segunda-feira, 25 de julho de 2016

Então, o que é que achas que o miúdo será quando for grande? Calceteiro, mecânico, jardineiro ou tocador de maracas e/ou tambor...

A minha mãe repete as histórias da nossa infância como se fosse a primeira vez que as contasse. Nós fazemos um ar de espanto (mais de gozo) como se fosse a primeira vez que as ouvíssemos. Ela sorri e ignora-nos, continua a debitar relatos como se os mesmos tivessem acabado de acontecer. Julgo que isto é uma coisa das mães em geral e não da minha em particular. Mas eis que no outro dia apresentou-me uma característica, de que nunca tinha falado, da criança que fui. Contou-me que em criança era uma miúda muito atenta aos pormenores, que parava para observar as pedras da rua, que as apanhava, que perdia tempo com "coisas pequenas", como as folhas no chão, as flores, etc. Isto só me chamou a atenção porque o miúdo pequeno cá de casa para para observar tudo: para mexer na folha ou na casca da árvore que está no chão, nas pedras soltas da calçada, na areia que está ao canto dos prédios, nas caixas de correio dos prédios vizinhos e por aí adiante. Costumo dizer que um dia destes aparece-me com um cocó seco de cão na mão... Ou de outro animal qualquer.
Um dia destes andava a cirandar aqui pelas redondezas e reparou que o passeio está estragado: há pequenas extensões de passeio que não têm as pedras colocadas nos devidos sítios (buracos, portanto); outras estão fora do puzzle, encostadas à parede dos prédios. Aquilo esteticamente não lhe pareceu bem e o seu trabalho foi transportar pedras com uma pá de praia de um lado para o outro para tapar os buracos. Primeira percepção acerca do que ele quer ser quando for grande: calceteiro.
A segunda percepção é de que o miúdo pode vir a ser mecânico: Porque gosta muito de ferramentas, parafusos, carros, garagens e afins; porque tenta desmanchar tudo o que apanha; e porque tem a mania que pode e sabe arranjar tudo.
Jardineiro também é uma hipótese, na medida em que ele adora andar de regador na mão e, sempre que possível, mangueira.
Por fim, e sinal de que nem tudo está perdido (brincadeira, seja lá o que ele for, nada está perdido; ele será o que ele quiser; já falei disso aqui), um dia destes disse-nos que tinha uma banda: ele, o Bitá, o Tomás e um outro (não me lembro o nome). O Tomás e o Bitá tocam bateria, o outro toca guitarra. Perguntei-lhe o que é que ele toca, ele respondeu: Maracas. E pronto, também há a hipótese de o meu filho vir a ser tocador de maracas. A banda chama-se Batuta. Se quiserem comprar bilhetes, já estão à venda, mas atenção, 3 dos 4 elementos da banda são imaginários. Um dos requisitos para assistir ao espetáculo é ter uma elevada capacidade de fantasiar - não é para todos.
Ele continuou a insistir nisto da banda, mas houve alterações: agora toca tambor. Ufa, não é por nada, mas um tambor sempre é um tambor (sem ofensa às maracas).

Imagem retirada daqui

Não consigo encontrar um destes. Assim sendo, sai uma panela e uma colher de pau. Haja imaginação (por acaso, já usámos a colher de pau e um banco de madeira para simular uma bateria).
A propósito da última hipótese, seria interessante pôr uma música a tocar, colocar instrumentos à disposição das crianças e pedir para irem trocando de instrumento de acordo com a instrução (dada pelo adulto). Quem diz instrumentos, diz objetos que os possam substituir. O importante é pôr os miúdos a explorar instrumentos e sons, a fazer barulho e a gastar energia (vizinhos, desculpem). 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

For Éder. Para o Cristiano Ronaldo que saiu lesionado. Para todos os que desejaram e/ou acreditaram

Filho, somos campeões: ganhámos um Europeu pela primeira vez. Um dia saberás como foi, como aconteceu, quem foram os protagonistas, a ansiedade que sentimos em uníssono, como nos unimos em prol do futebol, os gritos de injustiça, de alívio e de alegria. Saberás como foi a vitória, como nos abraçámos todos no final. Estiveste connosco no quintal do padrinho, correste, também pontapeaste a bola, brincaste, divertiste-te. A lua ligou-se para iluminar a noite - isto a propósito de olhares para a lua e dizeres: mãe, a lua está ligada... Como se existisse um interruptor que pudéssemos ligar em ocasiões especiais.
Desconfiei do desfecho do Europeu durante uma conversa que tivemos; uma conversa inocente, claro, tu percebes lá alguma coisa disto, que me levou a acreditar que podia ser; aquelas sensações que nos fazem acreditar, mas que são isso mesmo: sensações (ou apenas uma grande vontade de ganhar). Acontece a muita gente, aconteceu-me também.  

