sexta-feira, 24 de agosto de 2018

À conversa com o meu filho #20 - conversas diversas, muitas sobre o mesmo

- Mãe, o Cristiano Ronaldo existe mesmo?

- O Eusébio morreu? Porquê? Conheceste o Eusébio? Ele era o capitão do Benfica?

- O Cristiano Ronaldo um dia vai morrer? Quando ele morrer, eu posso ser o Cristiano Ronaldo...

- Mãe, se ninguém morresse não havia estrelas.

- Pai, já não quero ser padeiro, quero ser jogador de futebol.

- Mãe a minha festa é sobre futebol.
- Filho, tinhas dito que querias uma festa da saga Star Wars...
- Não mãe, essa é a minha festa dos 6 anos. A dos 5 anos, é a festa do futebol. 

- Mãe quando o Cristiano for de Portugal, eu sou de Portugal. Agora sou da Juventus.

- Mãe, Portugal vai jogar com o Benfica???
- Filho, há vários campeonatos...
Acho que vou fazer um projeto com o miúdo sobre futebol; o pai diz que vai começar a ler jornais desportivos. Não faço ideia se tem jeito para o jogo, mas a avaliar pela dramatização quando marca (ou não) um golo, relator desportivo é uma (forte) possibilidade. Tem potencial.

- Mãe, já não quero ter irmãos.
- Ai não?

- Tiras uma camisola das tuas preferidas do cesto da roupa suja, esticas a dita em cima da cama e dizes: está lavada. Posso levar esta?

- Mãe estás a ler? Mas não falas? Podes ler para mim?
- Filho, estou a ler um livro para adultos em pensamento, só para mim, sem ser em voz alta. Lê também um dos teus.
- Mãe, eu não sei ler.

- Mãe ensinas-me a ler?

- Mãe, o 100 é maior do que o 1000? Mãe o 10 é o primeiro número com 2 algarismos. Mãe, olha o 100.

- Mãe, quero a minha privacidade, eu limpo-me sozinho (na casa de banho).
- Maaaaaaaaaaae, ajuda-me, tenho as mãos sujas (ainda na casa de banho).

- Mãe, adoro-te, és a melhor mãe do mundo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Regressar, rabiscar e escrever num "sítio" que já me fez muito feliz: este (ao reler o que já escrevi)

Filho, a ausência de riscos, rabiscos e escritos dos últimos meses deve-se a menos tempo, menos vontade, outras prioridades... cada uma destas coisas e todas elas ao mesmo tempo. Mas continuo com vontade de ter um caderno para anotar algumas das coisas que vais dizendo e fazendo, para o caso da memória me trair e de eu me esquecer do que é a vida contigo.

