terça-feira, 8 de novembro de 2016

Reflexões profundas (ou não) #27 - Prendas de Natal!? Vocês não têm mais nada para fazer?

Começou a alienação das compras de Natal: "quero aproveitar a promoção xpto", "não quero deixar para Dezembro", "posso comprar um carro telecomandado?", "vou comprar o quartel do mickey".
Tenho a dizer-vos que ele só desembrulhou a prenda que lhe oferecemos no aniversário a semana passada. Que ainda tem duas prendas de aniversário, escondidas no roupeiro, para desembrulhar. Que ainda há muitos brinquedos lá em casa com ordem de despejo antes de outros entrarem. Que, como disse uma amiga minha, não queremos um mar de plástico no quarto do miúdo. Que era bem mais interessante juntarem-se e comprarem uma só prenda, uma que ele quisesse mesmo. Que podiam muito bem oferecer-nos bilhetes para o Cirque Du Soleil (eu sei que não estão a pensar em comprar prendas para nós, mas tinha de tentar); são caros para o nosso orçamento, mas, dizem, vale a pena (pode ser só uma ajuda, claro). É uma experiência que fica, ainda que ele tenha apenas 3 anos - eu e o pai já temos 40...

Também ficamos muito felizes com experiências como esta. E valorizamos isto... E se combinássemos um passeio de Natal? 

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Adeus meu querido mês de Outubro e olá Novembro de 2016

Este é um texto 2 em 1: despeço-me de Outubro e cumprimento Novembro de uma só vez. Os últimos dias de um e os primeiros de outro foram complicados: o pai ausente, cansaço acumulado, desorganização (custa-me o pai estar ausente, mas a desorganização é que me descontrola), muitas discussões, menos tempo de qualidade com ele. Ele a ressentir-se com isso e a manifestar-se. Eu com níveis de frustração muito elevados (não é habitual). A cereja no topo do bolo: chegar a casa depois de um dia de trabalho com ele pela mão e muito cansado (depois de muitos dias turbulentos), convincente de que naquele dia tudo correria bem, faríamos tudo com calma, jantaríamos, brincaríamos, ele adormeceria cedo e tranquilo, eu teria tempo para fazer tudo com tranquilidade... quando chegámos não tínhamos água. Reorganizar tudo, regressar a casa da avó para banhos e jantares, voltar a casa para dormir e uma noite difícil. Já é a terceira vez que, estando ele muito cansado, acorda a chorar, aos gritos. Mantém-se assim durante 10/15 minutos. Acho que não acorda, mas nada o consola. O Sábado de manhã foi complicado, mas o fim de semana acabou bem.
Os dias estão mais pequenos, mas já decidimos que mesmo assim passaremos no parque de vez em quando. Temos passado os fins de semanas em casa, mas ele tem brincado muito (eu estou a precisar de sair). A semana passada não tinha nada em casa, até o leite acabou, mas fiz compras online no sábado e fizeram a entrega no domingo. Preparei o prato do almoço de sábado para ele com todo o cuidado e entornei-o; sorte a nossa, havia mais na panela. O chão de casa estava nojento, mas entre a lavagem dos quartos durante o dia de ontem, a lavagem do hall hoje às 3h30 da manhã (deu-me para isto quando o pus a fazer chichi) e a cozinha hoje de manhã, ficou bem melhor. A máquina de secar avariou, mas consegui aproveitar o sol de domingo, secar a roupa e orientá-la, de maneira a evitar pegar no ferro todos os dias de manhã à pressa. Tem chovido muito, mas já compramos as botas de borracha. As botas de borracha estão grandes, mas ele arrancou-lhes as etiquetas e achou que elas são o sítio indicado para arrumar os carrinhos. O pé há de crescer. O pai diz que não estão assim tão grandes. Sinto-me mais calma. Só preciso de ter tudo organizado, nunca precisei tanto disto.

