terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #20 - O cavalinho de pau do Menino Jesus e outros contos de Natal

Queria um livro que falasse do Menino Jesus e do Pai Natal. Não queria escolher um em prejuízo do outro. Queria que ele associasse os dois à época Natalícia. Queria os dois nas histórias que recriamos nesta altura. Queria magia e fantasia.
Comprei este livro online. Li, antes de o comprar, que relata o nascimento de Jesus, o atraso dos Reis Magos e a escolha da prenda que o Pai Natal ofereceu ao Menino Jesus aquando do seu nascimento. Sabia que era uma história diferente, não só porque contemplava "os dois grandes protagonistas" do Natal no mesmo livro, mas também porque a escrita tinha um lado humorístico, bem disposto, leve, fresco, sem conservadorismos. Não tive oportunidade de folheá-lo antes de o comprar, mas não me desiludiu.
Gostei de algumas das reflexões do Menino Jesus ainda dentro da barriga da mãe; do atraso dos Reis Magos e da, consequente, impaciência da estrela perante a espera de suas majestades; da confusão do Pai Natal ao escolher um presente dos dias de hoje para um menino que nasceu há mais de 2000 anos, teve de ser a Mãe Natal a orientá-lo na escolha; do Menino Jesus escolher o cavalinho de pau em detrimento do ouro (para ele o cavalinho de pau tem mais significado). Eu gostei do livro. Ele também gostou, mas é um livro com muito texto e poucas imagens para a idade dele, com o relato de factos que ele desconhece (logo, não encontra a piada que eu encontro). Contei o resumo das três histórias, ele percebeu-as e relata-as como se estivesse a ensaiar a fluidez do discurso (gosto desta fase do miúdo; na verdade tenho gostado de todas, excetuando as birras).
Este livro é também um excelente ponto de partida para o presente que ele vai encontrar no dia 25 de manhã debaixo da nossa árvore de Natal: um cavalinho de pau. Abrimos as prendas no dia 24 à noite em grande grupo, mas gosto sempre de deixar uma para o dia 25 quando acordamos. Este ano é esta.


É um livro de Manuel António Pina, com ilustrações de Inês do Carmo, da Porto Editora.
Acho que é um excelente livro para realizar dramatizações alusivas à época (no 1º ciclo do Ensino Básico). Tem três histórias e várias personagens. Acho que é relativamente fácil incluir todos os alunos na história com participações equitativas (mesmo que se façam adaptações do texto).

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Adeus meu querido mês de Novembro e olá Dezembro de 2016

Novamente a fazer isto de uma vez só. Hoje é dia 15 de Dezembro e, para ser sincera, quase nem me lembro de Novembro. Não deve ter sido um mês muito mau, mas também não deve ter sido muito bom. Há uma coisa que espero ter conseguido em Novembro: ter iniciado um processo de paz.
Em relação a Dezembro, chegou com feriados, com o Índio Pirata cheio de pintas, febre, tosse e comichões (varicela mesmo), com gripe para os adultos e frio para todos. Ontem culminou com uma queda (minha). Parti uma cadeira e caí, literalmente, com o rabo no chão. Em minha defesa: a cadeira estava estragada, já foi colada 1327 vezes, estava mais do que na hora de ser reformada/reciclada. Temo que este Dezembro, com tudo isto, passe muito depressa.


Ou melhor: já estamos a meio de Dezembro novamente. Vou ali viver o que resta disto "à grande" e já volto. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Teorias Pantomineiras

Há frases feitas que não compreendo, que não concordo e que me irritam. 

- Ter só um filho é quase o mesmo que não ter nenhum. 
Só podem estar a gozar: então todo o amor que se sente, as mudanças que sofremos, o prazer e a alegria que nos engrandece, a ocitocina que nos fortalece, o trabalho que temos, o coração que não reconhece limites de velocidade, a ansiedade de dar um abraço àquele filho único que se tem ao final do dia, a angústia que sentimos quando a dor que ele vai sentir ainda não lhe chegou, aquele acordar um segundo antes de ele se engasgar, o amor, porra, aquele amor inesgotável e incomparável não significa nada? Ter ou não ter é quase o mesmo? Como assim?

- Ter um filho ou ter dois é a mesma coisa.
Só tenho um, mas não me enganam. Uma mãe com mais do que um filho já me contou toda a verdade, quebrou esse pacto pantomineiro que algumas de vocês, mães de dois ou mais filhos, estabeleceram. Porque é que nos dizem isto?
Acordar durante a noite por um 5 vezes ou por dois 10 vezes é igual? Pagar creche para um ou para dois é a mesma coisa? Sair de casa com um ou com dois dá o mesmo trabalho? Comprar roupa para um ou para dois não altera o orçamento familiar em nada? Nem se dá pelo facto de termos em casa o dobro do número atual de birras, pois não? E as despesas de saúde (ainda que se contemplem apenas as consultas de rotina, vacinas, etc.)? E a disponibilidade que se tem para um é inalterável com a chegada do segundo? Nem vou falar da vida do casal, ainda estou a ver se sobrevivemos à existência de um filho... Sim, eu sei que o amor de um filho a dobrar deve ser do caraças. E eu gostava mesmo de ter um segundo filho (já desisti da ideia de ter 3, que tivesse sido mãe mais cedo). Mas, sejamos sinceros, nunca mais será a mesma coisa. Tenho cá para mim que não será a mesma coisa nem é suposto que seja. Talvez o problema seja o conceito de "quase o mesmo", "a mesma coisa", "quase igual"... Ou então, é só mesmo para nos enganarem.

