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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Grandes livros para pequenos leitores #28 - O mundo ao contrário

Filho, este livro foi um dos presentes do teu 4º aniversário e tem esta dedicatória:
"Um dia, inevitavelmente, vais crescer mais. E ainda bem, é esse o percurso natural da vida. Vais perceber por ti que a natureza tem coisas perfeitas (o crescimento de uma criança é uma delas), mas que dela também fazem parte coisas imperfeitas, coisas que estão frequentemente fora do lugar, no lado contrário do que é suposto. Hoje não vou escrever sobre elas. Hoje espero apenas conseguir dar-te as bases para identificares o que está ao contrário; as bases para tentares contrariar o que de errado encontrarás neste nosso mundo; as bases para conseguires agir bem e por bem; as bases para seres e fazeres feliz.
Por agora dedico este livro àquela brincadeira tão nossa de te pegar ao colo, inclinar-te para trás com o apoio dos meus braços e proporcionar-te o mundo ao contrário, o mundo de pernas para o ar. Costumas pedir-me para fazer isto frequentemente. E eu faço-o orgulhosamente, como se fosse uma brincadeira que só nós é que conhecemos - não somos os únicos, mas fingimos que somos.
E agora temos uma outra brincadeira: vamos descobrir o que está ao contrário neste livro? vamos descobrir o que está no sítio errado? o que tem o tamanho errado? vamos tentar colocar as coisas nos sítios certos? Pode ser um passo para perceberes o lado certo e o lado errado das coisas...
Muitos parabéns neste dia tão especial da nossa vida, o dia 27 de Setembro".

Um livro mágico que nos leva a procurar o que está fora do sítio. Um livro com ilustrações extraordinárias que nos leva a refletir sobre o que seríamos e sentiríamos se invertêssemos papéis. Um livro muito bem pensado. Um livro de ATAK, da Editora Planeta Tangerina.


A propósito da minha resistência ao circo - já fomos uma vez, mas não tenho vontade de repetir; os avós do miúdo perguntaram-nos há dias se queríamos ir ao circo com ele, a nossa resposta foi imediata e negativa:


Este livro permite-nos colocar no lugar do outro, refletir sobre o que sentiríamos se estivéssemos no lugar do outro, inverter papéis (depois de lermos este livro pela primeira vez, o meu filho fez de conta que era o pai e eu a filha), realizar desenhos e pinturas ao contrário...
Este livro é um álbum ilustrado sem qualquer texto a completá-lo, o que nos permite dar azo à imaginação. Quando chegamos a esta página, podemos completá-la com "e naquele mundo longínquo onde tudo acontecia ao contrário, os animais iam ao circo ver as acrobacias que os homens conseguiam realizar" ou "naquele mundo criado ao contrário os homens faziam a vez dos animais no circo de Natal... será que gostavam?"... O texto que inventamos depende dos objetivos que definimos, da ocasião, das crianças que nos ouvem.

Uma das propostas que integrou as Atividades de Verão na escola do meu filho: crianças deitadas no chão debaixo de uma mesa; folhas de papel brancas coladas na parte de baixo do tampo da mesa; desenhos e pinturas realizadas ao contrário - chamaram-lhes "pinturas do avesso". A postura da criança ao realizar a atividade é contrária à habitual, a perícia manual é trabalhada. Será que foi muito difícil?

 Imagem retirada daqui

Depois, aumentaram o nível de dificuldade: pintaram assim e desenharam com um lápis entre os dedos dos pés:

 Imagem retirada daqui

O mundo ao contrário: um livro com tantas possibilidades educativas. 
Há 2 anos escrevi um texto com este título.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

4 anos: como foi e as saudades que eu vou ter... ou as saudades que eu já tenho

Se me pedires uma palavra para descrever o teu 4º ano de vida, eu peço-te 4: amor. fantasia. negociação. superação. 

amor, porque está sempre presente, porque vem antes de tudo o resto, porque é o maior de todos os sentimentos, porque faz parte do que somos enquanto mãe e filho, porque com ele tudo se consegue, porque ao mesmo tempo que está no topo da nossa relação é também a base dela. Porque comecei a amar a ideia de te ter muito antes de te ter. Porque quis o destino que as nossas vidas fossem costuradas a fio de amor: fio forte, inquebrável, invisível, que une dois pedaços de matéria independentes com uma força indestrutível. Incluo no amor a palavra gratidão: obrigada vida por este filho, obrigada filho por este amor, obrigada amor pela oportunidade de te (re)descobrir. 

fantasia, porque foi o ano em que mais fantasiaste, em que mais fantasiamos. Posso até dizer que foste um verdadeiro Peter Pan na sua terra do nunca, nas suas histórias irreais, envolto na sua fantasia. Também foste o porquinho mais velho, personagem de eleição que adotaste e que interpretaste na perfeição. Foste pirata sempre que vestiste o fato de Carnaval ou saíste de casa com o chapéu da caveira, espada na mão e pala no olho. Foste gato das botas quando em pleno mês de Agosto quiseste calçar as botas de borracha. Foste lobo e monstro sempre que nos assustaste. Foste palhaço com as tuas frases cheias de graça e de humor. Foste advogado quando argumentaste com convicção. Foste e és uma fantasia realizada, imaginada nos mais doces e secretos sonhos. 

negociação, porque muito negociámos. Consequentemente discutimos e argumentámos. Muito ensinei e muito aprendi nesta dança de exigir e de ceder, de dar e receber, de pedir e satisfazer, de compreender o que eu quero e de respeitar o que tu queres.

superação, porque não foi um ano fácil. Foi trabalhoso, cansativo, desafiador, mas superado.

Não sei como estabeleci esta mudança de etapa na minha cabeça, mas sinto que é aqui que deixas de ser bebé, pelo menos apenas bebé. Talvez situe esta idade num plano intermédio de bebé-menino, porque o meu coração não consegue ainda aceitar que o bebé que foste fica para trás, nas páginas já escritas, na história já vivida e construída. A história dos teus 4 anos de vida e dos meus 4 anos de mãe fundem-se e eu agradeço esta fusão. Desejo que, apesar dos pontos e das virgulas da nossa história, o texto seja fácil de ler, de viver, de entender. E que provoque em nós e naqueles que nos rodeiam um sorriso aberto e sincero. Quero viver bem e quero que vivas bem. Quero que gargalhemos juntos muitas vezes.
Haverão capítulos em que terei uma participação regular, em que a (minha) assiduidade importa, na medida em que farei falta. Outros em que deixarei os papéis de maior relevo para te dar espaço e oportunidade de construíres a tua personagem e a tua história (a verdade é que já estás a construí-las). Outros ainda em que serei apenas leitora. Estará tudo bem, tudo tem o seu tempo, o seu ritmo, o seu espaço. Independentemente do papel que eu tenha nos diferentes capítulos, lembra-te só que o amor que por ti sinto é crescente. Não consigo quantificar esse crescimento, mas sei que quanto maior for a história, mais te amarei. Que ela seja longa, queremos longevidade.
Passados 4 anos não consigo deixar de te olhar em silêncio e sorrir como de uma aparição divina se tratasse, com aquele encanto ingénuo e infantil que as surpresas boas nos trazem. A verdade é que ser tua mãe tem sido um privilégio. Foste, sem dúvida alguma, a melhor surpresa, a surpresa da minha vida, o amor de uma vida toda, apesar dos 37 anos que nos separam.
Cativaste-me desde o primeiro segundo, meu amor: a fazer-me sorrir desde as 16h29m do dia 27 de Setembro de 2013. E todos os dias me conquistas mais. Desde 2013: ano em que engravidei, ano em que me descobri grávida, ano em que te descobri menino, ano em que me nasceste e que nasceste para o mundo. Tudo em 2013.

