quarta-feira, 27 de setembro de 2017

4 anos: como foi e as saudades que eu vou ter... ou as saudades que eu já tenho

Se me pedires uma palavra para descrever o teu 4º ano de vida, eu peço-te 4: amor. fantasia. negociação. superação. 

amor, porque está sempre presente, porque vem antes de tudo o resto, porque é o maior de todos os sentimentos, porque faz parte do que somos enquanto mãe e filho, porque com ele tudo se consegue, porque ao mesmo tempo que está no topo da nossa relação é também a base dela. Porque comecei a amar a ideia de te ter muito antes de te ter. Porque quis o destino que as nossas vidas fossem costuradas a fio de amor: fio forte, inquebrável, invisível, que une dois pedaços de matéria independentes com uma força indestrutível. Incluo no amor a palavra gratidão: obrigada vida por este filho, obrigada filho por este amor, obrigada amor pela oportunidade de te (re)descobrir. 

fantasia, porque foi o ano em que mais fantasiaste, em que mais fantasiamos. Posso até dizer que foste um verdadeiro Peter Pan na sua terra do nunca, nas suas histórias irreais, envolto na sua fantasia. Também foste o porquinho mais velho, personagem de eleição que adotaste e que interpretaste na perfeição. Foste pirata sempre que vestiste o fato de Carnaval ou saíste de casa com o chapéu da caveira, espada na mão e pala no olho. Foste gato das botas quando em pleno mês de Agosto quiseste calçar as botas de borracha. Foste lobo e monstro sempre que nos assustaste. Foste palhaço com as tuas frases cheias de graça e de humor. Foste advogado quando argumentaste com convicção. Foste e és uma fantasia realizada, imaginada nos mais doces e secretos sonhos. 

negociação, porque muito negociámos. Consequentemente discutimos e argumentámos. Muito ensinei e muito aprendi nesta dança de exigir e de ceder, de dar e receber, de pedir e satisfazer, de compreender o que eu quero e de respeitar o que tu queres.

superação, porque não foi um ano fácil. Foi trabalhoso, cansativo, desafiador, mas superado.

Não sei como estabeleci esta mudança de etapa na minha cabeça, mas sinto que é aqui que deixas de ser bebé, pelo menos apenas bebé. Talvez situe esta idade num plano intermédio de bebé-menino, porque o meu coração não consegue ainda aceitar que o bebé que foste fica para trás, nas páginas já escritas, na história já vivida e construída. A história dos teus 4 anos de vida e dos meus 4 anos de mãe fundem-se e eu agradeço esta fusão. Desejo que, apesar dos pontos e das virgulas da nossa história, o texto seja fácil de ler, de viver, de entender. E que provoque em nós e naqueles que nos rodeiam um sorriso aberto e sincero. Quero viver bem e quero que vivas bem. Quero que gargalhemos juntos muitas vezes.
Haverão capítulos em que terei uma participação regular, em que a (minha) assiduidade importa, na medida em que farei falta. Outros em que deixarei os papéis de maior relevo para te dar espaço e oportunidade de construíres a tua personagem e a tua história (a verdade é que já estás a construí-las). Outros ainda em que serei apenas leitora. Estará tudo bem, tudo tem o seu tempo, o seu ritmo, o seu espaço. Independentemente do papel que eu tenha nos diferentes capítulos, lembra-te só que o amor que por ti sinto é crescente. Não consigo quantificar esse crescimento, mas sei que quanto maior for a história, mais te amarei. Que ela seja longa, queremos longevidade.
Passados 4 anos não consigo deixar de te olhar em silêncio e sorrir como de uma aparição divina se tratasse, com aquele encanto ingénuo e infantil que as surpresas boas nos trazem. A verdade é que ser tua mãe tem sido um privilégio. Foste, sem dúvida alguma, a melhor surpresa, a surpresa da minha vida, o amor de uma vida toda, apesar dos 37 anos que nos separam.
Cativaste-me desde o primeiro segundo, meu amor: a fazer-me sorrir desde as 16h29m do dia 27 de Setembro de 2013. E todos os dias me conquistas mais. Desde 2013: ano em que engravidei, ano em que me descobri grávida, ano em que te descobri menino, ano em que me nasceste e que nasceste para o mundo. Tudo em 2013.

