quarta-feira, 11 de maio de 2016

Pensamentos que se atropelam

Não são pensamentos que originaram boas ideias: não fiz nenhuma descoberta grandiosa, nem encontrei uma forma de garantir um ordenado fazendo só o que me apetece. É mais uma tempestade de pensamentos confusos que se atropelam e que me baralham o cérebro em poucos segundos.
Termino a sexta feira com uma hora de espera por uma consulta de gastroenterologia, como se isso valesse muito a pena. Talvez valha, a médica é atenta e atenciosa, meticulosa e interessada. Esqueço-me ao que vou. Ela (não a Dra., uma Ela) telefona-me, digo-lhe que estou à espera que me chamem. Ela responde-me do outro lado: é pá tanto tempo, seja lá qual for o resultado, é melhor saberes já. Cai-me a moeda e penso que os ataques de sinceridade desta "gaja", por vezes, funcionam como bigornas em cima da minha cabeça. Vou saber o resultado de uma biopsia a um pólipo que me encontraram no tubo digestivo há 4 anos. Grande achado, penso. Pelo meio fui mãe e se sempre tive muita vontade de viver, com a maternidade essa vontade aumentou exponencialmente. Dramatizo, mas não consigo ignorar que carrego o peso da hereditariedade: o meu pai morreu com cancro no duodeno. E penso que o pólipo continua lá.
Relembro que há quase um mês cheguei ao hospital para fazer uma endoscopia com anestesia, mas decidi que a faria sem adormecimento porque o anestesista estava atrasado. Só de pensar na espera pelo Sr. Dr. e nas 2 horas que teria de lá ficar depois de a dita feita, desisti e anunciei à assistente que a faria sem anestesia. Ela, meio incrédula, anunciou a novidade à médica; até me pareceu bastante contente com a minha decisão, possivelmente estava na mudança de turno e dava-lhe jeito que a coisa não atrasasse muito. A verdade é que eu queria falar com a médica assim que aquilo terminasse; queria que ela me adivinhasse o resultado do exame.
Voltando à espera de sexta feira, depois daquele telefonema comecei a pensar nas hipóteses do resultado. Não são assim tantas: ou o resultado é bom, ou é mau. Pensei no meu pai. Pensei no meu filho. Pensei nas minhas pessoas. Pensei na vida. Pensei no que duas miúdas, mais novas do que eu, com mais filhos do que eu, estão a passar. Em algum momento devem ter tido uma consulta em que aguardaram uma resposta positiva, mas depararam-se com uma negativa. Tenho sempre mais medo dos resultados do que fazer os exames, é fácil perceber o motivo. Talvez eu estivesse em vantagem, a Dra. já me tinha dito, assim que terminou a endoscopia, que não viu alterações de tamanho desde 2012, que o aspeto era o mesmo e que, possivelmente, o resultado seria semelhante. Tudo se confirmou, mas tive ali uns momentos em que pensei: e se esta porcaria acusa algo menos bom (leia-se cancro), o que faria, como reagiria, o que mudaria na minha vida. Pensei que se aquela porcaria fosse má, pegava nas poupanças e ia viajar com os miúdos. E se fosse boa, porque não faria o mesmo? Que mania esta, a de adiarmos o que merecemos e podemos fazer. Porque é que não vivemos isto como se fosse sempre o final do Verão? A aproveitar tudo ao máximo. A verdade é que, de um momento para o outro, começa a trovejar e só aí é que nos lembramos do que poderíamos ter feito quando estava bom tempo. Continuo com a gastrite e com a bactéria por aniquilar. Vou ter de repetir o cocktail de antibióticos e realizar um exame mais completo para perceber a origem, mas isto, considerando outras hipóteses, são boas notícias. 

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Olá Maio de 2016

Maio, gosto de ti, tu sabes. Gosto das tuas cores, da alegria que carregas, da leveza que nos dás com a aproximação do Verão e das férias. E tu, apareces-me assim!? Chuvoso, ventoso, frio, semelhante a um Janeiro ou a um Fevereiro!! Não sejas difícil, tira a máscara de Inverno e veste-te de Primavera, que é o que tu és. Estou à espera. Estamos à espera.

