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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

À conversa com o meu filho #19 - Mãe, arranjei-te uma semente...

"De onde vêm os bebés" já foi tema de conversa lá em casa. Não falei da cegonha e acabei por ser directa. Referi este assunto aqui e aqui.

A semana passada surgiu a seguinte conversa à saída da escola:

- Mãe tenho uma semente para pores na tua barriga. - disse-me.
- O pai vai pôr uma semente na barriga da mãe? - retorqui, julgando ter percebido mal a afirmação.
- Não mãe, eu já tenho a semente, apanhei-a na escola, está dentro da mochila. 
- E o que é que faço com a semente. - pergunta estúpida, eu sei.
- Pões no pipi. E passado muito tempo, nasce um bebé da tua barriga. - esclareceu-me o miúdo com os seus 4 anos.

Há 2 semanas fez um desenho na escola com os dois irmãos, continua a dizer que não tem irmãos há muito tempo. No Domingo, no quadro de ardósia desenhou-nos(eu, ele e o pai) e... 13 irmãos.

E eu temo ter decidido no passado dia 15 de Outubro (logo neste dia, bolas) que não terei mais filhos. Não que não queira, mas porque não há condições (diversas) para tal. Tenho pena, filho.
Acho que não seria capaz de ter mais um filho só por mo pedires, mas se pudesse e se sentisse que podia tê-lo, teria. E ficaria feliz por ti e por mim. Por nós.
Posso dizer-te que tens uma prima, posso dizer-te que acredito (desejo muito) que podem vir a ser como irmãos, posso dizer-te que ter irmãos é muito bom ou que ter irmãos não é assim tão extraordinário. Se me restringir à minha experiência posso dizer-te duas coisas: tenho uma irmã pela qual sinto um amor imenso especial; tenho um irmão que não te conhece... Uma coisa eu sei, acredito na relação que tens com a prima que tanto adoras.

Fonte desconhecida
Ela é mais alta do que tu (também é 3 anos mais velha), mas tu dizes que vais ser maior do que ela... Vejo os dois com a mesma grandeza! Que sejam primos-irmãos, meus amores!

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

As férias que eu quero incluir na normalidade dos dias

As férias já lá vão, mas tal como o ano passado foram regeneradoras. Estivemos uma semana sozinhos (os três) e foi perfeito, mesmo contabilizando todas as imperfeições com que nos deparámos: o miúdo com febre na antevéspera da partida, a antibiótico na véspera e com anúncio de mau tempo. Apanhámos mau tempo no dia da chegada e no dia seguinte, dias estes que coincidiram com o início do antibiótico - não nos importámos porque tínhamos indicação para não irmos à praia nestes dias. A partir daí foi sempre bom. Centrámo-nos no facto de termos umas boas férias e conseguimos. Regressámos ao sítio onde já fomos felizes e fomos felizes novamente. As discussões não passaram de simples trocas de ideias. Vivemos aqueles dias sem pressa, tomámos o pequeno almoço devagar, fizemos as refeições sem olhar para o relógio. Abstraímo-nos da internet e da imensidão dos canais de televisão. Soubemos de poucas notícias. Fizemos puzzles, jogámos ao dominó, jogámos à bola e fizemos teatro de fantoches. Encontrámos a água do mar tépida. Reencontrámos o barco queimado e o sítio secreto. Passeámos pela ilha no meio de transporte que escolhemos para estas férias (ele passeou, a nossa função foi mais a de puxar o dito meio de transporte). O miúdo esteve afoito e entrou no mar sem receio. Recuou um pouco quando a prima chegou, talvez porque a viu mergulhar, nadar bem e depressa. Aos poucos voltou ao normal. Ele recebeu uma grande surpresa a meio das férias: a prima. A partir daí as brincadeiras a três passaram a ser, maioritariamente, a dois. Os dois, juntos, andaram de trotinete, brincaram e discutiram, fizeram cabanas na praia, observaram peixes no mar, apanharam berbigão, colecionaram conchas e pedras, dormiram juntos. Deslumbro-me quando os vejo crescer em cumplicidade.
Fui para a Ilha 15 dias a pensar que iria a Lagos, que iria subir ao interior para visitar uma praia fluvial, que daria um pulo até Espanha. Mas, tal como aconteceu o ano passado, não senti qualquer necessidade em sair daquele pedaço de terra. Pelo contrário.
Regressámos à nossa casa e eu não senti a tristeza que senti o ano passado: sei que serei feliz quando regressar. Queremos regressar à Armona no próximo ano e viver a liberdade e a descontração que ela nos proporciona. O miúdo sentiu ambiguidade no regresso: as saudades de casa e o querer viver nas férias.
O regresso à normalidade dos dias fez-me ter (mais) consciência de que vivemos de forma pouco saudável (a todos os níveis). Estou agora a tentar trazer para a realidade dos nossos dias o estado de espírito das férias. Isto tem de ser possível, bolas!
Querida Armona, até para o ano!

