomás e um outro (não me lembro o nome). O Tomás e o Bitá tocam bateria, o outro toca guitarra. Perguntei-lhe o que é que ele toca, ele respondeu: Maracas. E pronto, também há a hipótese de o meu filho vir a ser tocador de maracas. A banda chama-se Batuta. Se quiserem comprar bilhetes, já estão à venda, mas atenção, 3 dos 4 elementos da banda são imaginários. Um dos requisitos para assistir ao espetáculo é ter uma elevada capacidade de fantasiar - não é para todos.
Ele continuou a insistir nisto da banda, mas houve alterações: agora toca tambor. Ufa, não é por nada, mas um tambor sempre é um tambor (sem ofensa às maracas).

Imagem retirada daqui

Não consigo encontrar um destes. Assim sendo, sai uma panela e uma colher de pau. Haja imaginação (por acaso, já usámos a colher de pau e um banco de madeira para simular uma bateria).
A propósito da última hipótese, seria interessante pôr uma música a tocar, colocar instrumentos à disposição das crianças e pedir para irem trocando de instrumento de acordo com a instrução (dada pelo adulto). Quem diz instrumentos, diz objetos que os possam substituir. O importante é pôr os miúdos a explorar instrumentos e sons, a fazer barulho e a gastar energia (vizinhos, desculpem). 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

For Éder. Para o Cristiano Ronaldo que saiu lesionado. Para todos os que desejaram e/ou acreditaram

Filho, somos campeões: ganhámos um Europeu pela primeira vez. Um dia saberás como foi, como aconteceu, quem foram os protagonistas, a ansiedade que sentimos em uníssono, como nos unimos em prol do futebol, os gritos de injustiça, de alívio e de alegria. Saberás como foi a vitória, como nos abraçámos todos no final. Estiveste connosco no quintal do padrinho, correste, também pontapeaste a bola, brincaste, divertiste-te. A lua ligou-se para iluminar a noite - isto a propósito de olhares para a lua e dizeres: mãe, a lua está ligada... Como se existisse um interruptor que pudéssemos ligar em ocasiões especiais.
Desconfiei do desfecho do Europeu durante uma conversa que tivemos; uma conversa inocente, claro, tu percebes lá alguma coisa disto, que me levou a acreditar que podia ser; aquelas sensações que nos fazem acreditar, mas que são isso mesmo: sensações (ou apenas uma grande vontade de ganhar). Acontece a muita gente, aconteceu-me também.  

Parabéns! For Éder! Para Éder que marcou o golo, para o Cristiano Ronaldo que saiu lesionado, para o Rui Patrício que defendeu muito, para o Pepe que foi o homem do jogo, para o Nani que fez a vez do Cristiano como capitão da equipa, para o Renato Sanches que é o mais novo de sempre a ganhar um Europeu (chamo-lhe bebé, porque tem apenas 18 anos), para o Ricardo Quaresma que meteu a cabeça do adversário, que magoou o Cristiano, debaixo do braço, para o Fernando Santos que sempre acreditou... Para todos os outros (os que jogaram, os que não jogaram, os que apoiaram - vou tentar escrever aqui o nome de todos os jogadores para um dia recordar).
Para o país organizador que, ao contrário do esperado, não iluminou a torre eiffel com as cores da bandeira portuguesa, votos de uma feliz aprendizagem disso que é perder; nós também já perdemos.

Uma mensagem importante para ti, filho: mesmo que sejas pequenino em tamanho, lembra-te que podes ser grande em sentimentos.
https://pt-pt.facebook.com/euronews/videos/vb.101402598109/10154020856458110/?type=2&theater

Somos campeões!

sexta-feira, 3 de junho de 2016

A brincar é que a gente (pequena) se entende #11 - Então e o dia da criança?

