segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Reflexões profundas (ou não) #25 - Os donos de tudo ou irritações de segunda feira

Os donos de tudo: os donos da razão; os donos das melhores teorias; os donos das melhores filosofias de vida; os donos das melhores práticas. Esmiuçamos esta aparente categoria de ser dono de tudo e descobrimos que é apenas para camuflar o facto de ser dono de nada. 

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O poder das imagens: Os pais dos 3 Porquinhos...

O meu filho adora a história de "Os 3 Porquinhos". Todas as noites a mesma história. Às vezes, não sei se é a casa de tijolo que voa, se é o lobo mau que voa ou se é o próprio miúdo que voa com tanto sopro. Há dias em que adormeço e acabo coma história logo na construção da casa de palha. Há noites em que o porquinho que constrói a casa de tijolo é preguiçoso e os outros muito responsáveis e trabalhadores. Baralho-me. Penso que os três porquinhos precisam de férias. E eu também.  Já procurei um livro que relate a história de acordo com o que eu recordo dela. Já encontrei dezenas de versões: ora é o lobo que mete os porquinhos no saco porque os quer comer (isto é assustador, não!?); ora são os porquinhos que partem à procura de fortuna e "cravam" palha, madeira e tijolos a 3 senhores que encontram pelo caminho (capitalismo?); ora é a mãe que diz aos porquinhos que está na hora de irem à procura de casa (fiquei chocada com esta versão, é uma história típica deste século em que muitos "miúdos" vivem com os pais quase até aos 40 anos). Nenhuma história me agrada; nenhuma destas é a história da criança que há em mim.
Procuro, desesperadamente, a história verdadeira de "Os 3 porquinhos", pelo menos para mim: o lobo quer destruir a casa dos porquinhos porque é malandro, no final aprende uma grande lição; os porquinhos que não quiseram trabalhar e construíram as suas casas sem brio e sem cuidado também; no final fica tudo bem. Não há cá lobos a comer Porquinhos nem Capuchinhos Vermelhos - se bem que neste caso, na história que tantas vezes ouvi, o lobo acaba de barriga aberta para a avó do Capuchinho Vermelho saltar cá para fora; lamento, nesta situação não é a versão que me é familiar que conto ao miúdo. Chamem-me incoerente. Talvez um dia...
O pai descobriu um vídeo que coincide com a história que me é familiar. Já o vimos centenas de vezes. E foi neste vídeo, uma animação para crianças, que descobri a seguinte imagem (minuto 8:05). Observem com tento as clássicas molduras que o porquinho mais velho tem na parede da sua casa. A mãe é retratada deitada, amamentando os porquinhos bebés. Já o pai...


O que é que passou pela cabeça de quem fez esta animação? A sorte é que o miúdo não sabe Inglês (na verdade ele não sabe ler, nem em Inglês nem em Português). Então, o pai dos porquinhos virou chouriço!? É esta a imagem que os porquinhos têm do pai? Não tenho palavras para isto. O lobo mau querer destruir a casa dos porquinhos, comparado com isto, não é nada.
Andamos a reclamar a igualdade de direitos, acho muito bem que o façamos (sou pela igualdade, não apenas de géneros). Perdemos demasiado tempo com a discussão em torno da denominação que damos a determinados cartões (para mim é exagero). E sobre isto "ninguém" fala. Fico chateada, claro que fico chateada.

Na Unidade Curricular que ficou por fazer, aquela em que reuni uma única vez com a professora, fiquei a saber que um dos conteúdos foi precisamente a análise de imagens: a influência que estas podem ter (na infância e não só); como são utilizadas na publicidade; como são utilizadas nos manuais escolares; nas mensagens explícitas e implícitas que transmitem; como podem ser manipuladoras. É um tema muito, muito interessante. Eu, que sou das pessoas mais despistadas que conheço, vou esforçar-me para ficar mais atenta a determinadas imagens. Não vou censurar tudo o que vejo (o miúdo vai ver e fazer muita coisa que não controlarei, já sei), mas quero ser mais atenta e mais crítica relativamente ao que vejo/ao que leio. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Pessoas que me inspiram #4 - Avaliar o progresso de cada criança ou avaliá-la de acordo com o Estádio de desenvolvimento?