A música do regresso:

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Dia dos namorados: para dizer a verdade...

... já houve anos em que o comemorei sem ter namorado e anos com namorado sem um brinde sequer. Não posso dizer que não gosto do dia dos namorados, o que não gosto é de comemorações por obrigação, por imposição do calendário. Apenas isto. Logo, há anos em que comemoro à grande, outros não. 
As relações não são lineares nem constantes, logo nem sempre o dia 14 de Fevereiro é um dia feliz e harmonioso entre o casal. Não quer isto dizer que, passada a tempestade, não se comemore o amor, a relação e o futuro. Assim sendo, e não querendo denunciar mais o estado da (minha) nação, o presente para o meu namorado este ano é uma folha com a seguinte pergunta:

O que é que achas que podemos mudar na nossa relação para sermos felizes mais vezes e para nos chatearmos menos vezes? Queres ir jantar um dia destes, beber um copo de vinho, petiscar qualquer coisa, regressar a casa sem hora marcada, dizer o que te vai na alma e ouvir o desatino que vai na minha? 
(Os últimos meses têm sido duros).

Às vezes penso que não nasci para isto (de uma relação)... Mas depois, quando penso no futuro, quando equaciono ter outro filho, quando imagino jantares de família, quando sonho com uma casa térrea num terreno tosco com um jardim desalinhado, quando fantasio com viagens numa auto-caravana, penso nele. No meu namorado.

Atualização: Ele convidou-me para almoçar, questionei-o e combinámos uma saída a dois. Foi um dia feliz para nós. :)

Agora eles (os pequenos) e o Dia dos Namorados.
A miúda ontem mostrou-me, orgulhosamente, o postal que fez para a mãe, com uma frase escrita por ela. Disse-me também que "um miúdo lá da escola" gosta dela por amor. (????)
E tu gostas dele? - perguntei.
Achas!? Nós não somos amigos, lutamos muito, ele sabe que eu sou muito forte, por isso é que gosta de mim. Achas que posso gostar dele!? - respondeu-me com ar de desdém.
Ohhh pá, sempre ouvi dizer que quem desdenha quer comprar. Começa cedo!

O miúdo hoje ficou com a Ama e esta pediu-lhe para ele ficar a namorar a neta enquanto ela ia à cozinha, uma vez que hoje é o dia nos namorados.
Não posso, namoro com a minha mãe e com o meu pai - respondeu-lhe muito convicto.
Ontem viu a prima oferecer um postal à tia, hoje baralhou-se com isto do namoro e do dia dos namorados.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #15 - Coração de mãe para assinalar o teu 6.º aniversário

Querida sobrinha, porquê este livro?
Porque no dia 14 de Setembro comemorou-se o teu nascimento e o da tua mãe no sentido lato da palavra "mãe". Tal como aconteceu contigo, aquele dia foi apenas o primeiro do resto da sua vida: tu, a filha pequena que nasceu antes de tempo; ela, a mãe cansada de 3 semanas de internamento e desejosa por ser uma mãe com uma filha no colo em vez de ser uma mãe com uma filha no ventre, carregada de medos e de dúvidas. Ela estava cansada, queria tocar-te,  queria ver-te. Queria sentir a pessoa que viria a ser o bem mais precioso da sua vida.
Ela não fazia ideia o que é isso de ser mãe. Nem tu o que é isso de ser filha. Apesar de terem a vida toda para descobri-lo, nem sempre a descoberta tem sido feita da forma mais natural. A descoberta tem sido brusca. Muito brusca. Ela não sabia que ser mãe pode fazer de nós seres gigantes e seres pequenos; seres fortes e seres frágeis; seres seguros e seres vulneráveis; seres tão cansados e seres tão dinâmicos. Não sabia que ter um filho é ter sempre um ponto forte e ter sempre um ponto fraco. Não sabia que ia conhecer o melhor do ser humano (Tu) e o pior. Não fazia ideia que serias um pedaço de vida (o mais importante) a solo. É por isso que, tal como descreve este livro, o coração de mãe tem uma enorme capacidade de adaptação. Só assim se consegue sobreviver a oscilações tão bruscas de estados de espírito, de sentimentos e de emoções.
Ofereci-vos este livro, neste dia tão especial, para que nunca se esqueçam do papel que cada uma tem na vida da outra. Um livro para ler sempre: quando houver tristeza, quando houver alegria, quando houver zanga, quando houver harmonia, quando houver ira, quando houver paz, quando houver revolta... quando reinar o amor. Este, acredito, nunca faltará.
Parabéns meus amores.