Feliz aniversário, meu menino de amor, traquina e explorador.  Desejo com o coração que tenhas um feliz 5º ano de vida. Todos os anos peço o mesmo, adotei esta frase como sendo minha, mesmo não sendo: que tenhas um destino bonito.

Coisas que te escrevi nos 2º e 3º aniversários:
- A carta que te escrevi por ocasião do teu 3º aniversário.
- As cartas que te escrevi por ocasião do teu 2º aniversário: esta e esta.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Grandes livros para pequenos leitores #27 - Onde perdeu a Lua o riso?

Mais uma história da biblioteca: "Onde perdeu a lua o riso?". Este livro tem um texto curto e simples, que ganha vida com as imagens expressivas que o ilustram.
Daniel questiona onde perdeu a Lua o riso: uma vez, outra e outra... Porque reconhece a importância de rir. Faz-lhe confusão não saber do riso de Lua. E quando a mãe não lhe sabe dizer onde ele está, o menino parte à procura do riso da irmã.
Onde terá a Lua perdido o riso? "Na barriga da cabra? Sobre o bico da pata? Entre os ovos das galinhas? Debaixo do escano da cozinha?"
O meu miúdo memorizou o texto correspondente a cada ilustração: à medida que vai folheando o livro, vai contanto a história em voz alta.
No final lê-se: "...uma lua barriguda morria de riso...". O miúdo é literal e faz beiço porque a Lua morreu de riso. Quer ver a Lua rir à gargalhada, mas não que morra de riso. Se rir é uma coisa tão boa, por que raio morre a  Lua (ainda que seja de riso). Lá lhe expliquei que neste caso a palavra "morrer" tem outro significado, quer dizer outra coisa, quer dizer que ela ri muito, muito, muito.  Termino esta história a fazer-lhe cócegas. E a ouvi-lo rir. E hoje, dia 24, é dia de "comemorar a rir".

É um livro de Miriam Sánchez e Federico Fernández, da editora Kalandraka.


quarta-feira, 12 de julho de 2017

Palco Vs Arraial

Na escola que o meu filho frequentou de Setembro de 2016 a Abril de 2017 houve actuações na festa de Natal. Na escola que o meu filho frequenta atualmente não houve actuçaões na festa de final de ano, houve um Arraial inspirado nos costumes e tradições da terra onde vivemos, com gente vestida a rigor (opcional), com jogos tradicionais, com bancas de atividades (pintar um t-shirt, por exemplo), com rancho, com comes e bebes, com o parque da escola à disposição de todos. Assim sendo, sinto-me à vontade para falar destas duas experiências.
Em relação à actuação na festa de Natal, estive numa das primeiras filas (não, não comprei bilhete; sei que em algumas escolas se vendem bilhetes, mas não foi o caso) com o telemóvel na mão à espera que chegasse a vez da minha criança atuar. Um orgulho parvo, mas legítimo, ao ver o meu miúdo em cima do palco com os trajes (simples e giros) feitos pelas educadoras. Cantaram uma versão Brasileira da música que andaram a ensaiar semanas antes da festa, uma vez que a original desapareceu da Pen. Raio das tecnologias, quando decidem trocar-nos as voltas não há grande coisa a fazer. Não me pareceu que os miúdos sentissem algum tipo de pressão por estarem em cima do palco. O que me pareceu foi que o espectáculo acabou por ser uma grande seca para eles (e para nós): a espera dele para subir ao palco e a minha espera para o ver; ver todas as atuações sentado; o silêncio imposto que por vezes não se cumpria... Enfim, não saí assim que o miúdo terminou a atuação por vergonha, mas tive vontade. Os miúdos não gostam de estar tanto tempo sentados e quietos. E os pais, por vezes, também não.

Imagem retirada daqui 

No Arraial, pediram-nos para irmos vestidos a rigor ou, pelo menos, levarmos um acessório alusivo ao tema. Não houve atuações. Eu, que até gosto de passar despercebida, esforcei-me para irmos vestidos a rigor da cabeça aos pés: eu, o pai, o miúdo e a prima. A miúda estava feliz da vida por vestir uma saia com roda: rodopiou, rodopiou e interpretou o papel de forma exemplar. O miúdo pelo simples facto de ter uns suspensórios estava feliz da vida, não por ir vestido a rigor, mas porque associou aquele acessório ao porquinho mais velho (já cá faltavam os porcos). Eu, por incrível que pareça, até um lenço na cabeça levei (claro que tive de pedir à educadora do miúdo para mo pôr). O pai alinhou sem resistência e vestiu um fato a condizer. Eles brincaram. Participámos nos jogos que quisemos. Assistimos à atuação do rancho. Comemos e bebemos. E eles brincaram novamente até se cansarem. Preferimos o Arraial, é mais o nosso estilo.

 Imagem retirada daqui

Não quero desvalorizar o palco, até porque o considero muito importante. No entanto o formato de comemoração centrada em atuações nem sempre resulta, principalmente para as faixas etárias mais baixas.
Considero ainda que a pressão, por vezes, imposta (não foi o caso, foram atuações muito simples) é completamente desadequada neste contexto. É suposto que estas comemorações sejam momentos de festejo e de diversão, não de castigo. Os miúdos não fizeram mal a ninguém. E os pais também não.
Por fim, o formato Arraial promove a aproximação dos pais à escola e possibilita um maior convívio entre pais e a comunidade escolar. No formato das atuações não tive oportunidade de falar com outros pais nem com a as educadoras, por exemplo. Acho que o Arraial (quem diz Arraial, diz piquenique) é mais centrado na interação do que na apresentação/exposição do que se conseguiu, ou não, fazer.
Pela minha experiência, neste contexto, ganha o Arraial. O palco (em exclusivo) fica reservado para outras andanças. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Dia dos namorados: para dizer a verdade...

... já houve anos em que o comemorei sem ter namorado e anos com namorado sem um brinde sequer. Não posso dizer que não gosto do dia dos namorados, o que não gosto é de comemorações por obrigação, por imposição do calendário. Apenas isto. Logo, há anos em que comemoro à grande, outros não. 
As relações não são lineares nem constantes, logo nem sempre o dia 14 de Fevereiro é um dia feliz e harmonioso entre o casal. Não quer isto dizer que, passada a tempestade, não se comemore o amor, a relação e o futuro. Assim sendo, e não querendo denunciar mais o estado da (minha) nação, o presente para o meu namorado este ano é uma folha com a seguinte pergunta:

O que é que achas que podemos mudar na nossa relação para sermos felizes mais vezes e para nos chatearmos menos vezes? Queres ir jantar um dia destes, beber um copo de vinho, petiscar qualquer coisa, regressar a casa sem hora marcada, dizer o que te vai na alma e ouvir o desatino que vai na minha? 
(Os últimos meses têm sido duros).