Saí de casa cedo com a minha mãe. Ela estacionou o carro perto do jardim. Meteu-me no carrinho para não me esgueirar. Pendurou o saco das fraldas e o saco dos baldes e das pás no meu carrinho. A minha mãe virou-se 2 segundos para fechar a porta do carro. Eu abanei o carro. Ele desceu o passeio. Meio salto mortal depois e estava com a testa na estrada. Eu a chorar. A minha mãe a hiperventilar. A minha mãe a tentar levantar o carro com os 500 quilos a mais que colocou em cima dele. Eu a chorar ainda mais. A minha mãe a tirar-me o cinto. A minha mãe a pegar-me ao colo e a acalmar-me. Eu com um galo na testa.

O jardim habitual cheio de gente. Os meus baloiços todos ocupados. Afinal existem aqui muitas crianças; só não vão ao parque tantas vezes como eu ou vão em horários diferentes. A minha mãe sempre com uma lupa a procurar vestígios de mim (do género, onde está o Wally). A minha avó a fazer o mesmo com a minha prima. Almoçar com os meus pais, avós e prima. Correr e limpar o chão do restaurante onde almoçamos, rastejando e gatinhando. Dormir a sesta na casa da avó com a minha prima. Acordar. "Piscinar" na piscina municipal que a minha avó comprou - desta vez exagerou mesmo; é preciso um dia inteiro para a encher com baldes; e para a despejar?; a opção foi a de enfiar duas piscinas mais pequenas lá dentro para chafurdarmos à vontade sem inundar a casa dos vizinhos. 

À noite, a minha prima ligou à minha mãe para fazer um resumo do dia e para lhe dizer que ficaram algumas coisas pendentes: saltar nos insufláveis e pintar a cara. Por mim, dispenso. Esperar em filas para me divertir? Esqueçam lá isso.

Foi um dia feliz, dormi a noite inteira sem chamar a minha mãe uma única vez. E assim começamos uma nova etapa... Pelo menos, a minha mãe pensa que sim.

Imagem retirada daqui

A piscina que a minha avó comprou é quase como esta. A "pequena" diferença é que ela não tem quintal, tem apenas um belo vão de escada sem janelas. Não, não é nada exagerada.

O ano passado foi assim.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Há dias...

...em que a única coisa que me apetece é conduzir estes dois. Num carro como este. Numa estrada como esta. Com uma paisagem como esta. Num mundo perfeito.

Imagem retirada do pinterest

Hoje é dia da criança. Não trabalho. É com eles que vou estar. Vamos brincar (mais do que o habitual). Será um bom dia. 
Há dias, e é triste escrevê-lo hoje, que tenho medo do mundo do qual fazemos parte. Tenho medo do que eles podem encontrar e do que o mundo (não) tem para lhes oferecer. Vou deixar de ler notícias, há dias em que sou esmagada por elas. 

Filho e sobrinha, pessoas pequeninas do meu coração, nada temam: vou à procura de casa para nós num outro planeta, está bem? Descobriram uns quantos recentemente que nos podem interessar. E valer. 

terça-feira, 24 de maio de 2016

Amigos imaginários: O Bitá e o Tomás

O primeiro foi o Bitá. Ao início, dado o nome invulgar, não percebi bem a que se referia. Lá compreendi, porque ele foi claro na explicação, que o Bitá é um amigo do trabalho dele. 
- E o que é que vocês fazem no trabalho?
- Trabalhamos com os pucadores*. 
Ele leva, inclusive, para a Ama uma construção de lego que ele designa como computador. Ele não me vê trabalhar ao computador, apesar de o fazer, mas o marido da Ama arranja computadores. Já lhe perguntei se ele queria convidar o Bitá para ir lá a casa. Respondeu que não. Ontem perguntou-me se eu queria ver o Bitá. Depois disse-me "ele está aqui". Escusado será dizer que não estava ali ninguém.
Há dias, houve uma nova contratação na empresa em que o meu filho trabalha e ele ganhou mais um amigo: o Tomás (este amigo sempre tem um nome comum, desta vez não o confundi com um ovni). A empresa alargou a sua área de actuação e agora também apanha dragões. Apanhámos Dragões castanhos - diz-me. Ele nem sabe bem que cor é esta, mas quem sou eu para o contrariar. 
E é isto. Para já, para já, e com tantas empresas a reduzir pessoal, a do meu filho anda a fazer contratações e a alargar o leque de clientes e áreas de atuação. Só pode ser um bom pronúncio. 

