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quarta-feira, 7 de março de 2018

Grandes livros para pequenos leitores #29 - A princesa baixinha

Amanhã é dia 8 de Março, dia Internacional da Mulher. Ainda não pensei no que te vou dizer sobre este dia, não sei o que vais ouvir na escola... Mas, hoje, vou contar-te esta história.


Era uma vez uma princesa muito baixinha. Alguns, mais maliciosos, duvidavam até que fosse uma princesa de verdade. O seu avô também fora um homem muito baixo, no entanto isso não o impediu de combater contra os inimigos - segredou-lhe a avó. Assim, nasceu na princesa a vontade de fazer coisas importantes: atravessou bosques, montanhas e desertos, enfrentou um dragão, desatou nós apertados de sacas de farinha enfeitiçadas, afastou condores e regressou a casa como... uma grande princesa. 
A Princesa Catarina é forte e corajosa, tal como qualquer um o pode ser: seja menino ou menina. É isto que te quero dizer amanhã: qualquer um, seja menino ou menina, pode ser forte ou frágil, corajoso ou medroso, alto ou baixo...

É um livro de Beatrice Masini e de Octavia Monaco, da Editora Livros Horizonte.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Grandes livros para pequenos leitores #28 - O mundo ao contrário

Filho, este livro foi um dos presentes do teu 4º aniversário e tem esta dedicatória:
"Um dia, inevitavelmente, vais crescer mais. E ainda bem, é esse o percurso natural da vida. Vais perceber por ti que a natureza tem coisas perfeitas (o crescimento de uma criança é uma delas), mas que dela também fazem parte coisas imperfeitas, coisas que estão frequentemente fora do lugar, no lado contrário do que é suposto. Hoje não vou escrever sobre elas. Hoje espero apenas conseguir dar-te as bases para identificares o que está ao contrário; as bases para tentares contrariar o que de errado encontrarás neste nosso mundo; as bases para conseguires agir bem e por bem; as bases para seres e fazeres feliz.
Por agora dedico este livro àquela brincadeira tão nossa de te pegar ao colo, inclinar-te para trás com o apoio dos meus braços e proporcionar-te o mundo ao contrário, o mundo de pernas para o ar. Costumas pedir-me para fazer isto frequentemente. E eu faço-o orgulhosamente, como se fosse uma brincadeira que só nós é que conhecemos - não somos os únicos, mas fingimos que somos.
E agora temos uma outra brincadeira: vamos descobrir o que está ao contrário neste livro? vamos descobrir o que está no sítio errado? o que tem o tamanho errado? vamos tentar colocar as coisas nos sítios certos? Pode ser um passo para perceberes o lado certo e o lado errado das coisas...
Muitos parabéns neste dia tão especial da nossa vida, o dia 27 de Setembro".

Um livro mágico que nos leva a procurar o que está fora do sítio. Um livro com ilustrações extraordinárias que nos leva a refletir sobre o que seríamos e sentiríamos se invertêssemos papéis. Um livro muito bem pensado. Um livro de ATAK, da Editora Planeta Tangerina.


A propósito da minha resistência ao circo - já fomos uma vez, mas não tenho vontade de repetir; os avós do miúdo perguntaram-nos há dias se queríamos ir ao circo com ele, a nossa resposta foi imediata e negativa:


Este livro permite-nos colocar no lugar do outro, refletir sobre o que sentiríamos se estivéssemos no lugar do outro, inverter papéis (depois de lermos este livro pela primeira vez, o meu filho fez de conta que era o pai e eu a filha), realizar desenhos e pinturas ao contrário...
Este livro é um álbum ilustrado sem qualquer texto a completá-lo, o que nos permite dar azo à imaginação. Quando chegamos a esta página, podemos completá-la com "e naquele mundo longínquo onde tudo acontecia ao contrário, os animais iam ao circo ver as acrobacias que os homens conseguiam realizar" ou "naquele mundo criado ao contrário os homens faziam a vez dos animais no circo de Natal... será que gostavam?"... O texto que inventamos depende dos objetivos que definimos, da ocasião, das crianças que nos ouvem.

Uma das propostas que integrou as Atividades de Verão na escola do meu filho: crianças deitadas no chão debaixo de uma mesa; folhas de papel brancas coladas na parte de baixo do tampo da mesa; desenhos e pinturas realizadas ao contrário - chamaram-lhes "pinturas do avesso". A postura da criança ao realizar a atividade é contrária à habitual, a perícia manual é trabalhada. Será que foi muito difícil?

 Imagem retirada daqui

Depois, aumentaram o nível de dificuldade: pintaram assim e desenharam com um lápis entre os dedos dos pés:

 Imagem retirada daqui

O mundo ao contrário: um livro com tantas possibilidades educativas. 
Há 2 anos escrevi um texto com este título.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Grandes livros para pequenos leitores #27 - Onde perdeu a Lua o riso?

Mais uma história da biblioteca: "Onde perdeu a lua o riso?". Este livro tem um texto curto e simples, que ganha vida com as imagens expressivas que o ilustram.
Daniel questiona onde perdeu a Lua o riso: uma vez, outra e outra... Porque reconhece a importância de rir. Faz-lhe confusão não saber do riso de Lua. E quando a mãe não lhe sabe dizer onde ele está, o menino parte à procura do riso da irmã.
Onde terá a Lua perdido o riso? "Na barriga da cabra? Sobre o bico da pata? Entre os ovos das galinhas? Debaixo do escano da cozinha?"
O meu miúdo memorizou o texto correspondente a cada ilustração: à medida que vai folheando o livro, vai contanto a história em voz alta.
No final lê-se: "...uma lua barriguda morria de riso...". O miúdo é literal e faz beiço porque a Lua morreu de riso. Quer ver a Lua rir à gargalhada, mas não que morra de riso. Se rir é uma coisa tão boa, por que raio morre a  Lua (ainda que seja de riso). Lá lhe expliquei que neste caso a palavra "morrer" tem outro significado, quer dizer outra coisa, quer dizer que ela ri muito, muito, muito.  Termino esta história a fazer-lhe cócegas. E a ouvi-lo rir. E hoje, dia 24, é dia de "comemorar a rir".

É um livro de Miriam Sánchez e Federico Fernández, da editora Kalandraka.


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Grandes livros para pequenos leitores #26 - Papá, por favor, apanha-me a lua

Histórias que relatam momentos felizes entre pai e filha ou que narram pedaços de vida de um pai dedicados a uma filha, sensibilizam-me - deve ser o "fantasma" de nunca me ter sentido a menina do papá, ou melhor, deve ser o facto (real e não fantasmagórico) de nunca ter sido a menina do papá. Esta história é um desses exemplos. Mais um livro que requisitámos na Biblioteca.
A Mónica quer a lua e pede ao pai que a apanhe. Tal como muitas outras crianças, a Mónica quer coisas inatingíveis. Mas será a lua uma dessas coisas?

Uma coisa não podemos negar: o pai tenta apanhar-lhe a lua.