Parabéns! For Éder! Para Éder que marcou o golo, para o Cristiano Ronaldo que saiu lesionado, para o Rui Patrício que defendeu muito, para o Pepe que foi o homem do jogo, para o Nani que fez a vez do Cristiano como capitão da equipa, para o Renato Sanches que é o mais novo de sempre a ganhar um Europeu (chamo-lhe bebé, porque tem apenas 18 anos), para o Ricardo Quaresma que meteu a cabeça do adversário, que magoou o Cristiano, debaixo do braço, para o Fernando Santos que sempre acreditou... Para todos os outros (os que jogaram, os que não jogaram, os que apoiaram - vou tentar escrever aqui o nome de todos os jogadores para um dia recordar).
Para o país organizador que, ao contrário do esperado, não iluminou a torre eiffel com as cores da bandeira portuguesa, votos de uma feliz aprendizagem disso que é perder; nós também já perdemos.

Uma mensagem importante para ti, filho: mesmo que sejas pequenino em tamanho, lembra-te que podes ser grande em sentimentos.
https://pt-pt.facebook.com/euronews/videos/vb.101402598109/10154020856458110/?type=2&theater

Somos campeões!

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Quero Ver (ou já vi): Educação Proíbida

Um documentário que apresenta a problemática da escola atual com testemunhos de Educadores/Professores/Pedagogos que defendem metodologias de ensino alternativas.
Faz uma retrospetiva histórica e lança questões que não têm apenas uma resposta: Como melhoramos a educação? Que erros cometemos? Como continuar a aprender? Até que ponto a ideia de escola ideal ajuda o desenvolvimento individual e colectivo? Existem, efetivamente, escolas pensadas para melhorar a qualidade de vida das comunidades? Quem é que fracassa, os alunos ou a escola?
"Este filme faz parte de um processo que, possivelmente, não tem fim": não nos dá uma resposta pronta, mas potencia a nossa reflexão, a nossa análise crítica; permite-nos testemunhar diferentes experiências; põe em causa a utilidade da escola como ela é na maioria das vezes.


Um professor que sugere aos alunos que façam o balanço dos anos que passaram na escola. Respostas que me inquietam:
- Muito pouco do tempo que se passa na escola é realmente importante.
- Ensinam-nos a estar distantes uns dos outros e a competir.
- Pais e professores não nos ouvem.
- Chega.
- A educação está proibida!

Uma pergunta que ouvi muito nos meus tempos de escola: Mas não queres ser alguém na vida!?
Uma resposta dada por uma aluna neste documentário: Mas eu já sou alguém na vida! 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Olá Julho de 2016

Olá mês de Julho. Serás um mês de decisões importantes e, por este andar, de mudanças igualmente importantes. Vamos ver como corres. Independentemente do que sejas, que sejas um mês com muita praia. 

Imagem retirada daqui

Adeus meu querido mês de Junho de 2016 e 1000 dias de vida

Junho, gostei de te ver. Gosto sempre.

Ela no festival de demonstração da escola de natação: a euforia de ver o primo na plateia (fazia qualquer coisa e olhava para nós com um sorriso de orelha a orelha para nos mostrar o que aprendeu).
Ela na festa de final de ano do Jardim de Infância (JI): a desilusão no final por não ver o primo na plateia (pedi 1 hora e meia no trabalho para assistir à festa, não consegui ir buscá-lo para assistir). Queria muito estar presente nesta festa: terminou o JI; a minha canuca vai para o 1º ano. Queria vê-la feliz e apoiada. Chorei que me fartei; a avó também; o coração da mãe dela também. Dizem que somos parecidas e eu choro porque não quero que os excertos tristes da minha vida se repitam na dela; por vezes, por analogia, disparatada talvez, comparo o caminho dela com meu e desejo com toda a força do mundo que a vida a livre das dificuldades que senti.
Jogos do Europeu em quintais de amigos, com comes e bebes, com muitos nervos à mistura. Um deles com banho de mangueira. 
Aniversário da minha mãe. Idas à praia e passeios. Festa da nossa terra. Uma noite de festa só para nós, sem o Índio Pirata. Muitas voltas no carrossel - as primeiras.
Muito trabalho e pouca motivação.