Às vezes penso que não nasci para isto (de uma relação)... Mas depois, quando penso no futuro, quando equaciono ter outro filho, quando imagino jantares de família, quando sonho com uma casa térrea num terreno tosco com um jardim desalinhado, quando fantasio com viagens numa auto-caravana, penso nele. No meu namorado.

Atualização: Ele convidou-me para almoçar, questionei-o e combinámos uma saída a dois. Foi um dia feliz para nós. :)

Agora eles (os pequenos) e o Dia dos Namorados.
A miúda ontem mostrou-me, orgulhosamente, o postal que fez para a mãe, com uma frase escrita por ela. Disse-me também que "um miúdo lá da escola" gosta dela por amor. (????)
E tu gostas dele? - perguntei.
Achas!? Nós não somos amigos, lutamos muito, ele sabe que eu sou muito forte, por isso é que gosta de mim. Achas que posso gostar dele!? - respondeu-me com ar de desdém.
Ohhh pá, sempre ouvi dizer que quem desdenha quer comprar. Começa cedo!

O miúdo hoje ficou com a Ama e esta pediu-lhe para ele ficar a namorar a neta enquanto ela ia à cozinha, uma vez que hoje é o dia nos namorados.
Não posso, namoro com a minha mãe e com o meu pai - respondeu-lhe muito convicto.
Ontem viu a prima oferecer um postal à tia, hoje baralhou-se com isto do namoro e do dia dos namorados.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

À conversa com o meu filho #12 - Coisas e conversas / Barómetro de crescimento #10 - 40 meses de vida

- Meu amor anda cá - chamo-lhe meu amor muitas vezes.
- Diz minha amora -  responde-me, baralhado com isto do masculino vs feminino.

- Não faças isso, não sejas porquinho. Não queres que te chamem porquinho, pois não?- perguntam-lhe.
- Sim, quero que me chamem Porquinho Mais Velho - ele e a loucura pela história de "Os três porquinhos"; diz sempre que é o porquinho mais velho. Logo, se alguém o chamar de porquinho, ele não se sentirá nada ofendido. Pelo contrário. Convém é que digam que é o mais velho.

- No outro dia, deparando-se com uma dificuldade qualquer (não me lembro muito bem o que era), disse-nos muito empertigado: Ajudem-me, temos de nos ajudar uns aos outros!
Orgulho,orgulho, orgulho! Agora, pego neste seu argumento e de vez em quando lá o relembro em voz alta (e em contexto adequado) para que ele não se esqueça.

- A semana passada perguntou-me pela carrinha do pai. Disse-lhe que a carrinha estava velha e cansada, que tinha ido viver para a beira mar, tal como a história que escrevi aqui.

- Quando o miúdo teve varicela, teve alguns ataques de ternura (excessivos, comparando com a normalidade): apertava-me, abraçava-me e beijava-me o rosto com muita força. Pensei que era para aliviar a comichão, estava sempre a chateá-lo para não se coçar que  pensei que fosse uma estratégia do miúdo.
A varicela já lá vai há muito e ele continua a fazer o mesmo. Talvez o miúdo só quisesse agradecer o facto de eu estar a cuidar dele, o facto de eu aliviar a comichão que ele sentia. Eu é que devo ter perdido a capacidade de ver o lado romântico das coisas, a pureza e a sinceridade das atitudes.
Filho, hoje, dia em que completas 40 meses de vida, agradeço-te por trazeres de volta um bocadinho desta capacidade.

E o que é que eu tenho a dizer sobre ele?
Continua inquieto. Continua traquina. Às vezes faz-nos perder a capacidade de pensar. Às vezes fala "à bebé", julgo que é por conviver com crianças mais novas do que ele na creche e na AMA. Continua a estar com a AMA uma tarde por semana, pelo menos. Continua a ter um sono agitado e a chamar por mim durante a noite. Continua a acordar cedo. Continua a não querer fralda durante a noite. Quando está muito cansado, pouco tempo depois de adormecer, chora impaciente durante algum tempo. Quando acorda, temos sempre uns minutos de mimos reservados para nós. Antes de eu sair de casa beijo-o sempre e ele abraça-me sempre. Tem respostas muito engraçadas (para nós, pais, tudo é motivo de muita graça). Chateia-nos, ralhamos, pede-nos desculpa com o ar mais arrependido de sempre, pede-nos abraços e dá-nos beijinhos - Expressão Dramática, espera por ele. Na escola porta-se bem. Em casa porta-se (muitas vezes) mal. Na escola come tudo e come sozinho. Em casa arma-se em esquisito e pede-nos ajuda para comer muitas vezes. Às vezes tenta despir-se sozinho antes de entrar na banheira: eu consigo sozinho - diz-nos. Às vezes tenta subir as escadas ao colo (3º andar). Trepa muito, ainda ontem escalou uma parede dezenas de vezes - foi a primeira vez que escalou aquela parede, corria feliz da vida e orgulhoso por conseguir fazê-lo; depois, descia o escorrega ao contrário e corria. Fala dos amigos da escola, fala da escola, mas nos últimos dois dias reclamou por não querer ficar lá. Diz que não gosta da Ginástica, mas em casa pula que se farta e tenta dar cambalhotas. Diz que gosta muito de Música. Acho, sinceramente, que ele prefere o professor de Música ao de Ginástica. Perdeu o ar de bebé, talvez pelo corte de cabelo forçado. Já decidi que não cortarei o cabelo ao miúdo nos próximos 10 anos, no entanto prevejo um caminho conturbado e revolto até alcançar o comprimento ideal - quando o vejo de manhã penso sempre que já é Carnaval, tal não é o desalinho que vislumbro.
Este miúdo continua a ser a melhor coisa que me aconteceu na vida. O que é que eu posso dizer mais?

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Natal: gostei ou não gostei? Ganhou o "Gostei". E intenções para 2017!? Pois, não sei.

Este Natal gostei da nossa árvore de Natal pouco alinhada, mas cheia de coisas com significado. Gostei do abraço da minha avó no dia 24. Gostei da mesa cheia. Gostei da fantasia que encenei e da espécie de contagem decrescente que consegui concretizar. Gostei de completar o presépio e de ver o meu filho feliz com a chegada do Menino Jesus e dos 3 Reis Magos no dia 24 à noite. Gostei dos presentes que recebi. Gostei dos que ofereci (gostava de ter oferecido mais). Gostei de estar junto dos que mais amo. Gostei de ver a surpresa desenhada no rosto deles (filho e sobrinha) durante o desembrulhar de alguns presentes. Gostei das músicas de Natal que ouvimos em Dezembro (excepto a que a minha excelentíssima irmã pôs a tocar na noite do dia 24, a miúda é louca). Gostei de ajudar alguém, mesmo tendo sido uma ajuda pequena. Gostei de cada abraço do meu filho. E de cada beijo. Gostei de ver o meu filho brincar com todos os presentes que recebeu, apesar do número de presentes ser mais elevado do que o previsto - já sabíamos que iria receber muitos presentes, eu e o pai comprámos-lhe apenas um; ainda ficaram dois para abrir no dia de Reis, quando a árvore de Natal e o presépio se despedirem; ou para abrir noutro dia qualquer. Gostei de ter chegado a horas ao jantar de Natal. Gostei de não ter perdido muito tempo a enviar sms's de Natal (desculpem, mas estava mais preocupada em vivê-lo). Gostei da festa de Natal do meu filho. Gostei do 4.º Natal do meu filho.