E esforça-se.


Através do seu esforço, descobrimos que a lua não tem sempre o mesmo tamanho nem o mesmo formato.
Por vezes fica mais pequena...


Outras vezes, cresce...



Em contexto escolar (ou familiar), quando um educador ou professor quiser falar do amor que os pais sentem pelos filhos ou quando quiser falar das coisas que um pai é capaz de fazer pelos filhos, pode aproveitar esta história. Também pode aproveitá-la para falar de como devemos lutar para alcançar o que queremos.  E, claro, através dela pode falar das fases da lua, pode sugerir a construção da lua em 3D nas suas diferentes fases, pode lançar a discussão sobre as mudanças observadas, pode incentivar as crianças a observar a realidade da lua todas as noites durante um determinado período de tempo.

É um livro de Eric Carle, da editora Kalandraka. Adorei as imagens, o texto e a mensagem.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Grandes livros para pequenos leitores #25 - Olá, eu sou o João - Um mundo só meu

"Às vezes pareço estar dentro de um mundo só, onde as portas e as janelas estão fechadas. Às vezes  é bem verdade. É assim que me defendo do excesso de sensações que o mundo me transmite. É como se ouvisse tudo demasiado alto, como se as cores fossem todas berrantes e me ferissem o olhar, como se, ao invés de ouvir palavras, ouvisse apenas a articulação agressiva das sílabas, sem sentido. Protejo-me deste excesso fazendo coisas repetitivas que me sossegam e, como devem imaginar, não gosto que me interrompam na minha defesa. 
Queria muito conseguir sair completamente deste escafandro onde me sinto confortável, porque, a espaços, encontro pontos de comunhão com as brincadeiras que vocês têm e sinto-me, mesmo que por pouco tempo, feliz. Ajudem-me a percorrer o caminho de mim a vocês, pouco a pouco e tanto quanto eu consiga. A vossa força pode ser a minha âncora para não me perder."

Texto de Valério Romão, escrito na contracapa do livro "Olá, eu sou o João - Um mundo só meu", com texto de Alice Vieira, com ilustrações de Paulo Guerreiro. Um livro tão cheio de simplicidade, tão cheio de sentimentos, tão cheio de preocupação pelo outro. Um livro tão simples e tão cheio. Um livro especial da coleção "Meninos Especiais".

Nesta história o João encontra um ponto de comunhão com a Isabel numa brincadeira tão simples e tão adorada por todos: saltar nas poças de água.

E nós, saberemos ser humildes o suficiente para pedir ajuda a percorrer o caminho de nós até ele? Sim, é quase certo que ainda não aprendemos a fazê-lo. Quereremos nós percorrer esse caminho? Estaremos conscientes da riqueza que esse percurso nos dará?

Para conhecer mais livros desta coleção: Pais em rede.

terça-feira, 6 de junho de 2017

À conversa com o meu filho #14 - questões de género / Grandes livros para pequenos leitores #24 - Será que a Joaninha tem pilinha?

Ao ver a publicidade de um brinquedo na televisão afirmou com convicção: isto é para meninos.
- Para meninos!? Porquê? - perguntei.
- Também pode ser para meninas. - afirmei.

Quis aprofundar a questão: por que raio estaria ele a dizer-me que aquele brinquedo era para meninos?
- Porque é que achas que aquele brinquedo é para meninos, filho?- questionei.
- Porque só aparecem meninos. - respondeu.

É simples, bolas! O que é que eu não percebi?

Numa Unidade Curricular sobre Igualdade de Géneros discutiu-se bastante a existência de brinquedos que são, muitas vezes, direccionados  para meninas ou para meninos consoante a publicidade que lhes é feita (a influência/o poder das imagens). Mas não estava à espera que ele verbalizasse de forma tão directa e tão simples esta problemática - sim é uma problemática. É muito simples: se colocam apenas meninos a brincar com carros nos anúncios da televisão, na publicidade que fazem nos folhetos, nos livros infantis, as crianças são bem capazes de interiorizar que brincar com carros é uma coisa de meninos. Eu não expliquei ao miúdo que o carro é um brinquedo de meninos, ele chegou a essa conclusão pela sua experiência; verbalizou-o porque viu a publicidade com atenção.
Apesar de não termos uma cozinha de brincar cá em casa, ele sempre que vê um brinquedo do género demonstra interesse; ele brinca com caixas de plástico e colheres; ele faz pão em cima da nossa mesa da cozinha. No outro dia, num dos piqueniques que fizemos, queria trazer um bebé e respectiva cama de uma amiga... No entanto, a educadora diz que na sala, com todas as opções disponíveis (bebés, cozinha, tábua de passar a ferro, carros, comboios, construções, etc.) ele prefere sempre os carros e os legos.
Este fim de semana ofereceram-lhe roupa e o miúdo resolveu dizer que duas das camisolas são de menina, uma porque é cor de rosa, a outra porque tem flores...

Que influência terei eu nas suas preferências?
Incentivo-o a brincar com o que ele quer desde sempre, ou melhor, nunca o proibi de brincar com nada (excepto com detergentes, objetos perigosos...), mas a verdade é que até à data não lhe comprei nenhum nenuco nem nenhuma cozinha, apesar de ter andado a namorar uma há um ano atrás (era linda, mas cara).
Na minha opinião, as imagens transmitidas pela publicidade podem influenciar as nossas preferências e levar a uma classificação de brinquedos de acordo com o género, mas as nossas escolhas (minhas, neste caso) também. Apesar de achar que cada um de nós tem as suas preferências e que algumas delas são independentes de factores externos, o facto de eu não ter comprado determinado tipo de brinquedos pode influenciar as suas escolhas/preferências. No entanto, não sinto culpa em relação a este assunto, até porque da mesma maneira que não lhe comprei um nenuco, também não lhe comprei nenhum brinquedo da patrulha pata, apesar de ele gostar muito. Priorizei comprar outros brinquedos em detrimento destes, porque ele demonstrou gostar mais deles. Já o pai, acho que por nostalgia em recordar os seus tempos de criança, comprou-lhe uma coleção de carros da majorette.
Nos últimos dias, começou a dizer que uma das maracas que tem é um bebé, chamou-lhe Martim Joaquim (coitado do bebé), passados uns dias juntou-lhe o Pedrito Coelho (batizado por mim, quando ele era bebé). Agora diz que tem dois filhos. Entretanto, trocou-lhes os nomes: a maraca passou a ser o Rafa, ou seja o Rafael, o Pedrito Coelho passou a ser o Martim Joaquim (falta de sorte a dele). Diz que o pai é o avô dos miúdos. Pergunto-lhe se sou a avó. Ele responde que não, que eu sou a mãe. Agora sim, acho que chegou a hora de lhe comprar um boneco.