Um livro do Planeta Tangerina. De Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho.

Sobrinha,
- Uma história dedicada a ti em duas partes: aqui e aqui.
- Declaração de amor neste texto.
- É fácil falar sobre ti: és mesmo especial.

Por fim, uma questão pertinente: Já inseri este livro em inúmeras listas de prendas. De Natal, de aniversário, do dia da mãe, do dia comemorativo da unha do pé. Todas as listas possíveis e impossíveis. E, até à data, ainda não o tenho. Pessoas (mãe, namorado/marido, irmã), estão à espera de quê? Não vale fingir que não leram esta parte...

sexta-feira, 3 de junho de 2016

A brincar é que a gente (pequena) se entende #11 - Então e o dia da criança?

Saí de casa cedo com a minha mãe. Ela estacionou o carro perto do jardim. Meteu-me no carrinho para não me esgueirar. Pendurou o saco das fraldas e o saco dos baldes e das pás no meu carrinho. A minha mãe virou-se 2 segundos para fechar a porta do carro. Eu abanei o carro. Ele desceu o passeio. Meio salto mortal depois e estava com a testa na estrada. Eu a chorar. A minha mãe a hiperventilar. A minha mãe a tentar levantar o carro com os 500 quilos a mais que colocou em cima dele. Eu a chorar ainda mais. A minha mãe a tirar-me o cinto. A minha mãe a pegar-me ao colo e a acalmar-me. Eu com um galo na testa.

O jardim habitual cheio de gente. Os meus baloiços todos ocupados. Afinal existem aqui muitas crianças; só não vão ao parque tantas vezes como eu ou vão em horários diferentes. A minha mãe sempre com uma lupa a procurar vestígios de mim (do género, onde está o Wally). A minha avó a fazer o mesmo com a minha prima. Almoçar com os meus pais, avós e prima. Correr e limpar o chão do restaurante onde almoçamos, rastejando e gatinhando. Dormir a sesta na casa da avó com a minha prima. Acordar. "Piscinar" na piscina municipal que a minha avó comprou - desta vez exagerou mesmo; é preciso um dia inteiro para a encher com baldes; e para a despejar?; a opção foi a de enfiar duas piscinas mais pequenas lá dentro para chafurdarmos à vontade sem inundar a casa dos vizinhos. 

À noite, a minha prima ligou à minha mãe para fazer um resumo do dia e para lhe dizer que ficaram algumas coisas pendentes: saltar nos insufláveis e pintar a cara. Por mim, dispenso. Esperar em filas para me divertir? Esqueçam lá isso.

Foi um dia feliz, dormi a noite inteira sem chamar a minha mãe uma única vez. E assim começamos uma nova etapa... Pelo menos, a minha mãe pensa que sim.

Imagem retirada daqui

A piscina que a minha avó comprou é quase como esta. A "pequena" diferença é que ela não tem quintal, tem apenas um belo vão de escada sem janelas. Não, não é nada exagerada.

O ano passado foi assim.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Há dias...

...em que a única coisa que me apetece é conduzir estes dois. Num carro como este. Numa estrada como esta. Com uma paisagem como esta. Num mundo perfeito.

Imagem retirada do pinterest

Hoje é dia da criança. Não trabalho. É com eles que vou estar. Vamos brincar (mais do que o habitual). Será um bom dia. 
Há dias, e é triste escrevê-lo hoje, que tenho medo do mundo do qual fazemos parte. Tenho medo do que eles podem encontrar e do que o mundo (não) tem para lhes oferecer. Vou deixar de ler notícias, há dias em que sou esmagada por elas. 

Filho e sobrinha, pessoas pequeninas do meu coração, nada temam: vou à procura de casa para nós num outro planeta, está bem? Descobriram uns quantos recentemente que nos podem interessar. E valer. 

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Falar de ti

Queria subir ao cimo de uma árvore bem alta; uma que me fizesse chegar ao céu. 
Queria segredar ao ouvido dos que o habitam os meus desejos para ti. 
Queria dizer-lhes o quão maravilhosa és; descrever-lhes a menina especial que nasceu em ti no dia em que nasceste para o mundo. O mundo, depois desse dia, passou a ser um sítio melhor.
Queria explicar aos habitantes do mundo que não se podem retirar às crianças as oportunidades que lhes são devidas. E que tu és uma criança. 
Queria também dizer-lhes que agora é hora de fantasiar e brincar. A falsidade de outros, pesados em idade e em maus sentimentos, não te pode afetar. 
Queria dizer-lhes que o teu sorriso é a única arma que tens; serve apenas para travar desavenças. E é também o barómetro da tua felicidade. E da nossa, que te adoramos.
Queria pedir-lhes para olharem para ti, para olharem para esses teus olhos cheios de brilho, por vezes nublados por coisas que te são alheias, e que descrevessem a luz que carregas e a beleza que habita em ti. Se conseguirem, claro. Há coisas que são difíceis de passar para palavras. Mas podem ser sentidas. 
Queria que reconhecessem os momentos em que transformas o cinzento de um mau dia no amarelo de um dia feliz. 
Queria que reparassem como as cores do arco íris tatuam o teu percurso. O teu e o dos que caminham ao teu lado. 
Queria dizer-lhes que não é suposto existir outra hipótese senão a de seres verdadeiramente feliz.