Não gostei do frenesim das compras. Não gostei da quantidade industrial de doces, estupidamente deliciosos, a que me sujeitaram (na verdade até gostei, o problema é esse). Não gostei de constatar que a minha sobrinha já não acredita no Pai Natal. Não gostei de ir trabalhar no dia 26 de Dezembro. Não gostei de ver o miúdo a atirar-se às filhós antes do jantar de Natal (é Natal, mas...). Não gostei da separação que me tem sido imposta quase toda a vida: há sempre alguém que não está ou eu própria não estou onde deveria estar. Não gostei da saudade que senti de tempos que não voltam e de pessoas que não voltam. Não gostei das lágrimas da minha avó nem da culpa por estar pouco tempo com ela. Não gostei do vazio que o fim do Natal me deixou... nem dos quilos a mais que não levou.

Estou "perdida" no que respeita a intenções/objetivos/metas/planos para 2017, apesar de desconfiar que vai ser um excelente ano. Não tenho propriamente objetivos definidos, mas acredito no ano de 2017. Tenho um desejo, mas preciso de senti-lo com mais intensidade, com mais convicção, com mais certeza.
Relativamente a desejos para os outros, tenho muitos, mas há um que sobressai: a felicidade plena da minha irmã... também sinto que está para breve.
"Boas intenções há muitas, sua palerma. Venham lá as concretizações!" - respondo-me.

Descobri agora uma intenção para 2017: Regar com amor, no momento certo e na medida exata, o que me faz feliz.

Imagem retirada da Internet: fonte desconhecida

Na verdade, a intenção é preservar o que me faz feliz. E se possível acrescentar algo mais a essa felicidade.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O nosso Calendário do Advento simplificado; votos de um Feliz Natal; uma história verdadeira de Natal.

O nosso calendário do Advento simplificado:

No dia 1 - acordámos com um cavalinho de madeira pendurado na cama. Trouxe com ele um recado do Pai Natal: é dia de fazer a árvore de Natal.
No Dia 2 - deixaram-nos um livro que fala, sem conservadorismos e com humor, do nascimento do Menino Jesus, dos Reis Magos e da prenda que o Pai Natal ofereceu ao Menino Jesus. 
No dia 3 - a madrinha trouxe-nos um convite para irmos ao circo. O meu coração dividiu-se: por um lado a alegria e a nostalgia em recordar o circo da minha infância no Coliseu de Lisboa (ia todos os anos através da empresa do meu pai); por outro a minha posição contra a existência de animais em contexto circense. Fui à procura, na página de facebook do circo, se tinham alguma coisa a escrever sobre este assunto. Encontrei o que procurava. Ainda assim, é algo que me incomoda. Mas fomos, ele gostou e eu gostei com ele. Viu leões, elefantes, cães, cavalos, palhaços, trapezistas, motas (novidade para mim). Quando questionado acerca da 1.ª ida ao circo, a resposta foi quase sempre a mesma: vi o elefante a fazer cocó e os senhores foram a correr limpar. E é isto: o animal sem privacidade e o meu filho, com tanta coisa para relatar/recordar, guardou esta imagem.
No dia 5 - sem ninguém pedir, encomendar ou desejar, fomos invadidos por um bando de pintas comichosas: Varicela.
No dia 12 - o pai Natal e os Elfos passaram lá por casa e deixaram um enfeite na nossa porta: uma árvore de Natal e um Pai Natal de madeira.
No dia 16 - recebemos um livro que fala do nascimento do Menino Jesus, este mais adequado à idade do miúdo, já que o outro teve de ser bastante resumido por nós.
No dia 17 - foi dia de separar brinquedos para oferecer a outras crianças. O primeiro "brinquedo" que ele escolheu para oferecer foi uma etiqueta de papel que estava na arca dos brinquedos: Mãe, olha, oferece isto... Isto vai lá, talvez demore mais tempo do que eu estava à espera, mas vai lá. Já decidi que vou dar muitos brinquedos sem o consentimento do miúdo, mas gostava que ele escolhesse, pelo menos, 1 ou 2. Temos até dia 22/23 de Dezembro.
No dia 18 - o objetivo era ir ver o Pai Natal ao Castelo de uma terra vizinha e ir ao Ikea comprar cadeiras (tinha tanta vontade de aproveitar a folga do pai, depois de várias semanas sem folga ao fim de semana, para fazer compras... nem imaginam!). Chegámos ao castelo com o miúdo a dormir. Rumámos ao Ikea e encontrámos o Pai Natal, mas o miúdo não quis conversas com ele. Que "passeio de Natal" tão sem sal. Valeu estarmos juntos! Foi dia de enfeitarmos uma árvore de Natal para a escola. Não correu como o planeado, uma vez que fiz quase tudo sozinha. Era suposto fazermos em conjunto: o miúdo ainda me ajudou numa pequeníssima parte logo no início; eu e o pai discutimos por causa de cola, algodão e papéis. Discussões matrimoniais normais, portanto.
No dia 19 - chegou-nos um recado de que iríamos receber gradualmente as figuras do  nosso primeiro presépio: hoje chegou o anjo e o cenário com a estrela. Ele chama-lhe espetáculo.
No dia 20 - chegou o pastor, chegaram as ovelhas e a árvore. Ele vai ser um dos pastores na festa de Natal, foi uma forma de valorizarmos a personagem e de nos envolvermos. O recado que nos deixaram diz que faltam 4 dias para a noite de Natal!
Ele diz que pode pedir dois brinquedos ao Pai Natal: quer um carro dos bombeiros do Mickey super rápido e um carro grande super rápido.
No dia 21 - neste primeiro dia de Inverno, chegou Maria e chegou José. O Pai Natal já sabe que ele vai ser o pastor. Depois de me ouvir ler o recado, disse para o papel: Pai Natal, quero ser o Rei Mago verde... dia de lhe explicar que nem sempre conseguimos o que queremos. Faltam 3 dias para a noite de Natal!
No dia 22 - foi a festa de Natal na escola. De manhã disse-lhe para se divertir na festa com os amigos, disse que iria vê-lo, beijei-o no rosto e saí para trabalhar a pensar que ele queria ser o Rei Mago - há umas semanas disse-me exatamente o contrário, que não queria ser o Rei Mago; agora acha-lhe graça por causa da vestimenta verde; adora a cor verde.
Na plateia esteve muita gente a aplaudi-lo: eu e o pai, os 3 avós, a prima, a madrinha e a tia (que não viram a sua atuação, mas estiveram lá) e o tio. Emocionei-me quando vi aquela "pessoinha" em cima do palco, quando o vi interagir com os seus pares, quando confirmei o seu jeito inquieto, quando o ouvi dizer o seu nome ao microfone sem vergonha, quando testemunhei a disponibilidade dele para dizer o nome dos amigos que estavam mais envergonhados, quando li nos seus lábios perguntar pela mamã (estava logo na segunda fila). Gostei tanto de ver o meu filho crescer mais um bocadinho.
Na ida para casa disse-me: temos de ver se o Pai Natal deixou alguma coisa do presépio. Gosto mesmo das encenações que fazemos alusivas a esta época. Faltam 2 dias para a noite de Natal!
No dia 23 - chegou a manjedoura do Menino Jesus de manhã. Dia de oferecer os brinquedos que separámos. Falta 1 dia para a noite de Natal.
De 24 para dia 25 - será Natal. Nascerá o Menino Jesus, ele encontra-lo-á no dia 25 de manhã com o cavalinho de pau debaixo da árvore (ou no dia 24 à noite na casa da avó, ainda não decidi). Nesta história, os três Reis Magos não se atrasam (não é possível protelar até ao dia 6 de Janeiro; dia 23 de manhã disse-me que estava farto de esperar...), chegarão com o Menino Jesus.