A propósito deste tema e falando mais seriamente, encontrei este artigo. E retirei deste algumas ideias do que deve ser a nossa atitude perante a existência de um amigo imaginário. Sim, ele existe mesmo. É normal aparecer por volta dos 3 anos e manter-se até aos 6. Não prejudica e parece que até pode ser um excelente fator protetor, emocional e psicológico. O miúdo arranjou logo dois, possivelmente a pensar que eu preciso de um... Estou a brincar, mas por vezes dava-me jeito um amigo destes: Quem é que comeu o gelado? E o chocolate? Já comeste a embalem de bolachas que comprei há meia hora? EU?? Não! O Bitá comeu o gelado, o Tomás o chocolate e os dois, não satisfeitos, atiraram-se às bolachas.

Imagem retirada daqui

Só para que fique registado: a minha sobrinha também teve uma amiga imaginária, a Helena.

* Computadores

segunda-feira, 23 de maio de 2016

A brincar é que a gente (pequena) se entende #10 - Dias nossos

Na sexta feira, ao final da tarde, antes de uma saída a dois, foi dia de metermos uma banheira e um alguidar com água morna na varanda da avó. Estava um dia de verão. Ele e a prima a chapinhar e a "mergulhar". Ele sem fralda, ela de cuecas. Eles a brincar com a água, eu a limpar o chão com a esfregona. Depois, hora de banho a dois. A loucura. A avó chegou: enquanto uma limpa um, a outra termina o banho do outro. Dar-lhes o jantar. Dar-lhes um beijo. Sair para jantar... a medo.
Dormir a primeira noite sem a mãe. Dormir a primeira noite sem o filho. Várias mensagens enviadas à avó para saber se estava tudo bem. Jantar a dois. Cumplicidades. Pensar e falar nele várias vezes. Chegar a casa às 2 da manhã, adormecer às 3 e acordar às 6h30 (sentir a falta daquela "pessoinha" despertou-me a esta hora). Enviar nova mensagem à avó. Receber uma mensagem que nos informa que o miúdo estava acordado. Tomar o pequeno almoço rapidamente. Ir buscá-lo. Encontrá-lo bem. Receber um abraço. Ouvir "voltaste, mamã", mas sem o ar dramático habitual. Ouvir o meu bebé dizer que queria ficar na casa da avó. Respirar de alívio. Sair de casa da avó. Ir à estação ver os comboios de perto e ir ao parque às 9 da manhã. Adormecer às 11h e acordar às 14h. Almoçar tardiamente.
Há quase 1 ano tentámos a primeira noite sem ele, mas às 2 da manhã estava na casa da minha mãe para dormir com ele. Desta vez consegui, mas ainda não foi tranquilo. Vamos com calma.
Fim de semana caseiro e tranquilo. Com brincadeiras inventadas: salta a rolha - ele e o pai inventaram esta brincadeira. Gritam "salta a rolha"; atiram a rolha; andam à procura dela pela casa; chamam-me, orgulhosos, para assistir. Uma ida ao parque com o pai enquanto a mãe ficou a terminar as limpezas (para quando um sistema autónomo que nos limpe a casa?). O relato de uma perseguição aos dragões. Terminar o fim de semana com mergulhos na banheira, com a casa de banho cheia de água e um miúdo feliz da vida.
Para eles brincar é natural... E para nós, às vezes, também.

Imagem retirada daqui

Olá segunda feira: Cada semana que passa tornas-te mais difícil para mim. E eu nem tinha muita aversão à segunda feira...

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Pessoas que me inspiram #2 -Quem foi o professor que mais vos influenciou?

