sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A brincar é que a gente (pequena) se entende #18 - Ele não é criado pelo avô, mas brinca muito assim

Ele não é criado pelo avô, mas brinca na rua. Brinca com um carro de madeira que tem um cordel. Brinca com pás e com baldes na areia. Brinca nos escorregas e nas casas de madeira do parque. Corre no jardim como se fosse um jogo: não podemos pisar os buracos. Brinca no coreto. Empoleira-se na estátua que está no jardim (ou tenta; está localizada junto a um lago, não é aconselhável trepá-la sozinho). Mas também vê televisão. Também brinca em casa. Fala sozinho na sala ou no quarto. Constrói puzzles. "Lê" a revista do Panda que o pai lhe comprou. Ouve histórias. Faz teatro de fantoches. Por enquanto não brinca com computadores ou Ipad's, mas eu sei que vai chegar o dia em que vou ter de lhe proporcionar estas experiências. Só espero saber doseá-las.
Num mundo em que a tecnologia domina cada vez mais, não quero deixar de lhe mostrar que ela existe (acho que não o devo fazer), mas quero proporcionar-lhe outras experiências. Quero que valorize a brincadeira livre de ecrãs, a brincadeira criativa (fazer de uma garrafa um barco, por exemplo), a brincadeira informal de rua, a brincadeira construtiva de grupo... E que não nos olhem de lado por isso. 


Imagem retirada da Internet: fonte desconhecida

Tenho encontrado algumas pessoas aqui na terra onde vivo que partilham a preocupação de meter os miúdos a brincar na rua. Mesmo no Inverno. Mesmo quando está frio (não os 3 graus negativos dos últimos dias, vá). E fico mesmo feliz por isso. Começamos a ser alguns. Um dia destes seremos muitos.
Queremos os miúdos a brincar na rua!
Queremos os miúdos a brincar na rua!
Queremos os miúdos a brincar na rua!
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Sem ecrãs. Ir para o Jardim com o telemóvel na mão, não vale.

E por coincidência (ou não), acabei de receber uma mensagem de uma dessas mães que diz: estou a pensar enviar  um email para o Agrupamento de Escolas para nos deixarem visitar os Jardins de Infância antes de inscrevermos os miúdos (ela tem uma menina com a idade do meu filho)... Boa! Quero visitar o Jardim de Infância antes de o miúdo o frequentar. Não é isso que acontece no privado? Já escrevi aqui sobre isso.
Um dia destes crio um Movimento de Apoio à modernização da Escola - e não, não estou a falar de tecnologia.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Afinal, só importa a felicidade de quem amas e não a infelicidade de quem não interessa.

Quando magoam alguém que tu amas, carregas-lhe a dor. Pelo menos tentas. 
Quando magoam alguém que tu amas, vives as mágoas como se fossem tuas. Mas não são, não tenhas a ilusão de que gritas o mesmo desespero.
Quando magoam alguém que tu amas e o responsável segue em frente, tu queres criar atalhos que o façam voltar atrás.
Quando magoam alguém que tu amas, tentas curar as feridas da melhor maneira que sabes: com desinfetante, cicatrizante, pensos rápidos, ligaduras... Mas não és cirurgião plástico, as marcas continuam a gritar a dor que, aparentemente, já passou. Os gritos da dor inicial já lá vão, mas ainda ouves aquele grito abafado de cada vez que sentes a cicatriz que lhe tatuaram à força. Ainda dás por ela muitas vezes, quase todos os dias.
Quando magoam alguém que tu amas e o responsável vive bem e de consciência tranquila, tu queres mudar a lei: a dos homens e a do universo que se uniu para vos tramar. Não é justo que viva bem, sem castigo, sem remorsos, sem um pedido de desculpa. É injustiça pura.
Quando magoam alguém que tu amas e o responsável apregoa teorias antagónicas ao que é e ao que pratica todos os dias (tu conhece-lo bem), tu queres a oportunidade para desmascará-lo.
Quando magoam alguém que tu amas e o responsável constrói (aparentemente) algo que tu admiras, tu voltas a reivindicar justiça. Quem é que pôs os pesos nos pratos da balança? Enganou-se, não foi?
Quando magoam alguém que tu amas e o responsável sobe muito alto, tu só pedes que ele voe para longe, para que não tenhas que testemunhar a sua ascensão. Tu não queres saber.
Quando magoam alguém que tu amas e o responsável cai "lá de cima" e se estatela "lá em baixo", tu podias ficar feliz... Mas não ficas. Afinal, só importa a felicidade de quem amas e não a infelicidade de quem não interessa.
Demoraste muito tempo a compreender isto, mas chegaste lá!

Imagem retirada da Internet.Fonte desconhecida.

E quando olhas para trás, reconheces que podias ter aprendido isto mais depressa e evitado sofrimento desnecessário. Ou então, tinhas mesmo de passar por tudo isto para aprender o que agora te parece tão simples e tão óbvio.
Agora é hora de seguir em frente, os pratos da balança ficarão na posição certa naturalmente. Venha a nós o que é para a nossa felicidade!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Reflexões profundas (ou não) #31 - telemóvel Vs cabine telefónica