O nosso presépio:



Feliz Natal!
Este Natal, bem como o ano inteiro, desejo que todos tenhamos saúde e amor, paz, harmonia e alegria. É uma frase feita, mas acho que nunca a escrevi de forma tão sentida. Desejo para nós e para o mundo o que desejei o ano passado.
Temos o direito e o dever de aproveitar tudo o que temos. E a verdade é que tudo o que temos é muito!


Uma história verdadeira deste Natal que gostava de partilhar:
Uma pessoa com quem trabalho deixou-me um envelope com um postal de Natal no qual relata que este ano não oferecerá prendas a ninguém. O valor das prendas que ofereceria será para duas famílias carenciadas que ela acompanha e que necessitam bastante de ajuda. Quando for entregar o dinheiro/as prendas dirá que fui eu, a Maria, a Clara, a Madalena, o Pedro, a Helena, o José, o Daniel (nomes fictícios) que ofereceram.
Para além de lhe agradecer, para além de ficar sensibilizada e emocionada (choro por tudo e por nada, deve ser da época), respondi que quero contribuir com algo mais. Tal como eu, outras pessoas juntaram-se a esta causa. É o chamado efeito dominó: ela "empurrou" a primeira peça, as outras vão por arrasto.
Há pouco mais de um ano escrevi sobre um "pequeno projeto pessoal" que gostava de por em prática. Fiz algumas coisas, como contribuições específicas e pontuais em causas que me tocaram especialmente, mas não o fiz como queria. Quero mesmo fazer uma coisa com significado para mim e para alguém todos os meses no próximo ano. É uma das minhas intenções para 2017. Tenho a sensação de que 2017 vai ser um excelente ano! 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Desejo de fim de ano: Calendário do advento

Este ano quero fazer o calendário do advento. Nunca fiz. Não quero fazer por obrigação, só porque defini que tenho de fazer uma coisa por dia... talvez altere o calendário de diário para semanal: todas as semanas uma coisa interessante para todos; uma contagem decrescente semanal.
Algumas coisas que gostava de fazer: 
Fazer um bolo com a prima;
Doar brinquedos (desejo muito isto, já ele...);
Escolher um jogo para a noite de Natal (jogo da cadeira? Construir um puzzle personalizado com a fotografia de todos...);
Comprar um livro de Natal (um, dois...)
Ir ao Teatro, a um concerto ou assistir a um espetáculo de Natal;
Ir à Serra da Estrela e fazer um boneco de neve (era tão bom, talvez para o ano). 



Mas por que raio não encontro calendários semanais? Estou intrigada com isto.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #16 - Adivinha quanto eu gosto de ti para assinalar o teu 3.º aniversário

Este livro para falar do teu terceiro ano de vida. E também de amor. Ao longo desta história, as lebres, a grande e a pequena, vão procurando formas de dizer o quanto gostam uma da outra, como se fosse um jogo em que o objetivo é demonstrar que o amor de uma é maior do que o da outra. Se no início o tamanho do amor é a altura de cada uma das lebres, no final já é do tamanho de uma ida e volta à lua. O amor que te sinto, tal como o relatado neste livro, também tem sido crescente. Cada vez que penso que não é possível gostar mais do que gosto, descubro que sim: é possível e acontece todos os dias. Talvez porque vou descobrindo mais de ti. E também mais de mim. Tu cresces, eu cresço e o amor, inevitavelmente, cresce.
No último ano deixaste a chucha. Passaste a dormir no teu quarto e na tua cama. Só usas fralda à noite. Abandonaste a tua cadeira de refeição e passaste a sentar-te à mesa numa cadeira igual à nossa. Enriqueceste o teu vocabulário, o poder de argumentação e a capacidade para exprimires o que sentes. Fizemos muitas horas de parque: passaste a subir os escorregas e as casas de madeira do parque sem ajuda. Foi o teu primeiro dia de escola. Eu fiz 40 anos e o pai também. Aperfeiçoaste a arte de fazer birras e as artes em geral. Comeste o teu primeiro gelado. Começaste a ver televisão com mais frequência, se bem que vamos reduzir este consumo. A Heidi já foi a tua animação preferida; agora, as aventuras do Peter Pan e do Pirata Jake dominam. Pelo meio, também gostas do Pedrito Coelho (dormes com um coelho que tem este nome) e da Patrulha Pata. Descobriste as cores: a cor amarela foi a primeira que identificaste com convicção; depois, foste identificando as outras sem ser ao acaso; ao verde, chamas-lhe a cor da relva e é a tua preferida; baralhas-te com o facto de preferires a cor verde e seres do Benfica em que o vermelho domina. Já te expliquei, meu amor, que uma coisa é a tua cor preferida outra é o teu clube preferido. Neste tema não há cá democracias (mentira, claro, mas...), somos todos Benfiquistas, compreendido? E por falar em futebol, neste último ano Portugal foi campeão Europeu pela primeira vez. Fizemos férias, pela primeira vez, com a prima. Foi tão bom. Por tudo isto e por muito mais, este teu último ano foi forte em crescimento, em aprendizagem, em descobertas. E por isso, também em amor.


Filho, adivinha quanto eu gosto de ti. Não sabes!? Eu também não, mas uma coisa eu sei: é impossível quantificar! As palavras que conheço são poucas e redutoras para descrever isto de te amar, isto de amar um filho, mas uma coisa eu sei: amo-te quando dormes e quando acordas, quando estás feliz e quando estás triste, quando fazes malandrices, quando te vejo brincar sozinho e quando te oiço falar com os teus amigos imaginários, quando te abraço, quando nos olhamos nos olhos, quando ralho e quando elogio, quando fazes birras e quando me contrarias, quando cantas, quando corres e quando cais, quando és simpático e quando és antipático... Amo-te sempre, cada vez mais. :)

É um livro de Sam McBratney, com ilustrações de Anita Jeram, da Editora Caminho. Agora, só quero encontrar a coleção de 4 volumes de "Adivinha quanto eu gosto de ti" na Primavera, no Verão, no Outono e no Inverno. Já tinha escrito sobre a compra deste livro aqui. Quando compro dois livros no mesmo dia (não acontece muitas vezes), ele inclina-se por um e só mais tarde "descobre" o outro. Com este foi assim. Hoje, ele já vai à prateleira buscá-lo para eu lho ler. Pelo meio da leitura, imitamos as lebres.