É a questão colocada numa publicação na página de facebook da Raiz Editora:


Não me lembro de muitos dos professores que tive. A maioria não me marcou, até porque eu não tinha uma boa relação com a escola. Nunca fui boa aluna. Não gostava da escola. Não estudava. Achava que algumas das matérias eram muito básicas, outras não me interessavam. Tive alguns problemas de saúde que me levaram a faltar algumas semanas durante 4 anos consecutivos (visão no 2.º ano, operação no 3.º ano, acidente no 4.º ano, febre reumática no 5.º ano). Chumbei no 6.º ano e a justificação unânime foi a da ausência por períodos de tempo, relativamente longos, nos anos anteriores. Não me parece, sinceramente, que tenha sido esse o motivo. No 6.º ano faltava à escola para passear com amigas que não eram da minha turma, logo tinham horários diferentes do meu; foi a maneira que encontrei para estar com elas. Apesar das desconfianças da minha mãe, nunca andei com más companhias (talvez a má companhia fosse eu), nunca fumei,  nunca bebi, nem tinha namorado; faltava (às aulas, não à escola) porque qualquer coisa era melhor do que estar nas aulas. Lembro-me de detestar quando o meu pai me chamava a atenção pelo meu fraco desempenho escolar. E quem é que lhe chamava a atenção pelo seu fraco desempenho parental? Pensava eu - talvez seja injusto escrever isto, não sei se a culpa terá sido apenas dele, mas minha não terá sido com certeza. Aquele chumbo foi perdoado, mas não podia haver outro. Cheguei ao final do 2.º período do 8.º ano com 1 positiva (ou nenhuma, não tenho bem a certeza). A minha mãe chegou a casa, depois da reunião com a Diretora de Turma, com a minha sentença definida: sair da escola e ir trabalhar. Lembro-me bem desse dia, lembro-me do dia seguinte, lembro-me do medo e do peso daquela sentença e da mudança que isso teria na minha vida, lembro-me das conversas na escola no dia seguinte. Parece que fui o tema principal da reunião. Implorei para que a minha mãe não me tirasse da escola, prometi que recuperaria no 3.º período. Ninguém acreditava naquela recuperação, eu tinha andado a assobiar para o lado o ano inteiro, tinha 1 mês e pouco de aulas porque naquele ano a PGA (Prova Geral de Acesso) seria realizada naquela escola. A minha mãe acedeu ao meu pedido. Levantava-me às 5 da manhã para estudar e pôr matéria em dia. A maioria dos meus colegas faria apenas um teste, eu teria de fazer 2 a todas as disciplinas. Era difícil, mas eu meti na cabeça que tinha de tentar. Tentei, esforcei-me e consegui. Transitei para ano seguinte. Mas o meu problema com a escola continuava a existir. No 9.º ano repeti a "brincadeira" e não correu bem. Não tentei recuperar com o afinco do ano anterior. Chumbei. Saí da escola. Comecei a trabalhar. Fui proibida de visitar as minhas amigas de sempre (vivia num sítio e estudava noutro). Perdi, aos 14 anos (quase a fazer 15), as minhas raízes. Paguei caro por isso. Fui estudar à noite no local onde vivia. Fiz o 9.º ano. Resolvi tentar o 10.º ano. Toda a gente achava que eu não tinha queda para a escola, que eu não era capaz, que era pouco inteligente. A escola deixou de ser uma obrigação, a minha obrigação era trabalhar. Não faltava à escola. Fiz o 10.º, 11.º e 12.º anos à noite, a trabalhar, sem chumbar, com média de 15.
No 10.º ano tive uma professora de Geografia que me perguntou que área seguiria quando fosse para a faculdade. Nunca tinha pensado seriamente (talvez secretamente) avançar para uma licenciatura; acho que ninguém, até aquele momento, pensou que eu fosse capaz de tirar um curso superior; tinha sonhos, mas (julgo) não me achava capaz. Esta professora mudou o meu percurso com esta simples pergunta. Ela não questionou se eu pensava ir, ela apenas considerou que uma aluna como eu iria, naturalmente e garantidamente, para a faculdade. O meu percurso não foi fácil, não arrisquei quando devia ter arriscado. Quando terminei o 12.º ano entrei em Biologia, mas desisti porque não consegui conciliar escola e trabalho. Anos mais tarde, decidi tentar conciliar trabalho e faculdade (tudo em horário diurno), sabia que era difícil, mas a pergunta daquela professora nunca me saíra da cabeça. Tirei a licenciatura de 3 anos em 3 anos. Profissionalmente falando, ainda não alcancei o que desejo, mas pessoalmente, aquela professora mudou-me para sempre. Mudou o meu percurso, os meus objetivos, a imagem que tinha de mim. Ela não imagina até onde irá a sua influência. Nem eu. Mas acredito que um professor pode ser um marco fundamental na vida dos alunos (crianças e adultos).
Obrigada, professora Cristina.