Por fim, tu Junho de 2016 foste o mês em que o meu filho completou 1000 dias de vida: foi no dia 23. Sou mãe há mais de 1000 dias.
Adeus Junho. Adeus 1º semestre. Venha daí um grande 2º semestre.
Adeus e até para o ano.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

À conversa comigo mesma: mixórdia de ideias acerca de "escola privada vs escola pública"

És pela escola pública ou pela escola privada?
- Sou pela escola com qualidade. Acessível a todos.

Isso é vago.
- Defendo uma escola pública diferente da de hoje.

Mas existem escolas públicas que são melhores do que algumas privadas?
- Existem. E o contrário também é válido. Acho que a preocupação deve ser a melhoria contínua da escola pública: definir que aspetos podemos melhorar a curto e a longo prazo, definir etapas, arregaçar as mangas e deitar mãos à obra.

Então, atualmente, pode dizer-se que és pela escola privada?
- Sou pela qualidade que algumas escolas privadas disponibilizam. Algumas públicas também, no entanto são mais difíceis de encontrar.
Pessoalmente falando, por um lado, sinto dificuldades em encontrar a escola pública que idealizei, não a perfeita, mas uma que se aproxime da que idealizei; por outro, as escolas privadas que encontro têm mensalidades elevadas para mim. Encontrei uma que, talvez, esteja ali a meio do caminho.
Realço ainda que, independentemente de me identificar com algum Jardim de Infância público da minha área de residência (e tenho a sorte de me identificar com, pelo menos, 2; não me identifico com tudo, mas...), o facto de a maioria só garantir vaga aos 5 anos (no próximo ano letivo julgo que crianças com 4 anos já terão vagas) obriga-me a escolher um privado para o meu filho, que faz 3 anos no final de Setembro. Ou a esperar. Neste momento, para nós, esperar não é alternativa.

Julgo que querem garantir vagas no Ensino Público a partir dos 3 anos?
- Também ouvi dizer. E já se prepararam para isso? Aceitam crianças que usem fraldas aos três anos? E chucha? E que durmam a sesta? Estas questões são colocadas na ficha de inscrição/candidatura/matrícula? Se são, qual é o objetivo? Excluir alunos ou adaptar o espaço aos alunos que vão receber?

Pois, não sei.
- Nem eu.

Aquilo que tu consideras qualidade no ensino pode não o ser para outros? Concordas?
- Concordo. O que é qualidade para mim e para a minha família, para a nossa forma de estar na vida, para os nossos objetivos, para os valores que defendemos, não o será para outros. Isto da qualidade acaba, inevitavelmente, por ser subjetivo. Ainda há dias uma pessoa amiga me falava de um Jardim de Infância que tinha sido frequentado por alunos que tiveram notas muito acima da média. Para mim, é muito rígido, não me identifico com o método que praticam - lá está, o que é bom para mim não é bom para os outros e vice-versa.
No entanto, considero que temos de olhar para a maioria dos modelos de escola que temos e analisar, criticamente, os resultados: existem estudos que apoiam metodologias ditas alternativas; existem escolas com metodologias alternativas com bons resultados e dinâmicas mais interessantes para os alunos; existem educadores/professores que acreditam nas "novas metodologias", mas têm medo da mudança; existem alternativas ao aluno assimilador de conteúdos debitados por um "superior hierárquico".
Tendencialmente a criança deve ter um papel ativo no seu processo de aprendizagem, deve contribuir para a construção do seu conhecimento, deve atribuir significado ao que aprende. As diferenças entre as crianças devem ser respeitadas: as diferenças devem ser motores e não travões do desenvolvimento. O professor deve ser um mediador, um guia, um orientador e não um mero transmissor (isto também deve ser frustrante para o professor).
Seria interessante que localmente/regionalmente existissem apresentações periódicas das escolas públicas que cada local/região dispõe: quais os métodos pedagógicos que defendem, qual a forma de funcionamento e organização, quais são as suas prioridades, os valores que defendem, as formas de relacionamento com as famílias, o que esperam dos pais/cuidadores, como é organizado o dia a dia dentro de cada sala e da escola, etc. Quando procuramos uma escola privada, temos acesso a informação que nos é barrada na escola pública. Isso incomoda-me. Conheço muita gente que inscreveu os filhos na escola pública sem sequer a conhecer.

