terça-feira, 7 de março de 2017

Espiando recreios...

O que é que andas a fazer à hora de almoço que nem um rascunho escreves?
Ando a brincar aos detetives: ando a espiar os recreios das escolas aqui da zona (públicas e privadas).
Uma vez que as escolas públicas não me abrem as portas antes de inscrever o miúdo (pelo menos, por enquanto; ainda não desisti), uma vez que quero observar o que alguns me descrevem, decidi-me por este método. Não me coloco de plantão à porta das escolas, mas procuro observar o ambiente.

Em que aspetos focas a tua observação?
Vou tentar descrever por pontos o que tenho observado:

- Se as crianças estão no recreio (quase) todos os dias ou se só lhes é dada essa oportunidade em dias de sol com temperaturas acima dos  15ºC - não espero que estejam na rua em dias de tempestade com alerta vermelho, não exageremos.
- Se o espaço é amplo ou reduzido.
- O espaço envolvente. Uma escola com campo, serra ou mar como pano de fundo ganha pontos.
- A vedação: prefiro uma vedação que permita ver o horizonte, o meio envolvente; não gosto de muros de cimento. Há quem defenda a existência de muros, alegando a segurança, na medida em que pessoas estranhas não tem acesso visual ao espaço.
Falam muito bem de uma escola pública localizada na Vila onde vivo que tem um muro destes... Tenho pena. Tenho consciência de que não determinará a minha escolha, mas preferia outro tipo de vedação.
- A variedade de equipamentos. 
- As brincadeiras das crianças e as possibilidades que o espaço exterior lhes oferece.
- A existência de árvores, daquelas que permitem uma subida.
- O Pavimento dos recreios: cimento, chão artificial, relva (natural ou sintética), areia? Gosto de areia, gosto de terra, gosto de relva natural. Trocava sem hesitação muitos dos equipamentos topo de gama presos a um chão artificial por um espaço com areia, baldes, regadores, ancinhos e pás.
- O papel dos adultos nos recreios: passivo ou ativo? Defendo que devem existir vários períodos ao longo do dia para a brincadeira livre e espontânea sem intervenção ou orientação do adulto. Defendo também que existem muitas atividades dirigidas que podem ser realizadas na rua. Já o escrevi antes, aqui.

E porque é que te meteste nesta vida de detetive de recreios? 
Porque procuro uma alternativa ao JI que o meu filho frequenta. E é bem possível que não espere pelo início do próximo ano letivo para o mudar.

Porquê?
Porque não estou satisfeita. Escreverei sobre isso noutra altura.

Descreve o recreio dos teus sonhos.
Bem, não sei se o conseguirei descrever detalhadamente, mas vou tentar.
Um espaço com árvores. Uma horta para cuidar. Um espaço para jogos de bola. Um espaço para jogos tradicionais que podem ser desenhados no chão: o Jogo da Macaca; o Jogo dos Polícias e Ladrões (aqui fará sentido um espaço de cimento, no qual se possa desenhar com giz). Um espaço com areia, baldes & companhia. Um espaço com equipamentos diversos, tais como os escorregas, as casas de madeira, as pontes de madeira, etc. Um espaço com mesas e cadeiras para conversas secretas e lanches. Um espaço para as crianças se rebolarem/deitarem no chão caso lhes apeteça, por exemplo um espaço com relva.... Um espaço com vários espaços, com várias opções, com várias hipóteses de exploração.
É mais fácil explicar algumas ideias com imagens:

 Imagem retirada daqui

Imagem retirada daqui

Imagem retirada daqui

Imagem retirada daqui.

Imagem retirada daqui

Imagem retirada daqui

Coloquei esta última imagem para referir um Jardim de Infância privado, pequeno, sem grandes equipamentos no espaço exterior: tem um quintal com chão artificial, tem uma casa de plástico, tem triciclos e um escorrega pequeno. Tem, junto a este pavimento, uma área com areia. Preferia um espaço exterior mais amplo, admito. No entanto, nas traseiras, tem uma horta e animais. Por vezes são as crianças que dão comida às galinhas, algumas vezes tratam da horta, outras vezes apanham fruta. A junção dos dois espaços, para mim, é excelente. Em dias de sol colocam as mesas no quintal e lancham na rua. Fazem muitas atividades com tintas. As famílias são chamadas a participar em várias atividades. Fazem bolos e doce de fruta, entre outras coisas. Está no meu Top 3.

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