Há alguns anos, em contexto escolar, durante o recreio observámos que um grupo de meninos considerou que jogar à bola era um jogo exclusivo de meninos e por isso impediu que uma colega entrasse no jogo. Considerou-se que era uma problemática interessante para ser trabalhada e discutida em grande grupo. O ponto de partida foi um livro de uma colega nossa: Será que a Joaninha tem pilinha? Um livro da editora Dinalivro, de Thierry Lenain e Delphine Durand.
Nesta história, o Max investiga se a Joaninha tem pilinha. É que apesar de parecer um sem-pilinha, desenha mamutes em vez de flores, joga à bola, vence lutas... como se fosse um com-pilinha.


Iniciou-se um projeto com a leitura deste livro. Promoveu-se um debate sobre o problema identificado, em que cada criança teve oportunidade de dar a sua opinião sobre o sucedido: algumas crianças apresentaram exemplos de brincadeiras "destinadas" a meninos e outras "destinadas" a meninas, de acordo com as suas perceções; algumas crianças discordaram e comunicaram ao grupo que gostam de brincadeiras que, muitas vezes, são consideradas brincadeiras "do sexo oposto"; concluiu-se que todos podem brincar ao que quiserem. Realizaram-se vários jogos em que todos puderam participar. Por fim, foram preparadas dramatizações realizadas em pequenos grupos: cada grupo teve a liberdade de inventar a sua pequena história; cada grupo optou por uma técnica para a dramatização da sua história: teatro de actores, teatro de fantoches, teatro de sombras e teatro de objectos.
Porque é que eu não posso jogar o teu jogo? Porque sou menina? - foi o título do projeto. Mas a última pergunta também podia ser "Porque sou menino?", depende apenas da situação.

terça-feira, 21 de março de 2017

Dias nossos: 19 de Março de 2017 / Grandes livros para pequenos leitores #23 - Pê de Pai

Ele acordou às 5 e tal da manhã de Sábado. O pai trabalhou no Sábado. Ele acordou às 6 da manhã de domingo. O pai esteve de folga no Domingo. Não comprei nenhuma prenda nem tinha vontade de o fazer, queria pagar-lhe o almoço longe de casa, com vista para o mar. Foi esta a prenda que imaginei e era para os três. O miúdo fez um presente na escola para oferecer ao pai e eu estava sem paciência e sem imaginação para acrescentar algo à surpresa. Queria apenas fugir dali para um sítio bonito.
A casa estava por arrumar. A visita à minha avó, que caiu, estava por fazer. A roupa estava por tratar. Eu estava cansada. Às 7 da manhã eu e o miúdo tomávamos o pequeno almoço. Às 7:30 brincava sozinho. Às 8 da manhã eu e o miúdo estávamos a fazer ginástica no quarto dele, a jogar à bola com um boneco, a brincar ao equilíbrio.
Disse-lhe que era dia do Pai. Sugeri a leitura do livro "Pê de Pai". Ele aceitou, mas pediu para lhe ler também o "Coração de mãe". O pai acordou às 10, era dia do Pai, dormir até às 10h foi um dos presentes. Por ali andámos com intenção de ir para a rua. O cansaço pesava-me, o sono começava a chatear o miúdo. O almoço com vista para a praia ficava sem efeito. Ao meio dia estávamos a almoçar em casa. À uma da tarde ele estava a dormir - dormiu 3 horas e eu duas. Antes de dormir o pai "obrigou-me" a ir comprar um gelado, era dia do Pai, era só o que ele queria - "sacana", fez-me sair de casa. Assim que acordou da sesta, lanchámos e fomos para a rua. Fomos a um parque distante da nossa casa, onde brincámos e arejámos os três. Eles foram desejar um feliz dia ao avô enquanto eu fui ver a minha avó. Jantámos na casa dos avós. Regressámos a casa para dormir. Varri o chão da cozinha, tratei de alguma roupa e ignorei o que ficou por fazer. Na segunda feira de manhã desejei que fosse domingo com o pai de folga. O meu desejo não se concretizou. Paciência, está tudo bem.

O pai é ambulância, é travão, é casaco, é bóia e é colchão. O pai é sofá, é avião, é motor, é grua e é despertador. O pai é esconderijo, é escadote, é carrossel, é trator, é cavalinho, é túnel e é doutor. O pai é esfregão, é pequenino, é seta, é cofre, é cabide e é meta. O pai pode ser tudo o que ele quiser.
Ofereci este livro ao pai do meu filho no final da minha gravidez, quando ele fez 37 anos. Ele nem imaginava o tanto que podia ser.


É um livro de Isabel Martins e Bernardo Carvalho, do Planeta Tangerina.

No dia do Pai, mandei (por mensagem) um beijinho a várias mãe que tantas vezes (quase sempre) fazem a vez dos pais. São as minhas heroínas. No dia da mãe farei o mesmo ao pais que se encontram na mesma situação. Só conheço um - atualmente ele já divide as responsabilidades com a mãe, mas durante muitos anos foi só ele.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Grandes livros para pequenos leitores #22 - Darth Vader e filho

Oferecemos este livro ao pai no dia 19 de Março de 2015. O pai é louco pela Saga Star Wars. O filho, por contágio, começou a apreciar as personagens desde muito cedo. Às vezes pede para lho lermos. É diferente da maioria dos livros que temos. Ilustra na perfeição alguns dos momentos vividos entre o pai e o filho cá de casa. É um livro especial para nós.


Legendas nossas:

Tenho de me agarrar a algum lado, certo?
 
 Exploração Infantil!?

Deves pensar que um convite para ir à casa de banho é uma coisa muito interessante... Convida-me para ir ao parque.

O pai sente todos os dias a mesma dificuldade: vesti-lo. 

Ainda não estou pronto!!!!!! Agarrar é diferente de empurrar. Compreendes a diferença?

 Fraquinho. Estive 9 meses enrolado e não me queixei.

Já tenho uma prima...

 Tu sabes que gosto muito de ti, papá.

Um livro de Jeffrey Brown da Editora Planeta Manuscrito.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Grandes livros para pequenos leitores #21 - Sou o maior

De manhã quando me tento despachar como qualquer mortal, é quase garantido que surge uma pessoa pequenina a pedir-me colo, a dizer que quer ficar comigo, a pedir para me deitar novamente. Depois do aconchego de um colo, de um abraço apertado e de alguns mimos trocados, chega a hora de lhe dizer que tenho de voltar ao que estava prestes a iniciar. Já percebi que se este ritual não for tranquilo, a Sra. Birra dá o ar de sua graça. É preferível "perder" - a verdade é que todos ganhamos - uns minutos num acordar assim do que enfrentar a terrível e não desejável Excelentíssima Senhora. Numa destas manhãs veio atrelado um pedido para ler um livro, um livro pequenino - retorquiu ele perante o meu "não posso, filho". Cedi e o livro que ele tirou da prateleira foi "Sou o maior" de Lucy Cousins, da Editora Caminho.


