quarta-feira, 7 de setembro de 2016

De regresso à conversa do Jardim de Infância: É agora!

O meu amor pequenino vai para o Jardim de Infância (JI) na próxima semana.
Eu tinha tantas certezas acerca do que queria e do que não queria. Procurei o que mais se adequa às ideias que defendo e ao que posso pagar. Procurei um lugar que o faça sentir bem. Procurei pessoas que o tratem bem. Procurei um lugar que promova o ser criança nos tempos de criança. Encontrei um: distante da nossa casa, com a mensalidade no limite do que podemos pagar, com horário no limite do que podemos praticar, com um método pedagógico com que me identifico, com espaços amplos e iluminados, com espaço exterior. Inscrevi-o para reservar a vaga. Apesar de ir ver mais um espaço, já tinha decidido que era aquele que ele frequentaria a partir de Setembro. Aquela seria a sua primeira escola.

A vida não é uma linha direita, muito menos estática e nas curvas e contracurvas inesperadas sem sinal de aviso de perigo, a situação profissional do pai mudou. Não estamos a passar por dificuldades financeiras, desconfiamos até que vai correr tudo bem, mas os próximos meses (talvez o próximo ano) serão de moderação. Manter a opção inicial do JI seria arriscado (quase impossível). Tenho a sensação de que andaria numa corda, daquelas que fazem a travessia entre dois arranha-céus, em constante equilíbrio, com risco elevado de me estatelar lá em baixo. O dilema: e agora?
Voltar atrás na minha decisão não foi fácil. Trouxe discussões. Os argumentos de ser longe e de ser cansativo, para mim, só contemplavam o nosso bem estar, não o dele. Só o fator financeiro é que me levou (obrigou) a rever a decisão. E a alterá-la. Vamos pagar menos de metade da mensalidade. Nesta fase faz toda a diferença.
Afinal, ele frequentará uma IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social) próxima do meu trabalho. Gostei da educadora, mas não gostei do espaço. Ou melhor, não gostei do facto de não ter, por enquanto, um espaço exterior. A Instituição já iniciou a obra do que será o espaço exterior, mas não se sabe para quando a sua conclusão. Eu queria encontrar um lugar igual ao primeiro com uma mensalidade inferior. Isso é impossível, não há escolas iguais. A parte boa é que o JI é em frente ao parque infantil que costumamos frequentar, as crianças vão algumas vezes ao parque e eu, tal como já faço, posso ir buscá-lo e ficar no parque sem fazer qualquer desvio. Lentamente libertei-me da obsessão do primeiro Jardim de Infância, encontrei pontos favoráveis no segundo, habituei-me à ideia, comecei a sentir segurança na decisão (no início foi terrível).