O ano passado escrevi-te esta carta. Hoje, infelizmente, não posso dizer-te que o mundo onde te fiz nascer vai bem. Mas eu tenho esperança. Tenho fé. Tenho confiança. Vou continuar a fazer pequenas coisas (o que posso e o que sei, sei que posso fazer mais), com esperança que se reflitam num mundo melhor para nós.
Quero dizer-te que não há poder nem dinheiro nenhum deste mundo que valham o desrespeito pelos outros, apesar de muitos considerarem que sim. Ignora-os, filho. Coloca-os na prateleira de exemplos a não seguir. Não há nada melhor do que viver em paz connosco e com os outros; com conhecidos e com desconhecidos; com a família, com os amigos e com o mundo. O mundo tem gente boa, muita. Aprende com eles. Eu também procuro aprender.
Desejo que sejas feliz. Desejo que sejas uma pessoa boa. Hoje e sempre.

Carta escrita ao meu filho por ocasião do seu 3.º aniversário.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #15 - Coração de mãe para assinalar o teu 6.º aniversário

Querida sobrinha, porquê este livro?
Porque no dia 14 de Setembro comemorou-se o teu nascimento e o da tua mãe no sentido lato da palavra "mãe". Tal como aconteceu contigo, aquele dia foi apenas o primeiro do resto da sua vida: tu, a filha pequena que nasceu antes de tempo; ela, a mãe cansada de 3 semanas de internamento e desejosa por ser uma mãe com uma filha no colo em vez de ser uma mãe com uma filha no ventre, carregada de medos e de dúvidas. Ela estava cansada, queria tocar-te,  queria ver-te. Queria sentir a pessoa que viria a ser o bem mais precioso da sua vida.
Ela não fazia ideia o que é isso de ser mãe. Nem tu o que é isso de ser filha. Apesar de terem a vida toda para descobri-lo, nem sempre a descoberta tem sido feita da forma mais natural. A descoberta tem sido brusca. Muito brusca. Ela não sabia que ser mãe pode fazer de nós seres gigantes e seres pequenos; seres fortes e seres frágeis; seres seguros e seres vulneráveis; seres tão cansados e seres tão dinâmicos. Não sabia que ter um filho é ter sempre um ponto forte e ter sempre um ponto fraco. Não sabia que ia conhecer o melhor do ser humano (Tu) e o pior. Não fazia ideia que serias um pedaço de vida (o mais importante) a solo. É por isso que, tal como descreve este livro, o coração de mãe tem uma enorme capacidade de adaptação. Só assim se consegue sobreviver a oscilações tão bruscas de estados de espírito, de sentimentos e de emoções.
Ofereci-vos este livro, neste dia tão especial, para que nunca se esqueçam do papel que cada uma tem na vida da outra. Um livro para ler sempre: quando houver tristeza, quando houver alegria, quando houver zanga, quando houver harmonia, quando houver ira, quando houver paz, quando houver revolta... quando reinar o amor. Este, acredito, nunca faltará.
Parabéns meus amores.


Um livro do Planeta Tangerina. De Isabel Minhós Martins e Bernardo Carvalho.

Sobrinha,
- Uma história dedicada a ti em duas partes: aqui e aqui.
- Declaração de amor neste texto.
- É fácil falar sobre ti: és mesmo especial.

Por fim, uma questão pertinente: Já inseri este livro em inúmeras listas de prendas. De Natal, de aniversário, do dia da mãe, do dia comemorativo da unha do pé. Todas as listas possíveis e impossíveis. E, até à data, ainda não o tenho. Pessoas (mãe, namorado/marido, irmã), estão à espera de quê? Não vale fingir que não leram esta parte...

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Adeus meu querido mês de Agosto de 2016

Foste um bom mês. Foste o que aqui cumprimentei. E ainda mais.
Foste férias. Foste família. Foste paz. Foste força. Foste otimismo. Foste cumplicidade. Foste felicidade. Trouxeste-me os 40 com subtileza e serenidade. Tanta. Foste o mês em que me deu vontade de mudar tudo isto que é a nossa vida. A verdade é que muita coisa mudará em breve: o pai cá de casa vai mudar de trabalho, as rotinas vão sofrer alterações, esperam-nos adaptações. Esperamos melhorias a todos os níveis, ainda que no início contamos que seja complicado.
Durante as nossas férias, de que falarei depois, imaginámos como seria viver durante um ano na Ilha que nos colheu durante 15 dias em Agosto: o pai pescava, vendíamos peixe  - a venda de peixe seria a nossa única fonte de rendimento - partilharíamos os dias uns com os outros, experimentaríamos isso de viver juntos intensamente a tempo inteiro. Ficámos embriagados com as férias, completamente; sem a parte da ressaca. Depois, colocámos os pés no chão e alinhámos os pensamentos e os sonhos: há casa para pagar no sítio onde vivemos, há um projeto novo para iniciar, há o Inverno que, garantidamente, não nos permite tanta liberdade como o Verão (ao nível de andarmos sempre na rua), há o facto de não termos casa na Ilha. Apesar da nostalgia de nos despedirmos das férias, elas deram-nos força e confiança para enfrentar o que aí vem. E o que aí vem só pode ser bom. Adeus meu (literalmente) querido mês de Agosto.

O ano passado despedi-me de ti assim.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Resposta na ponta da língua.

Passei por aqui só para registar o ponto em que estamos (mentira, deixei esta publicação agendada automaticamente antes de ir de férias). De qualquer forma, este é o estado da (nossa) nação: o Índio Pirata tem resposta para tudo. 


Agora, vou ali fazer 40 anos e já volto. 

sexta-feira, 3 de junho de 2016

A brincar é que a gente (pequena) se entende #11 - Então e o dia da criança?

Saí de casa cedo com a minha mãe. Ela estacionou o carro perto do jardim. Meteu-me no carrinho para não me esgueirar. Pendurou o saco das fraldas e o saco dos baldes e das pás no meu carrinho. A minha mãe virou-se 2 segundos para fechar a porta do carro. Eu abanei o carro. Ele desceu o passeio. Meio salto mortal depois e estava com a testa na estrada. Eu a chorar. A minha mãe a hiperventilar. A minha mãe a tentar levantar o carro com os 500 quilos a mais que colocou em cima dele. Eu a chorar ainda mais. A minha mãe a tirar-me o cinto. A minha mãe a pegar-me ao colo e a acalmar-me. Eu com um galo na testa.

O jardim habitual cheio de gente. Os meus baloiços todos ocupados. Afinal existem aqui muitas crianças; só não vão ao parque tantas vezes como eu ou vão em horários diferentes. A minha mãe sempre com uma lupa a procurar vestígios de mim (do género, onde está o Wally). A minha avó a fazer o mesmo com a minha prima. Almoçar com os meus pais, avós e prima. Correr e limpar o chão do restaurante onde almoçamos, rastejando e gatinhando. Dormir a sesta na casa da avó com a minha prima. Acordar. "Piscinar" na piscina municipal que a minha avó comprou - desta vez exagerou mesmo; é preciso um dia inteiro para a encher com baldes; e para a despejar?; a opção foi a de enfiar duas piscinas mais pequenas lá dentro para chafurdarmos à vontade sem inundar a casa dos vizinhos. 