Imagem retirada do pinterest

Mas, depois, penso que não é necessário dizer nada disto a ninguém. Tudo o que tu és é tão visível que só não vê quem não quer.
Não duvides, minha pequena gigante, que és amada pelos que devem amar-te verdadeiramente. Tu, com o teu jeito de ser, fazes com que isso aconteça naturalmente. 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

A brincar é que a gente (pequena) se entende #10 - Dias nossos

Na sexta feira, ao final da tarde, antes de uma saída a dois, foi dia de metermos uma banheira e um alguidar com água morna na varanda da avó. Estava um dia de verão. Ele e a prima a chapinhar e a "mergulhar". Ele sem fralda, ela de cuecas. Eles a brincar com a água, eu a limpar o chão com a esfregona. Depois, hora de banho a dois. A loucura. A avó chegou: enquanto uma limpa um, a outra termina o banho do outro. Dar-lhes o jantar. Dar-lhes um beijo. Sair para jantar... a medo.
Dormir a primeira noite sem a mãe. Dormir a primeira noite sem o filho. Várias mensagens enviadas à avó para saber se estava tudo bem. Jantar a dois. Cumplicidades. Pensar e falar nele várias vezes. Chegar a casa às 2 da manhã, adormecer às 3 e acordar às 6h30 (sentir a falta daquela "pessoinha" despertou-me a esta hora). Enviar nova mensagem à avó. Receber uma mensagem que nos informa que o miúdo estava acordado. Tomar o pequeno almoço rapidamente. Ir buscá-lo. Encontrá-lo bem. Receber um abraço. Ouvir "voltaste, mamã", mas sem o ar dramático habitual. Ouvir o meu bebé dizer que queria ficar na casa da avó. Respirar de alívio. Sair de casa da avó. Ir à estação ver os comboios de perto e ir ao parque às 9 da manhã. Adormecer às 11h e acordar às 14h. Almoçar tardiamente.
Há quase 1 ano tentámos a primeira noite sem ele, mas às 2 da manhã estava na casa da minha mãe para dormir com ele. Desta vez consegui, mas ainda não foi tranquilo. Vamos com calma.
Fim de semana caseiro e tranquilo. Com brincadeiras inventadas: salta a rolha - ele e o pai inventaram esta brincadeira. Gritam "salta a rolha"; atiram a rolha; andam à procura dela pela casa; chamam-me, orgulhosos, para assistir. Uma ida ao parque com o pai enquanto a mãe ficou a terminar as limpezas (para quando um sistema autónomo que nos limpe a casa?). O relato de uma perseguição aos dragões. Terminar o fim de semana com mergulhos na banheira, com a casa de banho cheia de água e um miúdo feliz da vida.
Para eles brincar é natural... E para nós, às vezes, também.

Imagem retirada daqui

Olá segunda feira: Cada semana que passa tornas-te mais difícil para mim. E eu nem tinha muita aversão à segunda feira...

quarta-feira, 23 de março de 2016

Ela

Ela é a minha sobrinha. 
Há duas semanas esteve doente. Durante o dia ficou em casa da minha mãe e num dos dias almocei com elas. Brincámos ao circo: ela com os pés em cima das minhas pernas a tentar equilibrar-se de acordo com as minhas instruções - só com um pé, sem te agarrares, etc. Cantámos e dançámos cantigas de roda da minha infância, que também são da dela. A nossa brincadeira durou 20 minutos, mais ou menos, mas saí de lá mais feliz do que ela (ou tão feliz como ela, vá). 
A semana passada, a minha mãe esteve doente, a mãe dela esteve doente, eu estive doente. A minha mãe mal conseguia pôr-se de pé, mas foi buscá-la à escola. Nesse dia, depois de almoço, a minha mãe pediu-lhe para ela ir dormir a sesta. Ela recusou, embirrou que não queria dormir. Eu pedi-lhe várias vezes para obedecer à avó. Ela continuou a recusar. Afastei-me e disse-lhe que estava chateada. Ela começou a chorar. Expliquei-lhe os motivos pelos quais estava chateada. Ela compreendeu e secou as lágrimas. Ela adormeceu comigo a fazer-lhe festas na cabeça. E eu também. Gosto tanto, tanto, dela; queria adormecer mais vezes ao lado dela. 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

E um Feliz Natal aconteceu...