Esta é mesmo uma reflexão profunda, até mais do que isso: é uma autocrítica. 
No final da década de noventa, tinha eu vinte e poucos anos, quase todos os dias saía do trabalho a meio da manhã para ir beber um galão no café em frente. Mesmo ao lado existia (ainda existe) um centro comercial com uma cabine telefónica. Todos os dias o mesmo ritual: a procura pela moeda ideal, o digitar o número que sabia de cor, o telefonar à minha avó. Se tivesse duas moedas, sabia que a conversa se prolongava um pouco mais. Eu gostava de ouvi-la e ela ficava feliz por me ouvir.
Hoje, com telemóvel aparentemente sempre disponível e com a possibilidade de efetuar "chamadas ilimitadas", já passei semanas sem lhe telefonar... É triste. Porque é que não aproveito a oportunidade que a porcaria do telemóvel me dá? Não gosto muito de telemóveis, fui das últimas a ter um (lá em casa e arredores), até porque o associava a controlo... Mas bolas, podia aproveitá-lo para cumprimentar quem tanto me mimou, para perguntar se dormiu bem, para dizer que estou constipada (como anteontem), para desejar uma boa noite...
A cabine telefónica ganhou este duelo, pelo menos até ontem. No entanto, espero que o telemóvel dê a volta ao resultado, até porque não encontro cabines telefónicas perto do meu atual trabalho e quero falar mais vezes com a minha avó. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Grandes livros para pequenos leitores #21 - Sou o maior

De manhã quando me tento despachar como qualquer mortal, é quase garantido que surge uma pessoa pequenina a pedir-me colo, a dizer que quer ficar comigo, a pedir para me deitar novamente. Depois do aconchego de um colo, de um abraço apertado e de alguns mimos trocados, chega a hora de lhe dizer que tenho de voltar ao que estava prestes a iniciar. Já percebi que se este ritual não for tranquilo, a Sra. Birra dá o ar de sua graça. É preferível "perder" - a verdade é que todos ganhamos - uns minutos num acordar assim do que enfrentar a terrível e não desejável Excelentíssima Senhora. Numa destas manhãs veio atrelado um pedido para ler um livro, um livro pequenino - retorquiu ele perante o meu "não posso, filho". Cedi e o livro que ele tirou da prateleira foi "Sou o maior" de Lucy Cousins, da Editora Caminho.


Foi uma prenda de aniversário. Não o temos lido muitas vezes, mas transmite uma belíssima mensagem.
Um cão que é o maior: faz buracos mais depressa e mais compridos do que o ganso, nada mais depressa do que o burro, é maior do que a Joaninha... Em todas as comparações que faz, ele é o MAIOR!
Então e se baralharmos isto e trocarmos as comparações: será que nada melhor do que o ganso? será que é maior do que o burro? voará mais do que a Joaninha? fará buracos mais depressa e mais compridos do que a toupeira? Pois é, parece que é tudo uma questão de perspetiva, parece que depende de com quem é feita a comparação. O cão lá chega à conclusão de que está a ser um grande exibicionista e pede desculpa aos amigos... Mas no final da história será que o cão é o maior em alguma coisa?

Filho, um dia, quando te deparares de forma mais consciente com as diferenças entre o que tu és e o que os outros são, não te preocupes, nada temas, não te intimides com as constatações. Foca-te no que gostas, no que queres alcançar, no que queres ser, define como o queres fazer e segue em frente, de preferência sem grandes comparações (haverá sempre algumas), sem te exibires, sem te desvalorizares. Não tentes contrariar a tua essência e nem entres em jogos competitivos excessivos: serás sempre maior do que uns numas coisas e menor do que outros noutras; serás sempre capaz de fazer umas coisas e incapaz de fazer outras. É mesmo assim. Às vezes "querer ser" ou "querer fazer" é poder; outras não - mentiria se dissesse o contrário. É claro que o "querer ser" ou o "querer fazer" é meio caminho andado para alcançares algo, mas às vezes não chega. Às vezes as coisas não correm bem à primeira, mas quando tentas novamente superas-te. Lembra-te que a frustração faz parte da vida, é bom que a sintas (não a ignores), mas não é mais do que isso: uma frustração, um "não sou capaz", um "não consegui", um "sou pior nisto". Esta história diz-nos que ninguém quer ser o pior, mas também nos diz que ser o pior é muito relativo.
Por fim, quero que saibas (tu sabes) que para mim és sempre o maior: o maior amor. Mas é para mim, tal como os outros filhos o são para os pais.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

À conversa com o meu filho #11 - Vira o disco e toca o mesmo

Todos os dias o mesmo diálogo. Mas não dizem que os miúdos com esta idade assimilam tudo com muita facilidade? Então qual é a dificuldade em assimilar a ideia de que tem de tomar banho?


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Reflexões profundas (ou não) #30 - Daltonismo a quanto obrigas

Lá ao longe (até parece que tenho uma casa muito grande) ouvi o pai perguntar-lhe: "Como é que tu fizeste isso? Tens o olho todo negro!" Não dei muita importância, se fosse uma queda/pancada grande, o miúdo tinha dado sinal, até porque ele é uma criança que consegue exprimir muito bem, a viva voz, as maleitas que vai fazendo. Desvalorizei. Entretanto, ouvi um burburinho por parte do pai à procura do Arnidol e depois outro para o aplicar. Pensei: tenho de ir ver o que se passa, como é que o miúdo deu um trambolhão assim tão grande e eu nem dei por isso? Quando os dois chegaram à minha beira (bonita expressão), vi um miúdo todo pintado em tons de verde (com um marcador) com um reforço de brilho (do dito Arnidol) à volta do olho. Será que para além de aliviar e reconfortar a pele dos pequenos trambolhões que as crianças dão, também retira a tinta da pele com facilidade? Uma pessoa está sempre a aprender...Sim, é bem capaz de ter sido o pai a dar um valente trambolhão quando era criança...Em sua defesa, ele é daltónico, confundiu a pintura facial que a nossa criança fez com o negro de uma pancada/queda. Foi só isso. Acontece - não acontece a todos, mas admitamos, pode acontecer.