Feliz aniversário, meu menino de amor, traquina e explorador.  Desejo com o coração que tenhas um feliz 5º ano de vida. Todos os anos peço o mesmo, adotei esta frase como sendo minha, mesmo não sendo: que tenhas um destino bonito.

Coisas que te escrevi nos 2º e 3º aniversários:
- A carta que te escrevi por ocasião do teu 3º aniversário.
- As cartas que te escrevi por ocasião do teu 2º aniversário: esta e esta.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Grandes livros para pequenos leitores #27 - Onde perdeu a Lua o riso?

Mais uma história da biblioteca: "Onde perdeu a lua o riso?". Este livro tem um texto curto e simples, que ganha vida com as imagens expressivas que o ilustram.
Daniel questiona onde perdeu a Lua o riso: uma vez, outra e outra... Porque reconhece a importância de rir. Faz-lhe confusão não saber do riso de Lua. E quando a mãe não lhe sabe dizer onde ele está, o menino parte à procura do riso da irmã.
Onde terá a Lua perdido o riso? "Na barriga da cabra? Sobre o bico da pata? Entre os ovos das galinhas? Debaixo do escano da cozinha?"
O meu miúdo memorizou o texto correspondente a cada ilustração: à medida que vai folheando o livro, vai contanto a história em voz alta.
No final lê-se: "...uma lua barriguda morria de riso...". O miúdo é literal e faz beiço porque a Lua morreu de riso. Quer ver a Lua rir à gargalhada, mas não que morra de riso. Se rir é uma coisa tão boa, por que raio morre a  Lua (ainda que seja de riso). Lá lhe expliquei que neste caso a palavra "morrer" tem outro significado, quer dizer outra coisa, quer dizer que ela ri muito, muito, muito.  Termino esta história a fazer-lhe cócegas. E a ouvi-lo rir. E hoje, dia 24, é dia de "comemorar a rir".

É um livro de Miriam Sánchez e Federico Fernández, da editora Kalandraka.


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Reflexões profundas (ou não) #34 - Dirty Dancing tem 30 anos!?

Dirty Dancing tem 30 anos!? Deve ser para me lembrar que amanhã completo mais uma volta de vida. 
Vi este filme dezenas de vezes, deve ser a cassete de vídeo mais vista de sempre (na minha casa). 


Vi esta cena tantas, tantas, tantas vezes.


Dizer que o Patrick Swayze foi o responsável por tantas visualizações deste filme será injusto, mas.... Também gostei muito de o ver na série "Norte e Sul". Em todas as brincadeiras alusivas à representação desta série, eu era a Madeline. Sim, só porque ele era o Orry Main.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Logo, quando chegar a casa, quero pedir-te desculpa

Logo, quando chegar a casa, quero pedir-te desculpa: fui brusca contigo esta noite.
Posso dizer-de que estou cansada. Que há mais de uma semana que acordas às 6 e pouco da manhã. Que perdi a conta ao número de vezes que acordaste esta noite: primeiro na tua cama, depois na minha, por quereres fazer xixi no bacio, por fazeres xixi na cama, por quereres água ou por não conseguires respirar em condições. Por tudo e por "nada" - digo eu, que por nada é que não foi. Que andas chato, birrento, a lamuriar-te vezes a mais. Que às vezes demonstro que estou cansada elevando o tom de voz, que estou farta de te ouvir fazer birras. Que às vezes estás cansado, que agora estás doente, que outras é só porque sim. Que o meu cansaço se arrasta. É verdade que é um cansaço físico, mas não só. Estou cansada, principalmente, por ainda não ter aprendido a lidar com as diferenças que existem entre nós: entre a energia que se excede em ti e a que me falta a mim; entre o meu cansaço e a tua luta contra o teu; entre as tuas escolhas e as minhas. Posso dizer-te muita coisa, encontrarei muitas desculpas para me justificar. Mas, por agora, só quero mesmo pedir-te desculpa. Desculpa, filho.