Quando o miúdo nasceu, embriagada pelo amor e pelas hormonas, queria ter outro assim que fosse possível. Agora, ando de ano para ano a reestabelecer limites, com dúvidas, com mentalizações de que posso muito bem ficar-me por um. Quando me dizem que o segundo é mais fácil, que já sei ao que vou, penso: é mesmo por saber ao que vou que não me parece que seja mais fácil.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Grandes livros para pequenos leitores #19 - O livro negro das cores

Este livro permite aprender e transmitir a inclusão, simular realidades, criar empatia, "experimentar" a cegueira, refletir sobre este filme. 
Lembro-me de ter encontrado este livro na livraria Bulhosa (mais uma vez esta livraria, trabalhava lá perto, era o passeio da hora de almoço) e de o querer comprar imediatamente. O valor era superior ao plafond disponível e, na altura, contentei-me com a oportunidade de folheá-lo e de imaginar o que faria com ele em contexto escolar (isto aconteceu nos meus tempos áureos de estudante, estudante de 30 e poucos anos).
Mais tarde, fiz um trabalho em que referi este livro e a minha sugestão de atividades foi muito óbvia: vendar os olhos das crianças; ler o texto em voz alta ao mesmo tempo que as crianças folheiam as páginas desta relíquia; orientá-las para a descoberta das texturas, promovendo assim a associação do texto lido às texturas impressas no livro; estimular a imaginação levando-as a cenários hipotéticos. A história associa as cores a determinados cheiros, logo, efetuar a leitura com a possibilidade de as crianças experimentarem o aroma associado a cada cor descrita no livro seria uma mais valia. Seria perfeito se cada aluno tivesse o seu livro e a atividade/experiência fosse realizada com todos os alunos ao mesmo tempo.
Outras hipóteses: disponibilizar objetos, propor o manuseamento dos mesmos de olhos vendados, pedir às crianças para os descreverem, bem como a sua função; propor a deslocação na sala de aula com os olhos vendados de um determinado lugar a outro seguindo as instruções dadas pelo professor/pelos colegas; sentar as crianças em roda com os olhos vendados, apresentar uma sequência de sons - um carro a chegar, um comboio a apitar, a chuva a cair - e pedir para descreverem o lugar para onde são "levados" pelos sons; registar todas as dificuldades que as crianças vão sentindo. No final, em grande grupo, debater os obstáculos encontrados e as dificuldades sentidas e recolher ideias para melhorar o quotidiano de pessoas com deficiência visual. Tudo isto aconteceria no campo da simulação e da manipulação de realidades, mas poderia ser um ótimo ponto de partida para a compreensão das dificuldades que alguns sentem, para a inclusão, para o respeito pelo outro, para a aprendizagem da empatia. Este livro é maravilhoso por tudo o que pode representar, foi amor à primeira vista, à segunda, à terceira... É impossível ficar indiferente: um livro tão poético, que consegue transmitir a realidade (de alguns) com uma sensibilidade ímpar.


O Livro negro das cores é da Bruaá Editora, texto de Menena Cottin e ilustração de Rosana Faria. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Quero Ver (ou já vi): Helen Keller e o milagre Anne Sullivan

Há uma semana consegui um par de horas de "folga". Com algum barulho de fundo (as reclamações do miúdo), mas livre das habituais tarefas (banho, jantar, deitar) e com poucas interrupções. O sofá e o comando foram meus durante aquele tempo. O pai comandou o barco - vou reivindicar mais folgas como esta.
Procurei o documentário "o começo da vida" no youtube, enganei-me e coloquei na pesquisa "o milagre da vida". Nas 1001 opções listadas, apareceu-me este filme: 