Um professor eloquente, expressivo e sem medo de exprimir as suas opiniões.
Um professor que verbalizou que as crianças com a idade do meu filho, aproximadamente, não têm intenção de provocar. Discordei e confesso que tive vontade de lhe entregar a minha cria durante uns tempos para ele descrever e designar determinados comportamentos que a mini pessoa que habita lá em casa apresenta com toda a sua graça. Diz que é só para chamar a minha atenção...
Um professor que diz, sem rodeio nem delicadeza, que a Intervenção Precoce é uma coisa bizarra. Tocou numa área que me é querida; confesso que tive vontade de o mandar calar. Ele não foi muito claro, mas mais tarde percebi o que ele queria dizer: a (des)organização da Intervenção Precoce e a forma como (não) opera em Portugal é que é algo bizarro. Hoje, compreendo-o.
Um professor que questiona a importância e utilidade de sabermos os estádios do desenvolvimento cognitivo de Piaget. Depois de colocada a questão seguiu-se um silêncio. Ele quebrou o silêncio dizendo que, pela sua experiência, os estudantes não partem deste conhecimento para realizar os seus trabalhos; no final é que procuram uma ou outra referência da Teoria de Piaget para colocar na Bibliografia. Não sei se pôs em causa a veracidade da Teoria de Piaget ou se apenas questionou a forma como utilizamos o conhecimento que temos a seu respeito. Uma questão, aparentemente, provocadora que causou estranheza a todos, no entanto ninguém argumentou. Hoje ter-lhe-ia respondido: Muitas vezes, para a exclusão. Julgo que quem não conhece a teoria profundamente (é o meu caso, foi abordada no curso que tirei, mas de forma superficial) deve extrapolar o que é definido em cada estádio, deve relacioná-lo com o meio em que a criança está inserida e com a vida que a criança tem, deve procurar compreender a evolução da criança no seu todo e não fechá-la em compartimentos - dos 2 aos 7 anos deve fazer isto; se não faz tem um problema/uma dificuldade. Não sei se o problema é não termos um conhecimento mais profundo sobre a Teoria (um outro professor chegou a dizer-me que devíamos conhecer melhor Piaget), se é não sabermos o que fazer com ela ou se é considerarmos que é inquestionável. Mas, para mim, com a questão que este professor colocou, tornou-se importante refletir sobre a sua utilidade.
No final do ano letivo, que terminou há semanas, guardei uma ideia que este professor enfatizou: é mais importante e justo avaliar uma criança tendo em consideração o seu progresso - o que a criança consegue fazer no início do ano letivo e no final, por exemplo - do que compará-la com qualquer outra da mesma idade e, supostamente, no mesmo estádio de desenvolvimento. Avaliar o progresso da criança, elogiá-la nas vitórias, relembrá-la do que já conseguiu alcançar e de como enfrentou as dificuldades, parece-me, claramente, mais justo e mais frutífero. Este professor fartou-se de falar na importância de estarmos atentos ao progresso de cada criança. E eu, neste ponto, sempre concordei com ele.


Nota final (atualização): As comparações, muitas vezes, parecem inevitáveis. Talvez por ter ter sido tantas vezes comparada a alguém ou porque é algo intrínseco ao ser humano, por vezes, dou por mim a comparar o meu filho com A ou com B em pequenas coisas, à procura de semelhanças e/ou de diferenças. Não acontece muitas vezes e em algumas delas tento contrariar essa tendência, na medida em que acredito que não me leva a lado nenhum; outras vezes, acontece simplesmente e nem perco tempo a pensar no assunto.
Compreendo que existam parâmetros médios de referência que devemos ter em consideração para avaliar o desenvolvimento de uma criança, no entanto julgo que não nos podemos restringir a eles sem ter em consideração outros aspetos, nomeadamente a história da criança.  

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Olá Agosto de 2016

Vais ser um grande mês: aniversários. férias. filho. sobrinha. família. praia. calor. natureza. liberdade. mudanças positivas. temperaturas elevadas. passeios. diversão. felicidade. sorriso na cara. brilho nos olhos. amor. paz. avanços. plenitude. gratidão. vida. Acredito em ti, Agosto. Recebo-te em modo de equilíbrio e de braços abertos.

Imagem retirada daqui

domingo, 31 de julho de 2016

Adeus meu querido mês de Julho de 2016

Julho, apesar de seres um mês de puro Verão e de teres tudo para ser um bom mês, por vezes não guardo as melhores recordações de ti. Já o ano passado o escrevi: causas-me sentimentos antagónicos. 
8 anos e 1 filho depois e estamos numa fase estranha; as mudanças que se avizinham têm causado cansaço e preocupação aos dois em doses muito elevadas.
4 dias de férias, mas sem descanso nem diversão.
Dia dos avós com uma grande nostalgia por não saber que tipo de avós o meu filho recordará. Já eu, recordo e vivo a melhor avó de sempre.
Decidi, finalmente, qual é o Jardim de Infância que o meu filho frequentará (depois escreverei sobre isto); tirei esse peso de cima de mim. Mas sei que se pudesse, a decisão seria outra. Não posso. Lamento por isso.
Dias excelentes de Verão e eu a sair mais tarde do trabalho e com menos tempo para nós.
Recebo o subsídio de férias juntamente com o ordenado. Ao olhar para o recibo constato que o valor que recebo hoje (ordenado + subsídio) é inferior ao meu ordenado de há 5 anos. 
Este Verão, estas noites quentes, esta vontade de andar descalça, de comer fruta, de beber muita água, de mergulhar no mar, de beber um Mojito, de andar na rua à noite sem casaco trazem a minha infância (tirando o Mojito). Só queria sentir-me mais leve para saborear isto.
Apesar de algumas dificuldades (em encaixar as mudanças), tenho sonhado acordada muito mais do que o habitual. Desejo que esta capacidade se mantenha. 
Despeço-me de ti no dia exato, no último dia do mês, porque não quero protelar as contrariedades que me deixaste. Amanhã é dia 1 e eu quero começar o novo mês livre e leve. Adeus Julho.

sábado, 30 de julho de 2016

Reflexões profundas (ou não) #24 - Uma questão de sono

Sempre gostei de dormir. Nunca fui pessoa de dormir 12 horas seguidas, nem mesmo depois de uma noitada, mas 8 horas de sono era o ideal para mim.
Depois, fui mãe. Julgo que me deram um elixir qualquer e adquiri uma resistência ao sono fora do comum (pelo menos, para mim; desconhecia esta capacidade). Acordava de hora a hora, de 2 em 2 horas durante a noite e aguentava. Dormir quando o bebé dormia durante o dia não era coisa que achasse necessária. 
Agora, temo que a validade do elixir do sono tenha expirado. Fico rabugenta quando sou acordada muitas vezes, reclamo em voz baixa, mas em pensamento alto e nervoso. Digo asneiras em pensamento e não só. 
Confesso que tenho medo de uma nova experiência de privação de sono, ou seja, de uma nova experiência de maternidade (tenho mesmo medo). Pode ser que o segundo filho (se vier a ter um segundo filho), durma 8 horas seguidas a partir das 24 horas de vida . Pedir não custa.