Foi uma prenda de aniversário. Não o temos lido muitas vezes, mas transmite uma belíssima mensagem.
Um cão que é o maior: faz buracos mais depressa e mais compridos do que o ganso, nada mais depressa do que o burro, é maior do que a Joaninha... Em todas as comparações que faz, ele é o MAIOR!
Então e se baralharmos isto e trocarmos as comparações: será que nada melhor do que o ganso? será que é maior do que o burro? voará mais do que a Joaninha? fará buracos mais depressa e mais compridos do que a toupeira? Pois é, parece que é tudo uma questão de perspetiva, parece que depende de com quem é feita a comparação. O cão lá chega à conclusão de que está a ser um grande exibicionista e pede desculpa aos amigos... Mas no final da história será que o cão é o maior em alguma coisa?

Filho, um dia, quando te deparares de forma mais consciente com as diferenças entre o que tu és e o que os outros são, não te preocupes, nada temas, não te intimides com as constatações. Foca-te no que gostas, no que queres alcançar, no que queres ser, define como o queres fazer e segue em frente, de preferência sem grandes comparações (haverá sempre algumas), sem te exibires, sem te desvalorizares. Não tentes contrariar a tua essência e nem entres em jogos competitivos excessivos: serás sempre maior do que uns numas coisas e menor do que outros noutras; serás sempre capaz de fazer umas coisas e incapaz de fazer outras. É mesmo assim. Às vezes "querer ser" ou "querer fazer" é poder; outras não - mentiria se dissesse o contrário. É claro que o "querer ser" ou o "querer fazer" é meio caminho andado para alcançares algo, mas às vezes não chega. Às vezes as coisas não correm bem à primeira, mas quando tentas novamente superas-te. Lembra-te que a frustração faz parte da vida, é bom que a sintas (não a ignores), mas não é mais do que isso: uma frustração, um "não sou capaz", um "não consegui", um "sou pior nisto". Esta história diz-nos que ninguém quer ser o pior, mas também nos diz que ser o pior é muito relativo.
Por fim, quero que saibas (tu sabes) que para mim és sempre o maior: o maior amor. Mas é para mim, tal como os outros filhos o são para os pais.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #20 - O cavalinho de pau do Menino Jesus e outros contos de Natal

Queria um livro que falasse do Menino Jesus e do Pai Natal. Não queria escolher um em prejuízo do outro. Queria que ele associasse os dois à época Natalícia. Queria os dois nas histórias que recriamos nesta altura. Queria magia e fantasia.
Comprei este livro online. Li, antes de o comprar, que relata o nascimento de Jesus, o atraso dos Reis Magos e a escolha da prenda que o Pai Natal ofereceu ao Menino Jesus aquando do seu nascimento. Sabia que era uma história diferente, não só porque contemplava "os dois grandes protagonistas" do Natal no mesmo livro, mas também porque a escrita tinha um lado humorístico, bem disposto, leve, fresco, sem conservadorismos. Não tive oportunidade de folheá-lo antes de o comprar, mas não me desiludiu.
Gostei de algumas das reflexões do Menino Jesus ainda dentro da barriga da mãe; do atraso dos Reis Magos e da, consequente, impaciência da estrela perante a espera de suas majestades; da confusão do Pai Natal ao escolher um presente dos dias de hoje para um menino que nasceu há mais de 2000 anos, teve de ser a Mãe Natal a orientá-lo na escolha; do Menino Jesus escolher o cavalinho de pau em detrimento do ouro (para ele o cavalinho de pau tem mais significado). Eu gostei do livro. Ele também gostou, mas é um livro com muito texto e poucas imagens para a idade dele, com o relato de factos que ele desconhece (logo, não encontra a piada que eu encontro). Contei o resumo das três histórias, ele percebeu-as e relata-as como se estivesse a ensaiar a fluidez do discurso (gosto desta fase do miúdo; na verdade tenho gostado de todas, excetuando as birras).
Este livro é também um excelente ponto de partida para o presente que ele vai encontrar no dia 25 de manhã debaixo da nossa árvore de Natal: um cavalinho de pau. Abrimos as prendas no dia 24 à noite em grande grupo, mas gosto sempre de deixar uma para o dia 25 quando acordamos. Este ano é esta.


É um livro de Manuel António Pina, com ilustrações de Inês do Carmo, da Porto Editora.
Acho que é um excelente livro para realizar dramatizações alusivas à época (no 1º ciclo do Ensino Básico). Tem três histórias e várias personagens. Acho que é relativamente fácil incluir todos os alunos na história com participações equitativas (mesmo que se façam adaptações do texto).

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #19 - O livro negro das cores

Este livro permite aprender e transmitir a inclusão, simular realidades, criar empatia, "experimentar" a cegueira, refletir sobre este filme. 
Lembro-me de ter encontrado este livro na livraria Bulhosa (mais uma vez esta livraria, trabalhava lá perto, era o passeio da hora de almoço) e de o querer comprar imediatamente. O valor era superior ao plafond disponível e, na altura, contentei-me com a oportunidade de folheá-lo e de imaginar o que faria com ele em contexto escolar (isto aconteceu nos meus tempos áureos de estudante, estudante de 30 e poucos anos).
Mais tarde, fiz um trabalho em que referi este livro e a minha sugestão de atividades foi muito óbvia: vendar os olhos das crianças; ler o texto em voz alta ao mesmo tempo que as crianças folheiam as páginas desta relíquia; orientá-las para a descoberta das texturas, promovendo assim a associação do texto lido às texturas impressas no livro; estimular a imaginação levando-as a cenários hipotéticos. A história associa as cores a determinados cheiros, logo, efetuar a leitura com a possibilidade de as crianças experimentarem o aroma associado a cada cor descrita no livro seria uma mais valia. Seria perfeito se cada aluno tivesse o seu livro e a atividade/experiência fosse realizada com todos os alunos ao mesmo tempo.
Outras hipóteses: disponibilizar objetos, propor o manuseamento dos mesmos de olhos vendados, pedir às crianças para os descreverem, bem como a sua função; propor a deslocação na sala de aula com os olhos vendados de um determinado lugar a outro seguindo as instruções dadas pelo professor/pelos colegas; sentar as crianças em roda com os olhos vendados, apresentar uma sequência de sons - um carro a chegar, um comboio a apitar, a chuva a cair - e pedir para descreverem o lugar para onde são "levados" pelos sons; registar todas as dificuldades que as crianças vão sentindo. No final, em grande grupo, debater os obstáculos encontrados e as dificuldades sentidas e recolher ideias para melhorar o quotidiano de pessoas com deficiência visual. Tudo isto aconteceria no campo da simulação e da manipulação de realidades, mas poderia ser um ótimo ponto de partida para a compreensão das dificuldades que alguns sentem, para a inclusão, para o respeito pelo outro, para a aprendizagem da empatia. Este livro é maravilhoso por tudo o que pode representar, foi amor à primeira vista, à segunda, à terceira... É impossível ficar indiferente: um livro tão poético, que consegue transmitir a realidade (de alguns) com uma sensibilidade ímpar.


O Livro negro das cores é da Bruaá Editora, texto de Menena Cottin e ilustração de Rosana Faria. 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #18 - Medo do Quê?