Logisticamente é difícil organizar essas apresentações de que falas.
- Nem que seja uma página de facebook criada e gerida por cada escola. Vou mais longe, cada professor devia efetuar a sua própria apresentação. Se na escola mais próxima da minha casa existir uma professora que trabalha de acordo com o método de ensino tradicional/transmissivo e uma que trabalha com base no Movimento da Escola Moderna (MEM), porque é que não posso ter acesso a essa informação atempadamente (antes de o inscrever) e optar?

E se todos quiserem a mesma professora que tu?
- Se todos quiserem a mesma professora (o mesmo método), a escola tem o dever de se adaptar. Ou não? Os professores aceitam aprender/investigar/conhecer o novo método eleito pela maioria, com apoios adequados às suas dificuldades.
A escola não é uma organização estática, ocorrem mudanças todos os dias: num dia temos apenas alunos portugueses numa determinada turma, no outro estamos a receber refugiados, na semana seguinte uma criança com uma necessidade específica e por aí adiante. O que é que fazemos perante este cenário? Mantemos tudo igual? Talvez fosse um passo para uma escola mais democrática.

Achas que um professor com 50 anos de idade deve adaptar-se às novas metodologias?
- Não são novas, "nós" é que andamos a ignorá-las há décadas. E não há tantos professores mais velhos que se adaptaram às novas tecnologias?
O professor de 50 anos se não tiver capacidade para se adaptar ao novo modelo (cá está, todos temos as nossas limitações), pode ser um óptimo contador de histórias, pode ajudar na resolução de alguns problemas de matemática, pode organizar, com os alunos, a biblioteca, pode ir com eles para a rua... E, muito importante, pode aprender muito.
Imaginemos 2 turmas do 1º ciclo do Ensino Básico, cada uma com o seu professor titular: o professor da turma A adora realizar atividades ao ar livre e tem um gosto especial pela atividade física; o professor da turma B tem um jeito (quase) inato para as artes plásticas e a sua área preferida é a Língua Portuguesa. Deixamos cada um destes professores com a sua própria turma, transmitindo aos alunos o que mais gosta e dando menos ênfase à área que menos lhe agrada? Ou sugere-se à professora da turma A que oriente uma atividade ao ar livre para as duas turmas e à professora da turma B que oriente uma aula de Expressão Plástica? Ao optar por esta hipótese, alunos e professores ficam a ganhar: os alunos têm oportunidade de experimentar o melhor de cada professor; cada professor tem oportunidade de experimentar áreas em que não se sente tão à vontade.
Julgo que as escolas, desde que apoiadas, aceitariam mudar para práticas mais democráticas, mais justas e mais agradáveis para todos.

Continuo com dúvidas relativamente ao facto de defenderes a escola pública.
- Não defendo a escola pública como ela é atualmente na maioria dos casos. Defendo que precisamos de uma grande mudança. Sou pelo ensino com qualidade e oportunidade para todos. Sou pela igualdade, pela inclusão, pelo respeito.
Achas que, defendendo a igualdade de direitos, me agrada que só alguns tenham acesso a um ensino de qualidade, pagando?
Achas que podemos ir todos na cantiga de que, quer se opte pela privada ou pela pública, ter bons professores é uma questão de sorte? Na privada, no extremo, não estando satisfeita, solicito mudança de turma ou mudo de escola - é necessário bom senso nestas decisões, claro.
Não é suposto que isto seja um jogo - uns perdem outros ganham - ou é?
É mais fácil definir/alterar/controlar práticas no público ou no privado? E porquê?
Se encontrar uma escola pública com um Método Pedagógico que me agrade, achas que vou optar por uma privada? Mesmo que queira, o mais provável é não conseguir suportar financeiramente a frequência numa escola privada. Uma coisa é defender "metodologias alternativas" e priorizar coisas que muitos não priorizam, outra, totalmente diferente, é achar que o que tanto procuro só deve existir no ensino privado, acessível a poucos. Sei que o encontro mais facilmente no privado, mas o que eu desejo mesmo é encontrá-lo no público. 

Então, defendes a escola pública?
- Defendo e desejo que a escola pública mude rapidamente. Quero o meu filho numa escola pública.

Ensinar não é uma receita, com ingredientes e quantidades específicos e insubstituíveis. Para o mesmo prato (assunto) a quantidade e variedade dos ingredientes pode mudar consoante o destinatário (alunos). O ensino deve ser adaptado às preferências, aptidões e necessidades de cada um. 
Imagem retirada daqui



Isto é apenas uma mixórdia de ideias minhas; é um debate de ideias comigo mesma.