O nome Helen Keller soava-me familiar, a imagem captou a minha atenção e acabei por pressionar o play quase involuntariamente. O filme começou e eu não o larguei mais, foi um daqueles encontros felizes e inesperados que nos prendem ao ecrã. O filme é forte, é complexo, é emotivo, é bonito. É intenso. É tanta coisa e ainda consegue ser uma lição.
É baseado na história verídica de Helen Keller que ficou cega, surda e muda antes dos dois anos de idade. Retrata o período da sua vida em que os pais, desesperados pela incapacidade que sentem em relação à sua educação e perante o comportamento agressivo da filha, procuram ajuda externa numa professora, que também ela foi cega. E aqui começa a montanha russa de sensações, emoções e questões.
Os pais que permitem que a filha faça tudo devido à sua condição. Os pais que sentem pena da filha. Os pais que não conseguem, sozinhos, estabelecer comunicação de forma eficaz com a filha. Os pais que premeiam com doces o comportamento agressivo da filha. Os pais que amam a filha.
Uma professora que chega decidida em pôr a pequena a comunicar, nem que para isso tenha de enfrentar e desafiar os pais, pondo em causa o seu desempenho. Que lhes pede/exige para ficar sozinha com a criança de 6/7 anos, sem permitir sequer visitas. Que questiona os seus métodos ou a ausência deles. Que me parece focada/obcecada num objetivo. Que põe em causa muitas correntes pedagógicas/ideias educacionais que tanto defendemos hoje. Uma professora que ama aquela criança.
Dou por mim a assentir o comportamento da professora no momento em que a criança lhe bate e ela retribui da mesma maneira; logo eu que tento excluir a palmada da educação que dou ao meu filho; logo eu que até repito a frase mais do que feita "comportamento gera comportamento". Dou por mim a não julgar a professora quando esta condiciona a proximidade entre filha e pais (ela considera que eles são um travão ao seu desenvolvimento); logo eu que defendo tanto que a escola e a família devem ter uma relação de proximidade. Tudo aquilo me parecia um tratamento de choque, com o qual eu discordo, no entanto os resultados surgem e a empatia com a professora aumenta. No final, fico com a certeza de que aquela professora amou muito Helen: acompanhou-a até ao fim dos seus dias. Não me parece que falar de métodos pedagógicos seja o mais importante quando se vê este filme, no imediato não pensei nisso, mas mais tarde sim, confrontei o que defendo com o que vi, consciente das adversidades da situação e do contexto.
É um filme de emoções fortes, que nos arranca lágrimas com muita facilidade, mexe connosco, põe em causa as nossas (as minhas, neste caso) convicções e espelha a capacidade que podemos ter para amar o próximo. Educar não será tarefa fácil para ninguém, mas só alguns conseguirão educar em determinados contextos. Claro que os tempos são outros, sabem-se mais coisas (às vezes), existem outros apoios (para alguns), a tecnologia evoluiu bastante, mas em jeito de conclusão só me ocorre pensar que todas as crianças (com ou sem deficiências; com ou sem dificuldades, financeiras incluídas; com ou sem limitações) deviam experimentar uma dedicação (por parte de educadores e professores) semelhante. E não, não estou a escrever que não existe, estou apenas a escrever que nem todos têm a possibilidade de experimentar isto. Nem todos necessitarão de uma dedicação igual à que Helen necessitou, mas todos necessitam de alguma.
Conheço um jovem que não pode frequentar a escola devido a uma doença oncológica; a escola em que ele está matriculado ainda não encontrou uma solução para ele fazer este ano letivo; estamos prestes a terminar o 1.º período; isto nos dias de hoje em que conseguimos, em tempo real, saber se está a chover no outro lado do mundo. Uma adolescente, com problemas cognitivos diagnosticados, tem apenas 1 hora de terapia da fala por semana. Um bebé de 19 meses que removeu um tumor parcialmente e que não vê; não conheço esta mãe, mas quando se fala da sua história tenho sempre vontade de a abraçar; sei que ela precisa de muito mais do que o meu abraço. Aposto que há professores  e técnicos no desemprego (e no ativo) capazes de se dedicarem a estes tipos de casos... Mas já sei, é tudo mais complexo do que estas simples e insignificantes palavras proferidas por quem não percebe nada do sistema, por quem não compreende a complexidade de pôr em prática a Intervenção Precoce em pleno, por quem não entende as equipas multidisciplinares. Sou uma básica, também já sei, não consigo alcançar tanta complexidade. Voltando ao filme, vale muito a pena.

Helen Keller pareceu-me familiar devido ao Centro Helen Keller: "a primeira escola portuguesa a integrar alunos com deficiência visual, fortemente ligada à evolução da Educação Especial no nosso país".

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Reflexões profundas (ou não) #29 - o crescimento: o meu enquanto mãe compradora, não o do miúdo

Nos últimos anos, quando entro numa loja (real ou virtual) o percurso principal é sempre o da secção de criança. A semana passada entrei numa loja online e comprei um vestido para mim - 12,50€ com 50% de desconto incluído; sou a rainha das promoções; em alguns sites só compro quando há promoções de 50%) . Atrelado ao vestido ainda veio uma fronha para o miúdo, mas só isso. Estou crescida, um dias destes ainda começo a sair à noite.

Ainda a propósito de roupas, ofereceram-lhe um conjunto de roupa, no aniversário, de uma marca que nunca comprei na vida. Uma camisa muito grande, com um padrão que não gostei muito, no valor de 49€!! Pensei de imediato trocá-la por umas 10 camisolas de algodão para o Inverno, vinha mesmo a calhar... Isso era se fosse numa das lojas em que costumo comprar roupa, naquela deu para duas e ainda tive de pagar a diferença -  ainda perguntei se podia converter aquele valor num "cartão oferta", para utilizar nos saldos, mas não foram na minha conversa. Ainda me falta (crescer) um bocadinho "assim" para compreender estas coisas (€). No entanto, ao nível do aproveitamento de promoções, o meu desempenho tem melhorado bastante.