Não tenho, propriamente, orgulho no meu percurso escolar; sei que paguei caro pelas minhas opções, mas também não sinto vergonha. É o meu percurso, foi o que vivi, faz parte do que sou. Se mudaria alguma coisa se voltasse atrás? Com certeza. Apesar de saber que foi o meu percurso que me trouxe até aqui, tentaria um trilho mais fácil.
Se leres isto um dia, filho, retém esta última parte: eu mudaria algumas das minhas opções. Lembra-te que a tua decisão de hoje influenciará o teu amanhã; pode não condicioná-lo ou defini-lo, mas que o influenciará, influenciará. Desejo que faças boas escolhas e que mesmo as menos boas te façam evoluir.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

A minha pessoa preferida.

Claro que é uma eleição óbvia, ninguém se espantará com o resultado da mesma. Olhando para o nome deste blogue é mais do que previsível. Que coisa tão desinteressante. Mas, ainda assim, vou passar para palavras parte do que sinto quando penso que és a minha pessoa preferida, meu amor. Meu filho.
És a minha pessoa preferida porque nenhuma outra conseguiu que um simples contemplar de rosto, debaixo de uma luz de presença discreta, tivesse um efeito rejuvenescedor e calmante. Porque, antes de ti, nunca tinha pensado que a subida de um escorrega ao contrário e uma descida apressada de barriga e de cabeça para baixo, contrariando as regras da maioria, fosse sinónimo de valentia e de orgulho - para mim. Porque, antes de ti, ninguém curou as minhas feridas com um simples beijinho - tal como tantas vezes te digo, tu também me dizes "O teu dói dói vai passar com o meu beijinho". Porque nunca equacionei faltar ao trabalho por alguém mo pedir; agora, tu pedes, e eu equaciono sempre se não será um bom dia para fazê-lo. Porque, até hoje, ninguém me disse que queria ir trabalhar comigo; foste o primeiro. Porque ninguém me fez chorar e emocionar com tanta facilidade como tu. Porque nunca amei ninguém com tanta certeza e de forma tão pura e desinteressada como te amo, minha "pessoinha". Porque ninguém me fez acordar tantas vezes durante a noite como tu sem que isso abalasse sentimentos (qualquer outra pessoa a acordar-me tantas vezes como tu teria as malas à porta na terceira noite... e estou a ser simpática). Porque ninguém me disse "Não te preocupes, eu vou resolver isso" com a tua convicção (emociono-me quando dizes isto, sou uma parva, é oficial). Porque nunca vi ninguém esperar por mim com a alegria com que tu me esperas. Porque nunca senti que tivesse sido o n.º 1 na vida de alguém como sou da tua. E ninguém foi o n.º 1 na minha vida como tu és. Porque nenhum beijo pela manhã teve o efeito que o teu tem (tu nem és muito amigo de beijos, mas de quando em vez surpreendes-me). Porque ninguém me perguntou "Estás zangada?" com o teu tom matreiro, simultaneamente solidário, e averiguador - com esta pergunta pretendes averiguar, quase sempre, se podes esticar a corda mais um bocadinho. Porque ninguém me fez ler a história dos 3 Porquinhos 365 vezes por ano. Porque ninguém me está gravado no coração como tu estás. Porque ninguém me fez ter tanta vontade de regressar a casa ao final do dia como tu fazes (se me atraso por algum motivo, começo logo a contar os minutos a menos que temos para nós, preciso de descontrair em relação a este assunto, reconheço). Porque nada nem ninguém se compara a ti. Tens um jeito que me cativa, um sorriso que me contagia, um olhar que reconheço e, para além de tudo, és meu filho. És especial. É por isto, e por muito mais, que és a minha pessoa preferida.