- Todos os dias, quando te vou buscar à escola, queres ficar no parque. Nada de novo. Foi sempre assim.
- Em Fevereiro/Março deixaste de querer dormir na escola, apesar de eu achar que a sesta te faz falta. Com esta mudança, na maioria dos dias, adormeces às 20h00. Continuas a acordar às 7h, às vezes antes, mesmo quando te deitas mais tarde.
- Valorizas, cada vez mais, os amigos e as coisas que tens.
- Gostas de folia: não te cansas das festas que vão acontecendo aqui e acolá.
- Foste a Coimbra com a escola. Assim que surgiu a comunicação, aceitei sem receio; depois fiquei com o coração nas mãos, mas senti que sim, que podias ir. Foste e gostaste.
- Foste à praia com a escola. Desta vez confiei e, mais uma vez, senti que sim, que era altura de ires (com aquelas pessoas). Adoraste.
- Queres  escolher a roupa que vestes (camisolas, principalmente): camisolas de alças como o porquinho mais velho (o porquinho mais velho tem vindo a perder terreno na tuas preferências, mas ainda falas dele); a t-shirt de Portugal com o número 7; a do Benfica; as da saga Star Wars.
- Quando me viste chorar porque me enganei no caminho e não chegámos a tempo de ver uma peça de teatro, disseste-me para ter calma, que às vezes acontece, pediste-me para contar até 10.
- Queres fazer a tua festa num sítio com insufláveis. Lá se vai a minha intenção de fazer uma festa ao ar livre, como tem sido até aqui.
- Jogas à bola com entusiasmo, acho que a euforia do Mundial te contagiou. Jogas no parque, na escola e em casa. Na rua dás pontapés nos obstáculos que vais encontrando - é claro que a vida útil dos teus ténis diminuiu consideravelmente. Os teus joelhos estão encardidos, mas tu andas feliz.
- Vimos juntos o primeiro jogo de Portugal,  vibrámos os dois quando Portugal marcou o primeiro golo deste Campeonato. Depois chegou o pai e o trio ficou completo.
- Assististe aos jogos do Mundial com muito entusiasmo: pelos jogadores portugueses, pelo Cristiano Ronaldo, pelo Pepe, pelo Rui Patrício e companhia; apreendeste a respeitar o adversário e avisaste, logo no início do último jogo de Portugal, que o Uruguai era uma equipa muito forte; aperfeiçoaste o trabalho em equipa; descobriste que há números com 2, 3 ou mais algarismos - a caderneta do Mundial proporcionou a descoberta. Precisamos de aperfeiçoar as regras de futebol: reclamas falta e penalti como quem bebe um copo de água.
- À conta da caderneta, aperfeiçoaste a técnica de colar autocolantes (alguns moram na tua cama); passaste a entender melhor os números; descobriste novas bandeiras e novos países.
- Passámos 4 dias na Galé no início de Julho e o drama de quem tem de se despedir das (mini) férias repetiu-se. Tu continuas a querer viver nas férias. Eu e o pai jogámos à bola contigo todos os dias.
- Passámos um fim de semana em Melides no final de Julho: numa casa de Madeira, com piscina, com uma cama de rede. Queremos uma casa daquelas. Nesta casa tu e o pai dormiram na sala e adormeceram a ver o Campeonato de Hóquei.
- Vibraste com a vitória da equipa portuguesa no EURO sub-19 e já percebeste que há outras equipas para além da "principal" e que há muitas outras modalidades desportivas, igualmente importantes.
- Não tarda muito vamos iniciar o nosso campeonato de férias grandes de 2018,  no sítio do costume. E esse sim, temos de vencer: observar, driblar, passar, rematar, marcar, ganhar, comemorar... Tudo. Vamos lá viver nas férias mais 15 dias (daqui a menos de 15 dias).

Dedicaste-te à rega depois de Portugal sair do Mundial, mas não deixaste a camisola.

Talvez não seja boa ideia subir as escadas a fazer cambalhotas...

Piscina, jogar à bola e apreciar a paisagem... já me parece boa ideia.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Eu, mãe e encarregada de educação, à conversa com o/a (imaginário/a) futuro/a professor/a do meu filho... ou a carta que (me) escreveria se fosse professora

Começo por te dizer que não quero intrometer-me no teu trabalho. Não me leves a mal por redigir sugestões -  julgo que não te sentirás ameaçada, creio que acreditas em ti e nas tuas convicções. Desculpa se, em algum momento, for incorreta. Não é essa a minha intenção. Redijo esta carta como mãe de um futuro aluno teu, apenas isso. Sou importante na vida do miúdo e quero saber o que se passa no percurso escolar dele, mas eu sou a mãe. O/A professor/a és tu. Acredito que és capaz de fazer muito mais do que te vou pedir. Mas também sei que há quem não o seja (por medo, até). Preciso de saber com o que posso contar. Tenho esse direito como mãe, da mesma maneira que tu tens os teus direitos como professor/a, nomeadamente o meu respeito pelo teu trabalho.

Se a escola em que trabalhas está entre as 230 que puderam testar, através de projetos-piloto, as mudanças propostas pelo Ministério da Educação no âmbito da flexibilidade curricular, é para ti que escrevo. Se não está, também é para ti. Porque acredito que em qualquer uma das situações, tu podes muito.

Conversa com os Encarregados de Educação e explica-lhes que a Educação está a mudar. E que essa mudança é necessária e é para um bem comum: o futuro. Ainda nem todos se aperceberam desta realidade, mas acho que a necessidade de mudança já reside em todos nós - de maneiras diferentes, é certo. Fala-lhes dos teus receios e das práticas, inerentes a essa mudança, que pretendes implementar. Pergunta-lhes se estão dispostos a ajudar. Diz-lhes que és tu quem gere as tuas aulas (não é possível agradar a todos), mas que precisas do apoio de todos.
Podes pedir a cada um para escrever aquela que acha que será a maior dificuldade do filho. Podes pedir sugestões de melhoria a implementar na turma/na escola. Podes pedir a cada um uma prática a manter (se for caso disso). Dá-lhes tempo para pensarem nas respostas. 
Com a análise das respostas consegues conhecer um pouco melhor o grupo de pais que tens. Se puderes e se te fizer sentido, implementa uma ou mais ações de melhoria, em conjunto.
Lembra-te que recebeste formação para ser professor/a, mas nenhum de nós a recebeu para ser encarregado/a de educação - eu ainda estou a definir o meu papel nesta relação, quero participar sem ser intrusiva.
Sei que alguns encarregados de educação conseguem ser intragáveis. No meu trabalho, que nada tem a ver com Educação, também os encontro - não neste papel, existem em todo o lado, não é nada pessoal.