Tal como desejei, dancei, cantei, brindei e sorri. Fui feliz e vi os outros felizes. Também chorei - sim, foi um choro de tristeza, infelizmente; estes choros, por vezes silenciosos, fazem-me ver as coisas de outra forma, alertam-me, trazem-me clareza, mas passam. E o Natal continuou e reinou. 
Nós - eu, ele e ela - fizemos pinturas no dia 24 de manhã; eu e ele lemos-lhe a história do Pai Natal, ela ainda não conhecia a "nossa história" deste Natal; cantamos e dançamos; almoçamos juntos nos dias 24 e 25.
Apareci na casa da minha irmã no dia 24 de manhã com uma carta do Pai Natal, endereçada aos dois e restante família, mas direcionada, objetivamente, a ela (ele quer lá saber desses pormenores); com o objetivo de justificar a retirada de todos os embrulhos que foram colocados debaixo da árvore de Natal da minha mãe (é suposto os presentes aparecerem no dia 24, entendido?). A carta dizia:

Deixei aqui, por engano, presentes de Natal que não são vossos. O papel de embrulho e o formato dos presentes são muito parecidos e eu, com tanto trabalho, enganei-me. No entanto, não se preocupem, eu e os Duendes já os viemos buscar e estamos a trabalhar muito para que possam receber os vossos presentes na noite de Natal. Deixaremos os presentes à vossa porta nessa noite. 
Desculpem a troca de presentes,
Beijinhos e abraços para todos.
O Pai Natal.

Ela mostrou a carta à mãe e ao tio, que a leram, novamente, em voz alta. Ficou comprovado que não fui eu que inventei aquelas palavras, estava escrito, o Pai Natal escreveu-lhe mesmo. Em resposta, eu e ela escrevemos uma carta ao Pai Natal a pedir que deixasse os presentes no dia 25, se pudesse, claro, uma vez que ela não estaria cá no dia 24 à noite.
O Pai Natal deixou presentes à porta da casa da avó na noite de 24 e na tarde do dia 25. Deixámos um prato com bolos para o Pai Natal no parapeito da janela da casa da avó. Bateram à porta e ouviu-se um Ho-Ho-Ho. Fizemos um grande alarido em torno disso e corremos todos em direção à rua. Vimos a cara de espanto dele no dia 24 e a dela no dia 25. Abrimos a porta. Encontrámos os presentes à porta, tal como o Pai Natal prometeu. Muitos! O Pai Natal e os Duendes comeram os bolos que deixámos no parapeito da janela. Na noite de 24 éramos 11 à mesa; no dia 25 éramos 6. Na noite de 24 a euforia foi dele; no dia 25, e apesar de ser com a luz do dia,  foi a vez dela. Os dois acreditaram que o Pai Natal passou por ali, que deixou presentes para todos, satisfazendo os desejos mais secretos de cada um.
Ele ficou encantado com o facto de o Pai Natal lhe ter devolvido o cavalo que tinha perdido; ele diz a toda a gente que o Pai Natal encontrou o seu cavalo que estava debaixo de um carro (ele perdeu-o na rua quando estava com a Ama e ela, possivelmente, deu-lhe esta justificação). Para além disso, ainda ganhou um outro cavalo que se tornou amigo do "primeiro"; agora, leva os dois para todo o lado; o primeiro é o Trovão, o amigo é o Kikas - este nome é um bocado desadequado a um cavalo preto e imponente, mas foi batizado assim.
No dia 25 de manhã, acordámos a querer prolongar a magia do Natal. Montámos uma tenda que lhe ofereceram na sala (não lhe entregámos todas os presentes ao mesmo tempo), com este livro embrulhado lá dentro e ao som da música de Natal que temos ouvido repetidamente nos últimos dias. Assim que chegou à sala, fixou o olhar na televisão, no vídeo da música que lhe é familiar, à espera que o boneco do Pai Natal aparecesse a dizer adeus. Só depois é que viu a tenda. Adorou, mas o primeiro impacto não foi o que estávamos à espera - toma lá que é para não serem parvos, o miúdo valoriza o que ele quer, não o que vocês querem. No dia 25, já com a prima, foi a vez de desembrulhar a guitarra que lhe comprámos. Ela recebeu um microfone. Temo que formem uma banda e que me obriguem a tocar pandeireta... Assim de repente, não encontro vocação na minha pessoa para tocar mais nada (sem ofensa às pessoas que tocam pandeireta; parece-me mais fácil do que tocar guitarra ou cantar; talvez até nem seja...).
Ela, quando viu a quantidade de prendas à porta de casa da avó ficou eufórica, recebeu muitos presentes. Um deles, foi o que ela pediu ao Pai Natal na escola.  Eu vi o brilho dos seus grandes olhos. Fiquei feliz por lhe termos proporcionado isto. Os últimos dias para ela não foram fáceis, mas naquele instante, estava tudo bem. Está tudo bem e vai ficar tudo ainda melhor. O Pai Natal existe. Mesmo.
Os dois receberam trotinetes e a tarde do dia 25 foi passada na rua, com manobras de diversão (e tentativas de manobras, no caso dele); com plateia a assistir (eu e a minha irmã; o pai, o tio e o avô dele) e com palmas de incentivo.
É isto meus amores, queremos aplaudir-vos, quer seja pelo que conseguem alcançar facilmente, quer seja pelas tentativas que falham. Foi um Feliz Natal, não há dúvidas que foi, principalmente porque vocês existem e dão um significado muito especial a esta comemoração. 