À noite, a minha prima ligou à minha mãe para fazer um resumo do dia e para lhe dizer que ficaram algumas coisas pendentes: saltar nos insufláveis e pintar a cara. Por mim, dispenso. Esperar em filas para me divertir? Esqueçam lá isso.

Foi um dia feliz, dormi a noite inteira sem chamar a minha mãe uma única vez. E assim começamos uma nova etapa... Pelo menos, a minha mãe pensa que sim.

Imagem retirada daqui

A piscina que a minha avó comprou é quase como esta. A "pequena" diferença é que ela não tem quintal, tem apenas um belo vão de escada sem janelas. Não, não é nada exagerada.

O ano passado foi assim.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Há dias...

...em que a única coisa que me apetece é conduzir estes dois. Num carro como este. Numa estrada como esta. Com uma paisagem como esta. Num mundo perfeito.

Imagem retirada do pinterest

Hoje é dia da criança. Não trabalho. É com eles que vou estar. Vamos brincar (mais do que o habitual). Será um bom dia. 
Há dias, e é triste escrevê-lo hoje, que tenho medo do mundo do qual fazemos parte. Tenho medo do que eles podem encontrar e do que o mundo (não) tem para lhes oferecer. Vou deixar de ler notícias, há dias em que sou esmagada por elas. 

Filho e sobrinha, pessoas pequeninas do meu coração, nada temam: vou à procura de casa para nós num outro planeta, está bem? Descobriram uns quantos recentemente que nos podem interessar. E valer. 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Está na hora de dizer Adeus

Está na hora de dizer adeus ao Natal, não só porque os fins de semana prolongados e em família já passaram, mas também porque o menino Jesus já nasceu, o Pai Natal e o Duende Trapim regressaram à Lapónia e o dia de Reis é hoje; está na hora de desmanchar a árvore de Natal e guardar tudo na caixa, tal como me disseste anteontem; está na hora de pararmos de ler as histórias deste nosso Natal, tal como está na hora de pararmos de cantar as músicas de Natal do Youtube. Elas regressam no final deste ano. 
Está também na hora de dizermos adeus às histórias que inventámos: a da aldeia onde o Pai Natal trabalha; a da passagem do Pai Natal pela casa da avó; a história de deixarmos leite e bolinhos ao Pai Natal e aos Duendes no parapeito da janela; a da distribuição dos presentes; a história de o Pai Natal não ter conseguido passar pela nossa chaminé porque comeu muitos bolinhos (ficou com uma grande barriga) e a tia que vive na Suiça o ter ajudado - esta tia ofereceu-te a tenda/casa que montámos na sala no dia 25 de Dezembro e, sem querermos dizer que foi ela quem ta ofereceu, queríamos envolvê-la nesta surpresa; foi esta a maneira que encontrámos para o fazer.  
Está na hora de dizer Adeus ao Natal que já passou e à fantasia que encenámos. Encenámos muitas histórias, é verdade, mas foram encenadas com amor e carinho verdadeiros. E isso é que importa.
Agora, nós os três, vamos olhar para o céu e desejar uma boa viagem ao Pai Natal; vamos olhar para as estrelas e pedir todos os desejos que o nosso coração alberga; vamos viver, a três, o novo ano; vamos olhar-nos, olhar para ti e olhar para o caminho que nos espera; vamos percorrer juntos a estrada de 2016.

Créditos de imagem: Wishªcolor

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

E um Feliz Natal aconteceu...

Tal como desejei, dancei, cantei, brindei e sorri. Fui feliz e vi os outros felizes. Também chorei - sim, foi um choro de tristeza, infelizmente; estes choros, por vezes silenciosos, fazem-me ver as coisas de outra forma, alertam-me, trazem-me clareza, mas passam. E o Natal continuou e reinou. 
Nós - eu, ele e ela - fizemos pinturas no dia 24 de manhã; eu e ele lemos-lhe a história do Pai Natal, ela ainda não conhecia a "nossa história" deste Natal; cantamos e dançamos; almoçamos juntos nos dias 24 e 25.
Apareci na casa da minha irmã no dia 24 de manhã com uma carta do Pai Natal, endereçada aos dois e restante família, mas direcionada, objetivamente, a ela (ele quer lá saber desses pormenores); com o objetivo de justificar a retirada de todos os embrulhos que foram colocados debaixo da árvore de Natal da minha mãe (é suposto os presentes aparecerem no dia 24, entendido?). A carta dizia:

Deixei aqui, por engano, presentes de Natal que não são vossos. O papel de embrulho e o formato dos presentes são muito parecidos e eu, com tanto trabalho, enganei-me. No entanto, não se preocupem, eu e os Duendes já os viemos buscar e estamos a trabalhar muito para que possam receber os vossos presentes na noite de Natal. Deixaremos os presentes à vossa porta nessa noite. 
Desculpem a troca de presentes,
Beijinhos e abraços para todos.
O Pai Natal.

Ela mostrou a carta à mãe e ao tio, que a leram, novamente, em voz alta. Ficou comprovado que não fui eu que inventei aquelas palavras, estava escrito, o Pai Natal escreveu-lhe mesmo. Em resposta, eu e ela escrevemos uma carta ao Pai Natal a pedir que deixasse os presentes no dia 25, se pudesse, claro, uma vez que ela não estaria cá no dia 24 à noite.
O Pai Natal deixou presentes à porta da casa da avó na noite de 24 e na tarde do dia 25. Deixámos um prato com bolos para o Pai Natal no parapeito da janela da casa da avó. Bateram à porta e ouviu-se um Ho-Ho-Ho. Fizemos um grande alarido em torno disso e corremos todos em direção à rua. Vimos a cara de espanto dele no dia 24 e a dela no dia 25. Abrimos a porta. Encontrámos os presentes à porta, tal como o Pai Natal prometeu. Muitos! O Pai Natal e os Duendes comeram os bolos que deixámos no parapeito da janela. Na noite de 24 éramos 11 à mesa; no dia 25 éramos 6. Na noite de 24 a euforia foi dele; no dia 25, e apesar de ser com a luz do dia,  foi a vez dela. Os dois acreditaram que o Pai Natal passou por ali, que deixou presentes para todos, satisfazendo os desejos mais secretos de cada um.
Ele ficou encantado com o facto de o Pai Natal lhe ter devolvido o cavalo que tinha perdido; ele diz a toda a gente que o Pai Natal encontrou o seu cavalo que estava debaixo de um carro (ele perdeu-o na rua quando estava com a Ama e ela, possivelmente, deu-lhe esta justificação). Para além disso, ainda ganhou um outro cavalo que se tornou amigo do "primeiro"; agora, leva os dois para todo o lado; o primeiro é o Trovão, o amigo é o Kikas - este nome é um bocado desadequado a um cavalo preto e imponente, mas foi batizado assim.
No dia 25 de manhã, acordámos a querer prolongar a magia do Natal. Montámos uma tenda que lhe ofereceram na sala (não lhe entregámos todas os presentes ao mesmo tempo), com este livro embrulhado lá dentro e ao som da música de Natal que temos ouvido repetidamente nos últimos dias. Assim que chegou à sala, fixou o olhar na televisão, no vídeo da música que lhe é familiar, à espera que o boneco do Pai Natal aparecesse a dizer adeus. Só depois é que viu a tenda. Adorou, mas o primeiro impacto não foi o que estávamos à espera - toma lá que é para não serem parvos, o miúdo valoriza o que ele quer, não o que vocês querem. No dia 25, já com a prima, foi a vez de desembrulhar a guitarra que lhe comprámos. Ela recebeu um microfone. Temo que formem uma banda e que me obriguem a tocar pandeireta... Assim de repente, não encontro vocação na minha pessoa para tocar mais nada (sem ofensa às pessoas que tocam pandeireta; parece-me mais fácil do que tocar guitarra ou cantar; talvez até nem seja...).
Ela, quando viu a quantidade de prendas à porta de casa da avó ficou eufórica, recebeu muitos presentes. Um deles, foi o que ela pediu ao Pai Natal na escola.  Eu vi o brilho dos seus grandes olhos. Fiquei feliz por lhe termos proporcionado isto. Os últimos dias para ela não foram fáceis, mas naquele instante, estava tudo bem. Está tudo bem e vai ficar tudo ainda melhor. O Pai Natal existe. Mesmo.
Os dois receberam trotinetes e a tarde do dia 25 foi passada na rua, com manobras de diversão (e tentativas de manobras, no caso dele); com plateia a assistir (eu e a minha irmã; o pai, o tio e o avô dele) e com palmas de incentivo.
É isto meus amores, queremos aplaudir-vos, quer seja pelo que conseguem alcançar facilmente, quer seja pelas tentativas que falham. Foi um Feliz Natal, não há dúvidas que foi, principalmente porque vocês existem e dão um significado muito especial a esta comemoração. 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Desejar um Feliz Natal é desejar...