Não tenhas medo de alterar a organização da tua sala de aula, de a adaptares ao tipo de atividades que queres desenvolver: em "U", em pequenos grupos, todos à volta da mesma mesa? Por mim, podes experimentar e mudar consoante as necessidades do teu grupo. Se me pedires ajuda para colocar as mesas na rua para que os miúdos observem e desenhem a paisagem (ou parte dela) que têm à disposição, eu ajudo.

Não tenhas medo de ir para a rua falar de plantas, de seres vivos e não vivos, do movimento aparente do sol, das fases da lua, das espécies... Não tenhas medo que eles dispersem. Define e transmite as regras antes de ires para a rua: hoje a ida para a rua tem este ou aquele objetivo ou a nossa saída é livre, depois falaremos acerca do que cada um escolheu fazer. Assim, dás voz aos teus alunos.
Haverão dias em que a dispersão, que por vezes te assusta, pode permitir a recolha de muito material para trabalhares no futuro: se apanharem pedras, fala-lhes de rochas; se andarem de baloiço, fala-lhes de roldanas e de molas; se brincarem na areia, orienta-os para a pesagem da mesma; se encontrarem uma "Joaninha", fala-lhes de insetos... Não te preocupes, eu não vou reclamar se o miúdo chegar a casa com a roupa encardida ou se ele me disser que brinca muito todos os dias.
E se chegares à sala de aula e não explicares formalmente para que serve um compasso e optares por lançares o desafio "para que serve isto?" - vou adorar. (Contaram-me que uma escola fez isto, adorei a ideia do ensino pela descoberta; colocaram vários compassos no chão e questionaram, "isto serve para quê?"; houve exploração, discussão e conclusão). .

Se algum aluno mostrar interesse por algum assunto que não dominas, não te apavores. Não tens de saber tudo. Pergunta a opinião a outros alunos. Regista as ideias que são apresentadas. Chama-lhe Tempestade de Ideias e esquematiza o que julgam saber sobre o tema.
Depois, lança o desafio: vamos descobrir mais sobre isto? Formem grupos. Definam o que querem saber. Definam tarefas: quem pesquisa na internet; quem recorta imagens de revistas; quem procura um livro sobre o assunto; quem entrevista alguém (na escola, um vizinho, o sr. do talho, a tia...). Já pensaste nas áreas que podem ser trabalhadas com este tipo de atividade?
Cada grupo trabalha no sentido de cumprir a tarefa pela qual é responsável. Cada grupo apresenta, aos colegas, as respostas/descobertas/dúvidas que vão surgindo.
Em grande grupo, definam como vão apresentar os resultados/as respostas/as descobertas finais: numa cartolina, num filme, uma entrevista, uma peça de teatro? Iniciem um projeto e apresentem-no aos Encarregados de Educação. Ou a outra sala. Todos aprendem mais.

Se me disseres que não vais usar os livros escolares, definidos pela escola em que lecionas, seguindo a ordem de páginas ou o programa definido, abraço-te - desculpa o abuso. Se me disseres que o Livro de textos será construído pelos alunos com a tua orientação, abraço-te dez vezes. Não sei se gostas de abraços. Eu não gosto muito de abraços (só de algumas pessoas), mas entusiasmei-me com esta ideia.

Não mandes trabalhos de casa diariamente, eu gosto de aproveitar os finais dos dias com outras coisas. E isto sou eu, que consigo ir buscar o miúdo cedo. Já pensaste nos pais que chegam tarde?

Não desistas do meu filho nas maiores dificuldades. É nesse momento que ele precisa mais de ti. E eu também. 

Quando o meu filho ficar muito elétrico, tenta perceber se está cansado, se tem sono. Ele exterioriza o cansaço assim. Pergunta-me o que quiseres para o conheceres melhor.

Se achares que o meu filho precisa de uma festa, de um abraço, de um beijo ou de colo, sente-te à vontade para o fazeres. Se o fizeres com outra criança que precisa, não sintas que tens a obrigação de o fazer com todos. Sabes melhor do que eu que não precisam todos das mesmas coisas ao mesmo tempo.