Imagem retirada da Internet: Fonte desconhecida

Depois da tempestade de Outubro espero pela bonança de Novembro. Espero que tudo volte ao seu lugar, ao lugar certo.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A brincar é que a gente (pequena) se entende #14 - Ir ao teatro sem sair de casa...

Quero uma área específica lá em casa para atividades de "faz de conta" e representação dramática. Quero uma arca para guardar roupas e adereços e ter um espaço para "teatrarmos" sempre que nos apetecer. 

A arca é fácil de arranjar, temos uma cheia de brinquedos para dar; não ficará vazia por muito tempo. 
Em relação ao teatro, pensei no teatro de fantoches - temos uns fantoches de dedo que ofereceram ao miúdo pequeno lá de casa com muito potencial. Compro um cortinado/tecido preto ou às riscas e coloco-o na porta do quarto do miúdo (até pode ser num daqueles varões dos cortinados da casa de banho que são extensíveis; não sei se encontrarei um tão pequeno) / pendurado no teto / ou no varão do cortinado da janela; recorto um quadrado a uma altura razoável para a criança fazer as suas dramatizações... mas que dê também para mim (de joelhos, eventualmente); coloco-lhe umas bandeirolas; ensaiamos; enviamos convites; preparamos o espaço para o nosso público; fixamos um valor para os bilhetes (já estou a pensar na vertente monetária); apresentamos a nossa dramatização; todos gostam, todos batem palmas (não há outra hipótese); repetimos a brincadeira com ou sem plateia. Brincamos. Fazemos de conta. E lembrei-me, agora, que seria divertido fazer isto na Noite de Natal.











  
Há outros exemplos interessantes: teatro de sombras, teatro de caixa (já fiz um numa caixa, com a sala às escuras, apenas com um candeeiro a incidir sobre a caixa; deu muito trabalho, mas valeu a pena). 



Imagens retiradas da Internet: Fonte desconhecida

O do cortinado parece-me fácil de preparar (eu não sou propriamente uma pessoa com vocação para os trabalhos manuais), de guardar/arrumar e reutilizar. E assim podemos ir ao teatro muitas vezes sem sair de casa... mas também o podemos levar para a rua e pendurá-lo numa árvore. Já me estou a imaginar a chegar ao parque aqui da zona com um cortinado e umas cordas debaixo do braço para montar o teatro na rua.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #17 - Os três primeiros livros que requisitámos na Biblioteca

Desde há um ano/um ano e meio que vamos à Biblioteca. No Inverno vamos mais vezes, no Verão gostamos mais de apanhar ar no jardim ou no parque. Sempre que passamos perto da Biblioteca, ele liga o pisca na sua direção. A semana passada fomos aos CTT e no caminho encontra-mo-nos com ela. Entrámos. Ele gosta do espaço pela quantidade de livros, mas principalmente pela casa de madeira, pelos colchões no chão e pelo crocodilo de pano gigante que lá habita - ele desarruma e folheia livros, mas acho que a casinha de madeira é a sua perdição. Pela primeira vez requisitámos livros. Três. Como temos um prazo para os devolver (avisei-o de que os livros não são nossos) quando decidimos ler um, lemos todos. Ele pede sempre para lermos os três por uma ordem específica.

1 - O primeiro livro que ele pede para ler é sempre este:


A mãe e o Hugo fazem muitas coisas juntos, mas um dia a mãe tem coisas para fazer sozinha (telefonemas, responder a e-mails; já vivi este filme na primeira pessoa) e o Hugo tem de arranjar algo divertido para fazer sozinho. E arranja: prepara uma surpresa. Julgo que ele se identifica com os acontecimentos relatados neste livro, talvez por isso seja sempre o primeiro que ele pede para ler. Chama-lhe "Gosto de brincar com a mãe".
A Mamã e Eu é o título do livro, é de Emma Chichester Clark, da Editora Caminho.

2 - Adorei encontrar/conhecer o segundo livro. Se a escolha do primeiro livro requisitado na Biblioteca tivesse sido planeada,  não tinha sido tão assertiva.