 Imagem retirada da Internet: fonte desconhecida

Estou na hora de almoço. Já pensei em ti muitas vezes, deve ser a culpa. Estou para aqui a pensar que se eu estou cansada, tu deves estar de rastos. E que ainda assim, foste à escola. Estou a pensar que, logo hoje, tenho tanta coisa para fazer. Hoje, que tenho tanta pressa em abraçar-te, vou sair mais tarde.
E tu, querido dia, não podes negar que és segunda feira. Mas não te esqueças que és só o começo, o final escolho eu.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Novamente à conversa "comigo mesma": o que é isso da igualdade de oportunidades?

Falo comigo muitas vezes, a verdade é esta.
Há algum tempo que questiono o que é isso da igualdade de oportunidades/de direitos. Isso existe? Ou será apenas um trio de palavras arrumadas estrategicamente para agradar a maioria.
É claro que todos os seres humanos deveriam ter as suas necessidades mais básicas satisfeitas e deveriam viver com dignidade. Estou a falar de coisas que vão para além dessas necessidades básicas, até porque a definição de "viver com dignidade" já pode conter alguma subjetividade. No caso da educação estou sempre a questionar o que é e em que consiste a igualdade de oportunidades, já escrevi sobre isso aqui.

Alguns direitos que considero essenciais (não estão enunciados por ordem de importância):

Todos têm o direito de ter filhos. 
Claro que sim. Mas a verdade é que uns conseguem, outros não. Umas engravidam só de pensar (isto é uma metáfora, não acreditem nisto), outras sujeitam-se a inúmeras frustrações consecutivas que se traduzem, muitos vezes, num sem número de tratamentos. Uns podem, outros não. Uns conseguem ter um filho, outros conseguem ter quatro filhos. Uns querem ter, outros não querem.

Todos têm o direito de sentir segurança e amor.
Basta lembrar alguma família menos funcional em que a segurança e demonstração de amor são conceitos abstractos ou inexistentes. Nestas situações, por vezes, até pode aparecer alguém a querer ajudar, a querer colmatar falhas, mas nem sempre estas tentativas são bem sucedidas: há pessoas que aceitam; outras não sabem aceitar; outras não querem aceitar. Como se faz para que todos tenham a oportunidade de sentir isto? Todos precisam disto na mesma quantidade?

Todos têm o direito a ter uma casa.
Sabemos muito bem que nem todos têm. E há quem diga que muitos não querem ter.

Todos têm o direito à Educação.
Claro que sim. Mas todos têm direito à educação que querem? E, já agora, todos querem?

Todas as crianças têm o direito de frequentar uma Escola Pública de qualidade a partir dos 3 anos.
Claro que sim. Mas a verdade é que uns querem, outros não. Nem todos os que têm 3 anos conseguem frequentar o ensino público. E os que frequentam, nem todos estão na sua primeira opção, aquela que é mais benéfica para si. E o que é isso de uma escola Pública de qualidade? E os que precisavam de uma Escola Pública antes dos 3 anos? Possivelmente têm de fazer uma triagem logo no primeiro ponto relativamente ao número de filhos.
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Todos têm o direito de usufruir de um Plano de Vacinação, independentemente das suas possibilidades financeiras. 
Claro que sim. Mas a verdade é que uns querem, outros não. Uns querem administrar todas as vacinas à sua descendência, outros, com algum dinheiro extra, conseguem administrar as que se encontram fora do Plano Nacional de Vacinação. 

Todos têm direito a um Plano/Seguro de Saúde.
Claro que sim. Mas algumas crianças são acompanhadas por pediatras, outras por médicos de Clínica Geral no Centro de Saúde (não retirando o mérito aos médicos do Centro de Saúde, mas neste momento não há Pediatra no Centro de Saúde da minha área de residência, por exemplo - não me digam que o médico de Clínica Geral faz o papel do pediatra: então porque é que existe a especialidade?.