Algumas reflexões acerca  das duas hipóteses:
- O JI que ele frequentará é próximo da nossa residência. Muito perto do meu trabalho. Posso ir levá-lo e buscá-lo a pé se for necessário. A Ama pode ir buscá-lo se for necessário, se quisermos e se ela puder. Não queria que ele deixasse de ter contacto com a Ama, queria continuidade em detrimento de uma mudança brusca. No outro JI, longe da nossa residência, era muito complicado promover/manter uma transição progressiva e esse contacto.
- Vai conviver com crianças que, certamente, irão com ele para a Escola Pública. Algumas crianças nossas conhecidas e amigos do "nosso" parque frequentam o JI que ele frequentará. Confesso que equacionei (ainda equaciono, muitas vezes) colocá-lo numa Escola privada durante o JI e o 1.º ciclo do ensino básico, mas as mensalidades são elevadas. Se equacionar ter mais filhos, será difícil manter esta intenção, pelo menos com base na situação atual. É claro que as coisas podem mudar. Eu até sou pessoa de viver o presente sem supostas condicionantes futuras (quando é comigo, claro), mas uma das coisas que me preocupa (preocupa q.b.; sei que, por vezes, as crianças adaptam-se com muita facilidade às mudanças) é não poder promover uma mudança progressiva: frequentar dois anos uma escola, mudá-lo para outra numa zona diferente, com cuidadores e colegas diferentes, com métodos pedagógicos distintos, por exemplo, não é o ideal. Na minha opinião, claro.
- A sala do JI que o receberá tem 15 crianças em vez das 21 do primeiro. Terá também uma Educadora e uma Auxiliar, mas para um número de crianças menor. Prefiro.
- No primeiro espaço só tínhamos reunido com a Psicóloga, só conheceríamos a Educadora no primeiro dia de JI. Neste, a reunião foi com a educadora. Ela perguntou-nos o que esperávamos do JI. A primeira resposta foi: Afeto, atenção e brincadeira. Só depois completei com a socialização, com a segurança, com a aprendizagem... Na verdade, eu quero o que todos querem: um sítio em que ele seja feliz. Temo o período de adaptação, confesso. Vou ter uma semana de férias para o acompanhar. Parece um desperdício, uma semana para ficar em casa, mas acho que é fundamental. Tendo esta possibilidade, vou aproveitá-la.
- Neste JI trabalham por projetos. Fiquei com dúvidas se os projetos partem de sugestões da educadora ou de interesses que as crianças revelam. Esta última opção, para mim, é a mais acertada.
Confesso que quando vi uma planificação semanal do primeiro JI, fiquei com algum receio: muitos espaços preenchidos com atividades pré-definidas e poucos retângulos com a opção "brincadeira livre", no entanto o método pedagógico é baseado no Movimento da Escola Moderna, o que me agrada.
- No primeiro JI, em algumas salas, as crianças dormem a sesta entre 1 hora a 1 hora e meia. Neste, todos dormem a sesta duas horas e meia. Não concordo. E as crianças que não têm necessidade de dormir tanto? Ficam deitadas a olhar para o teto?
- O primeiro tem psicóloga permanentemente. Do grupo do JI que o acolherá, faz parte um Centro de Dia, com o qual as crianças mantêm contacto estreito. Valorizo muito a promoção do respeito pelos mais velhos e pela diferença, bem como o contacto com realidades diferentes.

E é isto: um tem umas coisas que me agradam mais, outro tem outras. Às vezes ainda tenho dúvidas, mas sinto-me mais confiante. Falei com uma psicóloga com a qual trabalho, ela descansou-me: disse-me que eu saberei ler os sinais e perceber como ele se sente através do seu comportamento. Espero que sim.

Imagem retirada daqui.

Filho, meu amor pequeno e meu amor maior, vai seguro e feliz. Vai: vai descobrir mais um pouco deste mundo; vai brincar mais; vai aprender mais; vai ser mais. Vai, filho, não tenhas medo. Eu estou aqui, como sempre. Vai correr tudo bem. Eu tenho o poder de fazer acontecer o melhor para ti; tenho de o ter. Eu sou tua mãe.

Ideias sobre a escola pública e a escola privada: Ver aqui.
As primeiras dúvidas acerca da escolha do JI: Neste texto.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Olá Setembro de 2016

Olá Setembro. És pura comemoração pelos aniversários que em ti se celebram. Assim sendo, espero de ti festa e celebração. Até parece que ando sempre em festa... Há meses complicados e isto de me despedir e cumprimentar os meses desde há um ano, não me deixa iludir, mas também há meses que são, por excelência, muito bons.  Para mim, Setembro, és um bom mês. És o mês.

Imagem retirada da Internet: Fonte desconhecida

Em ti começa a caminhada de Outono (se bem que, dizem, serás um mês com temperaturas de Julho e de Agosto). Eu já tenho as botas para iniciar a caminhada de Outono, mas adapto-me com muita facilidade: posso muito bem deixar as botas para depois e manter os chinelos. 