Um coelho que adora livros. Um coelho que entra em casa das pessoas às escondidas para ler os seus livros. Um coelho que começa a desviar/roubar livros. Um Coelho Ladrão de Livros que é apanhado em flagrante. Uma hipótese de o Coelho Ladrão de Livros se reabilitar. Como? Incutindo-lhe o hábito de requisitar livros na Biblioteca. E devolvê-los. É uma história muito divertida e mais que adequada à explicação de que temos de estimar e devolver estes livros.
Procura-se Ralfy, o Coelho Ladrão de Livros, um livro de Emily Mackenzie, da Editora Minutos de Leitura.

3 - O terceiro livro é especial. Muito.


"O Baltasar era o melhor urso violinista do mundo. Chamavam-lhe Baltasar, o Grande! 
Um dia, é libertado do circo e inicia uma longa viagem. Diz adeus aos velhos amigos, visita novos lugares e faz novos amigos também. Mas a viagem é longa e os dias estão cada vez mais frios... Conseguirá o Baltasar encontrar o caminho até casa?"
O livro tem pouco texto, as imagens quase que nem precisam dele. Foi conseguido o equilíbrio entre o (pouco) texto necessário e as ilustrações apresentadas. As ilustrações são maravilhosas. É um livro que fala do direito dos animais viverem livremente. Fala de despedidas, de caminhos, de procura e de reencontros. Fala do reencontro com a família. E quando chegamos à ultima página, em que o Baltasar está no seu Habitat natural com os seus familiares ele diz:
- Aqui está o pai - apontando para o maior e mais gordo urso que aparece na imagem; pena aquele "ursinho" usar um biquíni, sinal de que deve ser a mãe; mas a intenção é boa, o pai é que é o grande e o... gordo lá de casa.
- Aqui está a mãe - apontando para o urso mais elegante. Boa, filho!
- Aqui está o Baltazar e a irmã - up´s, falta a irmã. Pode ser a prima?
- Aqui estão os avós, os tios, as primas... as professoras e as Carmos... Esbocei um sorriso enorme quando ele disse isto. Ele está a incluir naquela página, que representa a sua família, a educadora e a Ama. Ele deve achar que todos têm uma professora e uma Carmo (Ama) e que elas devem ser parte integrante da família.
Baltasar, o Grande, um livro de Kirsten Sims, da Editora Orfeu Mini.

Foram estes os três primeiros livros que requisitámos. E agora temos um problema: gostávamos mesmo de ter estes livros na nossa prateleira... Eu sabia que isto de requisitar livros tinha um lado bom e um lado mau: o lado bom existe porque temos acesso a mais histórias; o lado menos bom existe porque não nos contentamos em ficar com elas apenas 15 dias.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Pessoas que me inspiram #6 - O pai

O pai. Escrevo sobre um pai, mas não um pai qualquer. Escrevo sobre o pai que todos deviam ter.