Créditos de imagem: M.O.D

Reflexões profundas (ou não) #19 - Obrigada chuva

Obrigada por fazeres a minha vez na lavagem do automóvel que, por mero acaso, estava carregado de pó, mas agora podes ir andando. Ah, só mais uma coisinha: se continuares por aqui mais uns dias e se puderes, só se puderes, lava também o interior do veículo. Grata.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Adeus meu querido mês de Abril de 2016

Estivemos de férias nos primeiros dias do mês. Fomos a 2 aniversários e a 1 casamento. Várias pessoas que admiro e que me são queridas fizeram anos este mês. Aproveitámos os bons dias que nos cumprimentaram e, até, os menos bons. Tivemos um fim de semana prolongado, mas achámos que o podíamos prolongar mais um pouco; tirei mais 1 dia de férias (fim de semana de 4 dias? sonho com isto, pelo menos, 1 vez por mês).
Telefonaram para nos informar que há vagas num Jardim de Infância, no qual inscrevi o miúdo há mais de 1 ano; a corrente pedagógica é o Movimento da Escola Moderna; bati palmas de alegria. Colocaram-se em cima da mesa questões práticas, nomeadamente: quem o leva e a que horas? Quem é que o vai buscar? Vem na carrinha? Ainda não sabemos se há vaga na carrinha. O valor da mensalidade, razoável para nós, permite que ele fique até às 18h00. E quando necessitar de ficar até mais tarde, como fazemos? Está aberto em Agosto, mas temos de tirar 10 dias úteis de férias durante os meses de Julho e Agosto; e temos te tirar 22 dias úteis de férias por ano. O pai, nos últimos anos, nem 10 dias de férias consegue tirar, quanto mais 22; e eu posso não conseguir. Como vamos fazer? De todos os que visitei, é o mais distante da nossa casa, mas um dos mais desejados. E os pontos menos positivos até se tornam fáceis de contornar, tal não é a nossa (principalmente, a minha) vontade de o inscrever lá.  Fizemos a anamnese, a decisão de inscrevê-lo está nas nossas mãos.
Terminámos o mês a brincar na praia com a prima (sem banhos), a fazer castelos e a rebolar na areia. Prenúncio de um excelente Verão! Adeus meu querido mês de Abril, passaste bem. Gostei de ti.

A menina dos anos: 3 em maio

Ela nasceu quando eu tinha 5 anos. Existe uma fotografia em que é notória a minha adoração por ela desde que nasceu: estou com um ar de quem, sem pedir, recebeu o melhor presente de sempre (anos mais tarde, vim a saber que podem existir presentes ainda melhores; sem ofensa à menina dos anos, mas filho e sobrinha conseguiram superar, só um bocadinho, vá). Foi o primeiro bebé que esperei (a minha tia não conta, nasceu quando eu tinha um ano, não a esperei propriamente, apareceu-me lá em casa). Era irrequieta e conseguia meter toda a gente a chorar à hora da refeição, já nessa altura tinha a mania que podia liderar. Era tão índia, tão índia: gostava de andar descalça (ninguém imaginava que se tornaria na arranjadinha da família, ao contrário da minha pessoa); trepava tudo o que lhe aparecia à frente; atirava brinquedos pela janela; estragou os meus brinquedos (quase) todos, sem eu me chatear com isso; dormia mal; perdia-se muitas vezes no parque de campismo onde passávamos férias, já era conhecida na zona e arredores.  Vestia a minha roupa às escondidas. Defendia-me quando a minha mãe se "passava" e vice-versa. Cresceu. Foi sempre uma excelente aluna, daquelas que não necessitavam de qualquer orientação ou instrução para estudar, muito metódica e organizada, com cadernos estranhamente organizados (para mim) e limpos. Apesar das notas elevadas e das sugestões para seguir uma profissão na área da saúde, demonstrou cedo o que queria ser quando crescesse: professora. É esta a sua profissão. É decidida, a miúda. Ensina com paixão, com garra e com entusiasmo. Vivemos juntas durante 3 anos, sozinhas, com tudo o que isso implica: conflitos "matrimoniais" incluídos. Passámos por muitas coisas juntas: boas e más. Sobrevivemos. :) 
Um dia cresceu mais um pouco e realizou o que julgou ser um grande sonho. Depois, foi mãe de uma bebé muito, muito desejada  e maravilhosa (a meu ver, este foi o grande feito da sua vida, sou suspeita, claro, mas é verdade). O chão seguro por onde andava tremeu, ruiu e ela caiu. Agarrou-se, levantou-se, equilibrou-se e voltou a caminhar. Acho que lhe custou mais reaprender a caminhar do que aprender a andar. Mas lá vai ela, com a força que lhe é característica. De cabeça erguida, porque não tem motivos para a baixar (pelo contrário). E eu a vê-la com orgulho e a confiar nos seus passos. 
Não adivinho o que lhe está reservado, mas confio que o melhor está para vir. E é com este dia de Verão, a contrariar esta Primavera incerta (amanhã, parece que chove), que adivinho um caminho virtuoso e extraordinário a contrariar a tempestade que ela enfrentou.
Ela, a menina dos anos "3 em maio", é a minha irmã.
Admiro-te muito. És especial. Conseguirás tudo! Que ninguém, nunca, te faça duvidar de ti. És uma grande pessoa que merece um grande destino. Parabéns, pequenina.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Dia da Mãe / Grandes livros para pequenos leitores #12 - Meu amor