Mais igualdade,
Mais tolerância,
Mais simplicidade,
Mais respeito,
Mais tranquilidade,
Mais paz,
Mais solidariedade,
Mais família,
Mais amizade,
Mais saúde,
Mais felicidade.
No fundo, tudo isto é mais amor. Tudo isto é mais Natal. Tudo, com excepção da saúde, depende apenas de cada um de nós, em particular, e de todos, em geral. 

Créditos de imagem: Wishªcolor

Este Natal: quero dançar, quero cantar, quero brindar, quero sorrir, quero chorar, se tiver vontade, quero sentir, quero viver. Quero ser feliz e fazer os que me rodeiam felizes. Quero um Natal de verdade!
Um Feliz Natal para o mundo!

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Dois presentes, com 2 e 5 anos respetivamente, embrulhados em bolas de sabão

Já passou 1 mês, mas tenho de escrever sobre a festa de aniversários dos meus amores pequeninos.
No dia 27 de Setembro comemorámos o aniversário do meu filho e o da minha sobrinha. Em Setembro, ele fez dois anos, ela cinco. Decidimos fazer uma festa para os dois porque, em conjunto, foi possível realizar uma festa à medida dos nossos sonhos. Alugámos um espaço num colégio porque nos pareceu adequado para as crianças, afinal a festa é para elas. Um espaço ao ar livre com relva, escorregas e brinquedos diversos, nomeadamente, bicicletas, bolas e cozinhas. Se chovesse tínhamos uma sala grande à disposição, mas não choveu.
Iniciámos um mealheiro há um ano atrás e foi assim que pagámos o aluguer do espaço. Já iniciámos o do próximo ano. Parecendo que não, ajuda muito.
Os temas foram definidos: A Violeta (foi ela que escolheu) e os Piratas (a mãe dele, eu portanto, é que escolheu). Comprámos elementos decorativos com pormenores a condizer com os temas. Fizemos duas grandes mesas, cada uma com o seu tema. Comprámos salgados caseiros, nós e familiares fizemos os doces (eu, que sou a "rainha" da cozinha, fui incumbida de fazer a gelatina... como sabem, é muito difícil fazer gelatina, requer talento e paciência, é um trabalho complexo, daí terem delegado esta responsabilidade na minha pessoa), comprámos bebidas e alguns doces, fizemos sandes de queijo/fiambre/tomate cherry, cortámos frutas. Eu e o pai do Índio Pirata fizemos um barco de Pirata no qual colocámos as frutas. Eu idealizei a coisa - leia-se pesquisei na Internet - o pai executou. Alguém tem de ser o cérebro da operação, certo?  
Os dois aniversariantes foram as primeiras crianças a chegar à festa, estavam felizes da vida. Ele porque viu naquele espaço a hipótese de correr, brincar e explorar. Ela porque sentiu orgulho em poder receber os amigos naquele espaço. E pela brincadeira que o mesmo proporcionou, claro. 
As crianças correram e brincaram. Os adultos conversaram e, sem saírem do sítio de conversa, observavam os pequenos, já que o espaço, apesar de amplo, permita o contacto visual com toda a gente. Foi muito bom. Uns sentados em cadeiras, outros na relva. Uns de copo na mão, outros de rissol na boca. Outros de rabo para o ar a levantar o bebé que caiu. Miúdos a correr, miúdos a andar de bicicleta, miúdos a lutar pelos brinquedos da cozinha, miúdos a descer o escorrega, miúdos a brincar aos detetives, miúdos de espada na mão e de bola no pé, miúdos a fazer birras. Enfim, o normal. Brincadeiras livres, sem animação programada, brincadeiras à medida de cada um, já que cada um brincou como quis. Entre grandes e pequenos eram quase 100 pessoas. Foram 3/4 horas de festa pura.
O momento alto foi o de cantar os Parabéns. Antes da cantoria propriamente dita, oferecemos bolas de sabão e gaitas de papel (não sei como é que aquilo se chama) às crianças. Passados poucos minutos, tínhamos uma paisagem de bolas de sabão iluminada por um candeeiro de sol; bolas grandes, bolas pequenas, umas  lá em cima, outras pela altura dos nossos joelhos, uma bela paisagem. Segundos depois, tínhamos uma banda filarmónica desafinada a apitar, com ritmos e tons diferentes, imperfeitos e desafinados, dirigida pelos aspirantes a músicos. O brilho nos olhos e a euforia das crianças valeu a pena, valeu pelo esforço de procurar o presente ideal para oferecer aos convidados (na verdade, eu sabia o que queria, são coisas comuns em festas de crianças, mas tinha de encontrar coisas à medida do orçamento que tinha definido). Eu, que dias antes me perguntava por que raio, agora, se oferecem prendas aos convidados, rendi-me. Decidi que não daria doces a ninguém e foi o melhor que fiz. A minha querida irmã alinhou nos doces e, depois, andou a pedinchar gaitas. Gaita da miúda, eu bem que a avisei.
Depois, duas mesas pequenas no meio da relva, cada uma com um bolo (diferentes por fora, iguais por dentro). O cantar os parabéns duas vezes, a dois amores, pela comemoração do nascimento de cada um. Nasceram-nos dois presentes há 2 e 5 anos, respetivamente. Dia 27 de Setembro de 2015 comemoraram juntos, embrulhados em bolas de sabão, os seus aniversários. E nós fomos ainda mais felizes, porque, com estas pequenas grandes experiências/vivências, esperamos que eles construam boas memórias.
Parabéns meus amores! Marcamos encontro na festa do próximo ano que, se for em conjunto, será em Outubro.