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Dois presentes, com 2 e 5 anos respetivamente, embrulhados em bolas de sabão

Já passou 1 mês, mas tenho de escrever sobre a festa de aniversários dos meus amores pequeninos.
No dia 27 de Setembro comemorámos o aniversário do meu filho e o da minha sobrinha. Em Setembro, ele fez dois anos, ela cinco. Decidimos fazer uma festa para os dois porque, em conjunto, foi possível realizar uma festa à medida dos nossos sonhos. Alugámos um espaço num colégio porque nos pareceu adequado para as crianças, afinal a festa é para elas. Um espaço ao ar livre com relva, escorregas e brinquedos diversos, nomeadamente, bicicletas, bolas e cozinhas. Se chovesse tínhamos uma sala grande à disposição, mas não choveu.
Iniciámos um mealheiro há um ano atrás e foi assim que pagámos o aluguer do espaço. Já iniciámos o do próximo ano. Parecendo que não, ajuda muito.
Os temas foram definidos: A Violeta (foi ela que escolheu) e os Piratas (a mãe dele, eu portanto, é que escolheu). Comprámos elementos decorativos com pormenores a condizer com os temas. Fizemos duas grandes mesas, cada uma com o seu tema. Comprámos salgados caseiros, nós e familiares fizemos os doces (eu, que sou a "rainha" da cozinha, fui incumbida de fazer a gelatina... como sabem, é muito difícil fazer gelatina, requer talento e paciência, é um trabalho complexo, daí terem delegado esta responsabilidade na minha pessoa), comprámos bebidas e alguns doces, fizemos sandes de queijo/fiambre/tomate cherry, cortámos frutas. Eu e o pai do Índio Pirata fizemos um barco de Pirata no qual colocámos as frutas. Eu idealizei a coisa - leia-se pesquisei na Internet - o pai executou. Alguém tem de ser o cérebro da operação, certo?  
Os dois aniversariantes foram as primeiras crianças a chegar à festa, estavam felizes da vida. Ele porque viu naquele espaço a hipótese de correr, brincar e explorar. Ela porque sentiu orgulho em poder receber os amigos naquele espaço. E pela brincadeira que o mesmo proporcionou, claro. 
As crianças correram e brincaram. Os adultos conversaram e, sem saírem do sítio de conversa, observavam os pequenos, já que o espaço, apesar de amplo, permita o contacto visual com toda a gente. Foi muito bom. Uns sentados em cadeiras, outros na relva. Uns de copo na mão, outros de rissol na boca. Outros de rabo para o ar a levantar o bebé que caiu. Miúdos a correr, miúdos a andar de bicicleta, miúdos a lutar pelos brinquedos da cozinha, miúdos a descer o escorrega, miúdos a brincar aos detetives, miúdos de espada na mão e de bola no pé, miúdos a fazer birras. Enfim, o normal. Brincadeiras livres, sem animação programada, brincadeiras à medida de cada um, já que cada um brincou como quis. Entre grandes e pequenos eram quase 100 pessoas. Foram 3/4 horas de festa pura.
O momento alto foi o de cantar os Parabéns. Antes da cantoria propriamente dita, oferecemos bolas de sabão e gaitas de papel (não sei como é que aquilo se chama) às crianças. Passados poucos minutos, tínhamos uma paisagem de bolas de sabão iluminada por um candeeiro de sol; bolas grandes, bolas pequenas, umas  lá em cima, outras pela altura dos nossos joelhos, uma bela paisagem. Segundos depois, tínhamos uma banda filarmónica desafinada a apitar, com ritmos e tons diferentes, imperfeitos e desafinados, dirigida pelos aspirantes a músicos. O brilho nos olhos e a euforia das crianças valeu a pena, valeu pelo esforço de procurar o presente ideal para oferecer aos convidados (na verdade, eu sabia o que queria, são coisas comuns em festas de crianças, mas tinha de encontrar coisas à medida do orçamento que tinha definido). Eu, que dias antes me perguntava por que raio, agora, se oferecem prendas aos convidados, rendi-me. Decidi que não daria doces a ninguém e foi o melhor que fiz. A minha querida irmã alinhou nos doces e, depois, andou a pedinchar gaitas. Gaita da miúda, eu bem que a avisei.
Depois, duas mesas pequenas no meio da relva, cada uma com um bolo (diferentes por fora, iguais por dentro). O cantar os parabéns duas vezes, a dois amores, pela comemoração do nascimento de cada um. Nasceram-nos dois presentes há 2 e 5 anos, respetivamente. Dia 27 de Setembro de 2015 comemoraram juntos, embrulhados em bolas de sabão, os seus aniversários. E nós fomos ainda mais felizes, porque, com estas pequenas grandes experiências/vivências, esperamos que eles construam boas memórias.
Parabéns meus amores! Marcamos encontro na festa do próximo ano que, se for em conjunto, será em Outubro.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