Com todo o amor que nunca imaginei existir,
A tua mãe.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

A brincar é que a gente (pequena) se entende #9 - Expressão Dramática: parar uma birra em 3 segundos (sem garantia, mas com algumas probabilidades de sucesso)

É fácil, simples e divertido. Há uns dias lembrei-me de simularmos em frente ao espelho da casa de banho algumas emoções através de expressões faciais - arranjo sempre coisas muito interessantes para fazer quando vejo que uma birra gigante está prestes a despertar. Ontem, foi esta a forma que encontrei quando a dita chegou porque não queria tomar banho com o pai (não, não era o miúdo, a birra é que não queria tomar banho; não confundamos as coisas).

- Começo por pedir-lhe para fazer uma cara triste; e ponho, também, a minha melhor cara triste.
- Logo a seguir, incentivo-o a fazer uma cara de susto. E exemplifico. Constato que nem é preciso esforçar-me muito.
- De seguida, "vestimos" o rosto zangado.
- Depois, peço-lhe para sorrir. Ele imita-me, esboça um sorriso amarelo, como quem diz "O que é que esta quer?".
- Por fim, peço-lhe para rirmos à gargalhada. Esta é mesmo a mais divertida e aquela em que ele alinha com mais facilidade.
E assim temos: a tristeza; o medo; a raiva; a alegria. Se pensarmos no filme Inside Out, que ainda não vi, falta-nos a repulsa.

Da primeira vez que fizemos este jogo, ele demonstrou algumas dificuldades em expressar a tristeza e a raiva - digo ar zangado, ainda não me refiro a todas as emoções com a denominação correta, é um jogo que vai evoluindo à medida que o vamos repetindo. À terceira, já foi ele que sugeriu as expressões que faríamos. A de rir à gargalhada é, claramente, a que ele mais gosta e a que mais repete, mas já vai sugerindo a cara zangada e a triste.

Imagem retirada da Internet

Outras brincadeiras para trabalhar as emoções:
- Ter imagens que reflitam emoções e pedir à criança que as identifique.
- Jogo "Adivinha a emoção": Expressar a emoção e pedir à criança que a adivinhe.
- Durante a leitura de uma história, chamar a atenção da criança para determinada emoção expressa na ilustração.

Falando da situação de ontem em concreto, a birra sentiu-se intimidada com esta brincadeira antes do banho, mas no final do mesmo demonstrou a força que tem e teimou em aparecer sem ninguém a convidar. Percebi que estava cansado, anda a dormir menos durante o dia e fica com sono mais cedo. Perguntei-lhe se estava cansado. Ele respondeu que não a quer. Pergunto-lhe, "não queres estar cansado?". Ele responde, a chorar, que não quer a birra (dramático, este miúdo). Digo-lhe que o vou ajudar. Ele concorda. Ele para de chorar. Para já, resultou.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Dia da Mãe / Grandes livros para pequenos leitores #12 - Meu amor