Ainda não sei se o meu filho vai conseguir memorizar com facilidade conceitos impostos. Mas peço-te que tentes perceber se sente dificuldades. Quero dizer-te que estou disposta a discutir e a dar continuidade a alguma estratégia que implementes no teu espaço e no teu tempo, estou disponível para encontrar contigo uma alternativa. 

Se achares que o meu filho age mal muitas vezes, fala comigo. E com ele, claro. Diz-me em que situações o faz. A educação do meu filho, apesar de existirem por aí umas circulares que dizem o contrário, não é só da minha responsabilidade. Quando tu o chamas à razão, quando o orientas para o cumprimento de algumas regras, quando lhe dás o teu exemplo, também estás a educá-lo. E eu agradeço-te por isso. Nem imaginas o quanto.

Se pretenderes criar uma nova área no vosso espaço, pede-me ajuda. Não tenho jeito para expressão plástica, nem muito tempo. Mas se fores concreta, eu chego lá e estou disponível. 

Acho mesmo que a profissão que abraçaste é a base para um futuro melhor, acho que o poder que tens nas mãos vai muito além de políticas implementadas e obsoletas e interesses desajustados. Tens o poder de fazer coisas bonitas, de ajudar pessoas a ser e a fazer melhor. Ainda que pequeninas em tamanho, são pessoas grandes pelas oportunidades que nos dão: são uma oportunidade para o mundo. Tens a capacidade de mostrar, de fazer descobrir, de fazer sorrir, de fazer aprender, de fazer ensinar, de fazer partilhar. E também tens a oportunidade de receber: tudo isto e muito mais.


Carta inacabada...

quinta-feira, 8 de março de 2018

Reflexões profundas (ou não) #35 - Livros com descontos, estou tramada.

Escrevi aqui que, com as promoções de Natal e com os descontos de 50% da Editora Livros Horizonte, temi tornar-me compradora compulsiva de livros infantis. Pensei que se seguia um período de calmaria a contrastar com a ventania que se tem sentido nos últimos dias. Só que não. A wook diz que me devolve 100% em cartão do que comprar hoje. E é isto, estou neste momento num processo doloroso de seleção, uma vez que a minha lista de desejos tem cerca de 100 livros (99 para ser mais precisa). 
Já percebi que não terei um desconto de 50%, mas 33% de desconto não é nada mau - sim, quando vi a publicidade pensei que conseguia comprar livros com 50% de desconto, mas já percebi que não. 

Inicialmente pensei: 
-compro hoje um livro de 10€,
-ganho 10€ em cartão, 
-daqui a 15 dias mando vir um livro de 10€. 
-e no fim das contas compro 2 livros, que têm o valor de  20€, por 10€ (50% desconto)... Só que não é assim. 

Eu comecei por dizer que quase me tornei compradora compulsiva, logo tenho o dever de ter desenvolvido um pouco mais a minha capacidade de análise:
-compro hoje um livro de 10€,
-ganho 10€ em cartão,
-daqui a 15 dias mando vir um livro de 10€, mas não posso utilizar os 10€ do cartão (condições da campanha: Aplicável numa ou em várias encomendas até ao limite de 50% do valor total dos livros da encomenda) - ou seja, só posso utilizar 5€ do cartão e pago os restantes 5€.
-então escolho outro livro de 10€, utilizo os restantes 5€ do cartão e pago os restantes 5€ (não sou menina para deixar o cartão da wook com 5€ esquecidos)
-no fim das contas compro 3 livros, que têm o valor de  30€, por 20€ - 33% de desconto não é nada mau... E continuo tramada.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Grandes livros para pequenos leitores #29 - A princesa baixinha

Amanhã é dia 8 de Março, dia Internacional da Mulher. Ainda não pensei no que te vou dizer sobre este dia, não sei o que vais ouvir na escola... Mas, hoje, vou contar-te esta história.


Era uma vez uma princesa muito baixinha. Alguns, mais maliciosos, duvidavam até que fosse uma princesa de verdade. O seu avô também fora um homem muito baixo, no entanto isso não o impediu de combater contra os inimigos - segredou-lhe a avó. Assim, nasceu na princesa a vontade de fazer coisas importantes: atravessou bosques, montanhas e desertos, enfrentou um dragão, desatou nós apertados de sacas de farinha enfeitiçadas, afastou condores e regressou a casa como... uma grande princesa. 
A Princesa Catarina é forte e corajosa, tal como qualquer um o pode ser: seja menino ou menina. É isto que te quero dizer amanhã: qualquer um, seja menino ou menina, pode ser forte ou frágil, corajoso ou medroso, alto ou baixo...