Todos têm direito a uma alimentação saudável.
Claro que sim. Mas sei bem a diferença de valores entre os produtos biológicos e os "não biológicos", por exemplo.

Todos deviam ter direito a muita coisa. Isto da igualdade de oportunidades, apesar da boa intenção, dá muito que falar: escrevi sobre coisas que considero essenciais (segurança, amor, saúde, alimentação, educação...), mas até nestes pontos não estamos todos de acordo. A verdade é que não queremos todos as mesmas oportunidades. A verdade é que é muito, muito difícil que todos tenham acesso às mesmas oportunidades, por vários motivos. Como é que fazemos?

Eu queria ter 2 ou 3 filhos e ter disponibilidade financeira e mental para os acompanhar. Queria ter tempo para eles. Queria trabalhar no que gosto, sair cedo e ganhar para os gastos. Queria viver feliz, sem discussões domésticas mesquinhas e sem importância que me consomem. Queria poder comprar tudo na mercearia biológica da minha terra. Queria poder administrar todas as vacinas que, apesar de todos os pontos de vista discutidos, me sossegam a alma; pelo menos fico mais sossegada com elas administradas do que sem elas. Queria ficar com o miúdo a tempo inteiro até aos dois anos (isto já lá vai, ele vai fazer 4), parcialmente até aos 4 e não estar mais do que 6/7 horas diárias longe dele. Mas também queria ter 1 hora diária para fazer o que me apetece, de modo a garantir o alinhamento dos chácaras (seja lá o que isso for, acho que um bom alinhamento faz sempre bem). Queria tirar o mestrado na área da Educação. Queria escolher a educadora e a escola do meu filho. Queria ter um papel ativo na educação do meu filho. Queria ter uma auto-caravana e substituir alguns dias de escola do miúdo por viagens nesta casa ambulante sonhada. Queria ter uma saúde de ferro e poder dispensar as visitas aos médicos (dispensava as minhas e as dos meus). Queria viajar fora de Portugal de quando em vez e viajar muitas vezes cá dentro. Queria uma casa simples e arrumada com um espaço exterior. Queria um carro económico (não sendo muito, muito económico, até ficava com o que temos). Ou então vestia a vontade do meu filho que gostava mesmo era de viver "nas férias"... Talvez seja só porque precise muito de férias, mas desconfio que me habituava facilmente a este cenário hipotético.
Para dizer a verdade, eu queria que investissem em práticas e políticas que nos fizessem viver bem e felizes, sendo que este "viver bem e feliz" fosse feito à medida de cada um: sim, eu queria ganhar menos, consequentemente trabalhar menos (apesar de ganhar pouco), ter mais tempo para o que me faz bem à alma, ter menos bens materiais (talvez tivesse de desistir da auto-caravana; desistia antes de viajar fora de Portugal), abdicar de coisas que (para mim) são secundárias. Quem quisesse trabalhar mais, ganhar mais, viajar mais, ter um carro melhor, uma casa maior, força. Os sonhos de uns não têm de empatar os sonhos dos outros. Nem os sonhos de uns são melhores dos que os dos outros. Cada um com os seus.
Estas são algumas das minhas vontades e representam o que valorizo. Cada um tem as suas vontades, as suas preferências, os seus sonhos. Teremos todos a oportunidade de os cumprir? Bem, pelo menos todos temos a oportunidade de tentar. Ou não... que isso de se dizer que querer é poder, não é bem assim. Apesar de o querer ser muito importante, nem nisto, a que chamamos oportunidade de tentar, há igualdade.

a fugir de um dia de escola (dito normal)... 
 Imagem retirada daqui

Alguém que me conhece bem diz que tenho de resolver os problemas que tive com a escola que frequentei e com a aluna que fui. Tem razão. Não anulando as minhas opiniões sobre o assunto "Educação", não devo assumir que o meu filho terá os mesmos problemas/as mesmas dificuldades. Esforçar-me-ei por não fazê-lo.  
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Esta divagação pode conter muita utopia, mas estamos em Agosto, não tarda muito estou a completar mais uma volta de vida, falta pouco para ir de férias... Apetece-me divagar.