quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Grandes livros para pequenos leitores #21 - Sou o maior

De manhã quando me tento despachar como qualquer mortal, é quase garantido que surge uma pessoa pequenina a pedir-me colo, a dizer que quer ficar comigo, a pedir para me deitar novamente. Depois do aconchego de um colo, de um abraço apertado e de alguns mimos trocados, chega a hora de lhe dizer que tenho de voltar ao que estava prestes a iniciar. Já percebi que se este ritual não for tranquilo, a Sra. Birra dá o ar de sua graça. É preferível "perder" - a verdade é que todos ganhamos - uns minutos num acordar assim do que enfrentar a terrível e não desejável Excelentíssima Senhora. Numa destas manhãs veio atrelado um pedido para ler um livro, um livro pequenino - retorquiu ele perante o meu "não posso, filho". Cedi e o livro que ele tirou da prateleira foi "Sou o maior" de Lucy Cousins, da Editora Caminho.


Foi uma prenda de aniversário. Não o temos lido muitas vezes, mas transmite uma belíssima mensagem.
Um cão que é o maior: faz buracos mais depressa e mais compridos do que o ganso, nada mais depressa do que o burro, é maior do que a Joaninha... Em todas as comparações que faz, ele é o MAIOR!
Então e se baralharmos isto e trocarmos as comparações: será que nada melhor do que o ganso? será que é maior do que o burro? voará mais do que a Joaninha? fará buracos mais depressa e mais compridos do que a toupeira? Pois é, parece que é tudo uma questão de perspetiva, parece que depende de com quem é feita a comparação. O cão lá chega à conclusão de que está a ser um grande exibicionista e pede desculpa aos amigos... Mas no final da história será que o cão é o maior em alguma coisa?

Filho, um dia, quando te deparares de forma mais consciente com as diferenças entre o que tu és e o que os outros são, não te preocupes, nada temas, não te intimides com as constatações. Foca-te no que gostas, no que queres alcançar, no que queres ser, define como o queres fazer e segue em frente, de preferência sem grandes comparações (haverá sempre algumas), sem te exibires, sem te desvalorizares. Não tentes contrariar a tua essência e nem entres em jogos competitivos excessivos: serás sempre maior do que uns numas coisas e menor do que outros noutras; serás sempre capaz de fazer umas coisas e incapaz de fazer outras. É mesmo assim. Às vezes "querer ser" ou "querer fazer" é poder; outras não - mentiria se dissesse o contrário. É claro que o "querer ser" ou o "querer fazer" é meio caminho andado para alcançares algo, mas às vezes não chega. Às vezes as coisas não correm bem à primeira, mas quando tentas novamente superas-te. Lembra-te que a frustração faz parte da vida, é bom que a sintas (não a ignores), mas não é mais do que isso: uma frustração, um "não sou capaz", um "não consegui", um "sou pior nisto". Esta história diz-nos que ninguém quer ser o pior, mas também nos diz que ser o pior é muito relativo.
Por fim, quero que saibas (tu sabes) que para mim és sempre o maior: o maior amor. Mas é para mim, tal como os outros filhos o são para os pais.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

À conversa com o meu filho #11 - Vira o disco e toca o mesmo

Todos os dias o mesmo diálogo. Mas não dizem que os miúdos com esta idade assimilam tudo com muita facilidade? Então qual é a dificuldade em assimilar a ideia de que tem de tomar banho?


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Reflexões profundas (ou não) #30 - Daltonismo a quanto obrigas

Lá ao longe (até parece que tenho uma casa muito grande) ouvi o pai perguntar-lhe: "Como é que tu fizeste isso? Tens o olho todo negro!" Não dei muita importância, se fosse uma queda/pancada grande, o miúdo tinha dado sinal, até porque ele é uma criança que consegue exprimir muito bem, a viva voz, as maleitas que vai fazendo. Desvalorizei. Entretanto, ouvi um burburinho por parte do pai à procura do Arnidol e depois outro para o aplicar. Pensei: tenho de ir ver o que se passa, como é que o miúdo deu um trambolhão assim tão grande e eu nem dei por isso? Quando os dois chegaram à minha beira (bonita expressão), vi um miúdo todo pintado em tons de verde (com um marcador) com um reforço de brilho (do dito Arnidol) à volta do olho. Será que para além de aliviar e reconfortar a pele dos pequenos trambolhões que as crianças dão, também retira a tinta da pele com facilidade? Uma pessoa está sempre a aprender...Sim, é bem capaz de ter sido o pai a dar um valente trambolhão quando era criança...Em sua defesa, ele é daltónico, confundiu a pintura facial que a nossa criança fez com o negro de uma pancada/queda. Foi só isso. Acontece - não acontece a todos, mas admitamos, pode acontecer.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Olá Janeiro de 2017

Janeiro, oficialmente já chegaste. Eu sei que já não estou em 2016. Mas mentalmente ainda estou num plano de transição, ainda não cheguei a 2017, por isso não é com grande euforia que te cumprimento. 
Eu não brindei com ninguém, não comi passas, não pulei, não beijei quem devia, não fiz nenhum pedido, logo ainda não existo em 2017. Espera-me. Eu também estou à espera de apanhar o comboio com destino a 2017 e, consequentemente, ao primeiro mês do ano... Olha, parece que vem lá!

Imagem retirada daqui.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Adeus meu querido mês de Dezembro de 2016

Ai Dezembro, ai Dezembro, não tivesses tido a comemoração do Natal e tudo o que isso envolveu, e terias sido um mês de treta. Bicharocos de várias espécies que nos impediram de ir ao almoço de Natal que fazemos todos os anos e que nos fizeram passar a noite de 31.12.2016 para 01.01.2017 em casa, no sofá, os três. Fizemos noitada, sim senhor, só não foi na Costa Alentejana como estava previsto (pormenores). Estava tudo planeado: Jantar fora, mas a três passos do sítio da dormida; dança e música até o miúdo aguentar, nem que fosse apenas até às 00h15; acordar no dia 1 no campo; ir à praia e cumprimentar 2017 com vista para o mar; regressar a casa com bons planos para 2017. Era bom, não era? Era. Mas não foi. 
O fim de semana foi mau, à meia noite estávamos os três a dormir. Lembro-me de acordar às onze e meia, olhar para o telemóvel e enviar uma mensagem à minha irmã para saber se tinha chegado ao destino em condições. À meia noite, só o barulho longínquo feito por quem se divertia me abriu os olhos por uns segundos, voltei a dormir logo de seguida (o cansaço era muito). E foi assim, Dezembro. Tens a certeza que já passaste?

Para animar isto vamos lá ver 2016 em imagens:

1) É verdade, fiz 40. E vivo muito bem com isso, mas não inventem...

2) Vamos mesmo reduzir o consumo de TV, não é que não possamos ver, mas vamos priorizar outras coisas (pelo menos, é esta a intenção).

3) Bem que o miúdo me podia ter tranquilizado.

4) Podia muito bem ser o meu filho a dizer-me isto.

5) Se eu não mudar de atitude, acho que em 2017 este diálogo será reproduzido lá em casa.

6) O amor acontecer, acontece. E isso é bom. O problema é quando acontece apenas num sentido: o do próprio umbigo.

7) É mais ou menos isto.
Imagens retiradas da Internet