É um livro de Beatrice Masini e de Octavia Monaco, da Editora Livros Horizonte.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Então e atividades depois da escola??

Nenhuma... A não ser que contabilize:

- brincadeiras no parque;
- idas a espetáculos em família (não tantas como gostaríamos, mas algumas);
- pinturas diversas em casa, incluindo paredes, mesas e móveis (já não acho muita graça, confesso);
- músicas tocadas a vários instrumentos (mal tocadas, é certo, mas com exploração instrumental);
- cambalhotas em cima da cama com a mãe e ataques de cócegas (fazer-lhe cócegas e ouvir-lhe o riso é terapêutico, às vezes é uma forma de adocicar o final dos dias);
- brincadeiras de faz de conta;
- concentração visual com o visionamento de séries de televisão... pois, por aqui também se vê televisão, mas com restrições;
- expressão dramática (se ele tem jeito para isto);
- passeios de bicicleta com mãe a correr atrás dele;
- molhar-se no sistema de rega (propositadamente);
- saltar nas poças de água - comprei um fato e já tem botas de borracha, faltava a chuva. Agora não falta nada;
- histórias e mais histórias: nos últimos meses temi tornar-me compradora compulsiva de livros infantis, mas o raio das promoções de Natal e os descontos de 50% publicitados por uma editora que me é querida foram os culpados. Estou em processo de recuperação. Não estou curada. Nem sei se algum dia estarei.
- idas ao parque... Já escrevi isto, não já? Ele precisa muito de parque (e eu de rua). Os fins de semana sem parque ou sem passeios na floresta (não é bem uma floresta, mas é assim que a designamos) são mais complicados de gerir.
...

E depois de tudo isto, tenho de escrever que não sou contra as Atividades extracurriculares. Pelo contrário, eu até acho que devíamos pensar em inverter papéis: AEC's com a duração dos períodos letivos e estes com a duração das AEC's, principalmente quando aqueles implicam a inércia dos corpos pequeninos em cadeiras desconfortáveis demasiado tempo e quando as crianças sentem um interesse verdadeiro por estas atividades. Assim, este texto não significa que seja contra a existência de AEC's; está relacionado apenas com o facto de o miúdo não ter demonstrado grande entusiasmo nas atividades que experimentou na escola. E por eu, por conveniência monetária e de disponibilidade, não ter insistido.
A Educadora do meu rapazinho explora os domínios da Educação Física, da Educação Artística, Inglês, Matemática, Linguagem Oral e Abordagem à Escrita, Conhecimento do mundo, Formação Pessoal e Social, etc... Ele, espontaneamente, também explora estas áreas nas brincadeiras que tem. Não sinto que tenha de completar os dias dele com mais atividades, a não ser que ele demonstre gosto/vocação/aptidão por uma determinada área. Por outro lado, também prefiro a interação que as atividades acima descritas nos proporciona. Faz-me participar mais no dia a dia do miúdo. No entanto, estou disposta a proporcionar-lhe uma atividade para além da escola... mais tarde, se ele gostar e se não nos sobrecarregar demasiado (a todos os níveis).
Acho que a Natação é uma hipótese a considerar (fez em bebé, mas desistimos): quando vamos à piscina recreativa, ele gosta... e eu também.
Gostava que ele experimentasse uma Arte Marcial: o miúdo gosta de brincadeiras que envolvem empurrões e moches, acho que lhe aumentaria a capacidade de autocontrole sobre o seu corpo / a sua força/energia. Não é alto para a idade, não é gordo, mas tem força. Contactei uma Academia e adorei a primeira abordagem: podemos assistir a uma aula para percebermos se demonstra interesse, se imita o que vê; o miúdo não pode fazer uma aula experimental, mas sim 2, 3... 6, sem compromisso. Nestas idades algumas crianças sentem-se intimidadas nas primeiras aulas, são mais introvertidas, e uma aula experimental não é suficiente para se perceber se a criança gosta - foi esta a explicação. Não será para já, sinto que ele chega ao final do dia cansado e não quero sobrecarregá-lo, mas a ser, esta Academia parece-me a indicada. Por agora ficamos assim.

 Imagem retirada daqui - à procura de uma imagem para ilustrar esta divagação, acabei por encontrar um texto alusivo ao tema

Acho que esta imagem ilustra bem o que penso em relação às atividades extracurriculares: não em relação às atividades em si, mas sim ao facto de serem realizadas em períodos depois da escola, quando, muitas vezes, as crianças já estão exaustas.