Todos temos medos, uns mais do que outros, uns lidam melhor com o medo do que outros. Eu tenho alguns, se bem que não é habitual serem impedimento para eu avançar. Penso neles, não finjo que não os sinto (aprendi há algum tempo que não vale a pena fazê-lo), mas não deixo que me condicionem. Aqui, "verbalizei" um dos meus medos. Escrevi aqui (com alguma ironia) sobre um dos medos que o meu filho tem. No texto "O mundo ao contrário" referi o medo que sinto quando o mundo lhe grita o contrário do que procuro transmitir-lhe todos os dias. E aqui falei do mundo que não sou capaz de lhe explicar. Se acrescentar o resultado das eleições de anteontem nos Estados Unidos e o que dele (do resultado) me assusta - a força que deram ao eleito, os que nele votaram e respetivos motivos, as (não) ideias, os preconceitos e os enredos - faz todo o sentido procurar inspiração neste livro. Este livro fala connosco, questiona-nos sobre os medos que sentimos e mostra-nos o bem que deles pode advir (ainda não consegui encontrar o lado positivo do resultado das eleições, desculpem; sou otimista, mas ainda tenho muito para aprender; como diria a tia do miúdo, estamos tram(p)ados).

Filho, tens medo do desconhecido?
Filho, tens medo do escuro?
Filho, tens medo da tempestade (no último parágrafo deste texto)?
Filho, tens medo de ser pequeno (a propósito de me dizeres que queres ser grande)?
...
Filho, tens medo do quê?


O livro diz-nos: o desconhecido é um mundo por explorar; no escuro nascem as estrelas; as tempestades revelam o teu porto de abrigo; ainda és pequeno, mas o importante é que tenhas um coração grande.
Queres ir à procura do lado bom do medo comigo? Sim, meu amor, eu também preciso de encontrá-lo. Vamos os dois!?

É um livro de Rodrigo Abril de Abreu, de 22 de Setembro de 2016, da Editorial Presença. 

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #17 - Os três primeiros livros que requisitámos na Biblioteca

Desde há um ano/um ano e meio que vamos à Biblioteca. No Inverno vamos mais vezes, no Verão gostamos mais de apanhar ar no jardim ou no parque. Sempre que passamos perto da Biblioteca, ele liga o pisca na sua direção. A semana passada fomos aos CTT e no caminho encontra-mo-nos com ela. Entrámos. Ele gosta do espaço pela quantidade de livros, mas principalmente pela casa de madeira, pelos colchões no chão e pelo crocodilo de pano gigante que lá habita - ele desarruma e folheia livros, mas acho que a casinha de madeira é a sua perdição. Pela primeira vez requisitámos livros. Três. Como temos um prazo para os devolver (avisei-o de que os livros não são nossos) quando decidimos ler um, lemos todos. Ele pede sempre para lermos os três por uma ordem específica.

1 - O primeiro livro que ele pede para ler é sempre este:


A mãe e o Hugo fazem muitas coisas juntos, mas um dia a mãe tem coisas para fazer sozinha (telefonemas, responder a e-mails; já vivi este filme na primeira pessoa) e o Hugo tem de arranjar algo divertido para fazer sozinho. E arranja: prepara uma surpresa. Julgo que ele se identifica com os acontecimentos relatados neste livro, talvez por isso seja sempre o primeiro que ele pede para ler. Chama-lhe "Gosto de brincar com a mãe".
A Mamã e Eu é o título do livro, é de Emma Chichester Clark, da Editora Caminho.

2 - Adorei encontrar/conhecer o segundo livro. Se a escolha do primeiro livro requisitado na Biblioteca tivesse sido planeada,  não tinha sido tão assertiva.


Um coelho que adora livros. Um coelho que entra em casa das pessoas às escondidas para ler os seus livros. Um coelho que começa a desviar/roubar livros. Um Coelho Ladrão de Livros que é apanhado em flagrante. Uma hipótese de o Coelho Ladrão de Livros se reabilitar. Como? Incutindo-lhe o hábito de requisitar livros na Biblioteca. E devolvê-los. É uma história muito divertida e mais que adequada à explicação de que temos de estimar e devolver estes livros.
Procura-se Ralfy, o Coelho Ladrão de Livros, um livro de Emily Mackenzie, da Editora Minutos de Leitura.

3 - O terceiro livro é especial. Muito.


"O Baltasar era o melhor urso violinista do mundo. Chamavam-lhe Baltasar, o Grande! 
Um dia, é libertado do circo e inicia uma longa viagem. Diz adeus aos velhos amigos, visita novos lugares e faz novos amigos também. Mas a viagem é longa e os dias estão cada vez mais frios... Conseguirá o Baltasar encontrar o caminho até casa?"
O livro tem pouco texto, as imagens quase que nem precisam dele. Foi conseguido o equilíbrio entre o (pouco) texto necessário e as ilustrações apresentadas. As ilustrações são maravilhosas. É um livro que fala do direito dos animais viverem livremente. Fala de despedidas, de caminhos, de procura e de reencontros. Fala do reencontro com a família. E quando chegamos à ultima página, em que o Baltasar está no seu Habitat natural com os seus familiares ele diz:
- Aqui está o pai - apontando para o maior e mais gordo urso que aparece na imagem; pena aquele "ursinho" usar um biquíni, sinal de que deve ser a mãe; mas a intenção é boa, o pai é que é o grande e o... gordo lá de casa.
- Aqui está a mãe - apontando para o urso mais elegante. Boa, filho!
- Aqui está o Baltazar e a irmã - up´s, falta a irmã. Pode ser a prima?
- Aqui estão os avós, os tios, as primas... as professoras e as Carmos... Esbocei um sorriso enorme quando ele disse isto. Ele está a incluir naquela página, que representa a sua família, a educadora e a Ama. Ele deve achar que todos têm uma professora e uma Carmo (Ama) e que elas devem ser parte integrante da família.
Baltasar, o Grande, um livro de Kirsten Sims, da Editora Orfeu Mini.