À conversa com a minha sobrinha #2 - A perseguição da lua

A minha sobrinha, que tem sempre questões muito pertinentes e conclusões inteligentes, colocou a seguinte questão à mãe:
- Mãe, a lua anda atrás de todas as pessoas ou só anda atrás de mim porque eu sou gira?

O segundo nome da miúda é Modesta. Assenta-lhe mesmo bem!

Selena, a menina que se indignou com a lua

Era uma vez uma menina chamada Selena, vivia no Palácio Encantado da Infância, no Vale da Fantasia. Tinha "super poderes", mas, por vezes, não sabia como usá-los.
Selena era uma menina feliz, fazia amigos com muita facilidade e nunca se cansava de brincar. Há muito, muito tempo, frequentara um Jardim Encantado da Infância no qual deixara saudades, no qual a chamavam de menina castiça. Na Era atual, frequentava um Jardim Encantado da Infância maior, um Jardim que tinha mais crianças, mais salas e muitos espaços para brincadeiras, que requeria maior capacidade de adaptação. Ainda assim, ela não se intimidava com a grandeza daquele espaço, pois sabia que seria feliz em qualquer lugar e que faria os amigos que quisesse, afinal, tinha "super poderes". Havia, no entanto, uma coisa que ela ainda não compreendera, mesmo com os seus poderes: existia uma bola brilhante que teimava em dormir no teto do seu Palácio, com a qual ela não conseguia conversar nem brincar.
Depois dos dias preenchidos com brincadeiras e amigos, a pequena Selena regressava ao seu Palácio e lá encontrava aquela pequena bola brilhante instalada no teto da sua casa, quer fosse no seu quarto, na sala ou na cozinha, lá estava ela. Ela vivia indignada com aquilo, não sabia se aquela bola também aparecia aos seus amigos. Durante o dia, no Jardim Encantado da Infância, ela nunca a via, no entanto, à noite, quando regressava a casa, lá estava ela. O teto do seu Palácio era transparente e era frequente ver, para além daquela bola, as estrelas.
Numa bela noite, em que a bola lhe apareceu maior do que o costume e ainda mais brilhante, Selena decidiu sair do Palácio às escondidas da sua mãe. Uniu vários lençóis com nós bem apertados e desceu pela parede rugosa do Palácio Encantado, deslizando pela corda elaborada manualmente. Assim que colocou os pés no chão, correu pelas ruelas do Vale da Fantasia. De quando em vez, olhava para cima e lá estava a bola brilhante por cima da sua cabeça. Ela tentava fintar a bola brilhante mudando de direção rapidamente, escondendo-se atrás de um prédio e aparecendo à frente de um outro, metendo-se debaixo da mesa de madeira do Café Feitiço, espreitando pelos espaços entre as ripas de madeira, mas lá estava ela sempre à espreita. Correu a noite inteira e constatou que aquela bola a seguia para todo o lado. Quando chegou à porta do Palácio estava tão cansada que não conseguiu trepar a parede através da corda de lençóis e começou a chorar. O que iria pensar a sua mãe quando a fosse acordar e não a visse na cama? O que lhe iria dizer quando soubesse que ela tinha saído de casa às escondidas? Será que nunca mais iria confiar nela?
Foi então que a Bola Brilhante se apresentou: Olá Selena, eu sou a Lua. Não tenhas medo, eu ando sempre atrás de ti para te proteger, porque fui incumbida dessa missão há muitos anos atrás. Tu não sabes, mas Selena significa "Deusa da Lua". É o que tu és, por isso eu protejo-te. A Lua transformou-se em vírgula, desceu até à altura de Selena em formato de baloiço e transportou-a até ao seu quarto. A mãe de Selena, a rainha Ela, nunca descobriu que Selena não dormira em casa naquela noite. A Lua passou a conversar mais vezes com Selena, passou a ser a sua confidente. E Selena, sempre que precisava, sempre que estava triste, esperava pela noite para falar com a sua protetora.
A Lua explicou-lhe ainda que, de vez em quando, ganhava a forma de uma vírgula para que os pontos finais que aparentavam aparecer na sua vida não fossem definitivos. Assim, Selena poderia alterar a sua história, o importante era que fosse feliz. E assim foi, o livro que relata a história da vida de Selena tem muitas páginas, foi escrito a tinta dourada, com pontuação adequada, com ilustrações sublimes e com um final feliz.