O dia da Mãe não foi como imaginei. É a vida. Há muita coisa que não é como imaginamos. O amor que a maternidade me trouxe, esse sim, tem sido muito mais do que imaginei e, no dia de hoje, é o que importa. Importa dizer-te, filho, que estivemos juntos, que andamos de comboio, que passeamos por Lisboa, que almoçamos juntos, que regressamos a casa juntos, que comeste o teu primeiro gelado (foi feito por mim, mas tive de o transformar em batido porque estava mesmo muito gelado), que dormiste no carrinho enquanto eu o empurrei por trilhos de calçada portuguesa, que comprei o livro que está no título deste post e que o li vagarosamente, com sentimento e com sentido, procurando olhar-te nos olhos nos excertos que considerei mais importantes. Só nós: eu e tu. 
Conversamos muito, procurei satisfazer a tua curiosidade em relação à viagem de comboio. Distinguiste o campo da cidade, à medida que a paisagem ia mudando. Exclamaste em cada túnel. Olhaste o rio pela janela. Admiraste os barcos. Questionaste cada paragem, cada apito e cada fecho de porta. Andaste no comboio que tantas vezes vais ver à estação e que tantas outras te faz levantar a cabeça no parque. 
Senti-te mais crescido. Ou, talvez tenha sido eu que cresci mais um pouco. Alegra-me e entristece-me ver-te crescer. Entristece-me crescer. Mas sinta lá o que sentir, amo-te sempre meu amor. E "Meu amor" é o título do livro que (nos) comprei para assinalar este dia, que começa com o filho a perguntar: Mãe, vais amar-me durante toda a vida?


"Amo-te desde que te conheço e até antes disso.
...
Amo-te quando fazes como eu, e quando fazes como tu.
...
Amo-te quando te esforças, e quando eu me esforço.
...
Amo-te quando consegues, e quando vais conseguir.
Amo-te quando te lembras de mim, e quando te esqueces.
...
Amo-te quando vais à guerra, e quando mudas de ideias.
...
Amo-te quando és tu próprio, e quando não te reconheço.
Amo-te quando me ouves, e quando é a minha vez.
...
Amo-te quando estamos junto, e quando vocês estão juntos.
...
E pronto, é este o meu segredo. Amo-te todos os dias. Para sempre."

É um livro de Astrid Desbordes e Paul Martin, da editora Edicare. Quando o vi, pareceu-me um livro antigo, talvez pela ilustração, não sei. No entanto, 2016 é o ano da 1.ª edição. Para mim, este livro é uma verdadeira declaração de amor. Tão simples e tão verdadeiro.

Feliz dia para ti, filho, que me fazes comemorar este dia no papel de mãe.
Feliz dia para ti, mãe, que me fazes comemorar, desde sempre, este dia no papel de filha.

Estrito a 1 de Maio de 2016.