Foram estes os três primeiros livros que requisitámos. E agora temos um problema: gostávamos mesmo de ter estes livros na nossa prateleira... Eu sabia que isto de requisitar livros tinha um lado bom e um lado mau: o lado bom existe porque temos acesso a mais histórias; o lado menos bom existe porque não nos contentamos em ficar com elas apenas 15 dias.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #16 - Adivinha quanto eu gosto de ti para assinalar o teu 3.º aniversário

Este livro para falar do teu terceiro ano de vida. E também de amor. Ao longo desta história, as lebres, a grande e a pequena, vão procurando formas de dizer o quanto gostam uma da outra, como se fosse um jogo em que o objetivo é demonstrar que o amor de uma é maior do que o da outra. Se no início o tamanho do amor é a altura de cada uma das lebres, no final já é do tamanho de uma ida e volta à lua. O amor que te sinto, tal como o relatado neste livro, também tem sido crescente. Cada vez que penso que não é possível gostar mais do que gosto, descubro que sim: é possível e acontece todos os dias. Talvez porque vou descobrindo mais de ti. E também mais de mim. Tu cresces, eu cresço e o amor, inevitavelmente, cresce.
No último ano deixaste a chucha. Passaste a dormir no teu quarto e na tua cama. Só usas fralda à noite. Abandonaste a tua cadeira de refeição e passaste a sentar-te à mesa numa cadeira igual à nossa. Enriqueceste o teu vocabulário, o poder de argumentação e a capacidade para exprimires o que sentes. Fizemos muitas horas de parque: passaste a subir os escorregas e as casas de madeira do parque sem ajuda. Foi o teu primeiro dia de escola. Eu fiz 40 anos e o pai também. Aperfeiçoaste a arte de fazer birras e as artes em geral. Comeste o teu primeiro gelado. Começaste a ver televisão com mais frequência, se bem que vamos reduzir este consumo. A Heidi já foi a tua animação preferida; agora, as aventuras do Peter Pan e do Pirata Jake dominam. Pelo meio, também gostas do Pedrito Coelho (dormes com um coelho que tem este nome) e da Patrulha Pata. Descobriste as cores: a cor amarela foi a primeira que identificaste com convicção; depois, foste identificando as outras sem ser ao acaso; ao verde, chamas-lhe a cor da relva e é a tua preferida; baralhas-te com o facto de preferires a cor verde e seres do Benfica em que o vermelho domina. Já te expliquei, meu amor, que uma coisa é a tua cor preferida outra é o teu clube preferido. Neste tema não há cá democracias (mentira, claro, mas...), somos todos Benfiquistas, compreendido? E por falar em futebol, neste último ano Portugal foi campeão Europeu pela primeira vez. Fizemos férias, pela primeira vez, com a prima. Foi tão bom. Por tudo isto e por muito mais, este teu último ano foi forte em crescimento, em aprendizagem, em descobertas. E por isso, também em amor.


Filho, adivinha quanto eu gosto de ti. Não sabes!? Eu também não, mas uma coisa eu sei: é impossível quantificar! As palavras que conheço são poucas e redutoras para descrever isto de te amar, isto de amar um filho, mas uma coisa eu sei: amo-te quando dormes e quando acordas, quando estás feliz e quando estás triste, quando fazes malandrices, quando te vejo brincar sozinho e quando te oiço falar com os teus amigos imaginários, quando te abraço, quando nos olhamos nos olhos, quando ralho e quando elogio, quando fazes birras e quando me contrarias, quando cantas, quando corres e quando cais, quando és simpático e quando és antipático... Amo-te sempre, cada vez mais. :)

É um livro de Sam McBratney, com ilustrações de Anita Jeram, da Editora Caminho. Agora, só quero encontrar a coleção de 4 volumes de "Adivinha quanto eu gosto de ti" na Primavera, no Verão, no Outono e no Inverno. Já tinha escrito sobre a compra deste livro aqui. Quando compro dois livros no mesmo dia (não acontece muitas vezes), ele inclina-se por um e só mais tarde "descobre" o outro. Com este foi assim. Hoje, ele já vai à prateleira buscá-lo para eu lho ler. Pelo meio da leitura, imitamos as lebres.

O ano passado escrevi-te esta carta. Hoje, infelizmente, não posso dizer-te que o mundo onde te fiz nascer vai bem. Mas eu tenho esperança. Tenho fé. Tenho confiança. Vou continuar a fazer pequenas coisas (o que posso e o que sei, sei que posso fazer mais), com esperança que se reflitam num mundo melhor para nós.
Quero dizer-te que não há poder nem dinheiro nenhum deste mundo que valham o desrespeito pelos outros, apesar de muitos considerarem que sim. Ignora-os, filho. Coloca-os na prateleira de exemplos a não seguir. Não há nada melhor do que viver em paz connosco e com os outros; com conhecidos e com desconhecidos; com a família, com os amigos e com o mundo. O mundo tem gente boa, muita. Aprende com eles. Eu também procuro aprender.
Desejo que sejas feliz. Desejo que sejas uma pessoa boa. Hoje e sempre.

Carta escrita ao meu filho por ocasião do seu 3.º aniversário.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #15 - Coração de mãe para assinalar o teu 6.º aniversário

Querida sobrinha, porquê este livro?
Porque no dia 14 de Setembro comemorou-se o teu nascimento e o da tua mãe no sentido lato da palavra "mãe". Tal como aconteceu contigo, aquele dia foi apenas o primeiro do resto da sua vida: tu, a filha pequena que nasceu antes de tempo; ela, a mãe cansada de 3 semanas de internamento e desejosa por ser uma mãe com uma filha no colo em vez de ser uma mãe com uma filha no ventre, carregada de medos e de dúvidas. Ela estava cansada, queria tocar-te,  queria ver-te. Queria sentir a pessoa que viria a ser o bem mais precioso da sua vida.
Ela não fazia ideia o que é isso de ser mãe. Nem tu o que é isso de ser filha. Apesar de terem a vida toda para descobri-lo, nem sempre a descoberta tem sido feita da forma mais natural. A descoberta tem sido brusca. Muito brusca. Ela não sabia que ser mãe pode fazer de nós seres gigantes e seres pequenos; seres fortes e seres frágeis; seres seguros e seres vulneráveis; seres tão cansados e seres tão dinâmicos. Não sabia que ter um filho é ter sempre um ponto forte e ter sempre um ponto fraco. Não sabia que ia conhecer o melhor do ser humano (Tu) e o pior. Não fazia ideia que serias um pedaço de vida (o mais importante) a solo. É por isso que, tal como descreve este livro, o coração de mãe tem uma enorme capacidade de adaptação. Só assim se consegue sobreviver a oscilações tão bruscas de estados de espírito, de sentimentos e de emoções.
Ofereci-vos este livro, neste dia tão especial, para que nunca se esqueçam do papel que cada uma tem na vida da outra. Um livro para ler sempre: quando houver tristeza, quando houver alegria, quando houver zanga, quando houver harmonia, quando houver ira, quando houver paz, quando houver revolta... quando reinar o amor. Este, acredito, nunca faltará.
Parabéns meus amores.


Um livro do Planeta Tangerina. De Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho.

Sobrinha,
- Uma história dedicada a ti em duas partes: aqui e aqui.
- Declaração de amor neste texto.
- É fácil falar sobre ti: és mesmo especial.

Por fim, uma questão pertinente: Já inseri este livro em inúmeras listas de prendas. De Natal, de aniversário, do dia da mãe, do dia comemorativo da unha do pé. Todas as listas possíveis e impossíveis. E, até à data, ainda não o tenho. Pessoas (mãe, namorado/marido, irmã), estão à espera de quê? Não vale fingir que não leram esta parte...

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #14 - Posso espreitar a tua fralda?