O dia da Mãe não foi como imaginei. É a vida. Há muita coisa que não é como imaginamos. O amor que a maternidade me trouxe, esse sim, tem sido muito mais do que imaginei e, no dia de hoje, é o que importa. Importa dizer-te, filho, que estivemos juntos, que andamos de comboio, que passeamos por Lisboa, que almoçamos juntos, que regressamos a casa juntos, que comeste o teu primeiro gelado (foi feito por mim, mas tive de o transformar em batido porque estava mesmo muito gelado), que dormiste no carrinho enquanto eu o empurrei por trilhos de calçada portuguesa, que comprei o livro que está no título deste post e que o li vagarosamente, com sentimento e com sentido, procurando olhar-te nos olhos nos excertos que considerei mais importantes. Só nós: eu e tu. 
Conversamos muito, procurei satisfazer a tua curiosidade em relação à viagem de comboio. Distinguiste o campo da cidade, à medida que a paisagem ia mudando. Exclamaste em cada túnel. Olhaste o rio pela janela. Admiraste os barcos. Questionaste cada paragem, cada apito e cada fecho de porta. Andaste no comboio que tantas vezes vais ver à estação e que tantas outras te faz levantar a cabeça no parque. 
Senti-te mais crescido. Ou, talvez tenha sido eu que cresci mais um pouco. Alegra-me e entristece-me ver-te crescer. Entristece-me crescer. Mas sinta lá o que sentir, amo-te sempre meu amor. E "Meu amor" é o título do livro que (nos) comprei para assinalar este dia, que começa com o filho a perguntar: Mãe, vais amar-me durante toda a vida?


"Amo-te desde que te conheço e até antes disso.
...
Amo-te quando fazes como eu, e quando fazes como tu.
...
Amo-te quando te esforças, e quando eu me esforço.
...
Amo-te quando consegues, e quando vais conseguir.
Amo-te quando te lembras de mim, e quando te esqueces.
...
Amo-te quando vais à guerra, e quando mudas de ideias.
...
Amo-te quando és tu próprio, e quando não te reconheço.
Amo-te quando me ouves, e quando é a minha vez.
...
Amo-te quando estamos junto, e quando vocês estão juntos.
...
E pronto, é este o meu segredo. Amo-te todos os dias. Para sempre."

É um livro de Astrid Desbordes e Paul Martin, da editora Edicare. Quando o vi, pareceu-me um livro antigo, talvez pela ilustração, não sei. No entanto, 2016 é o ano da 1.ª edição. Para mim, este livro é uma verdadeira declaração de amor. Tão simples e tão verdadeiro.

Feliz dia para ti, filho, que me fazes comemorar este dia no papel de mãe.
Feliz dia para ti, mãe, que me fazes comemorar, desde sempre, este dia no papel de filha.

Estrito a 1 de Maio de 2016.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Adeus meu querido mês de Março de 2016; adeus dia do pai, adeus páscoa, adeus férias

Já passou, foi em Março; estou atrasada mais uma vez.
Não escrevi nada acerca do dia do Pai, mas tenho de escrever antes de cumprimentar Abril. Este ano, o Dia do Pai foi, literalmente, do Pai. Fiquei em casa a recuperar de uma mixórdia de 3 antibióticos e por isso os meus miúdos saíram de casa antes de almoço e só regressaram à hora do lanche. Foram ao parque, almoçaram fora, passearam juntos. Divertiram-se à grande. A surpresa não foi preparada como idealizei, mas o pai recebeu a sua prenda e o dia acabou por ser totalmente dele.
Num delírio provocado, eventualmente, pelos antibióticos, lembrei-me de não me lembrar de nenhum dia do Pai com o meu pai. Nem de realizar os famosos presentes na escola. Nada de nada. De certeza que os fiz, julgo que os dei a outra pessoa, mas não me recordo. A isto deve chamar-se memória seletiva...
Fomos ao Jardim Zoológico: uma parte de mim queria ir; outra não. Lembro-me de ir lá muitas vezes com o meu pai em criança, de ele ser muito alto e eu muito baixa para acompanhar as suas longas passadas, lembro-me da moeda e do elefante, dos macacos e dos leões, dos passeios. Está tudo muito diferente e eu também. O rapazinho adorou e nós, à conta dele, também. Andámos de comboio, no teleférico, vimos os golfinhos, visitámos a quintinha, demos uma ou duas voltas ao recinto. Foi cansativo, mas divertimo-nos. Fomos os três e a afilhada do pai; a prima não estava cá.
O Domingo de Páscoa traduziu-se num almoço normal: nós os três e a minha mãe. Sentimos a ausência da tia e da prima.
5 dias úteis de férias: dois dias e meio de limpezas e exames médicos; dois dias e meio de exclusivo com o Índio do meu coração.
Constato, mais uma vez, que sou desprovida de algumas tradições: nunca fiz a caça aos ovos de Páscoa. Calendário do Advento e Caça aos ovos, me aguardem. No entanto, demonstrando alguma incoerência, comecei a celebrar a passagem de semestre o ano passado - uma tradição inventada.
Adeus meu querido mês de Março e até para o ano.