Adeus meu querido mês de Agosto de 2016

Foste um bom mês. Foste o que aqui cumprimentei. E ainda mais.
Foste férias. Foste família. Foste paz. Foste força. Foste otimismo. Foste cumplicidade. Foste felicidade. Trouxeste-me os 40 com subtileza e serenidade. Tanta. Foste o mês em que me deu vontade de mudar tudo isto que é a nossa vida. A verdade é que muita coisa mudará em breve: o pai cá de casa vai mudar de trabalho, as rotinas vão sofrer alterações, esperam-nos adaptações. Esperamos melhorias a todos os níveis, ainda que no início contamos que seja complicado.
Durante as nossas férias, de que falarei depois, imaginámos como seria viver durante um ano na Ilha que nos colheu durante 15 dias em Agosto: o pai pescava, vendíamos peixe  - a venda de peixe seria a nossa única fonte de rendimento - partilharíamos os dias uns com os outros, experimentaríamos isso de viver juntos intensamente a tempo inteiro. Ficámos embriagados com as férias, completamente; sem a parte da ressaca. Depois, colocámos os pés no chão e alinhámos os pensamentos e os sonhos: há casa para pagar no sítio onde vivemos, há um projeto novo para iniciar, há o Inverno que, garantidamente, não nos permite tanta liberdade como o Verão (ao nível de andarmos sempre na rua), há o facto de não termos casa na Ilha. Apesar da nostalgia de nos despedirmos das férias, elas deram-nos força e confiança para enfrentar o que aí vem. E o que aí vem só pode ser bom. Adeus meu (literalmente) querido mês de Agosto.

O ano passado despedi-me de ti assim.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Reflexões profundas (ou não) #26 - Férias depois das férias, para quando?

É suposto regressar ao trabalho, depois das férias, com o descanso estampado no rosto, com bom aspeto, de sorriso nos lábios e com ar sereno? 
É que se querem que me apresente ao serviço arranjadinha e com bom ar, aviso já, preciso de férias depois das férias... Não estou aqui para enganar ninguém. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Resposta na ponta da língua.

Passei por aqui só para registar o ponto em que estamos (mentira, deixei esta publicação agendada automaticamente antes de ir de férias). De qualquer forma, este é o estado da (nossa) nação: o Índio Pirata tem resposta para tudo. 


Agora, vou ali fazer 40 anos e já volto. 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Encerrado para férias

Vou de férias. A preocupação do momento é: 

Imagem retirada do Pinterest

Tanta coisa, tanta coisa e ainda não inventaram malas especiais para férias, com os essenciais todos incluídos!
Uma ideia simples: preenchemos um questionário com indicação do nº de pessoas, as idades, os géneros, as alturas e os pesos, o nº de dias de férias, o local e... já está. Entregavam-nos as malas prontas no dia da partida; não nos davam tempo para conferir nada nem para enfiar dentro da mala mais 550 coisas que não servem para nada. Até podíamos enviar uma fotografia de família, para perceberem o estilo. Abrir a mala e deparar-me com roupa clássica e complicada em vez de roupa desportiva e descontraída era coisa para me deixar de cabelo em pé o resto das férias; para nós tem de ser daquele tipo de roupa que é lavar e vestir; vamos para um sítio em que não há máquina de lavar roupa, nem ferro; vamos para uma ilha... só não é deserta.
A única opinião/sugestão que consigo emitir em relação à preparação de malas para férias é esta: inventem este serviço, por favor! E já que estou a dar a ideia para um eventual (bom) negócio sem qualquer custo, não me cobram nada pelo serviço nos próximos 60 anos... Cá vos espero amanhã, às 9h00, no sítio do costume, com malas para três: duas do género masculino e  uma do género feminino. Podem acrescentar uma garrafa de Gin à mala feminina; vá, não reclamem, eu levo a água tónica, só necessitam de acrescentar o Gin - 1 garrafa para 15 dias e ainda reclamam. Não, não vou conduzir, sou uma automãebilista responsável.