Há umas semanas fui ao centro comercial durante a minha hora de almoço com o objetivo de comprar 1 livro. Um livro em mente que queria ter já (falarei dele depois). Cheguei lá, perguntei pelo dito. Não o encontraram de imediato. Enquanto esperava, "tropecei" no "Adivinha o quanto eu gosto de ti", que também está na minha lista. Acabei por não comprar o livro que me fez ir até lá. Decidi comprar este último, não podia comprar os dois. Já com o cartão multibanco na mão para o pagar, deparo-me com este:


Folheei-o rapidamente e pensei: Estou tramada! O outro já estava na minha mão, o pagamento estava prestes a ser efetuado, estava sem tempo para reflexões, escolhas e exclusões. Comprei os dois (compra por impulso pura).
Hoje, teria optado por comprar apenas este (o outro ficaria para depois), porque para além de divertido é bastante adequado à fase do desfralde e um verdadeiro incentivo à utilização do bacio. Achei o livro engraçado, mas não pensei logo na força das suas potencialidades. Quando o leio, faço uma voz diferente para cada personagem com muita mímica e com muitas expressões faciais à mistura. O miúdo participa sempre na leitura, uma vez que o livro tem abas e cada vez que um animal concorda em mostrar a sua fralda ao ratinho, lá vai ele levantar e espreitar a fralda de mais um animal. Rimo-nos muito. Ele nunca se contenta com a primeira leitura do livro, pede-me sempre para o ler "outra vez".
Nunca lhe disse que tinha de ser como o ratinho (o ratinho é o único animal que não tem cocó na fralda). Por coincidência ou não, aos poucos, começou a andar sem fralda (primeiro, por iniciativa nossa; agora, por vezes, diz que não quer a fralda; julgo que a fralda já o incomoda). Já fez chichi na rua (teve mesmo de ser), já utilizámos casas de banho públicas para as duas hipóteses (detesto), já tivemos descuidos. Nunca ralhamos quando estes acontecem. Na maioria das vezes corre bem, apesar de correr muito melhor quando está connosco.
O ano passado tentámos o desfralde, na medida em que ele avisava quando fazia cocó. Mas não houve uma continuidade (na nossa casa andava sem fralda, na casa da Ama não) e os descuidos eram muitos. Não insistimos, ele nem dois anos tinha e achamos que talvez não estivesse preparado (nem ele, nem nós). Este ano, acho que estamos todos preparados. Este livro é muito recente e foi um verdadeiro achado nesta altura. É o nosso companheiro na aventura do desfralde. Terá um lugar especial na nossa lembrança por isso.

Texto e ilustrações de Guido Van Genechten, da Editora Minutos de Leitura.

Em jeito de conclusão:
Sempre pensei que só o poria no bacio depois dos 2 anos e no Verão: ele faz anos no final de Setembro, logo só na Primavera/no Verão seguinte é que iniciaríamos as andanças do desfralde - com 2 anos e meio/ 3 anos. A Pediatra, baseada nos sinais que o miúdo nos ia dando (descritos acima) e sem qualquer pressão, sugeriu que experimentássemos o bacio no Verão em que ele tinha um ano e tal. Não interiorizei muito bem esta ideia e não houve grande empenho no desfralde nesta altura. Acabou por deixar a fralda com dois anos e tal (no ano em que comprei este livro). Por um lado, desconfio que se houvesse mais empenho e insistência da nossa parte ele deixaria antes; por outro acho que foi na altura certa, aconteceu de forma mais natural para ele. Pouco tempo depois de fazer os 3 anos deixou de querer fralda à noite. Isto trouxe-nos muitos lençóis molhados em noites de Inverno, mas foi a vontade dele, com choro pelo meio sempre que insisti no uso da fralda à noite. Respeitei a sua vontade.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #13 - Pedrito Coelho - Uma História de Inverno / A brincar é que a gente (pequena) se entende #12

Um coelho chamado Pedrito sai da toca para apanhar lenha num dia de Inverno. Encontra o primo Casimiro. Os dois decidem que brincar com a neve e descer no trenó é mais importante do que apanhar lenha. Encontram o Texugo Frederico Fedorento e a Senhora Rata Migalha que chora o desaparecimento dos filhotes. Pedem informações aos Coelhos Cavalheiros e ao Gato Guarda-Florestal. São perseguidos pela Senhora Raposa Matreira.  
Dois coelhos que se arriscam para procurar os ratinhos desaparecidos. Dois inimigos que optam por beber uma cerveja à mesma mesa em vez de travar uma luta. Uma mãe que se esquece de repreender o filho de tão feliz que fica por vê-lo bem. Uma toca acolhedora. Um bolo caseiro e um chá. Um final feliz.
"Uma aventura baseada nas histórias de Beatrix Potter que brinda os pequenos leitores com uma bonita árvore pop-up no final da história". E parece que é uma árvore de Natal. Não estamos em Dezembro, mas sempre ouvi dizer que Natal é quando um homem quer.
Adoro as ilustrações deste livro; o miúdo lá de casa adora a história. É da Civilização Editora.


Se vivesse num sítio em que a neve abundasse, a brincadeira que se seguia à leitura deste livro seria a descida de uma encosta num trenó, num dia de Inverno, claro. Como não vivo, vou procurar uma colina, deixo-o subir, incentivo-o a descer. Primeiro caminhando, depois correndo. Ah, lembrei-me que já fizemos isto: no sábado passado, num sítio com relva. Eu e ele.
Em contexto escolar, se fosse professora, faria o mesmo. Aproveitava e falava de planícies, de planaltos, de montanhas e de cordilheiras na rua. A propósito deste livro, também podíamos falar das estações do ano e fazer um bolo caseiro. Um bolo de ameixa. 

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Dia da Mãe / Grandes livros para pequenos leitores #12 - Meu amor

O dia da Mãe não foi como imaginei. É a vida. Há muita coisa que não é como imaginamos. O amor que a maternidade me trouxe, esse sim, tem sido muito mais do que imaginei e, no dia de hoje, é o que importa. Importa dizer-te, filho, que estivemos juntos, que andamos de comboio, que passeamos por Lisboa, que almoçamos juntos, que regressamos a casa juntos, que comeste o teu primeiro gelado (foi feito por mim, mas tive de o transformar em batido porque estava mesmo muito gelado), que dormiste no carrinho enquanto eu o empurrei por trilhos de calçada portuguesa, que comprei o livro que está no título deste post e que o li vagarosamente, com sentimento e com sentido, procurando olhar-te nos olhos nos excertos que considerei mais importantes. Só nós: eu e tu. 
Conversamos muito, procurei satisfazer a tua curiosidade em relação à viagem de comboio. Distinguiste o campo da cidade, à medida que a paisagem ia mudando. Exclamaste em cada túnel. Olhaste o rio pela janela. Admiraste os barcos. Questionaste cada paragem, cada apito e cada fecho de porta. Andaste no comboio que tantas vezes vais ver à estação e que tantas outras te faz levantar a cabeça no parque. 
Senti-te mais crescido. Ou, talvez tenha sido eu que cresci mais um pouco. Alegra-me e entristece-me ver-te crescer. Entristece-me crescer. Mas sinta lá o que sentir, amo-te sempre meu amor. E "Meu amor" é o título do livro que (nos) comprei para assinalar este dia, que começa com o filho a perguntar: Mãe, vais amar-me durante toda a vida?