terça-feira, 29 de março de 2016

O Jardim de Infância

A escolha do Jardim de Infância não está a ser tarefa fácil para mim. Se tivesse maior capacidade financeira ou residisse num meio em que a oferta é mais diversificada, seria mais fácil. Assim, tenho de me restringir às minhas possibilidades, no entanto procurando o que julgo ser melhor para o meu filho. O facto de ter formação na área da Educação, mesmo não sendo educadora ou professora, torna-me mais exigente, admito. Mas julgo que todos o somos quando se trata de escolher o lugar onde vamos deixar os nossos filhos.
Às vezes peço referências a conhecidos que têm os filhos aqui e acolá. Geralmente as pessoas não fundamentam muito (ou não fundamentam como eu quero), dizem que gostam, mas não especificam porque é que gostam. Uns falam-me do valor da mensalidade, alguns do facto de as educadoras realizarem muitos trabalhos, outros ainda que os filhos têm muitas atividades... Estes aspetos não me dizem muito, não me ajudam a escolher, a optar por este ou por aquele Jardim de Infância. Já visitei vários, encantei-me por um e pelo método pedagógico, mas a mensalidade é elevada; também fiquei com a sensação de que tem um grau de exigência elevado (pelo menos, para mim, que priorizo a brincadeira livre, espontânea); pode ser apenas uma sensação; se optasse por este Jardim de Infância, teria de esmiuçar mais.
Entretanto, encontrei uma mãe num parque infantil que me falou de um sítio pequeno, ainda em processo de legalização. Salientou o aspeto "Afeto" e isto, sim, já me disse alguma coisa, já suscitou o meu interesse. Fui visitar a creche, conheço uma das donas, gostei do espaço.
Gostava que ele fosse para um Jardim de Infância pequeno, com um ambiente familiar e acolhedor, com salas amplas, com janelas grandes, com muita luz natural. Com espaços distintos para que ele tenha hipótese de escolher o que quer fazer (jogos, livros, cozinha, brincadeira espontânea, desenho, música, teatro, etc.). Que dê espaço às crianças para descobrirem o meio que as rodeia. Que promova a sua  autonomia, mas que lhes dê muito mimo. Que as crianças riam e brinquem muito, que corram, que sujem a roupa, que gritem, que metam as mãos na terra, que apanhem ar puro todos os dias e que saltem nas poças de água que a Natureza lhes oferece. Que sejam felizes. Que aprendam os números e as letras quando sentirem necessidade deles, quando questionarem (estou a referir-me a crianças muito pequenas que não têm de saber ler e escrever, obrigatoriamente, antes do 1º ciclo); quando quiserem saber os números para interpretar uma receita de pão de ló (com números e desenhos dos ingredientes); quando quiserem aprender a escrever o seu nome; ou quando quiserem escrever uma carta a um amigo que está doente e não vem à "escola" há alguns dias (nem que seja uma só frase escrita a várias mãos). Que deixe as crianças dormir a sesta se elas assim o desejarem, mesmo que tenham 5 anos. Que exista uma relação próxima entre a escola e a família. Gostava de um Jardim em que as pessoas estão atentas às crianças, ao que elas gostam, ao seu temperamento, às suas vocações, aos seus talentos, às suas dificuldades. Gostava de um Jardim de Infância em que a criança é que, realmente, importa. 
Para além de tudo isto, tenho de ter em atenção a segurança, a alimentação, o número de pessoas, a competência das pessoas (de todas as pessoas, não apenas a da Educadora), o projeto educativo...
Não é fácil, mas também ninguém disse que seria.