Esta história é dedicada à minha querida sobrinha que faz 5 anos hoje: uma mão cheia de alegria, de felicidade plena e de amor. Aqui estão as conversas que originaram esta história.

Minha pequena Selena, não te lembrarás dos presentes que vais recebendo ao longo da vida, mas isso não é importante. Na verdade, o que eu gostava que recordasses, ao ler esta história inventada/adaptada, são as experiências que nos proporcionaste com a tua maneira de ser, o quanto nos fizeste sonhar e sorrir com as tuas questões e dúvidas. O que eu gostava que recordasses é a infância que tiveste e a criança que foste - espero que ainda sejas um pouco dessa criança quando leres isto.
Parabéns minha pequenina, não tenhas pressa em crescer e lembra-te que todos nós, cada um à sua maneira, seremos a lua que, de vez em quando, se transforma em vírgula. A vírgula que substitui algum ponto final que te faça sofrer. Parabéns e um grande beijo desta tua tia que te adora.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Isto de ser tia tem destas coisas (maravilhosas). Eu sou tua tia, logo existo!

Hoje fui almoçar contigo a casa da avó. Recordei o tempo em que te esperávamos. Recordei o dia do teu nascimento. Verbalizei o quanto já te amávamos enquanto te esperávamos. Disse que te adoro. Dei-te colo, fiz-te festas e beijei-te o rosto. Reafirmei o bem que te desejo. E agora escrevo-o aqui, para que não te lembres de esquecer o que sempre senti por ti.  
No dia (muito longínquo) em que eu deixar de andar por cá, para o caso de a memória me falhar ou se eu deixar de conseguir verbalizar, está aqui escrito, minha sobrinha, que tu és o meu amor. Fui tia antes de ser mãe, passados 3 anos nasceu-me um filho e eu passei a ter 2 amores no estado puro: tu e ele. Sinto-me uma privilegiada por isso. O meu colo tornou-se elástico porque se adapta ao tamanho de cada um de vocês. O meu coração tornou-se elástico porque tem capacidade ilimitada para albergar este tipo de amor (venham mais filhos e mais sobrinhos, estou pronta :)).
Hoje perguntaste-me quando é que eu ia deixar de trabalhar, como que a perguntar-me quando é que vou ter mais tempo livre. Hoje disseste-me que querias ser minha filha, que querias ter 3 mães: a mãe que te fez nascer, a grande mãe que é a avó e eu. Estou aqui a transbordar de alegria por ser digna desse desejo.
Isto de ser tia tem destas coisas (maravilhosas). Eu sou tua tia, logo existo!

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

À conversa com a minha sobrinha #1 - Acerca do verbo concordar

Num dos passeios que fizemos durante as férias, a minha sobrinha perguntou porque é que as tias, as avós e os primos são mais simpáticos do que as mães. Assim, de repente, ocorreu-me explicar-lhe de forma muito simples e redutora um dos papéis que cada um tem na sua vida. 
Eu: A tia, a avó e o primo, tal como a tua mãe, adoram-te, mas não estão sempre contigo. Têm saudades tuas e quando estão contigo aproveitam para brincar e para te mimar, não perdem tempo a ralhar contigo. A mãe está sempre contigo e tem a preocupação de te ensinar o que é certo e o que é errado (de forma mais sistematizada, porque nós, os outros adultos, também a ensinamos), tem de te ensinar a fazer determinadas coisas. Tem de ralhar contigo sempre que fazes ou dizes alguma coisa que não é correta. Aborrece-te mais vezes por estes motivos, por isso nem sempre é tão simpática.
Concordas com isto?
Ela: Sim.
Silêncio.
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Eu (em pensamento): Resultou, sou mesmo boa nisto. 
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Ela: Tia, o que é que quer dizer concordar?
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Desisto...