"Amo-te desde que te conheço e até antes disso.
...
Amo-te quando fazes como eu, e quando fazes como tu.
...
Amo-te quando te esforças, e quando eu me esforço.
...
Amo-te quando consegues, e quando vais conseguir.
Amo-te quando te lembras de mim, e quando te esqueces.
...
Amo-te quando vais à guerra, e quando mudas de ideias.
...
Amo-te quando és tu próprio, e quando não te reconheço.
Amo-te quando me ouves, e quando é a minha vez.
...
Amo-te quando estamos junto, e quando vocês estão juntos.
...
E pronto, é este o meu segredo. Amo-te todos os dias. Para sempre."

É um livro de Astrid Desbordes e Paul Martin, da editora Edicare. Quando o vi, pareceu-me um livro antigo, talvez pela ilustração, não sei. No entanto, 2016 é o ano da 1.ª edição. Para mim, este livro é uma verdadeira declaração de amor. Tão simples e tão verdadeiro.

Feliz dia para ti, filho, que me fazes comemorar este dia no papel de mãe.
Feliz dia para ti, mãe, que me fazes comemorar, desde sempre, este dia no papel de filha.

Estrito a 1 de Maio de 2016.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #11 - Livro do gentio e dos três sábios

Há meia dúzia de anos entrava na Livraria Bulhosa em Sete Rios e deparava-me, quase sempre, com livros infantis que captavam a minha atenção. Até parece que eram colocados estrategicamente para que eu não pudesse sair de lá sem fintá-los - acredito (mesmo) que eram. A partir daí, já se sabe, iniciava-se uma "nova relação": observava a capa e o título; folheava, com entusiasmo, as primeiras páginas tentando adivinhar o que se seguia; descobria a história e tirava as minhas conclusões. Alguns eram comprados na hora, outros ficavam-me no pensamento. Não podia comprar todos os livros com que me deparava e de que gostava, mas muitos levavam-me a pensar no que faria com eles em contexto escolar; como poderiam ser utilizados; que questões seriam levantadas se os lesse em contexto escolar. 
Sexta feira passada deparei-me com um novo livro (para mim) e, consequentemente, com uma nova Editora, que me fez sentir o mesmo, mas a uma escala mais alargada (não apenas em contexto escolar). Comecei a imaginar que este livro pode ser uma excelente ferramenta para nos ensinar a respeitar as diferenças religiosas: sem conflitos, sem competição, sem vencedores ou vencidos. Com respeito e com fé, com a fé a sobrepor-se à competição. Não faz sentido querer que uma religião seja certa e as outras erradas. Podia dizer que os conflitos a que assistimos, constantemente, em nome da religião, não servem para nada, mas a verdade é que morre gente todos os dias em nome dessa competição sem sentido. E isso tem de servir para alguma coisa, nem que seja para dar o grito de mudança; alguma coisa tem de mudar rapidamente. Mudar, seja o que for, passa também por educar ou reeducar. E a educação de hoje pode ser o melhor de amanhã. Se há expressões que são verdadeiros mantras, também há livros que o podem ser.
Esta reflexão já vai longa, por isso, aqui fica um vídeo.


O autor é Ramon Llull; é uma versão de Ignasi Moreta, com ilustrações de Àfrica Fanlo, da Editora Fragmenta.

"Era uma vez um gentio, quer dizer, um homem que não praticava nenhuma religião. Era muito sábio mas não tinha nenhum conhecimento de Deus nem acreditava que houvesse alguma coisa depois da morte. Procurando remédio para a sua tristeza, dirigiu-se a um bosque cheio de fontes e de belas árvores de fruto.
Entretanto, três sábios encontraram-se à saída de uma cidade. Um era judeu, o outro cristão e o terceiro muçulmano. Ao verem-se, cumprimentaram-se, acolheram-se mutuamente e decidiram acompanhar-se. Cada um falava aos outros dois sobre a sua crença e os seus pensamentos, e falando, falando, chegaram ao bosque por onde andava o gentio..."

... O gentio ouviu a descrição que cada um dos sábios fez acerca da respectiva religião. No final perguntou-lhes se queriam ouvir a sua decisão: qual a religião que preferia, qual a religião com que se identificava mais. Não - a resposta foi unânime. Cada um descreveu os aspetos que considerou mais importantes, no entanto não era objetivo de nenhum deles sair vencedor. A escolha era do gentio, nenhum dos sábios necessitava da validação dele para continuar o caminho que escolheu. Parece simples, não parece? Precisamos de mais sábios...
Não o comprei. Ainda. Acho que não é livro para ler ao meu filho, por enquanto; se assumir que é para oferecer à minha sobrinha, não ficarei com ele lá em casa. Tenho de encontrar outra desculpa... Ou não.
Entretanto, quero conhecer este e este e... quero conhecer todos os livros desta Editora. 

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #10 - Para ele: O Cuquedo; Para ela: Este Alce é Meu.

Os presentes desta Páscoa (que já passou há alguns dias):
Para ele, com 2 anos e meio, escolhi o livro "O Cuquedo";
Para ela, com 5 anos e meio, o livro "Este Alce é Meu". 

O livro "O Cuquedo" foi um excelente presente para quem foi ao Jardim Zoológico uns dias antes. Não foi propositado, mas calhou muito bem. É divertido, acho que tem de ser lido com convicção e entoação, com muita expressividade, com pedidos de colaboração por parte do pequeno leitor - depois de o ler tantas vezes, já peço ao Índio para completar algumas das frases da narrativa; ele próprio já papagueia excertos da narrativa mesmo quando não o estamos a ler. A narrativa repetitiva, apenas com alteração/adição de personagens, é assimilada facilmente pelos mais pequenos (e pelos grandes :)).
Quem é o Cuquedo? Os animais da Selva, apesar de andarem num alvoroço por causa dele, não sabem quem é.
À medida que fomos descobrindo o livro, fomos relembrando a visita ao Jardim Zoológico (foi o nosso passeio de Páscoa), o andar no comboio, o andar no teleférico, os golfinhos, os leões, a girafa, o pai a dar ervas à Girafa e como ela se baixou para a comer, etc. etc.
É um livro de Clara Cunha, com ilustração de Paulo Galindro, da Editora "Livros Horizonte".



"Este Alce é Meu", conta a história de um rapaz que assume que o Alce que lhe apareceu é seu. Tenta educá-lo, tenta adaptá-lo ao seu quotidiano e às suas vontades, tenta que ele viva de acordo com as suas regras, mas será que o Alce é mesmo seu? Apenas seu? Este livro fala dessa estranha pretensão de que podemos ser donos de alguém. Será que o Alce é mesmo do Guilherme? 
As ilustrações são maravilhosas; a mensagem é uma lição. É um livro de Oliver Jeffers, da Editora Orfeu Negro, coleção Orfeu Mini.