Ele entra com ar sério, apressado e pouco frágil para obter informações acerca de tratamentos de Fisioterapia para o filho: depressão, perda de peso brusca, falta de força... Ninguém sabe o que o filho tem ao certo. Marcamos consulta. Ele não sabe se o filho virá à consulta. Olho-o nos olhos e afirmo que vou marcar a consulta, afirmo que ele virá, como se conhecesse o filho deste pai e tivesse certeza de que ele viria. Não conheço nem tenho a certeza, mas tenho uma grande vontade que ele venha àquela consulta - porque no fundo do olhar vivo e forte do pai vi fragilidade; os filhos são mesmo o nosso ponto mais forte e o nosso ponto mais fraco. Ele vem à consulta. A médica desconfia de uma doença que há uns anos seria mortal; hoje, mesmo não tendo cura, não o é. A ansiedade por realizar os exames. A vontade e a crença de que a médica esteja errada. O medo de ela estar certa. Uma força de toda a equipa na recuperação deste utente, mesmo sem saber o diagnóstico - o resultado demorou a sair. O pai que começou também a fazer Fisioterapia (às vezes penso que ele forçou uma lesão só para estar mais próximo do filho). A força no nosso sorriso e nas palavras tímidas que receamos ser intrusivas. A nossa fé. O estado de espírito do filho com altos e baixos. A firmeza do pai. O companheirismo do pai. A dura certeza do pai de que a suspeita da médica está certa. A crença do filho que não. O resultado positivo. O céu que lhes caiu em cima durante a travessia de uma ponte - estavam juntos quando receberam a notícia. Imagino o medo e a revolta (não, não imagino). O reencontro com eles depois do resultado, um abraço sincero e dois beijos de amizade (não de uma amizade de sempre, possivelmente nem para sempre, mas sincera; o bem querer é sincero desde o primeiro minuto). O pai com ideias que se atropelam, que procura alternativas, que morre de medo, mas que não desiste. O pai que entra dois minutos depois de sair com 3 escovas na mão só porque a Fisioterapeuta lhe disse que essa é uma boa ferramenta para treinar a sensibilidade em casa; ele queria a opinião dela. Um gesto tão simples que diz tanto: ajudar e apoiar sempre o filho, do aspeto mais básico ao mais complexo. O sorriso dele por se sentir importante na recuperação do filho. O orgulho no filho. Quase que vejo uma criança obstinada a lutar por algo que quer muito. Só que ele quer sempre e sempre mais. Nada nem ninguém o demove. Ele quer o melhor para o filho e luta por isso. Eu vejo-o claramente. Este é o pai que todos deviam ter!

Ouvimos falar muito de escuta ativa e de atenção plena para com os nosso filhos... não sei se devido à maternidade, constato que a minha atenção plena e escuta ativa melhoraram muito, não só para o meu filho, mas para o mundo em geral. E para as pessoas que realmente merecem e são exemplos a seguir. Gosto desta (minha) capacidade recente. 

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Quero Ver (ou já vi): Quando sinto que já sei

Uma questão que este documentário coloca: Se um médico do início do século XX (com formação do início do século XX) entrar numa sala de cirurgia do século XXI, conseguirá operar? Pois, parece-me bem que não. Então, porque é que teimam em formar professores que vão lecionar em salas de aula do século XXI com metodologias do século XIX? Podemos começar por questionar se o papel da criança do século XIX é igual ao do Século XXI - digo eu que percebo pouco disto.

Também podemos questionar se, com as novas tecnologias, faz sentido que a sala de aula seja apenas aquele quadrado físico - o mundo, sim, deve ser a sala de aula; se faz sentido que a disposição de muitas das salas de aula de hoje promova o trabalho individual; e o que significa um ensino transmissivo e a hierarquia de papéis numa sala de aula numa sociedade democrática. Sei que existem escolas que priorizam, cada vez, metodologias ativas em que a criança tem uma voz e um papel ativos, só lamento que não sejam todas. Também sei (li num artigo publicado na revista Visão há alguns anos) que alguns professores têm medo da mudança, têm medo de não conseguir. E aqui lamento ainda mais, é porque não se sentem apoiados.

Será que algum dia conseguiremos construir uma escola tão boa, tão alegre que os alunos e professores queiram frequentá-la aos sábados, domingos e feriados? Em cooperação com as famílias - acrescento eu que quero dias só para nós. Julgo que a questão é colocada para nos fazer refletir sobre os motivos pelos quais muitas crianças não se sentem bem na escola, não gostam das vivências na escola. 

Um filme de Antonio Sagrado Lovato, Raul Perez e Anderson Lima, apresentado por Despertar Filmes em 2014. Com a participação de José Pacheco, um dos mentores da Escola da Ponte.


Trailer:


Passou uma "Grande Reportagem" na SIC recentemente, "A Escola, o Futuro e o 9º H", que ainda não vi. Mas quero ver.